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Outubro 31 2017

CENTENÁRIO DA ÚLTIMA APARIÇÃO EM FÁTIMA

 

No dia 13 de outubro de 2017, comemorou-se o centenário da última aparição mariana no ano de 1917, em Fátima. Há cem anos terão assistido ao fenómeno miraculoso do sol mais de 50 mil pessoas. Crentes, curiosos e jornalistas convergiram nesse dia para a Cova da Iria.

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 A multidão que assistiu ao Milagre do Sol, na Cova da Iria, no dia 13 de outubro de 1917 (in “Ilustração Portuguesa”, de 29-10-1917)

Lúcia, a vidente que sobreviveu mais tempo, escreveu o seguinte nas suas “Memórias” relativamente a esta Aparição: «Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha Mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar-me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovedoras. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova de Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda-chuvas para rezarmos o terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira».

Foi então que se deu o fenómeno, pré-anunciado pelos pastorinhos para que o povo acreditasse no que diziam, que ficou conhecido como o “Milagre do Sol”. Uma multidão estimada em pelo menos 50 mil pessoas testemunhou, em direto esta ocorrência. Entre os circunstantes encontrava-se o jornalista de “O Século”, Avelino de Almeida que era não crente. Apesar de ser um ex-seminarista, há muito que tinha abandonado a fé e, entretanto, tinha responsabilidades editoriais naquele prestigiado jornal republicano e anti-clerical.

Na edição de “O Século” de 15 de outubro de 1917, o referido jornalista escreve a este respeito o seguinte: «E assiste-se então a um espectáculo único e inacreditável para quem não foi testemu­nha d'ele. [...] vê-se toda a imensa mul­tidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zénite. O astro lem­bra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse. [...] o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos brus­cos fora de todas as leis cósmicas - o sol “bailou”, segundo a típica expressão dos camponeses.»

Quinze dias depois, na revista “Ilustração Portuguesa” de 29 de outubro de 1917, Avelino Almeida interroga e responde: «(...) que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A chuva, à hora prenunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens romper-se e o astro-reidisco de prata fosca – em pleno zénite aparecer e começar dançando n'um bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfí­cie solar... Milagre, como gritava o povo; fenómeno natural, como dizem sábios? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi... O resto é com a Ciência e com a Igreja...». Por causa destes arti­gos, Avelino Almeida acabou por ser despedido de “O Século”, onde era redator-chefe.

O “milagre do sol” foi visto naquele dia na Cova da Iria e Nossa Senhora fê-lo para que todos acreditassem nos “pastorinhos”. Mas também foi observado por algumas pessoas fora de Fátima como aconteceu, por exemplo, com o poeta leiriense, Afonso Lopes Vieira. Este encontrava-se na sua casa, em São Pedro de Moel, distante cerca de 40 quilómetros de Fátima e dá o seguinte testemunho: «Nesse dia 13 de Outubro de 1917, eu, que não me lembrei da predição dos pastorinhos, fiquei encantado com o espectáculo deslumbrante do céu, para mim inteiramente inédito, a que assisti desta varanda».

O Milagre do Sol de acordo com vários testemunhos durou cerca de dez minutos. Os 3 pastorinhos relataram terem observado Jesus, Nossa Senhora da Conceição e São José abençoando a multidão no firmamento.

Uma das descrições mais citadas do que ocorreu em Fátima resulta do trabalho do padre italiano João De Marchi, que esteve em Fátima entre 1943 e 1950, com o propósito de recolher todos os elementos possíveis sobre o fenómeno daquelas Aparições Marianas. O seu estudo “Coração Imaculado” saiu em 1952, e aí o autor relata vários testemunhos sobre pessoas, crentes e não crentes, que estiveram na Cova da Iria. Os testemunhos variam de pessoa para pessoa, mas ninguém negou o “prodígio do Sol”.

O Padre João De Marchi afirma, nesta publicação, que «os grandes acontecimentos que se deram na Cova da Iria nos meses de Maio-Outubro de 1917 despertaram, especialmente nestes últimos anos, não só na terra portuguesa mas em todo o mundo católico, um interesse extraordinário. Multiplicaram-se assim, duma forma que quase diremos prodigiosa, as publicações sobre as Aparições da Virgem Santíssima e sobre os vultos enternecedores dos pastorinhos de Fátima. Propondo-nos, também nós, por nossa vez, reconstruir também a história das Aparições de Fátima, determinamos fazê-lo na moldura daquele ambiente agreste que a Virgem se dignou escolher como cenário para a manifestação dos seus desígnios de misericórdia – para com Portugal e para com a Terra inteira. Residindo em Fátima, tivemos excelente oportunidade de conhecer o ambiente, os costumes e as características deste tão simpático povo, no meio do qual a Virgem colheu os instrumentos da sua Mensagem celeste. Para que esta reconstrução fosse o mais possível viva e real, procuramos reproduzir literalmente as palavras de cada uma das personagens».

publicado por viajandonotempo às 14:29

Setembro 29 2017

ALEXANDRE HERCULANO MORREU HÁ 140 ANOS

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Alexandre Herculano é um dos maiores historiadores portugueses, havendo mesmo quem o considere o fundador da historiografia portuguesa. Mas foi também um consagrado escritor, cujos poemas e romances o tornaram uma destacada personalidade do romantismo português. Escreveu em diversas revistas e periódicos portugueses, de carácter cultural ou informativo, alguns dos quais foram mesmo fundados por si.

Nasceu em Lisboa a 28 de março de 1810 e morreu no dia 13 de setembro de 1877, na Quinta de Vale de Lobos, Azoia de Baixo, Santarém.

Herculano nasce no ano da 3.ª invasão francesa e, durante o seu crescimento, vive numa atmosfera de grande intensidade política de algum ódio para com os franceses, primeiro, e, depois, contra os ingleses. Tem 10 anos quando se dá a Revolução Liberal Portuguesa, 12 quando o Brasil se torna independente e é aprovada a Constituição Portuguesa, mas já é adulto quando ocorre a Guerra Civil (1832-1834), na qual participa, como um dos “Bravos do Mindelo” ao lado de D. Pedro e, entre muitos outros, de Almeida Garrett.

Em termos políticos, Alexandre Herculano sempre se revelou um liberal convicto. Ter-se-á iniciado na maçonaria, muito provavelmente quando esteve exilado em Inglaterra, no período das perseguições miguelistas, mas acabaria por abandoná-la, pouco depois.

D. Pedro, no período do Cerco do Porto, nomeou-o seu Bibliotecário na cidade e nesse período terá iniciado a direção e colaboração regular na revista de Lisboa, “O Panorama”.

Como historiador, uma das obras mais notáveis, foi a “História de Portugal”, cujo primeiro volume saiu em 1846. Este seu trabalho terá sido o primeiro passo de uma verdadeira história, alicerçada numa metodologia científica, que se baseia em documentos fidedignos. Mesmo assim levantou alguma polémica, pela originalidade da sua produção e sobretudo por algumas afirmações feitas com coragem e com a determinação que a base documental permitia. Os maiores críticos surgiram no meio eclesiástico, sobretudo porque Alexandre Herculano pôs em causa o célebre “Milagre de Ourique”, segundo o qual Cristo teria aparecido a D. Afonso Henriques anunciando previamente a sua vitória. Sabemos hoje que até a data e o local são postos em causa, quanto mais a intermediação divina. Em resultado do prestígio científico granjeado por Herculano com a sua História de Portugal, a Academia das Ciências de Lisboa nomeou-o seu sócio efetivo e a entregou-lhe o enorme e muito importante projeto que foi o “Portugaliae Monumenta Historica”, que consistiu na recolha de documentos valiosíssimos que se encontravam nos arquivos de conventos e mosteiros de todo o país, e que constituiu um projeto monumental que levou a cabo nos anos 1853 e 1854, iniciando a sua publicação em 1856. Como os mosteiros e conventos foram extintos e os seus bens leiloados em hasta pública, este trabalho de Herculano ainda ganha maior importância e pertinência, pois sem ele, milhares de documentos que são hoje fonte historiográfica importante, ter-se-iam perdido para sempre.

Em termos políticos, Herculano foi sempre adepto da Carta Constitucional, e por isso, em 1836, recusou a sua adesão ao Setembrismo. Foi deputado às Cortes, mas recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, em meados do século (1851). Em termos autárquicos, como hoje diríamos, foi Presidente da Câmara de Belém (nos subúrbios de Lisboa, anos de 1854 e 1855), cargo que abandona rapidamente. Morreu aos 67 anos, de pneumonia e está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

publicado por viajandonotempo às 08:07

Agosto 31 2017

D. ANTÓNIO BARROSO MORREU HÁ 99 ANOS

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O antigo Bispo do Porto, D. António Barroso é o que está sentado

HOJE faz 99 anos que faleceu o antigo Bispo do Porto, D. António Barroso, que bem pode ser considerado uma das maiores vítimas da Primeira República Portuguesa. António José de Sousa Barroso nasceu em Barcelos, no dia 5 de novembro de 1854 e faleceu no Porto no dia 31 de agosto de 1918, com 64 anos.

Ao longo da sua vida, e depois de ter frequentado, já adulto, o Colégio das Missões Ultramarinas de Cernache do Bonjardim (Sertã), entre 1873 e 1879, e de ter sido ordenado sacerdote missionário, no dia 20 de setembro de 1879, abraçou a vocação missionária no Congo e em Angola, de 1880 a 1891. Assumiu maiores responsabilidades religiosas em Moçambique, onde foi Bispo Missionário, e, mais tarde, foi Bispo de Meliapor, na Índia. Mas foi sobretudo como Bispo do Porto, entre 1899 a 1918, que teve as maiores contrariedades, devido ao carácter anticlerical da política republicana.

Implantado o novo regime em Portugal, em 1910, a Igreja Católica foi vítima da perseguição dos revolucionários republicanos que não perdoaram o carácter conservador da religião católica, sem dúvida, a confissão religiosa mais arreigada na tradição popular portuguesa.

Distantes pouco mais de um século sobre estes acontecimentos revolucionários, parece-nos que os republicanos foram longe de mais na sua batalha contra a Igreja, pese embora a influência enorme que a Igreja tinha nas mentalidades, o que ia frontalmente contra os objetivos revolucionários que pretendiam mexer significativamente nas estruturas vigentes. Mas a Igreja, com D. António Barroso à cabeça, reagiu com coragem às suas investidas.

Logo na véspera de Natal de 1910 foi distribuída uma pastoral coletiva do episcopado português onde se denunciava a violência e o sectarismo anticatólico do novo regime. E no dia 23 de fevereiro de 1911, os Bispos tomaram posição, novamente em pastoral coletiva, contra o fim do juramento religioso, a expulsão das Congregações, a lei do divórcio e restantes medidas anticlericais postas em prática pela República.

Afonso Costa, que exercia o importante cargo de Ministro da Justiça, proibiu a sua leitura nas Igrejas. A resistência a estas medidas estendeu-se a todo o país, nos anos de 1911 e 1912, levando o Governo a punir os prevaricadores com prisões e desterros para fora das respetivas dioceses, como aconteceu precisamente com D. António Barroso, que foi preso e levado para Lisboa. Mantendo-se firme nas suas convicções, o Bispo do Porto foi um “mártir” nas mãos da República: foi apedrejado na Rua do Ouro, julgado em Lisboa e depois no Porto, expulso da sua diocese e exilado, tendo regressado em 1914, para voltar ao exílio em 1917. Regressou à sua diocese em dezembro de 1917, após a revolução sidonista, mas 9 meses mais tarde acabou por falecer, sendo sepultado na paróquia onde nasceu, Remelhe (Barcelos).

No dia 20 de abril de 1911 era publicada a Lei de Separação das Igrejas do Estado, que no seu o artigo 62.º declarava que «todas as catedrais, igrejas e capelas, bens imobiliários e mobiliários” eram pertença e propriedade do Estado e, portanto, foram arrolados e inventariados.

A um ano do centenário da morte de D. António Barroso, a 31 de agosto de 2018, decorre no Vaticano, a sua causa de beatificação, iniciada pela diocese do Porto e já autorizada pelo Papa Francisco, no dia 17 de junho de 2017, com publicação do decreto que reconhece as “virtudes heroicas” de D. António José de Sousa Barroso (1854-1918).

Em março de há dois anos (2015), o atual Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, deu por concluídos os processos canónicos de inquérito a duas curas miraculosas que foram atribuídas à intercessão de Sílvia Cardoso e D. António Barroso, cujas conclusões foram entregues à Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano.

Neste momento esta Congregação, para além do caso de D. António Barroso, tem em mãos mais cinco processos de canonização da diocese do Porto: o da Irmã Maria do Divino Coração, Religiosa da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor já beatificada em 1 de novembro de 1975, pelo Papa Paulo VI e que está sepultada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Ermesinde; D. Sílvia Cardoso Ferreira da Silva, leiga, que nasceu em Paços de Ferreira e aí faleceu em 2 de novembro de 1950, já declarada Venerável em 27 de março de 2013, pelo Papa Francisco e sepultada na Igreja matriz de Paços de Ferreira; o Padre Américo Monteiro de Aguiar, sacerdote, que nasceu em Galegos, Penafiel, a 23 de outubro de 1887 e faleceu no Hospital de Santo António, Porto, a 16 de julho de 1956, fundador da Obra da Rua e que está sepultado na Capela da Casa do Gaiato de Paço de Sousa, Penafiel; Irmã Maria Rita de Jesus, Religiosa da Congregação das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, que nasceu no Porto a 23 de janeiro de 1885 e aí faleceu em 1965, estando sepultada no Cemitério da Ordem da Lapa; e Ana de Jesus Maria José de Magalhães, leiga, que nasceu em Arrifana, Santa Maria da Feira, em agosto de 1811 e aí faleceu em 25 de março de 1875, estando sepultada no adro da Igreja de Arrifana.

publicado por viajandonotempo às 08:29

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