VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Agosto 24 2016

122 anos aós a sua morte

 

Oliveira Martins foi um vulto importante da cultura literária e histórica portuguesas do século XIX. Faleceu há 122 anos (dia 24 de agosto de 1894) e, fazendo jus àquilo que era o seu prestígio nacional, o semanário “O Micróbio”, de 26 de agosto de 1894, dedica-lhe uma página onde escreve que é a «primeira intelligencia do paiz. Trabalhador improbo, caracter impoluto e espirito preclaro – a morte de Oliveira Martins é uma perda nacional (…)».

Também a revista O Occidente, de que foi colaborador, lhe dedica algum espaço. Foi daí que extraímos alguns dos dados biográficos que servem de suporte a este artigo.

Era filho de Francisco Cândido Gonçalves Martins, oficial da Junta do Crédito Público, e de Maria Henriqueta Morais de Oliveira. Neto paterno do desembargador Joaquim Pedro Gomes de Oliveira, que, por duas vezes, foi ministro de D. João VI e membro do governo supremo do reino desde 1820 até se constituírem as Cortes, no dia 26 de janeiro de 1821. Seu pai viria a falecer por ocasião da febre-amarela que em 1857 se manifestou em Lisboa, tinha o filho apenas 12 anos.

Devido à morte do pai e ao facto de ter mais cinco irmãos e não ter recursos para continuar os seus estudos no Liceu de Lisboa, teve de iniciar atividade profissional no comércio e ao mesmo tempo ia prosseguindo os seus estudos conforme as suas possibilidades. Em 1870 foi trabalhar para Espanha, como empregado da Companhia de Minas de Santa Eufémia, em Córdova, onde se manteve até 1874, indo depois fixar-se na cidade do Porto, para desempenhar o cargo de Diretor da exploração do caminho-de-ferro, que ligava o Porto à Póvoa e a Vila Nova de Famalicão.

Em 1878 venceu o concurso da Academia Real das Ciências de Lisboa, com o opúsculo intitulado Circulação Fiduciária, recebendo a medalha de ouro, tendo sido nomeado, também, Sócio Correspondente dessa Academia. Dois anos depois foi eleito Presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, onde se manteve até 1882, sendo-lhe conferido, nessa altura, o título de Presidente Honorário desta Sociedade. Neste mesmo ano, também a Real Academia de Espanha lhe atribuiu o diploma de seu sócio correspondente. Torna-se igualmente membro do Instituto de Coimbra. Em 1884, torna-se diretor do Museu Industrial e Comercial do Porto.

Oliveira Martins foi um pensador bastante eclético, com uma cultura profundíssima, e as suas ideias políticas não conseguiram nunca convergir num único ideário partidário, porque tanto podia defender ideais claramente republicanos como monárquicos, anarquistas e liberais como ditatoriais.

Talvez isso explique a sua curta carreira política que começou em 1887, como deputado eleito pelo Porto, tendo sido reeleito para sucessivas legislaturas. Chegou a fazer parte do governo do Conselheiro José Dias Ferreira, como ministro da Fazenda, desde 17 de janeiro de 1892, mas 7 meses depois abandonaria o governo, para se dedicar aos trabalhos literários, que lhe davam maior prazer.

Colaborou em vários jornais, nos periódicos literários e científicos mais importantes do país (como a Revista Científica, Revista de Portugal, Revista de Educação e Ensino, Revista Occidental, Dois Mundos e, entre outras, Renascença) e escreveu importantíssimas obras literárias sendo de destacar algumas das que redigiu como historiador: Portugal nos mares, Navegações e descobrimentos portugueses, História da República Romana, História da Civilização Ibérica e História de Portugal, O Brasil e as Colónias Portuguesas, Os Filhos de D. João I.

Escreveu até morrer. Faleceu na sua residência, em Lisboa, às 6h30 do dia 24 de agosto de 1894, com 49 anos (havia nascido também em Lisboa, no dia 30 de abril de 1845) tendo o corpo seguido para a igreja dos Caetanos, onde decorreram as cerimónias fúnebres, e daí para o Cemitério dos Prazeres.

publicado por viajandonotempo às 08:26

Julho 29 2016

HÁ 68 ANOS NORTON DE MATOS ASSUMIA-SE CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

Na conjuntura do 2.º pós Guerra, em que Salazar para sobreviver à derrota das ditaduras, teve de “suavizar” estrategicamente os mecanismos de repressão do seu regime, surge, a 29 de julho de 1948, a candidatura, à Presidência da República, do general Norton de Matos, antigo republicano e maçon que chegou a exercer cargos governativos e foi também governador de Angola. O general teve, então (há 68 anos), o apoio de toda a Oposição Democrática.

Entre as medidas tomadas por Salazar logo após o término da 2.ª guerra mundial, com o objetivo de evidenciar mudanças na robustez política do regime refiram-se, ainda no contexto das manifestações populares de júbilo pela recente vitória aliada: a dissolução da Assembleia Nacional, com a convocação formal de eleições legislativas antecipadas prometendo eleições livres e justas; a revisão da Constituição de 1933, estabelecendo o aumento do número de deputados; a aprovação de uma nova lei eleitoral que introduziu a criação de círculos distritais, incluindo um para cada colónia; a concessão de amnistia parcial aos presos políticos; a supressão do regime excecional sobre a segurança do Estado, levando a um abrandamento temporário da censura e da repressão (verificando-se uma efetiva diminuição do número de presos políticos nesse período); a reorganização da polícia política e alteração da sua designação de PVDE para PIDE; a permissão da criação de movimentos oposicionistas, possibilitando a organização legal da Oposição Democrática (entre os movimentos da Oposição então fundados o mais célebre foi o MUD – Movimento de Unidade Democrática) com a finalidade de participar nos processos eleitorais que se viessem a convocar.

Foi neste contexto que foi convocada a eleição presidencial de 1949, a que Norton de Matos concorreu. A sua candidatura tornou-se pública em 29 de julho de 1948 e, desde logo, assumia a reivindicação da liberdade de expressão, de propaganda política e de uma justa e transparente contagem dos votos. Estas exigências não as podia satisfazer o regime salazarista e, por isso, Norton de Matos acabou por nem sequer ir a votos, desistindo antes do ato eleitoral, apesar de ter reunido à sua volta toda a oposição, prometendo a liberdade e o reconhecimento dos direitos dos cidadãos, caso fosse eleito.

Nove anos depois (1958), Humberto Delgado, o “general sem medo” também foi candidato à Presidência da República, congregando na sua candidatura todos os movimentos oposicionistas ao regime. É importante que os portugueses saibam que se trata de uma personalidade que antes de sair do país (entre 1947 e 1950 esteve no Canadá, como representante de Portugal na Organização da Aviação Civil Internacional; e de 1952 a 1957 foi adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos Representantes Militares da NATO) apoiava praticamente todas as decisões do regime e era amigo de António Oliveira Salazar. Aliás, Humberto Delgado participou no Golpe Militar de 28 de Maio de 1826, que depôs o regime Republicano.

Mas, em meu entendimento, foi esta vivência de 8 anos fora do país, que lhe permitiu ter a real consciência do mundo contemporâneo: teve conhecimento in loco dos reais efeitos da democracia na qualidade de vida da população, que nunca teria se não tivesse saído do país, uma vez que a censura se encarregava de deformar a verdade. E assim, contra todos aqueles que o tentaram deter, apresentou-se ao ato eleitoral de 8 de junho de 1958, depois de uma campanha promissora, cheia de “banhos” de multidão, nas grandes cidades. Mas, a “verdade” é que os resultados “oficiais” determinaram a sua derrota e o “Estado Novo” manteve-se mais 16 anos. A “Oposição Democrática” foi dando, pontualmente, sinais de vida, mas só a Revolução do 25 de Abril de 1974 devolveu a liberdade ao povo português.

publicado por viajandonotempo às 14:23

Junho 30 2016

REFERENDO APROVOU A SAÍDA NO DIA 23 DE JUNHO DE 2016

 

O dia 23 de Junho de 2016 fica na História da construção europeia como um dia triste e infeliz, já que pela 1.ª vez, em 59 anos de existência, há um estado-membro a abandonar a União, quando aquilo a que estávamos habituados, nesta temática, era à ampliação deste espaço comunitário, na linha do que eram as naturais expetativas dos seus fundadores. E o Reino Unido revelar-se-á uma “perda de peso”.

Contudo, aqueles que conhecem melhor a postura britânica sabem que sempre se sentiu mais uma potência atlântica, de charneira entre a Europa e os Estados Unidos da América, do que propriamente um Estado Europeu alinhado com o continente. Por isso, não foi fundador da CEE (apenas entrou em 1973), nem aderiu ao Euro. A sua saída não é nenhuma tragédia, mas também não é uma notícia boa para os defensores de uma Europa Unida, em termos económicos, sociais e políticos.

Efetivamente, as instituições europeias, na sua constituição e funções, evoluíram sempre no mesmo sentido nestas quase seis décadas de vida comunitária, o de conferirem uma maior consolidação à construção europeia.

Assim, desde 1979, o Parlamento Europeu (com sede em Estrasburgo) passou a ser eleito, em todos os estados-membros, por sufrágio universal direto.

Em 1985, os Acordos de Schengen iniciaram a livre circulação de pessoas entre os estados-membros signatários.

No ano seguinte, o Ato Único Europeu (AUE) foi mais um passo efetivo na liberdade de circulação de mercadorias, pessoas, capitais e serviços.

O Tratado de Maastricht (em dezembro de 1992) criou a cidadania europeia e firmou uma cooperação mais estreita nos domínios da moeda, defesa, justiça, saúde, meio ambiente, proteção dos trabalhadores e cultura, e a CEE passou a designar-se UE (União Europeia). Em 2002, foi dado mais um passo importante na consolidação da UE, com a entrada em circulação do euro (exceto no Reino Unido, Dinamarca e Suécia) nos países-membros que se comprometeram a manter o défice público abaixo dos 3% do PIB e não deixar que a dívida pública ultrapassasse 59% do PIB.

Quando os países da Europa do Sul, Grécia, Portugal e Espanha, já na década de 1970 se tornaram democráticos, puderam requerer a sua integração na CEE (a Grécia entrou em 1981; Portugal e Espanha, em 1986).

Em 1995, passou a 15 membros; em 2004, a 25; em 2007, a 27; e em 2013, a 28. Agora, em 2016, conhecerá a sua primeira redução, com a saída do Reino Unido, voltarão a ser 27 estados-membros.

Esta deliberação plebiscitada em 23 de junho para além de representar, antes de mais, a saída de um importantíssimo espaço comunitário pode significar também a própria desagregação do Reino Unido, de acordo com os sinais que já se anunciam na Escócia e Irlanda do Norte.

Relativamente às relações com Portugal não são de esperar grandes mudanças; entre a Inglaterra e Portugal existe a mais velha aliança do mundo entre países, sucessivamente consolidada com a ajuda inglesa nos momentos mais difíceis da História de Portugal, nomeadamente nas Guerras da Independência (séc. XIV), da Restauração (séc. XVII) e Peninsular (séc. XIX).

A saída do Reino Unido da UE, apesar do impacto negativo que indiscutivelmente tem, pode mexer com as estruturas comunitárias e dar novo alento à Comunidade Europeia, fazendo-a reanimar, e despoletar novos desafios e novas realizações.

publicado por viajandonotempo às 18:45

Maio 31 2016

HÁ 90 ANOS ACABOU A REPÚBLICA E COMEÇOU O GOVERNO DA DITADURA

 

Foi no dia 31 de maio de 1926, há 90 anos, que o presidente da República Portuguesa, Bernardino Machado, depois de 72 horas de resistência ao Golpe de Estado de Gomes da Costa, iniciado em Braga, 3 dias antes, renuncia aos seus poderes de Chefe de Estado, transferindo-os ao Almirante Mendes Cabeçadas.

Chegava, assim, ao fim a primeira experiência democrática em Portugal, que ficou conhecida como Primeira República.

Com a participação na 1.ª Grande Guerra, Portugal viu agravarem-se os seus problemas económicos que, por tradição vinham dos séculos anteriores. A Guerra representou um grande custo financeiro e ocupou parte significativa da mão-de-obra masculina jovem. Por isso, as dificuldades foram maiores.

No domínio agrícola, Portugal adiou a “reforma agrária” e continuou carente de trigo para fazer o pão, recorrendo a importações que ajudava a pagar para manter o preço do pão o mais baixo possível, evitando assim a fome das classes urbanas pobres.

Portugal continuava a ser um país rural, cuja população vivia, sobretudo, da exploração de vinho, cortiça, frutas e da pastorícia. A instabilidade política da 1ª República (45 governos) também não ajudou à tomada de decisões estruturais capazes de fazer renascer a economia, em bases sólidas.

Apesar dos números continuarem a mostrar Portugal como um país afastado do desenvolvimento industrial, a verdade é que, durante a Primeira República o nosso país conheceu algum progresso no que respeita à industrialização. As regiões de Lisboa (sobretudo a sul do Tejo) e do Porto (com extensão ao Minho) mostravam algum dinamismo industrial. A expansão industrial não foi maior porque se registaram algumas insuficiências, designadamente ao nível das infraestruturas dos transportes e comunicações (a rede ferroviária e viária quase estagnou após “fontismo”). Os portos de Lisboa e Leixões não estavam devidamente apetrechados e a nossa marinha mercante também não se modernizou.

De facto, os problemas financeiros do País agravaram-se com a participação de Portugal na Guerra. O défice orçamental, a dívida pública e a desvalorização da moeda foram motivo de diversas crises governamentais e de instabilidade política. A depreciação do escudo provocou a fuga de capitais e o aumento dos preços. As reservas de ouro desceram e o país foi obrigado a uma política de austeridade orçamental. O país atravessou grandes dificuldades que estão na base da queda do regime republicano.

Bernardino Machado, nascido no Brasil (Rio de Janeiro), no dia 28 de março de 1851 e falecido em Vila Nova de Famalicão, no dia 28 de abril de 1944, foi o terceiro e o oitavo presidente eleito da República Portuguesa, respetivamente, de 6-8-1915 a 5-12-1917 e de 11-12-1925 a 31-5-1926.

Veio para Portugal, com a família, com a idade de 9 anos. Depois dos estudos iniciais frequentou a Universidade de Coimbra onde também foi professor. Quando se tornou adulto, optou pela nacionalidade portuguesa. Foi maçon e, em 1903, aderiu ao Partido Republicano, tendo exercido vários cargos políticos, após a implantação da República, designadamente os de Ministro dos Negócios Estrangeiros, Embaixador de Portugal no Brasil (o primeiro depois da implantação da República) e Presidente da República Portuguesa.

Há 90 anos, foi obrigado pelas circunstâncias a transferir os poderes para o oficial da Armada Portuguesa, Mendes Cabeçadas, um revolucionário de 1910, que, 16 anos mais tarde, em virtude da sua oposição ao Partido Democrático, aderia ao movimento que poria fim à Primeira República, tornando-se, por 15 dias, o 1.º Presidente no período da Ditadura Militar.

publicado por viajandonotempo às 14:21

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