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Setembro 06 2009

SANTIAGO DA GUARDA

(1.ª parte)

 

 

Brasão: escudo de púrpura, torre quadrangular de prata, lavrada de negro, aberta e iluminada de verde, entre duas espigas de milho de ouro, realçadas de negro; em chefe, vieira de ouro, realçada de negro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "SANTIAGO da GUARDA".

 
Bandeira – fundo branco com o brasão no centro. Cordões e borlas de prata e púrpura. Lança dourada

 

Apontamento Histórico
Santiago da Guarda tem sido povoada desde os primórdios da humanidade, o que é testemunhado por diversos vestígios arqueológicos encontrados, designadamente, machados e artefactos neolíticos, no Monte Alvão, lugares de Guarda e Moita Santa, e também muita cerâmica, pedaços de vasilhas, restos de tegulae e imbrices, na zona do Poço do Carvalhal (Várzea), mosaicos e construções romanas sob o Paço dos Condes de Castelo Melhor e um troço bem conservado de estrada romana, próximo do Vale de Boi.
Troço de uma estrada romana
Durante o 1.º reinado português, na carta de doação do Alvorge ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1141) é mencionada a povoação “Façalamim”, que se localiza a Sul do Alvorge. D. Sancho I, em Abril de 1191, deu o dízimo, que uma herdade local pagava à Coroa, ao Mosteiro de São Jorge de Coimbra.
Pero de Sousa Ribeiro, filho de João Rodrigues de Vasconcelos e de D. Branca da Silva, em 8 de Dezembro de 1476, recebeu carta de privilégio de couto e honra para a Quinta que possuía na Freguesia e para a feira da Moita Santa. No final do século seguinte (1597), Luís de Sousa e Vasconcelos, 4.º Alcaide-mor de Pombal, recebeu aquela Comenda. Seguiram-se ainda outras honras e títulos. Em 1758, ainda era Donatário da região, o Conde de Castelo Melhor.
Nesse tempo, Santiago da Guarda possuía vários templos religiosos dignos de destaque (alguns ainda existem): Igreja Matriz, dedicada a S. Tiago (já demolida e substituída por uma nova na década de 1970), as Ermidas da Senhora da Piedade, no Vale do Boi; de Santa Ana, no lugar do Pinheiro; de São Pedro, no Casal dos Nogueiros; de Santo António, nas Louriceiras; de Santa Bárbara, no lugar da Melriça; de São Vicente, no lugar da Moita Negra; e da Senhora da Moita Santa, no lugar do mesmo nome.
Santiago da Guarda integrou o concelho de Rabaçal, na primeira metade do século XIX, e, mais tarde, integrou o concelho de Ansião. A devoção ao apóstolo S. Tiago, nascida no contexto da Reconquista Cristã, subsistiu ao longo dos tempos. Aliás, por aqui passava um dos “caminhos de peregrinação a Santiago”, por isso, as populações desta região se apegaram tanto a esse culto, que acabou por ficar no nome da Freguesia.
Entre o actual património da freguesia, o edifício que mais dá nas vistas é, sem dúvida, aquele a que o povo chama “Castelo” e não é mais que o Solar dos Condes de Castelo Melhor. Trata-se do único Monumento Nacional classificado (desde 1978), em toda a área do Concelho, sendo o único exemplar da arquitectura manuelina na região. É constituído por Torre, Paço e Capela. Muito vandalizado, durante o século XX, algumas portas e janelas manuelinas ilustram o estilo em que foi construído, na 2.ª metade do século XV, acreditando-se que a Torre, em cantaria, será anterior.
um dos mosaicos romanos da "villa" da Guarda em Santiago
  É propriedade do Município, que superintendeu e custeou parte da intervenção a que recentemente foi sujeito, tendo-se encontrado, no subsolo, mosaicos romanos de grande valor, parte deles conservados para serem observados pelos visitantes. Ainda na área da freguesia, próximo à povoação de Vale de Boi, existe um pequeno troço de “calçada romana”, certamente um pedaço de uma via romana secundária, por onde terão passado muitos peregrinos de S. Tiago, que poderão ter tido alguma ligação ao actual nome desta freguesia.
Pela sua importância patrimonial, merecem ser vistos os Moinhos de Vento da Melriça e do Outeiro – únicos no mundo em termos de funcionamento. Este é, de facto, bastante original: toda a estrutura roda à procura do vento que faça girar as velas (em lona), para que estas, por sua vez, façam girar as mós que hão-de moer o grão.
O Artesanato é uma actividade importante na área desta freguesia, que todos os anos, no mês de Julho, organiza uma Feira de Artesanato. A tecelagem e a cestaria são os sectores mais representativos.
O Queijo do Rabaçal tem aqui o maior centro de produção – a Coprorabaçal – que tem como objectivo produzir o delicioso queijo, em quantidade e qualidade. Aqui tem sede, também, a respectiva Confraria do Queijo Rabaçal.
 
Capela da residência dos Condes de Castelo Melhor (Santiago da Guarda)

 

            A capelinha do Solar dos Condes de Castelo Melhor de que restam apenas as paredes e abóbada (agora reconstruídas) apresenta características claras do estilo manuelino. Pessoas antigas com quem conversámos recordam-se, quando o estado de ruína não era ainda tão grande (nas primeiras décadas do século XX) como depois foi, dos bonitos frescos que existiam nesta capela.
Abóbada da Capela Privada do Paço dos Condes de Castelo Melhor
 
Igreja Matriz (São Tiago)

 

A actual Igreja Matriz de Santiago da Guarda é a mais recente de toda a área concelhia, tendo sido construída na década de setenta, do século passado.
Igreja de arquitectura moderna, bastante mais espaçosa do que a anterior, e edificada exactamente no mesmo sítio que aquela ocupava, o seu interesse histórico-patrimonial acaba por ser diminuto.
Uma referência apenas para as importantes esculturas de pedra quinhentista que guarda, designadamente a de Nossa Senhora da Graça e a de São Tiago. Algumas imagens vieram da antiga Igreja Paroquial da Orada (não muito longe da sede desta freguesia), e outras da antiga Igreja de Santiago. Merecem ainda destaque as Imagens de Santo António de Lisboa e de Santa Luzia.          
publicado por viajandonotempo às 09:22

Foi com muito agrado e proveito que li este texto sobre Santiago da Guarda. Para além da informação em si, destaque-se a ilustração e a clareza da redacção - como sempre.
Luís Carlos
beatonuno a 6 de Setembro de 2009 às 15:05

Muito obrigado, meu caro Dr. Luís Carlos. Vindo de si um comentário elogioso é sobejo motivo para continuar sempre...
Um abraço amigo
viajandonotempo a 7 de Setembro de 2009 às 00:00

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