VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Abril 29 2009

 

 
Ainda no contexto da celebração dos 35 anos sobre a Revolução de Abril, acho que vale a pena reflectir sobre a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974) que está directamente ligada com a causalidade da Revolução Democrática Portuguesa.
 
Em 1961, um rol de acontecimentos marcou uma viragem no destino das colónias portuguesas.
 

 

  

OS PALCOS DA GUERRA
Angola (a 8.500 Km de Lisboa)
 
Foi a Guerra declarada contra o exército português, iniciada pelos militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) em Luanda, a 4 de Fevereiro e, a 15 de Março, a UPA (União das Populações de Angola), posteriormente denominada FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola). É o princípio de um conjunto de violentos ataques no Norte desta colónia. Anos mais tarde, já com a presença da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), começa uma luta de guerrilha.
No ano de 1961 Salazar irá proferir a máxima legitimadora da sua posição relativamente às rebeliões que se desencadeavam nas possessões portuguesas: "Para Angola, imediatamente e em força".
Milhares de soldados portugueses, como se vê no quadro que se segue, foram enviados para Angola.
 
E, como é óbvio, muitos milhares lá morreram:

 

 
Guiné (a 3.000 Km de Lisboa)
O conflito na Guiné-Bissau iniciar-se-á em 1963, com apenas uma organização política: o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde).
Também para esta província portuguesa o governo salazarista mobilizou milhares de jovens portugueses.
E também aqui se registaram muitos mortos:
 
Moçambique (a 13.000 Km de Lisboa)
 
 
Em 1964, é a vez da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) conduzir Moçambique também à guerra contra o domínio português.
Apesar de ficar a mais de 13 mil quilómetros de Portugal, também para lá seguiram milhares de combatentes portugueses.
E, também, mais uma vez grande número de soldados mortos em combate:
 
 
 
As três frentes de guerra provocaram fortes abalos nas finanças do Estado (houve anos em que mais de 40% do Orçamento de Estado eram despendidos com a Guerra), desgastando simultaneamente as Forças Armadas, ao mesmo tempo que colocava Portugal cada vez mais isolado no panorama político mundial. A nível humano, as consequências foram trágicas: um milhão e quatrocentos mil homens mobilizados, nove mil mortos e cerca de trinta mil feridos, além de cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo distúrbios pós-guerra.
Os efectivos em combate do lado português e do lado dos movimentos nacionalistas eram, segundo fontes militares, os seguintes:
A acrescentar a estes números há ainda que mencionar as não contabilizadas vítimas civis de ambas as partes.
Falta dizer que muitos dos soldados portugueses mobilizados para esta guerra profundamente injusta viram a sua vida académica, familiar e/ou profissional subitamente interrompida.
Talvez, assim, se fique a entender melhor a razão por que foram os "capitães" a fazer o "25 de Abril" de 1974.
publicado por viajandonotempo às 15:05

Abril 26 2009

D. NUNO ÁLVARES PEREIRA

 

Nuno Álvares Pereira nasceu em 1360, no Castelo de Cernache de Bonjardim, concelho da Sertã, na região do Pinhal Interior, filho de um dos mais ilustres senhores do reino, D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem Militar dos Hospitalários. D. Nuno teve uma educação militar, típica dos nobres.

Foi hoje (26 de Abril de 2009) canonizado, no Vaticano pelo Papa Bento XVI, depois de ter sido beatificado, há 90 anos atrás (em 1918), curiosamente pelo Papa que adoptou o nome Bento XV. O seu processo de canonização tinha sido reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com uma sessão solene presidida por D. José Policarpo.
Aos 16 anos casou-se com D. Leonor de Alvim, muito virtuosa e tida como uma das mais ricas herdeiras do reino. Tiveram três filhos: dois rapazes, que morreram cedo, e uma menina, D. Beatriz, que foi a “mãe” duma das mais prestigiadas casas reinantes portuguesas – a Casa de Bragança.
Após a morte da esposa, D. Nuno tornou-se Carmelita (no Convento do Carmo, em Lisboa, que fundara em 1397 como cumprimento de um voto). Escolhe o nome de Irmão Nuno de Santa Maria, recolhendo esmola para os pobres. Permanece no Convento do Carmo de 1423 até à data da sua morte, em 1431.
Aquele que foi um dos homens mais ricos do país, deixa todos os seus bens para se entregar à sua Ordem Religiosa e à caridade em favor daqueles que sofriam. Morreu sem bens materiais próprios, apenas o hábito que vestia todos os dias.
Para o povo português era já tratado como o “Santo Condestável” ou Frei Nuno de Santa Maria. Enquanto militar, evidenciou elevadas qualidades de coragem e determinação, desempenhando um papel fundamental na crise de 1383-85, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela, apoiando o partido do Mestre de Avis.
Grande parte do poder estava do lado Castela, mas o povo, o clero e alguns nobres acreditavam na viabilidade de Portugal, como reino independente.
Efectivamente, nesse contexto, Nuno Álvares Pereira, o Condestável, foi uma figura decisiva da “velha nobreza” na afirmação de um novo rumo para o país, apoiando destemidamente o "golpe de estado" que colocou D. João I no poder e culminou em Aljubarrota, com a liderança de um pequeno exército português a derrotar um invasor castelhano muito mais poderoso.
Sabe-se que antes da Batalha de Aljubarrota, a 14 de Agosto de 1385, o novo rei estava renitente sobre a melhor decisão a tomar, mas a atitude audaz de D. Nuno foi a pedra de toque para a Batalha em que a táctica do quadrado e a escolha do local da batalha se mostraram determinantes para a vitória das tropas nacionais.
É o patrono do Exército Português, dos Escuteiros Portugueses e de algumas paróquias de Portugal.
Os nossos “amigos” espanhóis certamente não lhe vão ser grandes devotos, até porque em algumas regiões de Espanha, não esquecendo o seu papel na derrota que lhes foi infligida em Aljubarrota, em vez de meterem medo aos miúdos com o famoso “papão” como acontece aqui, dizem antes: “foge, foge... que vem lá o D. Nuno!!!”
Para os portugueses, no entanto, é um orgulho ver reconhecidas as qualidades modelares de mais um português – São Nuno de Santa Maria!

 

publicado por viajandonotempo às 19:15

Abril 25 2009

 

ALGUNS DOS PRINCIPAIS INTERVENIENTES NO "25 DE aBRIL"
 
Otelo Saraiva de Carvalho
 
Foi capitão em Angola de 1961 a 1963 e também na Guiné entre 1970 e 1973, sendo um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Dec. Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães e ao MFA. Era o responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA e foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha . Graduado em brigadeiro, é nomeado Comandante da COPCON e Comandante da região militar de Lisboa a 13 de Julho de 1975. Faz parte do Conselho da Revolução quando este é criado em 14 de Março de 1975. Em Maio do mesmo ano integra, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves o Directório, estrutura política de cúpula durante o IV e V Governos Provisórios. Conotado com a ala mais radical do MFA, viria a ser preso em consequência dos acontecimentos do 25 de Novembro. Solto três meses mais tarde é candidato às eleições presidenciais de 1976. Volta a concorrer às eleições presidenciais de 1980. Em 1985 é preso na sequência do caso FP-25. É libertado cinco anos mais tarde, após ter apresentado recurso da sentença condenatória ficando a aguardar julgamento em liberdade provisória. Em 1996 a Assembleia da República aprovou uma amnistia para os presos do Caso FP-25.
 
 
Salgueiro Maia
 
Militar de méritos reconhecidos, dotado de uma inteligência superior e de uma coragem e lealdade invulgares, dele se diz "ter sido o melhor de entre os melhores dos corajosos e generosos Militares de Abril". Nasceu em Castelo de Vide. Fez os estudos secundários no Colégio Nun' Álvares, em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Entrou para a Academia em 1964 e em 1966 ingressou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Combateu na Guiné e em Moçambique, já com a patente de capitão. Foi um dos elementos activos do MFA. No dia 25 de Abril de1974, comandou a coluna militar que saiu da EPC de Santarém e marchou sobre Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço. Horas mais tarde comanda o cerco ao Quartel do Carmo que termina com a rendição de Marcelo Caetano. Foi membro activo da Assembleia do MFA, durante os governos provisórios, mas não aceitou qualquer cargo político no pós 25 de Abril. Faleceu em Santarém, a 3 de Abril de 1992, vítima de cancro.
 
 
Vasco Correia Lourenço
 
Nasceu em Castelo Branco. Ingressou na Academia Militar em 1960. Pertenceu à Arma de Infantaria. Combateu na Guerra Colonial, tendo cumprido uma comissão militar na Guiné de 1969 a 71. No dia 25 de Abril de 1974 era capitão nos Açores. Membro activo do Movimento dos Capitães, pertenceu à Comissão política do MFA. Nesta condição foi nomeado para o Conselho de Estado (24 de Julho de 74), passando mais tarde a integrar a estrutura informal do Conselho dos Vinte e a partir de 14 de Março de 75 tornou-se membro do Conselho da Revolução, funções que manteve até à extinção (1982). Passou à Reserva no posto de tenente-coronel a 20 de Abril de 88. Pertence desde a sua fundação aos corpos gerentes da Associação 25 de Abril.
 
 
Melo Antunes
 
Capitão em 1961, passa a major em1972. Co-autor e principal redactor do programa do MFA, pertenceu à sua comissão coordenadora depois de 25 de Abril de 1974. Foi várias vezes ministro nos governos provisórios. Negociou a independência da Guiné-Bissau e fez parte do Conselho dos Vinte, órgão do MFA antes do período constitucional, do Conselho da Revolução, e do Conselho de Estado. Notabilizou-se ainda por ter participado activamente na elaboração do Programa de Acção Política e Económica (Dez. de 1974) e do Documento dos Nove , conhecido como documento Melo Antunes.
 
 
António de Spínola
 
Militar e Político. Desportista hípico premiado até 1961. Actividade militar apreciada na guerra colonial de Angola (1961-1963). Na Guiné-Bissau, experimenta uma orientação inovadora como comandante-chefe e governador (1968-1973) : notabilizou-se aqui pela política de tentativa de integração social que empreendeu. Como vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (1974), foi exonerado devido à publicação do livro Portugal e o Futuro , em que punha em causa a política colonial do governo de Marcelo Caetano. Após o golpe militar de 25 de Abril de 1974, a Junta de Salvação Nacional elegeu-o para presidente da República (1974), tendo-se demitido em Setembro desse ano. Envolveu-se na conjura militar de 11/3/1975. Foi promovido, mais tarde, a marechal do Exército. Em Dezembro de 1981 é nomeado chanceler das Antigas Ordens Militares.
 
 
Marcelo Caetano
 
Político de formação ultraconservadora, influenciada pela geração integralista que o precedeu, foi catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e, designadamente a partir de 1940, enveredou pela carreira política, exercendo os mais altos cargos sob o regime ditatorial salazarista: comissário nacional da Mocidade Portuguesa, ministro das Colónias e presidente da Câmara Corporativa. Em 1968 devido a doença súbita de Salazar, ocupou o cargo de ministro da Presidência do Conselho até à revolução de 25 de Abril de 1974. Deixou vasta obra publicada, não só no âmbito do direito administrativo e corporativo, como no da investigação histórica. Morreu exilado no Brasil em 1980.
 
publicado por viajandonotempo às 21:40

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