VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Junho 29 2009

A REPUBLICANIZAÇÃO NO CONCELHO DE ANSIÃO (1999)

 

 

A Republicanização no Concelho de Ansião foi o meu 3.º livro, publicado em 1999, com Prefácio do Dr. António Arnaut (que se iniciou como jurista precisamente em Ansião e é poeta, ficcionista, ensaísta, maçon e político que ocupou o cargo de Ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, tendo fundado, então, o Serviço Nacional de Saúde).
A República logo que se implantou, por via revolucionária na capital, tentou espa­lhar-se por todo o País. No entanto, a dimensão e organização do Partido Republicano, não podia satisfazer, em curto tempo, tantas solicitações: apoiar o Governo Provisório, vigiar e influenciar a elaboração da Constituição, preparar devidamente as eleições e republicanizar a província.
Por isso, esta última tarefa - a republicanização do país - coube tanto ao Partido Re­publicano, quanto à expansão maçónica e às associações de propaganda e defesa republi­cana, que, entretanto, se foram formando.
O presente trabalho, que esteve na base da tese de dissertação de mestrado, apresentada na Universidade do Minho (1999), debruça-se sobre uma destas associações, concretamente a Associação de Propaganda e Defeza Republicana do Concelho de Ancião, tendo por base a análise dos seus estatutos e dos 20 números que se conhecem do jornal O Cavador, que era o órgão oficial desta Associação, e que se publicou, a partir do n.º 2 com alguma regularidade, entre 20 de Agosto de 1911 e 5 de Outubro de 1912.
Como veremos, os responsáveis pela Associação pertenciam à elite intelectual, que passou pela Universidade de Coimbra, perfilhando alguns dos ideais da Geração de 70 e que, por razões de ordem profissional, vieram a fixar-se no concelho de Ansião. Afirmam-se, desde a primeira hora, apartidários, desinteressados pelas lutas eleitorais, crendo só no re­publicanismo e nos seus princípios doutrinários e democráticos que procurarão "infiltrar no povo de todas as aldeias do concelho", e, se possível, "(...) conseguir nos concelhos vizi­nhos a constituição de associações de igual natureza e promover a sua federação".
Apesar da efémera duração da Associação, alguns dos nomes dos seus dirigentes mais representativos, que fizeram obra relevante na Região e até no País, ainda hoje são lembrados, quer por terem sido dados a ruas das vilas de Ansião, Chão de Couce ou Avelar, quer por permanecerem como pontos de referência para as gentes das Serras de Ansião.
A educação infantil e popular, a questão religiosa e a separação das Igrejas do Es­tado, a luta contra os talassas, as festas populares, o combate à pobreza, a polémica da construção de linhas de caminho de ferro que servissem esta região, foram alguns dos pro­blemas que preocuparam e envolveram estes homens que se entregaram, de alma e coração, à propaganda e ao ideário republicanos, acreditando que o novo regime era o remédio para todos os males.
A Republicanização no Concelho de Ansião é uma das publicações indicadas entre os documentos a consultar para a História Parlamentar e Eleitoral da 1.ª República Portuguesa (1910-1926), como se pode ver no link:
 http://purl.pt/5854/2/roteiro_eleicoes_republica.htm
Daniel Melo também seleccionou esta publicação que fez constar da Bibliografia relativa ao Associativismo em Portugal, que complementa o artigo do mesmo autor sobre o lugar do associativismo voluntário português no contexto europeu, publicada na OBS – publicação periódica do OAC.

Aparece, igualmente, na lista de dissertações de Historiadores Portugueses Contemporâneos: http://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/html/issue2/html/mastersv1n2_main.html

publicado por viajandonotempo às 22:26

Junho 24 2009

VASCO DA GAMA

Chegada de Vasco da Gama à Índia

 

Em Agosto do de 1999 fez 500 anos que Vasco da Gama regressou a Lisboa, depois de ter conseguido realizar uma das viagens marítimas que mais glorificou Portugal – a Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.

Pela primeira vez o velho continente punha-se em ligação directa e por mar com a Índia. Era o coroar de tantos esforços portugueses, nos últimos 80 anos.
O Atlântico substituía, definitivamente, o Mediterrâneo, como principal eixo do comércio marítimo mundial. Situação que se manteria inalterável até finais do século XX.
Vasco da Gama nasceu em Sines, por volta de 1468 e era filho ilegítimo de Estêvão da Gama, marinheiro que serviu D. João II. Vasco da Gama tornar-se-ia, com o tempo, um experimentado navegador. D. João II tê-lo-á encarregado de várias missões de responsabilidade, e há mesmo quem defenda que foi ainda este monarca a nomeá-lo para a viagem que haveria de fazer já no reinado de D. Manuel.
A armada, que sob as suas ordens haveria de chegar à Índia, era constituída pelas naus S. Gabriel e S. Rafael e pela caravela Bérrio, e ainda por um velho navio com mantimentos, que seria destruído quando não fosse mais necessário. A primeira nau era comandada pelo próprio Vasco da Gama, a segunda por seu irmão Paulo da Gama, e a terceira por Nicolau Coelho.
Sobre essa importante viagem é conhecido o “Roteiro” escrito por Álvaro Velho, donde se transcrevem algumas passagens (em português adaptado):
«8 de Julho – Partimos do Restelo, um sábado, que eram oito dias do mês de Julho da era de 1497, nosso caminho, que Deus Nosso Senhor deixe acabar em seu serviço. Ámen.
7 de Novembro – (...) Na terça-feira houvemos vista duma terra baixa e que tinha uma grande baía (...) à qual puseram o nome de Santa Helena. Na quarta-feira lançamos âncora na dita baía, onde estivemos oito dias limpando os navios e corrigindo as velas e tomando lenha. (...).
16 de Novembro – (...) Fomos em volta do mar e, ao sábado à tarde, houvemos vista do dito cabo da Boa Esperança.
1 de Dezembro – (...) Estando nós ainda na dita angra de São Brás, vieram cerca de noventa homens baços (...). E fomos em terra nos batéis, os quais levávamos muito bem armados (...).
3 de Dezembro – E daqui andamos tanto pelo mar, sem tomarmos porto, que não tínhamos já de comer, senão com água salgada. E, para nosso beber, não nos davam senão um quartilho, de maneira que nos era necessário tomarmos porto. (...)
22 de Janeiro – Uma segunda-feira, indo pelo mar, houvemos vista de uma terra muito baixa e de muitos arvoredos muito altos e juntos. E indo nesta rota, vimos um rio, e porque era necessário saber e conhecer onde éramos, ancorámos. (...)
E nós estivemos neste rio trinta e dois dias, em os quais tomámos água, e limpámos e corrigimos ao São Rafael o mastro. E aqui nos adoeceram muitos homens, que lhes inchavam os pés e as mãos, e lhes cresciam as gengivas tanto sobre os dentes que os homens não podiam comer.
E aqui pusemos um padrão, ao qual puseram o nome: Padrão de São Rafael; e ao rio: dos Bons Sinais.
14 de Abril – Um dia, ao sol-posto, lançámos âncora em frente dum lugar que se chama Melinde (...).
24 de Abril – (...) Partimos daqui com o piloto que El-Rei de Melinde nos deu para uma cidade que se chama de Calecut da qual cidade El-Rei tinha notícias (...).
20 de Maio – E ao domingo fomos juntos com umas montanhas, as quais estão sobre a cidade de Calecut; e chegámo-nos tanto a elas, que o piloto que levávamos as conheceu, e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos de ir. E em este dia à tarde fomos pousar abaixo desta cidade de Calecut duas léguas (...).
28 de Maio – E ao outro dia pela manhã, foi o capitão a falar a El-Rei de Calecut e levou consigo, dos seus, treze homens, dos quais eu fui um deles. E todos íamos muito bem ataviados, e levávamos bombardas nos batéis, e trombetas e muitas bandeiras. E, logo que o capitão foi em terra (...), receberam o capitão com muito prazer (...). 

Ali trouxeram ao capitão-mor umas andas (andor) de homens em que os honrados costumam naquela terra andar. E o capitão com toda aquela gente, após nós, a caminho de Calecut».

 

Por estes excertos do Roteiro da viagem de Vasco da Gama à Índia, fica-se, desde logo, com a ideia de que a expedição dos Gamas, não foi tarefa fácil. Como em quase todas as viagens das descobertas dos portugueses, os perigos, as privações, as doenças, as traições e os conflitos eram as etapas mais duras desse expansionismo que levou o povo luso aos quatro cantos do Mundo.
Partindo de Lisboa no princípio de Julho de 1497, chegou à Índia mais de 10 meses mais tarde (Maio de 1498). A data da chegada foi efusivamente comemorada, 500 anos depois, com a realização da EXPO 98, em Lisboa.
Os momentos mais complicados dessa viagem foram, sem dúvida, as privações de alimentos e de água doce, sentidas no princípio de Dezembro de 1497 (período de Verão, no hemisfério Sul), e as traições sofridas por Vasco da Gama, na Costa Oriental Africana (quando pretendia contratar um guia que o levasse ao seu destino, deram-lhe um impostor com o objectivo de fazer abortar a sua missão) e em Calecut. Se ao princípio foi recebido principescamente pelo Samorim, depressa este alterou a sua forma de proceder, certamente em resultado das intrigas dos mercadores muçulmanos (que dominavam o comércio na região), inimigos seculares dos portugueses e temendo que estes lhes retirassem o monopólio comercial das especiarias asiáticas.
Valeu, na circunstância, o facto de Paulo da Gama se encontrar no comando da esquadra portuguesa, ancorada ao largo de Calecut. Adivinhando a traição, começou a bombardear Calecut, até que o Samorim se viu obrigado a libertar Vasco da Gama.
Na torna-viagem, Paulo da Gama piorou subitamente, e Vasco da Gama rumou para a Ilha Terceira, onde seu irmão acabaria por falecer, tendo sido sepultado na Igreja de S. Francisco, em Angra. Tal como aconteceu com Paulo da Gama, um grande número de marinheiros portugueses, não regressou desta viagem com vida. Assim sucedeu, em quase todas as viagens.
A expansão portuguesa, pese embora a glória e riqueza que trouxe ao nosso país, foi sempre uma causa da perda trágica de homens.
Ao chegar a Lisboa, em Agosto de 1499, Vasco da Gama foi recebido em festa pelo povo e pelo rei, que o cumulou de dádivas (entre estas destaque-se a doação de trezentos mil réis de renda) e honrarias, atribuindo-lhe o título de “Dom”, extensivo também à sua família, e nomeando-o Almirante do Mar da Índia, ao mesmo tempo que lhe prometia o título de Conde.
Já depois do regresso da expedição de Pedro Álvares Cabral, em 1500, e após a recusa desse navegador em comandar uma nova viagem à Índia, em 1502, foi Vasco da Gama encarregado de comandar uma grande armada, constituída por 20 embarcações, para se vingar do tratamento que o Samorim havia dado aos portugueses, que mandou chacinar, depois de ter autorizado Pedro Álvares Cabral a estabelecer aí uma feitoria portuguesa.
A segunda expedição de Gama a Calecut exerceu, de facto, grandes represálias sobre essa cidade, mas firmou tratados de amizade com os chefes das cidades de Cochim e de Cananor, que estariam na base do domínio português daquela região nos anos seguintes.
Vasco da Gama casou com D. Catarina de Ataíde, de quem teve 7 filhos.
Já Conde da Vidigueira, Vasco da Gama ainda voltou à Índia, no ano de 1524, e como Vice-Rei, nomeado por D. João III, com a incumbência de lutar contra alguns abusos de fidalgos portugueses que, com as suas atitudes, estavam a pôr em causa o domínio português.
Com braço de ferro, a sua missão estava a ser concretizada plenamente. Contudo, em Dezembro desse ano de 1524, adoeceu em Cochim, onde viria a falecer, na véspera do Natal de 1524, tendo os seus restos mortais sido trazidos para Portugal (o seu túmulo está logo à entrada do Mosteiro dos Jerónimos).

 

publicado por viajandonotempo às 08:10

Junho 17 2009

O MUNICÍPIO DE ANSIÃO NA PRIMEIRA REPÚBLICA (1998)

 

 

O Município de Ansião na Primeira República, com prefácio do insigne historiador Professor Doutor Vitorino Magalhães Godinho (ministro da Educação e Cultura dos segundo e terceiro governos provisórios), foi a 2.ª publicação da minha autoria, editado em 1998.
A Primeira República Portuguesa (1910-1926), ao contrário do que se possa pensar, não se ficou apenas por Lisboa. Um pouco por todo o país, a nova elite, farta de problemas, praticamente irresolúveis no quadro da gestão monárquica, aderiu esperançada ao regime republicano.
Homens de grande cultura e não menos fortuna (médicos, advogados, proprietários, comerciantes, funcionários públicos, professores) aderiram entusiasticamente ao novo regime e tudo fizeram para que o povo, saísse da tradicional ignorância em que a miséria o mantinha. A República afigurava-se como o melhor remédio para todos os males de que padeciam a Pátria e o Povo.
O concelho de Ansião, no centro de Portugal, foi um dos que revelou maior dinamismo, no Norte do distrito de Leiria, quer no que respeita à propaganda republicana, quer quanto à acção desenvolvida pelos agentes do poder local. Prova-o a larga adesão popular aos comícios e festas republicanas, as vitórias do Partido Democrático nas eleições administrativas e legislativas, o esforço assumido no campo do ensino e a luta pelo progresso e desenvolvimento do concelho.
Este livro é a primeira parte de um estudo mais vasto (a dissertação do Mestrado em História das Instituições e da Cultura Moderna e Contemporânea, também já publicada, permitiu estudar, com mais profundidade, o que foi a propaganda republicana, no concelho de Ansião, no contexto da Primeira Republica, as lutas políticas em torno da mudança estrutural das mentalidades que se pretendeu levar a efeito e as polémicas que desencadeou entre as facções republicanas locais - foi a 2.ª parte deste estudo), e tem como principal objectivo, dar a conhecer a realidade deste concelho no princípio do século (últimos anos da Monarquia e Primeira República), nos aspectos político, social, económico e cultural.
Na primeira década do século XX, quando se implantou a República, Ansião era uma pequena vila, sede de uma freguesia que não chegava a 2 500 habitantes, situada no Norte do distrito de Leiria, província da Estremadura, diocese de Coimbra. Era sede de concelho (com a dimensão actual, onde residiam cerca de 14 mil habitantes), de arciprestado e de comarca. Pertencia à 5.ª divisão militar, 10.ª brigada, grande circunscrição militar do Centro e ao distrito de recrutamento e reserva n.º 15, com sede em Tomar, e integrava a circunscrição escolar de Leiria. Servida pela estação ferroviária de Pombal, de que dista cerca de 20 quilómetros, tinha escolas primárias de ambos os sexos, uma estação telégrafo-postal com serviço de vales, telégrafo, encomendas e cobrança de recibos, letras e obrigações. No princípio do século, a vila de Ansião dispunha de Misericórdia, Hospital (com o nome de N.ª Sr.ª do Pranto), Tribunal, Cadeia, Hotel, Médico, Farmácia, Tabelião, Sociedades de Recreio, designadamente uma Filarmónica, um Club e o Gremio Ancianense.
Este livro é uma das publicações indicadas pela Biblioteca Nacional entre os documentos de referência a consultar para a História Parlamentar e Eleitoral da 1.ª República Portuguesa (1910-1926) cf. link:
http://purl.pt/5854/2/roteiro_eleicoes_republica.htm

 

publicado por viajandonotempo às 15:33

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