VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Novembro 28 2009

 

Recordando a queda do Muro de Berlim e o fim da “Guerra-fria”
 
A construção do Muro de Berlim (13-8-1961)
 O Muro de Berlim foi um obstáculo físico construído pela RDA (República Democrática Alemã) durante o período a Guerra-fria, que dividia a antiga (e actual) capital alemã, entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Este Muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, cortando praças e avenidas, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos antagónicos: dum lado, o mundo capitalista ocidental, pluripartidário e democrático, com a sua organização militar defensiva – a NATO, do outro, o mundo socialista, também com a sua aliança militar – Pacto de Varsóvia.
Este Muro foi edificado na madrugada do dia 13 de Agosto de 1961 e tinha as seguintes características: 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas, do lado Leste e 255 pistas para cães de guarda. Este Muro, também chamado da “vergonha”, provocou a morte de pelo menos 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares delas foram presas quando o tentavam atravessar.
No fim da década de 1980, no entanto, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) – segunda potência mundial e líder do Bloco Socialista – vivia uma situação complicada em termos económicos e sociais. A economia estava estagnada, o governo tinha pouco respeito pela qualidade de vida da população, os investimentos estatais eram quase exclusivamente no sector militar. É neste contexto que chega ao poder Mikhail Gorbatchev (1985) que adopta a “Glasnost” (transparência posta na promoção da liberdade de expressão) e a “Perestroika” (reestruturação da economia baseada no estímulo à iniciativa privada). Mas a URSS sofreu um verdadeiro colapso: faliu economicamente, abdicou do regime político e acabou por se desmembrar, com a independência das antigas Repúblicas Federadas.
No final de 1989, mais concretamente após a queda do Muro de Berlim, no dia 9 de Novembro de 1989, a Europa de Leste acompanhou as mudanças políticas da URSS. Assim, a Hungria, a Polónia, a Checoslováquia, a RDA, a Roménia, a Bulgária, a Jugoslávia e a Albânia, abandonam em definitivo o antigo paradigma político de matriz marxista-leninista. De um modo geral, estes países passaram a realizar eleições livres, abandonaram o regime político das quatro décadas e meia anteriores e adoptaram a economia de mercado.
 
Um pedaço do Muro de Berlim em Fátima e, ao lado, uma lápide com a seguinte inscrição: «Muro de Berlim / Levantado em 1961.08.13 / Derrubado em 1989.11.09 / Obrigado celeste pastora / por teres guiado / com carinho maternal / os povos / para a liberdade! / (João Paulo II em Fátima 1995.05.12)»
  
Para o Santuário de Fátima, terra de uma mensagem que valoriza a paz e a concórdia, veio um pedaço do “Muro de Berlim” para que não nos esqueçamos do sofrimento que vivenciaram as pessoas que sentiram, mais de perto, o clima de “Guerra-fria” e para nos lembrarmos de outros “Muros”, físicos e psicológicos, que dividem os homens, quando tudo os devia unir. Efectivamente outros “muros” persistem em manter-se de pé, no Médio Oriente, entre o Norte e o Sul, e, também no interior de cada país, entre os que tudo têm e aqueles a quem tudo falta.
20 anos depois do derrube do Muro alemão, no passado dia 9 de Novembro, Berlim reviveu o histórico acontecimento, voltando a viver uma Festa de Liberdade, partilhada por uma multidão de pessoas que não esquece a realidade anterior a 1989 e por dezenas de líderes políticos de todo o mundo. Enormes peças de dominó, simbolizando as pesadas secções do Muro que durante quase 30 anos dividiu a capital, caíram umas após as outras, quando o ex-Presidente da Polónia, Lech Walesa (também ele uma figura incontornável da luta pela liberdade na Europa de Leste) empurrou a 1.ª, de muitas que tinham sido previamente colocadas numa distância de um quilómetro e meio, frente à Porta de Bradenburgo. Cerca de 100 mil pessoas, resistindo a uma chuva intensa, aplaudiram o gesto como há 20 anos se mostraram eufóricas quando se derrubou o Muro que representaria o fim do comunismo na Europa e o fim da Guerra-fria no Mundo.
publicado por viajandonotempo às 11:48

Novembro 26 2009

 

Ontem celebrou-se o 10.º Dia Internacional para Eliminação da Violência Contra as Mulheres
 
  
 
Infelizmente os jornais continuam, quase todos os dias, cheios de notícias que dão conta de violência entre homens e mulheres, pelos mais diversos motivos: passionais, ciúmes, interesses económicos, disputas familiares. As mulheres, por regra, são as vítimas!
Ontem assinalou-se o dia da eliminação da violência exercida contra as mulheres, nos meios de comunicação, que, com toda a sua força persuasiva na opinião pública, recordaram os números desse drama, que, infelizmente, ocorre em todas as latitudes e longitudes deste planeta.
 
Do mesmo modo, as instituições que mais se empenham no combate a este tipo de comportamento criminoso continuam a acusar um aumento de todo o tipo de violência contra as mulheres. Se os locais destes crimes não têm identificação prévia, porque podem suceder em todo o lado, também não podemos dizer que os agressores e as suas vítimas sejam, apenas de um estrato social, não, há gente de todos os estatutos sociais, num papel e noutro.
 
Há 3 anos atrás, em Portugal, o Ministério da Administração Interna divulgou um número assustador, para a dimensão populacional do nosso país: mais de 20 mil crimes relacionados com violência doméstica, o que dá uma média diária superior a 50 destes crimes. Outro dado divulgado pelas autoridades policiais portuguesas é que os autores destas violências são maioritariamente do sexo masculino, têm 25 anos ou mais anos e, normalmente, são companheiros, namorados, ex-namorados, cônjuges, ex-cônjuges e/ou ex-companheiros das vítimas.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tem uma rede nacional de 15 Gabinetes de Apoio à Vítima e duas Casas de Abrigo, onde acolhem e apoiam todo o tipo de vítimas que se enquadram neste âmbito de violência, como sejam: maus-tratos físicos e psíquicos; ameaças; coação; difamação e injúrias; violação e outros crimes sexuais; subtracção de menores; violação da obrigação de alimentos; homicídio entre outros.

 
Dez anos mais tarde, a 25 de Novembro de 1991, seria iniciada uma campanha a nível mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, coordenado pelo Centro de Liderança Global da Mulher, que propôs 16 dias de luta contra a Violência sobre as Mulheres, que decorreram entre 25 de Novembro desse ano e 10 de Dezembro, que era precisamente a data de aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948.
Finalmente, em Março de 1999, o 25 de Novembro seria reconhecido pela Organização das Nações Unidas como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
 
Nesse dia, o Secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, proferiu a seguinte mensagem, que continua plena de sentido:
«A violência contra as mulheres causa enorme sofrimento, deixa marcas nas famílias, afectando as várias gerações, e empobrece as comunidades. Impede que as mulheres realizem as suas potencialidades, limita o crescimento económico e compromete o desenvolvimento. No que se refere à violência contra as mulheres, não há sociedades civilizadas. (...) A luta contra este flagelo exige que abandonemos uma maneira de pensar que é ainda demasiado comum e está demasiado enraizada e adoptemos outra atitude. Que demonstremos, de uma vez por todas que, no que toca à violência contra as mulheres, não há razões para ser tolerante nem justificações toleráveis. (...) Devemos trabalhar juntos para criar um ambiente em que a violência contra as mulheres não seja tolerada».
 
Somos, naturalmente, contra todo o tipo de violência, física e mental, seja de homens sobre mulheres, de mulheres sobre homens, de polícias sobre os cidadãos, dos pais sobre os filhos e vice-versa e de todos os outros tipos. O Homem como ser racional, deve ser capaz de preferir, em todas as circunstâncias e perante todo o tipo de vicissitudes, a palavra, os valores, o bom senso à violência.

 

Para mais informações sobre a Eliminação da Violência contra a Mulher, consulte o sítio da APAV:

http://www.apav.pt/portal/

 

publicado por viajandonotempo às 15:37

Novembro 11 2009

 

O fim da 1.ª Guerra Mundial perfaz hoje 91 anos
 

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1.ª página do "The New York Times" dando a notícia da assinatura do Armistício

 

Há exactamente 91 anos, no dia 11 de Novembro de 1918, dentro de um vagão de comboio, na floresta de Compiègne, foi assinado o Armistício de Compiègne, entre os Aliados e a Alemanha, que poria fim às hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial, em que Portugal também participou com milhares de homens, quer na defesa das nossas colónias em África, quer no teatro de guerra, na Europa Ocidental. Os principais signatários do Armistício foram o Marechal Ferdinand Foch, Comandante-em-chefe aliado, Matthias Erzberger, representante alemão.
Terminada a Guerra impôs-se reorganização do mapa político da Europa e o estabelecimento de uma nova ordem internacional. Os tratados de paz assinados em 1919 e 1920, alteraram profundamente o mapa político europeu, ao confirmarem a desintegração dos impérios Alemão, Austro-húngaro, Russo e Otomano que deram origem a novos países independentes, sobretudo no leste Europeu. Deste modo, a realidade política e étnica foi substancialmente modificada, criando novos problemas no relacionamento entre as nações.
Na sequência da “Conferência de Paris” (1919) foi fundada a SDN (Sociedade das Nações) com o objectivo prioritário de estabelecer uma nova ordem internacional, em que as relações entre estados seriam reguladas pelo direito internacional, acreditando-se, assim, que, de futuro, seria evitado o recurso à guerra para a resolução dos conflitos. A sede da SDN foi em Genebra (Suíça) e Afonso Costa (grande estadista português da Primeira República) chegou a ser eleito (em Março de 1926) para presidir à sua sessão extraordinária. O facto dos EUA não a integrarem e de ser obrigatória a unanimidade de decisões limitou, como se sabe, a sua eficácia que foi posta definitivamente em causa com o eclodir da 2.ª Guerra (1939).
Mas, deste 1.º conflito mundial, houve consequências que não podemos ignorar: a Europa habituada a dominar o mundo (nos aspectos económico, financeiro, político, militar e cultural) vê-se, subitamente, debilitada em resultado da Guerra que matou milhões de pessoas, feriu e mutilou ainda mais, inutilizou terras e fábricas, criou enormes défices orçamentais, aumentou desmesuradamente a dívida pública e provocou extraordinários surtos inflacionistas. Este cenário verdadeiramente devastador esteve na origem de grande agitação social e política que provocou a implementação dos regimes ditatoriais, como foi o caso da Rússia (com o triunfo da Revolução Bolchevique), da Itália (com a ascensão política de Mussolini) e de Portugal, que viu definhar a sua 1:ª experiência democrática da 1.ª República, substituída, a 28 de Maio de 1926, por uma ditadura militar que evoluiria, já na década de 1930, para o “Estado Novo” salazarista.
A Europa, como continente, conheceria, paulatinamente, a perda da sua hegemonia internacional para os EUA (Estados Unidos da América), que conseguiram um enorme desenvolvimento económico à custa da Europa que não conseguia produzir para si nem para os seus mercados internacionais.
Assinada a paz, a economia americana conhece uma depressão, mas consegue a reconversão rápida e a década de 1920-1929 foi de uma grande prosperidade económica, à custa do crescimento do mercado interno, do desenvolvimento comercial, industrial e da especulação bolsista. O progresso técnico e o “fordismo” são também factores importantes dessa prosperidade. No início dessa década, os EUA tinha cerca de metade do “stock” de ouro mundial.
Já no pós-2.ª guerra mundial, a Europa iniciou uma nova aposta: a sua união, como forma de recuperar o tempo perdido. É aí que, actualmente, nos situamos à espera de melhores dias, no contexto da política internacional.
 

 

publicado por viajandonotempo às 12:48

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