VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Junho 24 2010

 

Hoje é o dia da Festa Popular mais genuína do Grande Porto. Por todo o lado foi uma noite de folia, com música, foguetes, fogo de artifício e alegria. Poucos saberão, no entanto, que o S. João que esteve na origem destes festejos eminentemente populares foi um eremita nascido no Porto, ainda antes da nacionalidade.

Os textos que a seguir se divulgam, foram publicados na revista municipal “Porto de Encontro”, Julho de 2001 e esclarecem muitas dúvidas.

Na parte final deste “post” recordo a letra para a música (que pode ouvir também!) de Amália Rodrigues, “A Chave da Minha Porta”, cujo 1.º verso é “Eu vi-te pelo São João!”

 

«S. João do Porto, eremita natural do Porto, (séc. IX), viveu  a sua vida eremítica na região de Tuy, em frente a Valença, tendo sido sepultado em Tuy.  No séc. XVII ainda aí se conservavam as suas relíquias, de grande veneração entre os fiéis, que acreditavam que S. João os salvaria das febres. Diz a tradição, que a cabeça de S. João do Porto, foi trazida pela Rainha Mafalda no séc. XII, para a Igreja de São Salvador da Gandra e que parte dessa relíquia teria sido levada para a capela da "Santa Cabeça", na Igreja de N ª Sra. da Consolação, na Cidade do Porto. O facto da sua festa se ter celebrado a 24 de Junho talvez explique o facto de ter o seu culto sido absorvido pelo de S. João Baptista, cujo nascimento ocorreu no mesmo dia 24 de Junho e a que o povo dedicou através dos tempos forte devoção e grandes festas, mantendo-se ainda hoje muito viva a tradição das fogueiras de S. João de origem muito antiga, ao mesmo tempo que substituíam as festas pagãs do solstício.

Festas de forte caris popular, o S. João do Porto é uma festa que nasce espontaneamente, nada se encontra combinado, embora a festa se vá preparando discretamente  durante o dia, é normalmente depois do jantar, constituído por sardinhas assadas, batatas cozidas e pimentos ou entrecosto e fêveras de porco na brasa, acompanhadas de óptimas saladas, jantar obviamente regado com vinho verde ou cerveja, mais modernamente. Findo o jantar, os grupos de amigos começam a encontrar-se, organizando rusgas  de S. João, como são chamadas. As pessoas muniam-se de  alhos pôrros e  molhos de cidreira, actualmente as armas, são outras, mudaram para martelos de plástico, duros e ruidosos, mas que acabaram por ser bem aceites e hoje já fazem parte da tradição, Há alguns anos atrás, o S. João limitava-se a uma área da cidade que era constituída, pelas Fontaínhas (Ponto nevrálgico), R. Alexandre Herculano, Praça da Batalha, R. Santa Catarina, R. Formosa ou R. Fernandes Tomás, R. de Sá da Bandeira, R. Passos Manuel, Praça da Liberdade, Av. dos Aliados, R. dos Clérigos, Praça de Lisboa, e no retorno, subindo-se a R. de S. António, estava praticamente concluído o percurso obrigatório. A par deste percurso, que juntava para cima de meio milhão de pessoas, que tornavam as ruas pejadas de gente, e onde não há atropelos, as zaragatas são de imediato sustidas pelos populares,  os beligerantes rapidamente selam a paz com mais um copo e uma pancada de alho pôrro de amizade. O S. João do Porto é uma festa onde ricos e pobres convivem uma noite de inteira fraternidade e onde a festa é constante. Nos bairros, a festa continua e as comissões organizadoras de cada uma  mantém o baile animado até altas horas da madrugada. No tempo áureo do alho pôrro quem chegasse ao Porto vindo de fora, estranharia o odor espalhado pela cidade...efectivamente ela cheirava a alho.

 

Nos dias de hoje, o S. João espalhou-se pela cidade, além do seu palco tradicional, estendeu-se até a Ribeira, ás Praias da Foz , à Boavista e por ai fora. Vai as discotecas, aos pubs e bons restaurantes. Tornou-se mais cosmopolita e em alguns casos mais selectivo. Modernizou-se, sofisticou-se e de certa forma, acompanhou os tempos, até penso que se tornou mais jovem.

Mas muita da tradição ainda se mantém: Em barracas ou espalhados pelo chão lá estão os manjericos (Planta tradicional do S. João), as tendas das fogaças, as farturas, o algodão doce, as pipocas, as barracas da sardinha assada e dos comes e bebes. Os matraquilhos, os carrocéis, as pistas dos carros. As tendas de venda das louças de barro, das cutelarias, o tiro ao alvo e as tômbolas. Durante toda a noite, centenas de balões são lançados e muito fogo de artifício particular é queimado, pela meia-noite o tradicional fogo de artifício da Câmara Municipal, faz sempre furor pela sua beleza. No fim e já alta madrugada é ver os foliões procurarem as padarias onde o pão acabado de fazer e ainda quentinho vai confortar as barrigas para um merecido descanso.

 

A História de um Feriado

Os festejos de S. João na cidade do Porto são já seculares e a origem desta tradição cristã remonta mesmo a tempos milenares. Mas foi só no século XX que o 24 de Junho passou a ser feriado municipal na Invicta, proporcionando um merecido dia de folia a milhares de tripeiros. E tudo graças a um decreto republicano e a um referendo aos portuenses, promovido pelo Jornal de Notícias. A história é curiosa e mostra o protagonismo que, já na altura, a Comunicação Social tinha no modus vivendi urbano. Estávamos em Janeiro de 1911 e a República Portuguesa dava os primeiros passos. A monarquia tinha sido destronada apenas três meses antes, com a revolução de 5 de Outubro de 1910. O Governo Provisório da República assumia a governação do país e, desde logo, começava a introduzir mudanças na sociedade portuguesa que espelhavam, muito naturalmente, os ideais da nova ordem republicana. Numa tentativa de implementar a nova ordem junto da população, o Governo Provisório redefiniu os dias feriados em Portugal. Por decreto, a República instituiu como feriados nacionais o 31 de Janeiro (primeira tentativa - falhada - de revolução republicana, em 1891, no Porto), o 5 de Outubro (instauração da República) e o 1º de Dezembro (restauração da independência em 1640), para além do Natal e do Ano Novo. Mas o mesmo decreto impunha, a cada município do país, a escolha de um dia feriado próprio: "As câmaras ou commissões municipaes e entidades que exercem commissões de administração municipal, proporão um dia em cada anno para ser considerado feriado, dentro da area dos respectivos concelhos ou circumscripções, escolhendo-os d'entre os que representem factos tradicionaes e característicos do município ou circumscripção". E foi com este propósito que a Comissão Administrativa do Município do Porto reuniu a 19 de Janeiro de 1911. Segundo o relato do Jornal de Notícias, o "velho e conceituado republicano, sr. Henrique Pereira d'Oliveira" logo sugeriu a data de 24 de Junho para feriado municipal. O facto não causa espanto. Afinal de contas, o S. João era, já na altura, uma festa com longa tradição na cidade do Porto. A primeira alusão aos festejos populares data já do século XIV, pela mão do famoso cronista do reino, Fernão Lopes. Em 1851, os jornais relatavam a presença de cerca de 25 mil pessoas nos festejos sanjoaninos entre os Clérigos e a Rua de Santo António e, em 1910, um concurso hípico integrado nos festejos motivou a presença do infante D. Afonso, tio do rei (a revolução republicana apenas se daria em Outubro).

 

Referendo popular

Contudo, a sugestão de Henrique d'Oliveira de eleger o S. João como feriado municipal da Invicta foi contestada por outros membros da Comissão Administrativa do Município do Porto, que mostraram opiniões diversas. Foi então que "o sr. dr. Souza Junior lembrou, inspirado n'um alto princípio democrático, que não devia a Commissão deliberar nada sem que o povo do Porto, por qualquer forma, se pronunciasse em tal assumpto". Para solucionar o imbróglio, o Jornal de Notícias dispôs-se a organizar um surpreendente referendo popular para escolher o feriado municipal. Logo no dia 21 de Janeiro, somente dois dias após a reunião da Comissão Administrativa, foi colocado na primeira página do jornal o anúncio da "Consulta ao Povo do Porto", explicando toda a situação e a forma de participação. As pessoas teriam que enviar, até ao dia 2 de Fevereiro, "um bilhete postal ou meia folha de papel dentro de enveloppe" para a redacção do jornal, com a indicação do dia de sua preferência. E, para recompensar o trabalho dos leitores, o Jornal de Notícias oferecia "dez valiosos premios" - o mais valioso era de 10 mil réis, cerca de cem escudos - a serem sorteados de entre todos aqueles que votassem no dia eleito. Nos dias seguintes, o Jornal de Notícias fez o relato diário da emocionante votação. A vitória foi quase só discutida entre o dia de S. João, já com larga tradição na cidade, e o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, a que não será alheio o facto de a cidade do Porto ser considerada "a capital do trabalho". No dia 22 de Janeiro já se davam conta dos primeiros resultados: "a votação de hontem, que foi grande, dá maioria ao 1 de Maio, seguido pelo 24 de Junho (S. João) e N. S. Conceição [8 de Dezembro]". No dia 24 - o Jornal de Notícias não foi publicado no dia 23, segunda-feira, porque o matutino encerrava ao domingo! -, deu-se uma reviravolta nos resultados: o 24 de Junho trocava de lugar com o 1º de Maio, ficando na posição de mais votado. Porém, a 25, num dia em que "a votação cresceu imenso", o 1º de Maio quase passava novamente para a liderança da votação. Mas foi no dia 26 de Janeiro que o resultado da votação começou a ficar definido, ao que muito se deve a forte participação popular do dia anterior, como relata o Jornal de Notícias desse dia: "Só hontem vieram tantos votos como em todos os dias anteriores. O dia de S. João tem enorme maioria. O dia 1 de Maio já está muito em baixo". E, a 27, o próprio jornal já dava como certo o vencedor: "Positivamente o dia mais votado é o de S. João. O dia 1 de Maio fica muito para trás. Augmenta bastante o de N. S. Conceição". Durante os dias seguintes foram publicados os resultados provisórios diários, sem que tivesse havido alterações de maior no sentido de voto dos portuenses. Até que, a 4 de Fevereiro de 1911, foram publicados os totais finais da consulta popular: o dia 24 de Junho foi o mais votado, com 6565 votos, seguido pelo 1º de Maio, com 3075 votos, o dia de Nossa Senhora da Conceição, com 1975 votos, e o dia 9 de Julho, com oito. "Ficou, pois, vencedor o dia de S. João que é aquele que o povo do Porto escolhe para ser o de feriado municipal". Só não se sabe se o vencedor do sorteio chegou a receber os seus 100 escudos, pois registada só ficou a promessa de que "o sorteio dos 10 prémios a que esta consulta dá lugar far-se-á em um dos próximos dias"...»

 

E agora, os versos de Amália Rodrigues:


 

A Chave da Minha Porta


"Eu vi-te pelo São João
Começou o namorico
E dei-te o meu coração
Em troca de um manjerico

 

O nosso amor começou
No baile da minha rua
Quando São Pedro chegou
Tu eras meu e eu era tua

 

Esperava por ti
Como é de ver de quem ama
Tu vinhas tarde p'ra casa
Eu ia cedo p'rá cama

 

P'ra me enganar
Que a esperança em mim estava morta
Deixava a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

 

Deixava a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

 

Passou tempo e noutro baile
Tu sempre conquistador
Lá foste atrás de outro xaile
E arranjaste outro amor

 

Fiquei louca de ciúme
Porque sei que esta paixão
Não voltará a ser lume
Pra te aquecer o coração

 

Espero por ti
Como é sina de quem ama
Tu já não vens para casa
Mas eu vou cedo p'rá cama

 

P'ra me enganar
Que a esperança em mim já está morta
Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

 

Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

 

P'ra me enganar
Que a esperança em mim já está morta
Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta"

 

Ouça aqui "A Chavde da Minha Porta" interpretada por Amália



publicado por viajandonotempo às 10:29

Junho 10 2010

Um pouco da sua história...


No dia de Portugal é bom lembrar aqui o papel heróico e histórico dos nacionalistas timorenses que lutaram com todas as forças para serem livres e independentes. Nesse espaço tão longínquo há um povo que merece toda a nossa consideração e respeito.



 

Mapa de Timor-Leste

 

Timor-Leste celebrou o 8.º ano da sua independência no passado dia 20 de Maio. Depois de um enorme sofrimento de um quarto de século, que foi quanto durou a humilhante e violenta ocupação da Indonésia, a antiga colónia portuguesa conseguiu a desejada independência no dia 20 de Maio de 2002.

Timor é ainda hoje uma referência de luta, de querer colectivo que durante o seu atribulado processo de independência deu “lições” ao mundo.

António de Abreu (oficial da marinha portuguesa nascido na Madeira) foi o primeiro europeu que às ordens do valoroso Vice-Rei da Índia, Afonso de Albuquerque, chegou a Timor no longínquo ano de 1512.

O interesse português por aquela região tão distante era meramente comercial. O primeiro governador português, chegou à ilha em 1702, iniciando a organização colonial do território. Nascia, assim, o Timor Português. Com a secular presença portuguesa foi-se impondo a nossa cultura e religião, que ainda hoje são marcas vem vivas no povo timorense.

Em meados do século XVIII, na sequência de alguma conflitualidade bélica com a Holanda, a ilha de Timor foi dividida entre Portugal e aquele país europeu, cabendo a parte Leste a Portugal, com o pequeno enclave de Oecussi, na zona Oeste. Mas só em 1914 seria assinado um acordo definitivo entre Portugal e a Holanda, acabando de vez com os conflitos entre os dois países, e fixando as fronteiras actuais entre Timor-Leste e o resto da ilha hoje pertencente à Indonésia.

No dia 19 de Fevereiro de 1942, em plena 2.ª Guerra Mundial, Timor-Leste foi invadido por tropas nipónicas, sucedendo-se uma onda de violência responsável por mais de 50 mil mortes no território, sem que as autoridades portuguesas tivessem capacidade para garantir a ordem e a segurança, ou para resistir às sucessivas invasões de Timor, primeiro por forças australianas e holandesas (1941), depois pelos japoneses. Foi nesse contexto que se deu a acção heróica do Tenente Pires (Manuel de Jesus Pires, de seu nome completo que nasceu no Porto, a 6 de Março de 1895 e foi um dos combatentes da 1.ª guerra mundial) que proporcionou a fuga de dezenas de portugueses para a Austrália e morreu depois, aos 48 anos de idade, às mãos dos japoneses.

 


Refugiados timorenses

 

Em 1945, com o fim da 2.ª guerra mundial (o Japão foi derrotado, sem apelo nem agravo, com o trágico lançamento da duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki), a administração portuguesa voltou a governar Timor. Seguiu-se um longo período de grande tranquilidade e paz social, de quase trinta anos sem que se manifestassem quaisquer movimentos independentistas.

A guerra colonial africana não teve repercussões na colónia de Timor. Talvez pelo facto de aqui a presença portuguesa ter sido bastante pacífica, sem o carácter de exploração económica que teve noutros territórios ultramarinos, já que a precária economia da ilha estava nas mãos de uma pequena burguesia de origem chinesa, fixada no território há muito tempo.

 

A reviravolta depois do “25 de Abril”


Com o triunfo da Revolução Portuguesa, todos os territórios coloniais viram concretizada a promessa de independência. Timor não foi diferente.

No dia 28 de Novembro de 1975, depois de alguns conflitos que configuravam o início de uma guerra civil, foi proclamada a República Democrática de Timor-Leste. Contudo, a vizinha Indonésia, com um regime anti-democrático de direita, argumentando não aceitar, por questões de segurança de estado, um país fronteiriço onde imperava o comunismo, decidiu invadir, apenas alguns dias depois da independência, mais concretamente a 7 de Dezembro de 1975, a nova nação, declarando-a a sua 27.ª província.

 

Os heróis da independência:


Xanana Gusmão

 

 

Ramos Horta


 


 

D. Ximenes Belo

 

No período posterior à invasão indonésia, seguiu-se uma das maiores tragédias para o povo maubere. A Indonésia utilizou todas as formas de violência para neutralizar as manifestações de resistência. Estima-se que terão sido mortas duzentas mil pessoas, na sequência de lutas, massacres e chacinas. Outros tantos timorenses conseguiram fugir para a Austrália e para a Europa (muitos para Portugal). A tortura, as proibições e toda a espécie de violências, tornaram-se regra. O português foi proibido e procedeu-se à esterilização forçada de mulheres timorenses. Em simultâneo com esta profunda descaracterização que pretendia tornar irreversível a anexação, a Indonésia e a Austrália decidiram entender-se para, em conjunto, levarem a cabo a exploração das riquezas naturais de Timor, nomeadamente explorando o petróleo detectado no Mar de Timor.

Enquanto isso, Portugal contestava junto da Organização das Nações Unidas e no Tribunal Internacional de Justiça. Era-lhe dada razão, mas tudo continuava na mesma.

No interior montanhoso de Timor, a guerrilha do povo maubere nunca se rendeu, lutou sempre, apesar de todas as dificuldades logísticas e dos pesados desaires, pelo direito à independência. Xanana Gusmão é umas das personalidades mais destacadas dessa luta interna (como líder líder das Falintil - Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste), Ramos-Horta era a face mais visível no exterior (lutando pela via diplomática) e D. Ximenes Belo, bispo de Díli, a voz nunca resignada da Igreja Católica.

 

O rumo definitivo da independência


Podemos afirmar que o facto que marca a viragem do rumo da história timorense é o massacre no Cemitério de Santa Cruz, em Díli, no dia 12 de Novembro de 1991 que mata mais de duas centenas de pessoas. As imagens gravadas por jornalistas holandeses escaparam milagrosamente às autoridades militares indonésias e correram o mundo, num ápice. As pessoas puderam ver, sentir e manifestar de diversos modos a sua revolta. As autoridades mundiais não puderam esconder mais tempo aquela vergonhosa realidade. A partir daí nascia e crescia cada vez mais o desejo de independência.

Em 30 de Agosto de 1999, sob os auspícios da ONU, os timorenses votaram por esmagadora maioria (quase 80%) pela independência, pondo fim a tantos anos de ocupação indonésia.

No dia 20 de Maio de 2002, a independência de Timor-Leste foi definitivamente assumida e as Nações Unidas entregaram o poder ao primeiro Governo Constitucional de Timor-Leste. Já lá vão oito anos!

Timor, actualmente com cerca de um milhão e cem mil habitantes, é um dos mais novos países do Planeta, admitido como estado-membro da ONU, no dia 27 de Setembro de 2002 que tem o português e o tétum como línguas oficiais (neste aspecto é caso único naquela região do mundo, todos os outros países colonizados por países europeus rejeitaram as suas línguas) e a sua padroeira é a mesma de Portugal, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, evocada festivamente no dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e em Timor.

Este povo merece de todos nós um profundo sentimento de respeito, orgulho e apoio na construção de uma nação com futuro.

publicado por viajandonotempo às 21:34

Junho 09 2010

OLIVENÇA DEVIA TER SIDO DEVOLVIDA A

PORTUGAL HÁ 195 ANOS

 

Um aspecto de Olivença

 

Hoje dia 9 de Junho faz precisamente 195 anos que em Viena, capital do então Império Austro-Húngaro, foi assinado o documento final do Congresso de Viena que se prolongou durante cerca de nove meses, tantos foram os debates entre os embaixadores das grandes potências europeias (Portugal era representado pelo Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein) que procurava reorganizar o continente europeu após a passagem do longo e terrível “furacão” napoleónico.

Do longo documento assinado precisamente a 9 de Junho de 1815, interessa-nos hoje particularmente o que respeita a Olivença (antigo município português da zona fronteiriça a Sul de Elvas e a Leste de Vila Viçosa sob administração espanhola desde 1801, com pouco mais de 11 mil habitantes e uma área municipal de 430 km quadrados) onde, no artigo 105.º, se lê o seguinte:

«As Potências, reconhecendo a justiça da reclamações formuladas por Sua Alteza, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das medidas adequadas a assegurar entre os dois Reinos da Península aquela boa harmonia, completa e estável, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, formalmente se obrigam a empregar por meios conciliatórios os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectua a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal. E as Potências reconhecem, tanto quanto depende de cada uma delas, que este ajuste deve ter lugar o mais brevemente possível».

O representante espanhol em Viena, D. Pedro Gómez Labrador, não assinou este Documento, protestando contra várias decisões do Congresso, entre as quais precisamente a devolução de Olivença. A Espanha só viria a assinar o Tratado de Viena em 10 de Junho de 1817 mas, ainda assim, foi adiando sucessivamente o cumprimento do estabelecido.

A passagem de Olivença para a soberania espanhola ocorreu na sequência da chamada “Guerra das Laranjas”, quando Godoy (antigo primeiro ministro espanhol) invadiu Portugal ocupando vários territórios portugueses, como Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Olivença e Campo Maior. Todos seriam devolvidos a Portugal, menos Olivença, desrespeitando assim o Congresso de Viena.

Nestes 195 anos de domínio espanhol, poucos serão os habitantes de Olivença que ainda se sintam portugueses. No entanto, as suas igrejas, castelo, monumentos e ruas testemunham a sua portugalidade que continua a ser defendida por muitos portugueses e até por associações como é o caso do “Grupo dos Amigos de Olivença - Sociedade Patriótica” que se define como «uma organização nacional, apartidária, de fins patrióticos, culturais, históricos e beneficentes, sem interesses lucrativos», sedeada em Lisboa desde 1997 (mas procedente da “Sociedade Pró-Olivença”, fundada em Lisboa em 1938) e que não desiste da restauração da soberania portuguesa sobre o território oliventino; e do “Comité Olivença Portuguesa” que é uma associação cívica, fundada em 1988, sem fins lucrativos, defensora também dos direitos portugueses sobre o território de Olivença.

Ainda em 1988, dentro da Comissão Internacional de Limites, o embaixador português Carlos Empis Wemans, afirmava ao “Diário de Lisboa” a propósito da questão de Olivença o seguinte: «Portugal nunca reconheceu oficialmente a situação. Olivença, do ponto de vista legal, continua a ser nossa. Daí que correspondendo a contactos pontuais da Espanha sobre problemas da região respondemos sempre que de jure é portuguesa».

Actualmente, vigorando o regime democrático nos dois países ibéricos e integrando-se ambos na União Europeia, a realidade da cooperação é diferente. Olivença geminou-se, sucessivamente com as seguintes localidades portuguesas: Leiria (1984) Portalegre (1989), Elvas (1990), Cadaval e Vila Viçosa (2007) e nos últimos anos tem vindo a restaurar todo o legado patrimonial português, constituiu o Arquivo Histórico com apoio do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa e são ministrados cursos de português na Universidade Popular. Portugal ainda mora em Olivença.

 

Praça de Santa Maria – Olivença

publicado por viajandonotempo às 19:05
Tags:

Junho 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
25
26

27
28
29
30


ÍNDICE DESTE BLOG:
Tags

todas as tags

pesquisar
 
mais sobre mim
contador
subscrever feeds
blogs SAPO