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Agosto 31 2011

Afonso de Albuquerque conquista Malaca

a 24 de Agosto de 1511

 

No passado dia 24 de Agosto completaram-se 500 anos sobre a conquista de Malaca, mas o país praticamente ignorou esse grande feito português (tive oportunidade de fazer sair nesse dia um artigo no Diário de Leiria, que retomo neste post, para que os meus leitores não fiquem completamente indiferentes a esta efeméride).

 

 

 

 

Conquista de Malaca (24-8-1511) - um feito notável do Vice-Rei da Índia, D. Afonso de Albuquerque, que se enquadra na estratégia de domínio dos mares do Oriente, por parte dos portugueses.

 

 

 

O Vice-rei D. Afonso de Albuquerque ao conquistar esta cidade, dava um passo gigantesco, para o domínio de Portugal no intenso comércio que já se praticava nos mares daquela região do mundo, no começo do século XVI e que era dominado pelos árabes.

Malaca era, efectivamente, no início do século XVI, uma cidade que controlava todo o tráfego marítimo que se fazia entre a Índia e o extremo Oriente, obrigatoriamente através do estreito de Malaca. Cidade cosmopolita, onde chegavam os produtos comerciais de todo o Oriente, controlada pelos grandes negociantes árabes, tinha de colidir com os interesses dos portugueses em fase de expansão naquela parte do mundo.

O 2.º Vice-Rei da Índia, D. Afonso de Albuquerque, dois anos antes, havia ordenado a Diogo Lopes se Sequeira, a ida a Malaca, para estabelecer com o governante local um tratado de paz, em nome do Rei de Portugal, D. Manuel I. Se, logo de início, foi bem recebido, as dificuldades e traições não se fizeram esperar. Os malaios, tentando iludir os portugueses, com o argumento de que estavam para chegar as mercadorias que os navegadores lusos buscavam, quiseram depois, como conta João de Barros nas Décadas, eliminar Diogo Lopes Sequeira e os seus homens para mais facilmente roubarem os seus navios com a mercadoria que transportavam e evitar o domínio português que suspeitavam. Mas os portugueses eram experientes e estavam alertados para estas situações, já habituais, de traição fomentada pelos nossos inimigos árabes, que logo haviam praticado na inaugural viagem de Vasco da Gama, no fim do século XV. Tal como dessa vez, também agora as reais intenções dos nossos inimigos foram descobertas e, assim, abortadas. Não deixa de ser curioso que um dos executantes do acto traiçoeiro de eliminar o próprio Digo Lopes, tenha sido o filho do Sultão de Malaca, que, de punhal em riste, se preparava para o matar na sua própria embarcação, a que acedeu com boas maneiras e mostrando boas intenções. Digo Lopes Sequeira entretinha-se, então, com uma partida de xadrez a bordo da sua nau. Para ganhar tempo (aguardando o sinal de terra, pré-combinado com os seus homens), o inimigo dizendo-se conhecedor deste jogo, que também entre eles se praticava, quis saber as regras do xadrez entre os portugueses.

O vigilante da nau de Diogo Lopes ter-se-á apercebido a tempo de que os portugueses em terra começavam a ser chacinados e este, de imediato, deu ordem para zarpar a toda a velocidade, abrindo caminho a tiros de bombarda por entre as barcaças malaias que cercavam a sua frota. O filho do Sultão de Malaca e os que o acompanhavam, descobertos, acabaram por conseguir escapar a tempo. Diogo Lopes e alguns dos seus homens conseguiram salvar-se, mesmo alguns que estavam em terra, como foi o caso de Fernão de Magalhães que também participou nesta azarada viagem. A frota portuguesa rapidamente se fez ao mar alto, ficando alguns portugueses mortos e cerca de vinte prisioneiros, entre eles, Rui de Araújo, que dois anos depois viria a ser o primeiro feitor de Malaca.

De facto, a “vingança” seria executada em 1911, pelo próprio Afonso de Albuquerque. Em Abril de 1511, parte de Goa o Vice-Rei português, D. Afonso de Albuquerque, com destino a Malaca, comandando uma força estimada em cerca de 1200 homens distribuídos por quase duas dezenas de navios, preparados para a conquista de Malaca e com o objectivo de libertar os portugueses que Diogo Lopes de Sequeira aí deixara prisioneiros em 1509.

A batalha revelar-se-ia bastante dura e ter-se-á prolongado ao longo de todo o mês de Julho e parte do de Agosto, tendo a ocupação de Malaca, completamente submetida ao domínio português, começado no dia 24 de Agosto de 1511, faz hoje precisamente 500 anos. Aí permaneceria Afonso de Albuquerque até Novembro, mandando construir, de imediato, uma fortaleza e preparando as melhores defesas para um eventual contra-ataque malaio.

Com objectivos de ordem religiosa (forçando a conversão ao cristianismo), política e económica, parte da população muçulmana seria massacrada, e iniciaram-se, desde logo, esforços diplomáticos tendo em vista demonstrar ampla generosidade com os mercadores do Sudeste Asiático, nomeadamente com os chineses, na esperança de que estabelecessem boas relações com os portugueses. Conhecendo as ambições de Sião sobre Malaca, Afonso de Albuquerque enviou Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (actual Tailândia), onde seria o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à China, estabelecendo, assim, relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião.

No contexto das Guerras da Restauração, os Holandeses apoderaram-se de Malaca, em 1641 e aí se mantiveram até 1795. A partir de 1824 ficou sob domínio britânico, até 1946.

publicado por viajandonotempo às 07:42
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Agosto 10 2011

Recordando um mártir da Igreja Católica                                                                                                     


O dia 10 de Agosto é dedicado, pela Igreja Católica a São Lourenço de Huesca (local do Norte de Espanha onde se pensa ter nascido, embora também se ponha a hipótese de Valência, igualmente no país vizinho) que terá vivido no Império Romano, entre 225 (?) e 10 de Agosto de 258, data em que foi martirizado em Roma. Viveu no tempo em que os romanos perseguiam e assassinavam, quantas vezes em rituais festivos e para entretenimento das multidões urbanas, os cristãos, acusados de serem os bodes expiatórios do inquestionável domínio romano do mundo mediterrânico.

 

 São Lourenço foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (eram os guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, com sede precisamente na capital do império romano (Roma).

 

Um ano antes da sua execução, o Imperador romano Valeriano I havia decretado a perseguição aos cristãos e, no ano seguinte, seria preso e decapitado o Papa Sisto II, de quem São Lourenço era muito amigo.

 

Depois da execução do Papa, o Imperador exigiu à Igreja que entregasse as suas riquezas no curto espaço de 3 dias. Quando o prazo estava quase a terminar, São Lourenço apresentou-se ao imperador com as pessoas pobres, de todas as idades, que a Igreja ia apoiando diariamente, dizendo ser essa a riqueza da Igreja. Fácil será imaginar a irada reacção do Imperador que, de imediato, mandou prender e executar Lourenço, que seria queimado vivo, por cima de uma grelha que, por isso, aparece na sua iconografia. A tradição oral diz que o santo, dono de uma enorme coragem, no acto maior da sua suplicação terá dito aos que executavam a ordem imperial: «podem virar-me agora, pois este lado já está bem assado».

 

O santo espanhol é muito venerado em Roma, como em muitas terras de Portugal.

 

A história de S. Lourenço serve para lembrar os tempos de intolerância religiosa do baixo Império Romano a braços com diversos e graves problemas económicos, militares e políticos, que tiveram naturais repercussões religiosas.

 

O Cristianismo, como se sabe, surge na Palestina, também dominada pelo Império Romano, e a sua difusão, em maior escala no mundo urbano, intensifica-se após a execução de Cristo, com o beneplácito de Pôncio Pilatos, representante local da autoridade romana. Para popularizar o ódio contra os cristãos, os imperadores atribuíam-lhes a responsabilidade por todas as calamidades que ocorressem no Império: inundações, incêndios, pestes e tempestades. Uma das últimas perseguições foi da responsabilidade do Imperador Diocleciano, nos anos 303 e 304. Muitas vezes, porém, as perseguições tiveram o efeito contrário do desejado, pois acabavam por levar à conversão muitos dos espectadores pagãos, comovidos pela firmeza, coragem e resignação dos cristãos diante dos sofrimentos. Em 313, finalmente, o Imperador Constantino, ao que se diz, influenciado por sua mãe que se havia convertido ao cristianismo, assinou o Édito de Milão, que proibia as perseguições aos cristãos e lhes dava liberdade de culto. O Cristianismo ganhou um novo e definitivo impulso e no ano 390, o Imperador Teodósio proibiu o culto pagão e tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano. De perseguidores, os romanos tornaram-se em fervorosos cristãos e é graças a eles e à sua rigorosa rede administrativa que a religião cristã (hoje oficialmente designada Religião Católica Apostólica Romana) chegou a todos os recantos do Império.

 

A concluir, importa referir que o Cristianismo, no início da sua irradiação, constituiu um elemento revolucionário na medida em que defendia a igualdade de todos os homens (e a estrutura romana assentava no esclavagismo) e a divindade apenas de Deus (quando o Imperador, desde Octávio César Augusto, era considerado um ser divino, por isso era denominado “Augusto”). Por outro lado, a nova religião mostrava-se universalista, ao pregar a salvação de todos os homens pela fé e pelas boas obras.

 

Num tempo em que se regista uma contínua e sistemática perda de valores e de comportamentos éticos, recordamos aqui esse importante normativo social que deve ser o da tolerância para com as diferenças, de credo, de ideologia política, de etnia, de tendência clubística. Não há verdadeira liberdade sem o permanente sentimento de tolerância.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por viajandonotempo às 19:36

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