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Abril 26 2011

EVOCANDO O 25 DE ABRIL

 


 

 

Ontem, evocou-se mais uma vez a Revolução dos Cravos, ocorrida no dia 25 de Abril de 1974. Procurando "cura" para os males de que o país padece, o actual Chefe de Estado convidou as personalidades que antes exerceram o mesmo cargo, com o objectivo pedagógico de mostrar aos actuais líderes partidários que o importante, nesta conjuntura de grandes dificuldades, é a união em nome do patriotismo, da solidariedade e de uma maior justiça social. O país e o povo, herdeiros de uma história rica em exemplos de heroicidade, têm de sobreviver.

No mesmo sentido, foi a intervenção que o autor deste blogue fez na sessão solene que a Junta de Freguesia de Ermesinde promoveu e que, a seguir, se reproduz.

 

 

Chegou mais um “25 de Abril”, o 37.º após a Revolução de 1974.

Não há dúvida de que a Revolução promoveu transformações profundas na história recente do nosso país. Um país que, sendo dos mais antigos do mundo, tem natural orgulho numa história quase milenar, que aqui evocamos também em rápida síntese.

Há 900 anos (1111), esta era uma região totalmente pacificada e cristianizada, mas 100 quilómetros a Sul, o Condado Portucalense tinha uma fronteira insegura e incerta, fixada a golpes de espada, por avanços e recuos dos constantes combates, entre os exércitos dos Cristãos e dos Muçulmanos. O Conde D. Henrique dava Carta de Foral a Coimbra e fixava aí a sua Corte, escoltada pelo grosso do seu exército.

Há 800 anos (1211), Portugal era já autónomo, um reino independente, reconhecido pela monarquia leonesa e pelo Papa; havia crescido muito e tratava de consolidar importantes conquistas no Alentejo, para se atirar definitivamente à conquista do Algarve.

100 anos mais tarde, há 700 anos, Portugal tinha praticamente a área que hoje ocupa na Península Ibérica e o nosso rei (D. Dinis) tentava definir as fronteiras com o reino vizinho. Pôde dedicar-se igualmente à regulamentação do comércio e das actividades produtivas, mandou plantar o Pinhal de Leiria, e já tinha fundado a Universidade de Coimbra.

Há 600 anos (1411), o definitivo tratado de Paz com Castela abria caminho à dinastia de Avis e à página mais brilhantemente dourada da história portuguesa: a Expansão, numa dupla complementaridade, de conquistas e descobertas, que, como escreveu Camões, permitiu que fosse o povo, nosso antepassado, a «dar novos mundos ao mundo».

Há 500 anos (1511) Portugal era o país que dominava o comércio marítimo mundial. Que diferença para os tempos de hoje! D. Manuel I, o rei mais poderoso da cristandade. Um milhão de portugueses dominava um dos maiores impérios de sempre, que ia do Brasil a Timor (descoberto precisamente em 1511) passando por toda a costa africana (ocidental e oriental), Mar vermelho, Golfo Pérsico e Índia. O grande Vice-Rei da Índia, Afonso de Albuquerque conquista Malaca, garantindo a necessária segurança ao caminho náutico português para o Extremo Oriente.

Há 400 anos (1611) Portugal vive uma conjuntura de maiores dificuldades. É já o 2.º Filipe que detém a coroa portuguesa. Os inimigos de Espanha tornaram-se nossos inimigos também e apoderaram-se de diversos territórios que até então tinham estado nas mãos dos portugueses, na América do Sul, na África e no Oriente, tendo-se perdido, para sempre, alguns desses territórios e, outros, só se recuperaram pela força das armas, assim como a própria independência, após o glorioso 1 de Dezembro de 1640.

Há 300 anos (1711), Portugal gozava de uma situação económico-financeira que poucas vezes conheceu. O ouro do Brasil chegava às toneladas, todos os anos. D. João V podia concretizar grandes sonhos e o barroco dourava palácios e templos, por todo o Império. Que jeito nos fazia agora! Das grandes realizações estéticas desse tempo, salienta-se a construção do imponente Palácio/Convento de Mafra e o Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. E ainda a construção da Torre dos Clérigos e respectiva igreja, no Porto, e do Palácio Real de Queluz.

Em 1811, há 200 anos atrás, Portugal estava em guerra com Napoleão. Eram as invasões francesas, de triste memória. Os poderosos – corte incluída – haviam fugido para o Rio de Janeiro. Portugal estava entregue aos franceses e ingleses que humilhavam o povo português no seu próprio território. Libertar-nos-ia desta tragédia a triunfante Revolução Liberal do Porto de 1820.

Há 100 anos atrás, era tempo de esperança. Os revolucionários republicanos, há meio ano no poder (desde o 5 de Outubro de 1910), popularizavam a política e prometiam remédio para todos os males de que o país padecia durante os últimos anos da agonizante monarquia. Os novos políticos cheios de dinamismo e de obra (nova constituição, nova bandeira, novo hino, nova moeda!) tinham credibilidade e o povo acreditava neles.

Hoje, 37 anos após Abril, depois de uma primavera que se concretizou em tantas realizações (Liberdade, Democracia, Fim da Guerra Colonial, União com a Europa, Melhoria significativa da Qualidade de Vida da população), a situação real em que nos encontramos é efectivamente dramática: esgotamento económico-financeiro, crise social e política. Falências, aumento do desemprego e cada vez mais dificuldades para a manutenção do estado social. Desespero e Ansiedade no futuro! Todos os dias vemos sair do país, jovens de elevada qualificação académica que Portugal forma, mas não sabe aproveitar. Todas as gerações estão à rasca!

Sabêmo-lo nós, que aqui vivemos, e toda a gente informada o sabe, também, pelo mundo fora. Os políticos têm sido considerados os grandes responsáveis pelo estado a que chegámos, perdendo prestígio e credibilidade junto da opinião pública. Há dias, o conhecido jornal russo – Pravda – criticava o nosso actual Governo por obrigar o povo português a fazer cada vez mais sacrifícios: «um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria». E o defeito não está nos portugueses, como povo, argumentava o jornal: «Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão... e à Austrália».

O povo português tem muitas qualidades e sabe renascer mesmo quando a conjuntura se pinta com as cores mais sombrias. E porque Abril é Primavera, é tempo de mudança e de renascimento, inspiremo-nos nas cores da nossa bandeira, reafirmemos a verde esperança em melhores dias, mas juntemo-nos, com a coragem, a luta e o trabalho esforçado que a cor vermelha, bem mais predominante, também significa.

E porque somos políticos e autarcas (não esqueçamos que o Poder Local Democrático é uma das grandes conquistas de Abril!) devemos dar o exemplo de tudo fazer para proporcionarmos, aos que nos elegeram, uma vida melhor.

Abril tem de significar esperança, trabalho, dignidade, justiça, união, solidariedade e patriotismo, aqui e em toda a parte! Só assim poderemos triunfar perante as adversidades.

São estes princípios que aqui evocamos hoje, acreditando que este é o verdadeiro espírito do “25 de Abril” de há 37 anos, que importa cumprir.

Viva o 25 de Abril! Viva Portugal! Viva Ermesinde!

 

 

publicado por viajandonotempo às 09:00

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