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Agosto 10 2011

Recordando um mártir da Igreja Católica                                                                                                     


O dia 10 de Agosto é dedicado, pela Igreja Católica a São Lourenço de Huesca (local do Norte de Espanha onde se pensa ter nascido, embora também se ponha a hipótese de Valência, igualmente no país vizinho) que terá vivido no Império Romano, entre 225 (?) e 10 de Agosto de 258, data em que foi martirizado em Roma. Viveu no tempo em que os romanos perseguiam e assassinavam, quantas vezes em rituais festivos e para entretenimento das multidões urbanas, os cristãos, acusados de serem os bodes expiatórios do inquestionável domínio romano do mundo mediterrânico.

 

 São Lourenço foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (eram os guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, com sede precisamente na capital do império romano (Roma).

 

Um ano antes da sua execução, o Imperador romano Valeriano I havia decretado a perseguição aos cristãos e, no ano seguinte, seria preso e decapitado o Papa Sisto II, de quem São Lourenço era muito amigo.

 

Depois da execução do Papa, o Imperador exigiu à Igreja que entregasse as suas riquezas no curto espaço de 3 dias. Quando o prazo estava quase a terminar, São Lourenço apresentou-se ao imperador com as pessoas pobres, de todas as idades, que a Igreja ia apoiando diariamente, dizendo ser essa a riqueza da Igreja. Fácil será imaginar a irada reacção do Imperador que, de imediato, mandou prender e executar Lourenço, que seria queimado vivo, por cima de uma grelha que, por isso, aparece na sua iconografia. A tradição oral diz que o santo, dono de uma enorme coragem, no acto maior da sua suplicação terá dito aos que executavam a ordem imperial: «podem virar-me agora, pois este lado já está bem assado».

 

O santo espanhol é muito venerado em Roma, como em muitas terras de Portugal.

 

A história de S. Lourenço serve para lembrar os tempos de intolerância religiosa do baixo Império Romano a braços com diversos e graves problemas económicos, militares e políticos, que tiveram naturais repercussões religiosas.

 

O Cristianismo, como se sabe, surge na Palestina, também dominada pelo Império Romano, e a sua difusão, em maior escala no mundo urbano, intensifica-se após a execução de Cristo, com o beneplácito de Pôncio Pilatos, representante local da autoridade romana. Para popularizar o ódio contra os cristãos, os imperadores atribuíam-lhes a responsabilidade por todas as calamidades que ocorressem no Império: inundações, incêndios, pestes e tempestades. Uma das últimas perseguições foi da responsabilidade do Imperador Diocleciano, nos anos 303 e 304. Muitas vezes, porém, as perseguições tiveram o efeito contrário do desejado, pois acabavam por levar à conversão muitos dos espectadores pagãos, comovidos pela firmeza, coragem e resignação dos cristãos diante dos sofrimentos. Em 313, finalmente, o Imperador Constantino, ao que se diz, influenciado por sua mãe que se havia convertido ao cristianismo, assinou o Édito de Milão, que proibia as perseguições aos cristãos e lhes dava liberdade de culto. O Cristianismo ganhou um novo e definitivo impulso e no ano 390, o Imperador Teodósio proibiu o culto pagão e tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano. De perseguidores, os romanos tornaram-se em fervorosos cristãos e é graças a eles e à sua rigorosa rede administrativa que a religião cristã (hoje oficialmente designada Religião Católica Apostólica Romana) chegou a todos os recantos do Império.

 

A concluir, importa referir que o Cristianismo, no início da sua irradiação, constituiu um elemento revolucionário na medida em que defendia a igualdade de todos os homens (e a estrutura romana assentava no esclavagismo) e a divindade apenas de Deus (quando o Imperador, desde Octávio César Augusto, era considerado um ser divino, por isso era denominado “Augusto”). Por outro lado, a nova religião mostrava-se universalista, ao pregar a salvação de todos os homens pela fé e pelas boas obras.

 

Num tempo em que se regista uma contínua e sistemática perda de valores e de comportamentos éticos, recordamos aqui esse importante normativo social que deve ser o da tolerância para com as diferenças, de credo, de ideologia política, de etnia, de tendência clubística. Não há verdadeira liberdade sem o permanente sentimento de tolerância.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por viajandonotempo às 19:36

Olá, Manuel. Depois de tanto tempo de ausência, vim hoje ver os teus escritos e qual não foi a minha surpresa ao ver a biografia do Diácino Lourenço, que, naturalmente, eu muito prezo, admiro e gostaria de imitar não fosse minha vulgaridade de vida. Francamente gostei, e felicito-te por este escrito.
Saudações amigas do
Diác. Francisco F. Leal
Francisci Freire Leal a 17 de Setembro de 2011 às 21:37

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