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Março 27 2009

 

Mendes Cabeçadas (31-5-1926 a 17-6-1926)

José Mendes Cabeçadas Júnior nasceu em Loulé (Algarve), no dia 19 de Agosto de 1883 e faleceu em Lisboa, a 11 de Junho de 1965. Foi oficial da Armada Portuguesa, pertenceu à maçonaria e foi um político republicano convicto, que teve um papel decisivo na preparação dos movimentos revolucionários da implantação da República e também da extinção da Primeira República Portuguesa: a Revolução de 5 de Outubro de 1910 e o Golpe de 28 de Maio de 1926, respectivamente.
Mendes Cabeçadas foi um dos responsáveis pela revolta a bordo do Adamastor, durante a Revolução Republicana de 1910; no entanto, cedo se desiludiu com o regime que ajudara a criar, apesar de logo em 1926, ter exercido o cargo de Presidente da República Portuguesa (o 1.º da Ditadura Militar) e de Presidente do Conselho de Ministros no breve período, de 31 de Maio de 1926 e 16 de Junho do mesmo ano. Foi, igualmente, deputado de 1911 a 1915.
Afastado do poder pela orientação do regime à direita e pelo salazarismo, transformou-se num feroz opositor da autocracia de Óscar Carmona e de Oliveira Salazar, conspirando em duas tentativas insurreccionais (1946 e 1947). Como derradeiro gesto político, subscreveu o Programa para a Democratização da República (1961).
Mendes Cabeçadas, revolucionário de uma linha moderada, julgava ainda ser possível constituir um governo que não pusesse em causa o regime constitucional, mas apenas livre da nefasta influência do Partido Democrático. No entanto, os demais conspiradores (entre os quais Gomes da Costa e Óscar Carmona) julgaram-no como sendo incapaz e, no fundo, o último vestígio do regime constitucional da I República. Após uma reunião dos revoltosos no seu quartel-general em Sacavém, em 17 de Junho de 1926, Mendes Cabeçadas foi forçado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa. Continuava a instabilidade política da I República.
Desde então, passou para as fileiras da oposição, tendo-se envolvido, por exemplo, nas conspirações militares de 1946 e 1947, e o seu último gesto político significativo foi ter sido um dos três primeiros subscritores do Programa para a Democratização da República (1961).
Gomes da Costa (17-6-1926 A 9-7-1926)
Manuel de Oliveira Gomes da Costa nasceu em Lisboa, no dia 14 de Janeiro de 1863 e faleceu na mesma cidade, a 17 de Dezembro de 1929. Militar e político português foi o décimo presidente da República Portuguesa e o segundo da Ditadura Nacional. Seu pai havia sido oficial subalterno de modesta origem camponesa.
Enquanto militar, destacou-se nas campanhas de pacificação das colónias, em África e na Índia, e ainda na I Grande Guerra como Comandante máximo do Corpo Expedicionário Português.
Até 1915, esteve quase ininterruptamente na Índia e em África (Moçambique, Angola e São Tomé). Aí conquistou o prestígio que a I República procurou utilizar, ao nomeá-lo comandante da l.ª divisão do CEP (Corpo Expedicionário Português). A campanha da Flandres reforçou o seu prestígio.
Enquanto político foi o líder da direita conservadora na Revolução do 28 de Maio de 1926, que teve início em Braga, com uma Marcha Militar com destino a Lisboa, como 4 anos antes fizera Benito Mussolini, com a Marcha sobre Roma (a morte do general Alves Roçadas, ditou o protagonismo de Gomes da Costa).
Não assumiu de início o poder, que, como se viu acima, foi confiado a Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa.
Persistindo uma certa desconfiança política mútua, Gomes da Costa viria, após sucessivas reuniões conspirativas, mantidas no quartel-general de Sacavém, a alcançar o poder, após um golpe ocorrido em 17 de Junho de 1926.
No entanto, o seu Governo não durou muito mais que o de Mendes Cabeçadas; em 9 de Julho do mesmo ano, uma nova contra-revolução, chefiada pelo general Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. Foi então preso e deportado para os Açores (11.7.1926), para evitar maiores descontentamentos em torno de si. Mesmo assim, Carmona fê-lo marechal, em Setembro de 1927, quando a situação foi considerada suficientemente estabilizada. Segundo Salazar, manteve longas conversas com ele em 1928. Regressou ao Continente, tendo falecido em condições miseráveis, sozinho e com dificuldades financeiras.
Óscar Carmona 16-11-1926 a 18-4-1951)
António Óscar de Fragoso Carmona nasceu em Lisboa, no dia 24 de Novembro de 1869 e faleceu na mesma cidade, a 18 de Abril de 1951. Político e militar português, filho (o pai foi o general Inácio Maria Machado de Morais Carmona) e neto de militares, foi o décimo primeiro Presidente da República Portuguesa (último da Ditadura Militar e primeiro do Estado Novo). Morreu no exercício do cargo.
Óscar Carmona foi um dos conspiradores do 28 de Maio de 1926, tendo assumido o poder após o derrube do general Gomes da Costa, como Presidente do Conselho de Ministros (9 de Julho de 1926), sendo nomeado, posteriormente, Presidente da República (16 de Novembro de 1926).
Apesar de, na prática, se ter tornado Presidente logo após o derrube de Gomes da Costa (9 de Julho), só viria a assumir efectivamente a presidência a 16 de Novembro.
Foi eleito em 1928, ainda durante a Ditadura Militar, dando início ao período denominado Ditadura Nacional, e reeleito, já na vigência da Constituição de 1933, em 1935, 1942 e 1949, não concluindo o último mandato por ter falecido no decurso do mesmo.
Óscar Carmona foi nomeado marechal do exército em 1947.
Uma das obras publicadas foi “O novo regulamento para a Instrução Táctica de Cavalaria” in Revista Militar, n.º 11, Novembro 1913.
Na sua primeira passagem pelo poder, ainda durante a 1.ª República, como Ministro da Guerra, reprimiu a "intentona radical" (13.12.1923). Mas foi o seu papel como promotor militar no julgamento da "Sala do Risco" dos responsáveis pelo 18.4.1925, que lhe deu uma projecção nacional, já que pediu e obteve a absolvição dos implicados, com base no argumento de que a "pátria estava doente" e precisava portanto de cirurgiões de espada.
Foi fundamental o seu papel durante o conturbado processo político-militar que, muito por intervenção sua a favor de Salazar, levou à institucionalização do Estado Novo. Não mantinha com ele relações pessoais aquando da nomeação para ministro das Finanças (27.4.1928), mas desde muito cedo este ganha a sua confiança. Foi já graças a Carmona que conseguiu, sendo civil, ser nomeado presidente do Ministério (5.5.1932). E se depois da institucionalização do regime com a aprovação da nova Constituição (11.4.1933) a intervenção activa de Carmona nos assuntos correntes passou a ser escassa ou nula, o que alguns observadores estrangeiros, associam à doença que o teria afectado (1935), a verdade é que tal se ajustava ao seu perfil, e continuava a ser figura fundamental para a solidificação do regime a nível do seu pilar militar.
Carmona surgia como a solução ideal para três questões fundamentais para o regime:
«as relações entre os militares; as relações entre os militares e os políticos; e as relações entre monárquicos e republicanos. Exercendo um poder simbólico, arbitral e criador de consensos. Parece fora de dúvida que Salazar não teria podido afastar Carmona da forma que fez com Craveiro Lopes. Mas também parece pouco provável que Carmona se empenhasse, em algum ponto - e mesmo, que nos anos 40 tivesse, num Exército cada vez mais dominado por Santos Costa, a força - para afastar Salazar, a não ser no curto período (1943-1944) em que contaria com o apoio aliado. Não conclui o seu quarto mandato, pois morreu no cargo, apenas dois anos após a sua eleição, tendo sido enterrado no Panteão Nacional em funeral oficial com toda a pompa. Tinha sido Presidente da República durante um quarto de século. É por isso o Presidente da República que mais tempo permaneceu em funções, e previsivelmente continuará a sê-lo, tendo em conta a actual legislação sobre o limite de mandatos sucessivos».
Craveiro Lopes (21-7-1951 a 9-8-1958)
Francisco Higino Craveiro Lopes nasceu em Lisboa, no dia 12 de Abril de 1894 e faleceu na mesma cidade, a 2 de Setembro de 1964. Político e militar português foi o décimo terceiro presidente da República Portuguesa (segundo do Estado Novo), entre 1951 e 1958. Craveiro Lopes era filho do general e governador-geral da Índia Portuguesa, João Carlos Craveiro Lopes.
Desde a morte de Óscar Carmona até à eleição de Craveiro Lopes, exerceu interinamente o cargo de Presidente da República, António de Oliveira Salazar, de 18 de Abril de 1951 a 21 de Julho de 1951
Frequentou e concluiu o Colégio Militar a 23 de Julho de 1911, após o que ingressou na Escola Politécnica de Lisboa. Ainda em 1911, alistou-se como voluntário no Regimento de Cavalaria 2.
Como primeiro sargento-cadete tira o curso de Cavalaria na antiga Escola do Exército, ingressando posteriormente na Aeronáutica Militar.
Em 1915 é mobilizado para a fronteira Norte de Moçambique, onde em Novembro de 1916, defronta as tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial e se distingue com bravura na defesa do forte de Newala e combates de Kiwambo. Recebe por estas acções em 1917, aos 23 anos, a Cruz de Guerra e é feito Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 1918 tirou o curso de piloto militar, na Escola de Aviação francesa, em Chatres, sendo na altura promovido a tenente, seguindo, ainda nesse ano, para Moçambique.
Em Março de 1922, exerce as funções de instrutor de pilotagem, como capitão piloto aviador.
Em 1926, colocado na Aeronáutica Militar, é nomeado director da Divisão de Instrução da Escola Militar, cargo que exerce até 1929, voltando a exercer a mesma função em 1932, e também em 1939, por curtos períodos.
Fez o levantamento aéreo de Goa, Damão e Diu (1929) e ainda o 1.º voo de Correio aéreo Goa-Bombaim-Goa num avião monomotor De Havilland DH-80A "Puss Moth" (em 1930).
Nesse mesmo ano, como major, exerce as funções de chefe da Repartição do Gabinete do governador-geral da Índia.
De 1933 a 1934 ocupa a chefia do Gabinete do governador-geral da Índia, cargo que volta a exercer alguns meses em finais de 1936. É, em 1934, governador interino do distrito de Damão, cargo mais tarde confirmado com as atribuições de intendente, sendo mesmo encarregado do Governo-Geral da Índia em 1936, a título interino, cargo que desempenha até 1938.
Comandante-geral da Aeronáutica em 1941 negoceia as condições de utilização da Base Aérea dos Açores pelos Estados Unidos, após o que é designado comandante da Base Aérea dos Açores.
Em 1943, tira o curso de Altos Comandos e é chamado para o Instituto de Altos Estudos Militares com funções docentes.
De 1944 a 1950, exerce as funções de comandante-geral da Legião Portuguesa.
Em 1951 é nomeado comandante da terceira Região Militar, cargo que acumula com as funções docentes no Instituto de Altos Estudos Militares.
Nesse mesmo ano, pouco após a morte de Carmona, é indigitado pela União Nacional como candidato às eleições presidenciais, sendo eleito a 21 de Julho de 1951.
Apesar de ter sido julgado um candidato capaz de suscitar consensos, cedo viria a revelar a sua frieza nas relações com o Presidente do Conselho e a demonstrar até uma certa simpatia pelos oposicionistas.
«Ao ser eleito nada fazia prever que esta Presidência acabasse por ser problemática, um verdadeiro estorvo, para o regime. Os problemas surgiram desde o início.
Entre Craveiro Lopes e o presidente do Conselho as relações foram sempre frias e formais. O feitio das duas personalidades nunca poderia produzir relações amistosas. Poderia, no entanto, ter havido alguma empatia o que nunca se verificou.
Craveiro Lopes com o decorrer dos anos vai-se sentindo cada vez mais humilhado e vexado. Os discursos eram modificados, os projectos recusados ou protelados, as convocações da Presidência ao Governo ignoradas».
Por isso mesmo, não foi proposto para um segundo mandato presidencial.
Depois de retirado da política activa, foi feito Marechal da Força Aérea; ao mesmo tempo, manteve sempre os contactos com os líderes da Oposição, e parece ter estado associado ao golpe de Botelho Moniz, em Abril de 1961.
Veio a falecer em Agosto de 1964, aos 70 anos, durante a noite, em situação pouco clara (supõe-se vítima de enfarte de miocárdio).
Américo Tomás (9-8-1958 a 25-4-1974)
Américo de Deus Rodrigues Tomás nasceu em Lisboa, no dia 19 de Novembro de 1894 e faleceu em Cascais, a 18 de Setembro de 1987. Político e militar português foi o décimo quarto Presidente da República Portuguesa (último do Estado Novo).
Foi chefe de gabinete do Ministro da Marinha em 1936, presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante de 1940 a 1944 e Ministro da Marinha de 1944 a 1958, quando foi o candidato escolhido pela União Nacional para suceder a Craveiro Lopes. Teve como adversário o denominado general sem medo, Humberto Delgado, que perdeu as eleições em condições de assumida fraude eleitoral. A única dúvida que ainda subsiste é a diferença entre os votos dos dois candidatos, sendo certo que Humberto Delgado seria o vencedor do acto eleitoral e novo Presidente.
Na sequência da agitação social, da desordem e da intranquilidade pública gerada pelos resultados, que eram manifestamente contrários à vontade da maioria da população, as eleições presidenciais deixaram de ser directas, passando a ser da responsabilidade de um colégio eleitoral, constituído exclusivamente por membros da União Nacional. Desta forma, o regime punha de parte qualquer tipo de mudança democrática encetada pelo voto da população portuguesa.
Foi dessa forma reeleito em 1965 e 1972. «A escolha de Marcelo Caetano nunca foi muito de seu agrado. O novo Presidente do Conselho era demasiado reformista. A preocupação com o futuro do Ultramar e a sua manutenção era algo que reportava de fundamental e tinha a consciência que dessa manutenção dependeria a sobrevivência do regime. Por isso, obrigou Marcelo Caetano a estabelecer um compromisso: o de não colocar a política ultramarina em causa.»
A Revolução do 25 de Abril encontrou-o a meio do seu terceiro mandato (que se deveria prolongar até 1979). Foi então demitido do cargo e expulso compulsivamente da Marinha, tendo sido enviado para a Madeira, donde partiu para o exílio no Brasil.
Em 1978, o general Ramalho Eanes permitiu o seu regresso a Portugal.
A 18 de Setembro de 1987, Américo Tomás morreu numa clínica em Cascais, após uma cirurgia, com 92 anos.
Entre as obras que publicou, destaco as seguintes: Sem Espírito Marítimo Não É Possível o Progresso da Marinha Mercante, Lisboa, 1956; Renovação e Expansão da Frota Mercante Nacional, Lisboa, 1958; Citações, Lisboa, 1975; e Últimas Décadas de Portugal, l.º e 2.º vols., Lisboa, 1980 e 1981.
publicado por viajandonotempo às 12:09

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