VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Junho 11 2009

 HISTÓRIA A – MÓDULO 7

- resumos (2.ª parte) –
 
 "Guernica" - famoso quadro de Picasso
 
As transformações da vida urbana
O desenvolvimento urbano foi um dos fenómenos mais importantes dos finais do século XX e inícios do séc. XX, que vai romper o equilíbrio milenar entre a cidade e o campo (campos esvaziam-se e enchem-se as cidades).
- Na cidade surgem novas actividades (indústria, serviços que atraem a população rural). O êxodo rural faz engrossar as cidades.
O número de cidades aumenta e o número de habitantes também.
As cidades são o centro de actividades poderosas e fundamentais relacionadas com a política, administração, indústria, comércio, banca e serviços públicos ligados às novas necessidades das cidades: redes de transportes (omnibus, eléctricos, comboios), abastecimento (alimentos, água, energia), escolas, hospitais, saneamento básico e, entre outros, recolha de lixo.
Surgiram as “Metrópoles” (gigantescas áreas urbanizadas) como Nova Yorque, Chicago, Paris e Londres.
Surgem as “Megalópoles” (áreas urbanizadas de kms, ligando cidades nos E.U.A., Japão, Alemanha, Holanda).
Mudança na estrutura urbana:
* Novos centros urbanos (já não é a Catedral ou a Praça), mas locais onde estão grandes edifícios públicos, bancos, centros comerciais, grandes empresas. O poder económico).
* Bairros elegantes do centro onde se instala a Burguesia.
* Bairros operários
* Bairros do submundo de pobreza humana
* Subúrbios (bairros da periferia) 
 
Novas sociabilidades
Surge uma nova sociabilidade e sente-se a desagregação das tradicionais solidariedades dos meios rurais. Assiste-se, efectivamente, a uma massificação da vida urbana, alienação do trabalho e verdadeiras formas de anomia social
Massificação da vida urbana
Surge nas cidades uma sociedade de massas, caracterizada por: elevado número de pessoas, dispersão espacial, anonimato (as populações vivem em bairros estandardizados, trabalham em grandes empresas e vivem sem estabelecer relações interpessoais com a vizinhança ou com colegas de trabalho), consumo de massas, uniformização de comportamentos (modo de vestir, falar, atitudes),  novo clima de ócio, ânsia de divertimento.
Alienação do trabalho
Termo marxista para designar o trabalho automatizado imposto pela máquina de montagem. O trabalho passou a ser anónimo e abstracto. O produto final deixou de ser o produto da criatividade do operário, para ser o produto da máquina.
Do trabalho operário, o conceito de alienação do trabalho alargou-se, também, ao trabalho burocrático.
Desagregação das solidariedades e a anomia social
Nas sociedades urbanas quebram-se os laços de solidariedade e as relações entre os homens desumanizam-se. Os homens vivem cada vez mais isolados, fechados em si próprios.
Nas zonas degradadas dos bairros pobres (urbanos e suburbanos) a pobreza conduz a situações de marginalização que levam à violência e à criminalidade.
- Surgem situações de “Anomia Social” que se evidenciam por comportamentos urbanos marcados por uma ausência de regras ou de leis, de princípios e de valores. São comportamentos marginais de indivíduos desenraizados que não se integrando na sociedade, assumem comportamentos agressivos que conduzem à criminalidade (gangsters como Al Capone, Bonnie e Clyde, vivendo à margem da lei, sem quaisquer princípios morais).
 
A crise dos valores tradicionais
Os valores tradicionais estão definitivamente em crise. Perdeu-se a confiança na superioridade da civilização ocidental; na ciência, indústria e no progresso ocidental; na propriedade privada. A 1.ª Guerra Mundial caracterizou-se por uma tal brutalidade que pôs em causa a confiança e o optimismo do passado recente.
 As consequências da Guerra são: uma decepção generalizada, a descrença, o pessimismo. A ciência e a sua capacidade de gerar progresso são postas em causa, surge a contestação a todos os níveis (comportamentos, família, sexual, casamento indissolúvel, papel da mulher, arte tradicional); é até contestada a política das democracias por grupos revolucionários e por grupos conservadores e autoritários.
 
Os movimentos feministas
O século XX assiste à emancipação progressiva da mulher, até então totalmente na dependência do homem. Vários factores contribuíram para isso:
- Revolução industrial que utiliza a mulher como mão-de-obra imprescindível para certas indústrias, como o têxtil. Apesar de ser altamente explorada com salários muito inferiores aos do homem, esse trabalho permitiu às mulheres uma independência económica que antes não tinham.
- A 1.ª Guerra Mundial exigiu um papel activo das mulheres que se viram obrigadas a substituir os homens nas fábricas, campos e serviços, enquanto eles partiam para as frentes da batalha.
- Elevação do nível de instrução da mulher que começa a acontecer por iniciativas dos governos ou para iniciativas particulares de espíritos filantrópicos.
- Surge oFeminismo: corrente que defende o movimento da luta das mulheres pela igualdade de direitos em relação ao homem. Elas lutam pela: igualdade Jurídica (leis), igualdade intelectual (instrução), igualdade económica (profissão, trabalho e salários), igualdade política (direito de voto, possibilidade de ser eleita), igualdade social (família, sociedade).
Direitos conseguidos pelas mulheres:
- Direito de voto (conquista de voto universal)
- Acesso a profissões de nível superior (medicina, advocacia, engenharia e professorado)
- Acesso ao mundo dos serviços
- Maior intervenção dentro da família: maior liberdade de movimentação; maior liberdade sexual, com uso dos métodos contraceptivos.
Reflexo da emancipação das mulheres:
- Nos costumes – novo estilo de vida mais livre, vida social mais intensa, prática do desporto, procura de divertimentos, acesso aos vícios masculinos (beber e fumar).
- Na moda – mais simples e desportiva, com saias curtas, saia-calça, cabelo curto à “garçonne”, substituição do espartilho pelo soutien, decotes maiores, maquilhagem.
Surgem revistas femininas que exaltam a mulher e que a orientam no sentido de cuidarem da sua imagem, exaltando a sua emancipação.
 
A crise do pensamento racionalista
Na segunda metade do séc. XIX, o positivismo marcava todo o conhecimento científico. A metodologia das ciências experimentais era aplicada a todas as áreas (da Física à História), acreditando-se que tudo podia ser explicado em termos científicos e que a ciência podia atingir a verdade absoluta.
Mas, nos princípios do séc. XX, a ciência evoluía não no sentido das verdades absolutas, mas num sentido diferente. O racionalismo, a certeza e o absoluto foram substituídos pela incerteza e pelo relativismo. O Positivismo dava lugar ao relativismo, doutrina segundo a qual o conhecimento é sempre relativo, condicionado pelas suas leis próprias, pelos limites do sujeito que conhece e pelo contexto sócio-cultural que o rodeia. Esta teoria provocou um choque na consciência científica da época, contribuindo para abalar a confiança na certeza científica.
No caso da História, Benetto Croce começou por contestar as teorias positivistas aplicadas a esta ciência. Segundo ele, todo o conhecimento histórico é sempre um conhecimento relativo e subjectivo influenciado por inúmeros factores (perspectiva do historiador, selecção de fontes, interpretação, etc.)
Também a Física e outras ciências experimentais se afastam do Positivismo. Einstein cria a teoria da relatividade que punha em causa o carácter absoluto do conhecimento, tornando-o dependente do espaço, do tempo, do movimento e do observador, também eles realidades não absolutas.
Segundo aquela teoria, as medidas de energia e de massa eram inseparáveis da velocidade e do movimento. Verificou que à medida que os objectos se aproximam da velocidade da luz (3.000.000 Km/s), eles encolhem, a sua massa aumenta e o tempo abranda. Por isso, nenhuma observação efectuada a partir de um único ponto fixo num universo, em permanente expansão, devia merecer uma confiança absoluta.
Desse modo, altera-se também a noção do tempo. Este, que se pensava invariável e linear, toma também uma nova dimensão, tal como o são o cumprimento, a espessura e a velocidade.
 
A Psicanálise de Freud e seu impacto nos comportamentos, na cultura e na arte
Freud, médico neurologista e professor da Universidade de Viena, cria a Psicanálise que vem questionar o poder absoluto da razão sobre o comportamento humano.
A Psicanálise surgiu inicialmente como um método de determinação das causas das neuroses e como terapia de tratamento (a partir da interpretação dos sonhos, da associação livre e da hipnose).
Depois, deu origem a uma doutrina psicológica sobre os nossos processos mentais e emocionais, um método de investigação e uma técnica terapêutica para tratamento de neuroses e psicoses.
Segundo Freud, a “psique” humana estava estruturada a três níveis:
- o «infra-ego» (id), parte mais profunda da psique (o inconsciente que abarca um conjunto de impulsos e forças instintivas que buscam a satisfação imediata);
- o «superego», a parte subconsciente (uma parte inconsciente, mas a um nível menos profundo. Está ligado à interiorização das proibições morais e éticas. Está sempre vigilante em relação aos nossos comportamentos);
- o «ego» (eu) ou consciente (é ele que decide se um impulso pode ou não ser satisfeito).
Segundo Freud, as causas das neuroses estariam no facto de muitos impulsos instintivos e recordações desagradáveis terem sido reprimidas para o inconsciente da vida mental, onde aparecem recalcados, vindo a gerar neuroses. É a censura que não os deixa aparecer. A função terapêutica da Psicanálise seria o de conseguir trazer à consciência essas forças recalcadas inconscientes. Seria ir à procura das origens dessas neuroses. Tal conduziria à descompressão do que estava recalcado e dessa consciência começava o caminho para a cura.
A Psicanálise influenciou as inovações literárias e artísticas da 1.ª metade do séc. XX. Escritores e artistas inspiraram-se nas concepções psicanalíticas, encontrando no mundo aberto da Psicanálise uma fonte de inspiração frutuosa e uma influência libertadora: na Literatura surgem personagens freudianas com neuroses; na Arte surgem correntes como o Surrealismo que tentam penetrar para além do nível consciente da percepção.
 
 
As vanguardas artísticas
No início do séc. XX, dão-se profundas transformações na literatura e nas artes, reflectindo o espírito da mudança. Representa uma frente comum das artes contra a tradição e um desafio à sociedade.
É a época do Modernismo e das experiências de vanguarda que se caracterizaram por:
a) Rompimento com a arte tradicional: abandono do figurativismo (a fotografia passa a ocupar-se da representação do real). A obra de arte ganha autonomia face à realidade, libertando-se da necessidade de a copiar; recusa do academismo que seguia os modelos clássicos, numa representação ideal da Natureza e do Homem (desenho em pormenor, claro-escuro, perspectiva); abandono dos temas tradicionais (temas religiosos, clássicos e históricos);
b) Criação de uma linguagem pictórica própria: carácter bidimensional, sem preocupações de volume e de desenho, dando mais importância à cor; novos temas como a luz, o calor e os estados de alma do pintor, temas do quotidiano; procura da intelectualização da visão.
c) Levar a arte a todos os domínios da actividade humana:levar a arte às habitações, aos espaços urbanos, ao vestuário, mobiliário e até aos objectos de uso quotidiano, na aplicação de um funcionalismo estético que liga a arte à tecnologia, à indústria, ao mundo do quotidiano. Às preocupações funcionais juntam-se agora preocupações estéticas. Como exemplo, surge o Design que transforma os objectos de uso corrente, produzidos industrialmente, em verdadeiras obras de arte.
d) Concepção da arte como uma investigação permanente (busca de novas técnicas, novos materiais). Surgem variadas escolas - Milão, Roma, Berlim, Paris - efémeras, devido ao carácter de pesquisa que leva os pintores a saltarem de escola em escola.
Surge, então no séc. XX, o Movimento das Vanguardas ou Vanguardismo, movimento artístico que vai desencadear uma revolução plástica que irá abrir novos caminhos à arte. Atinge a pintura, a escultura, a arquitectura, o mobiliário, a decoração, a literatura e a música. Os artistas vanguardistas assumem-se como os pioneiros, os «avant-garde», tendo por missão inventar o futuro e criar um mundo novo.
 
O Fauvismo e o Expressionismo
Surge em Paris, em 1905, quando jovens pintores expõem as suas obras, marcadas pela agressividade das cores, escandalizando a opinião pública. Um crítico francês chamou-lhes «fauves» (feras), depois de ter observado a sua exposição onde uma escultura renascentista de Donatello contrastava com as pinturas que a rodeavam, nas quais os pintores haviam empregue a cor de modo expressivo e arbitrário. O seu comentário foi: «Donatello entre as feras».
Principais características: o primado da cor sobre a forma. É na cor que os artistas se exprimem artisticamente; cores muito intensas, brilhantes e agressivas. Cores primárias, com pinceladas soltas, violentas e grossos empastes. Realce dos contornos com traços negros; aplicação das cores de uma forma arbitrária, o que as tornava estranhas, quase selvagens; tendência para a deformação das figuras; influência da arte infantil e da arte primitiva. Pintores de destaque: Matisse e Vlaminck.
O Expressionismo surge, em 1905, na Alemanha, quando 4 estudantes de Arquitectura formam o grupo, «Die Bruck» (A Ponte). A eles se juntam pintores.
Receberam influência de Van Gogh (exprime a solidão e a angústia) e Munch (alucinação das figuras) que são considerados os precursores do expressionismo. Pretendiam «fazer a ponte» entre o visível e o invisível.
Queriam romper com o conservadorismo da arte oficial alemã. Defendiam uma arte impulsiva, fortemente individual, que representasse um grito de revolta individual do seu criador contra uma sociedade marcada pela injustiça e pelos preconceitos e moralismos. O Expressionismo é, por isso, a pintura das emoções. Reflecte a projecção do artista para o mundo exterior, imprimindo na arte a sua sensibilidade e as suas emoções face ao mundo que o rodeia.
Principais características: temática pesada - cenas de rua e retratos onde as figuras humanas eram intencionalmente deformadas. Ridicularização de grupos como a burguesia e os militares, considerados os culpados da miséria social; formas simples, primitivas e distorcidas que deformavam a realidade, para causar assombro, repulsa e angústia; cor - grandes manchas de cor, intensas e contrastantes, aplicadas livremente e de uma forma arbitrária e pesados contornos das figuras. A intenção era exprimir os dramas humanos da sociedade moderna e os dramas interiores do homem como o anonimato da cidade, a alienação do trabalho, a solidão, a angústia, o desespero, a guerra, a morte, a exploração do sexo, a miséria social. Pintores de destaque: Ernst Kirchner, Georges Rouault, Frutz Bleyl, Otto Dix e Grosz.
 
O cubismo: contexto, características, criadores e obras
Surge em Paris, em 1907, com Pablo Picasso ("Les Demoiselles d'Avignon" ) e com Georges Braque (« Casas d’ Estaque»).
 É a pintura dos cubinhos que revela uma realidade não como a vemos, mas como a pensamos. Significa a “intelectualização da visão” em que a arte se liberta da visão e se intelectualiza, utilizando como linguagem a geometria que decompõe o objecto nas suas formas mais elementares, para o voltar a reconstruir de uma forma mais racional que segue o raciocínio e não a visão.
 Principais características: destruição completa das leis da perspectiva tridimensional (concepção estática da pintura tradicional que transmitia apenas a realidade da visão que vê o objecto fixo, numa única perspectiva); a visão parcelar devia ser substituída por uma visão total dos objectos representados (trata-se de uma visão mais intelectual do objecto, não numa única, mas em várias perspectivas); cria assim uma quarta dimensão que permite a visão simultânea do objecto em várias perspectivas (de frente, de perfil, de lado, por cima, por baixo, no seu interior …), como se o pintor se movesse em torno do mesmo (numa única imagem estão reunidas todas essas perspectivas); a nova dimensão representa o tempo necessário à percepção integral dos objectos representados no espaço pictórico; na nova representação do objecto, usa uma linguagem geométrica, procurando encontrar as formas basilares dos objectos, reduzindo-os a poliedros, cones, esferas, cilindros, etc. Dizia Cézanne: “A Geometria é para as artes o que a gramática é para a arte do escritor”; revela também a influência da arte africana (máscaras rituais), onde está patente aquela linguagem geométrica.
"Les Demoiselles d'Avignon" são a primeira obra cubista. O Cubismo nasceu no canto superior direito deste quadro. Nos dois nus da direita e em especial nos rostos, modela o volume através de uma espécie de desenho colorido e de traços paralelos.
Aí Picasso pintou a decomposição do seu próprio rosto (anulando a diferença entre frente e perfil), para que pudesse ser visto em toda a sua dimensão. Assim destruía a velha imagem do homem que se impunha desde a época clássica. «Foi o seu próprio rosto que ele escolheu para nele fazer o maior dos ultrajes que iria tornar-se início de uma nova era na pintura.»
Outra pintura sua muito famosa é "Guernica" (1937), tela monocromática de grandes dimensões, que representa a destruição daquela cidade basca que sofreu o bombardeamento da Legião Condor de Hitler, durante a guerra civil espanhola, a mando do general Franco. Dos seus 7.000 habitantes, 1.654 foram mortos e 889 feridos.
 
O Futurismo: contexto, características, criadores e obras
Surge em Milão, em 1909, e em oposição ao Cubismo. Surge a partir de um manifesto literário e artístico de Filippo Marinetti - "O Manifesto Futurista".  
Propunha a aniquilação de toda e qualquer forma de tradição, a destruição das grandes obras artísticas e literárias do passado, anunciando uma pintura e uma literatura mais adaptadas à era das máquinas, do movimento e do futuro. Um verdadeiro hino à vida moderna e uma glorificação do futuro. Dizia Marinetti: “As máquinas e os motores têm alma; pensam, sentem como os humanos; uma lâmpada eléctrica que pisca ameaçando apagar-se é comparável a um homem que agoniza!
O Futurismo torna-se uma moda. Os seus meios de propaganda são variados: cartazes, panfletos, revistas, exposições, espectáculos, conferências, etc.
O Futurismo conduziu ainda à exaltação do militarismo e da guerra, como expressão da força e energia de um povo (acaba por ligar-se às doutrinas fascistas).
Principais características: temática associada à velocidade, ao dinamismo e à mudança: cidades, fábricas, máquinas, pontes, locomotivas, aviões, motores, velocidade, ruído, multidões, etc.; movimento criado a partir da repetição de formas e de cores (a forma é decomposta e fragmentada em segmentos, representando diferentes momentos de um corpo em movimento; combina-se com um intenso jogo de luzes, para sugerir o movimento); linhas circulares, elípticas e espirais e arabescos que visavam a ideia de ritmo (as pinturas procuravam representar o «tumulto» que transmitia a ideia da vida moderna); cores agressivas e repetitivas, tal como as formas, para dar a ideia do movimento. Pintores de destaque: Giacomo Balla, Boccioni, Carlo Carrá e Severini.
 
O Abstraccionismo contexto, características, criadores e obras
Surge em 1910 com Kandinsky, pintor russo, radicado na Alemanha. É considerado o primeiro abstraccionista. Podemos definir o Abstraccionismo como um movimento artístico que se propunha não representar a realidade sensível ou objectiva, mas sim abstrair-se dessa realidade numa nova realidade, oculta e mais profunda, construída pelo espírito.
Principais características: o objecto com as suas formas e cores desaparece, sendo substituído por linhas e cores conjugadas numa unidade que vale por si própria, numa linguagem universal e espiritual que fazem despertar em cada pessoa reacções diferentes numa variedade muito superior à da figuração dos objectos. As abstracções de forma e de cor actuam directamente na alma. Pintores de destaque: Vassily Kandinsky , Piet Mondrian , Malevitch e Helena Vieira da Silva (Paris).
Kandinsky estabelece a relação entre música e pintura, através do paralelismo entre a cor e os instrumentos musicais (azul/flauta, verde/violino, branco/silêncio).
Piet Mondrian, impressionado com a violência de um mundo em guerra, procurou dar à sua pintura uma função social, para além de uma nova dimensão estética. Procurou desligar da arte toda a emotividade pessoal e também tudo o que é efémero. Queria atingir uma pintura liberta de tudo o que não é essencial, limitada aos elementos básicos: a linha, a cor, a composição e o espaço bidimensional.
 
O Dadaísmo: contexto, características, criadores e obras
Este movimento surge na Suíça com Marcel Duchamp que pinta uma versão da Gioconda com bigodes e uma legenda obscena.
Segundo este movimento, a autêntica arte seria a anti-arte, caracterizada pelo uso da troça, do insulto e da crítica, como modo de destruir a ordem e estabelecer o caos.
O seu único princípio é a incoerência. Nada significa alguma coisa, nem mesmo o nome do movimento. É a chamada «ready made» que dá valor artístico a um objecto que normalmente o não tem (um urinol, uma roda de bicicleta, etc.).
 
O Surrealismo: contexto, características, criadores e obras
Em 1924 surge em Paris uma nova vanguarda plástica e literária com André Bretonque apresenta o "Manifesto do Surrealismo". A ele aderiram pintores como Picasso, Marc Chagall, Joan Miró, IvesTanguy, Salvador Dali e René Magritte e homens de letras como Louis Aragon e Paul Eluard.
Inspirava-se nas teorias psicanalíticas de Freud e da Psicanálise, procurando reflectir na arte o mundo desconhecido do inconsciente. É o recurso à psicologia das profundezas. Significa não o abandono do racional, mas o do consciente. Reivindicava a autonomia da imaginação e a capacidade do inconsciente se exprimir sem limitações.
Aqui residia o carácter revolucionário do surrealismo, fazendo deslocar a arte do exterior para o mundo da interioridade do artista.
Principais características: as pinturas representavam universos absurdos, cenas grotescas e estranhas, sonhos e alucinações, objectos representados de uma forma enigmática, misturando objectos reais com objectos fantásticos; cores também usadas arbitrariamente; representam, à maneira cubista, a visão total e intelectualizada do objecto, representando simultaneamente as várias visões possíveis do mesmo; substituição da tridimensional pela bidimensionalidade das figuras.
Os pintores surrealistas dividiam-se em duas tendências: surrealistas figurativos (Dali, Chagall, Magritte) - destruíam os convencionalismos tradicionais da pintura, mas conservavam algum figurativismo (representavam objectos de uma forma enigmática, procurando o belo em combinações estranhas); surrealistas abstractos (Miro e Tanguy) - recusavam completamente a pintura figurativa, enredando pelo abstraccionismo.
 
Tendências culturais em Portugal: entre o Naturalismo e as Vanguardas. O Modernismo em Portugal
Foi um movimento estético que surgiu numa primeira fase em 1911 com a «Exposição Livre de 1911» e, fundamentalmente, a partir de 1915.
Caracterizou-se pelo culto da modernidade que dominou a mentalidade contemporânea. Os seus seguidores privilegiavam a novidade relativamente ao estabelecido, a aventura face à segurança.
No movimento modernista estavam associadas a literatura e as artes plásticas. Encontrou nas revistas «Orpheu» (1915), «Portugal Futurista» (1917) e «Presença» (1927-1940) os seus principais expoentes.
A I República conheceu duas correntes literárias que foram o «Integralismo Lusitano» (tradicionalista, dirigido por António Sardinha) e a «Seara Nova» (democrática, dirigida por António Sérgio).
Em 1915, surge o 1.º Grupo Modernista, iniciado e impulsionado pela revista «Orpheu» com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros.
A revista «Orpheu» escandalizou o público que se mostrou chocado com as inovações que punham em causa o academismo tradicional. Surgiram apenas 2 números da revista, mas a estética modernista publicou outras revistas como «Portugal Futurista», em 1917 (n.º único). Fernando Pessoadestaca-se com a sua criatividade poética que se transmite através do seu desdobramento em várias personagens (heterónimos) dos quais os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos.
O 2.º grupo modernista desenvolve-se entre 1927 e 1940 (Ditadura Militar e Estado Novo), em torno da revista «Presença». Destacam-se Miguel Torga, José Régio e Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro.
No início do séc. XX, dominava em Portugal a pintura figurativa que tinha a sua expressão no pintor Malhoa. A situação alterou-se quando, em 1911 e depois em 1914, vários pintores e escultores portugueses que se encontravam em Paris regressam ao país, fugindo da guerra, trazendo consigo novos valores estéticos. Foi o início do modernismo em Portugal. Entre outros, vieram de Paris, Dórdio Gomes, Diogo de Macedo, Francisco Franco, Amadeu de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Eduardo Viana. A eles se juntou Almada Negreiros.
Na década de 1920, destaca-se a «segunda geração de Paris», designação dada aos artistas que, terminada a guerra, retornam a Paris ou para aí vão pela primeira vez. Partem Dórdio Gomes, Diogo de Macedo, Abel Manta (grande retratista) e Almada Negreiros.
publicado por viajandonotempo às 23:42

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