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Março 31 2015

O Partido Republicano Português surgiu há 139 anos

Fez no passado dia 25 de março 139 anos (1876) que foi fundado o Partido Republicano Português que a 5 de Outubro de 1910 terminava com o regime monárquico e iniciava uma República.

O seu triunfo aproveitou-se de uma conjuntura desfavorável à Monarquia Portuguesa. Esta, apesar de ser constitucional, estava profundamente desacreditada. Longe do povo, incapaz de resolver os principais problemas do País e do Império, as esperanças voltavam-se todas para a instauração da República.

Os republicanos prometiam um “mundo novo”, queriam instruir o povo e trazê-lo à participação política, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e fazer um Portugal mais próspero.

O 5 de Outubro de 1910 foi um dia de renovada esperança para Portugal. O povo aplaudiu o sucesso da carbonária republicana. O novo regime ia sendo proclamado por todo o País. As elites urbanas e rurais aderiram efusivamente à República e quiseram republicanizar o povo. Numas localidades foi mais fácil, noutras a resistência monárquica manteve-se ativa.

Regra geral, o povo aceitou o regime republicano como sinal de mudança e de muita esperança. As contas públicas equilibraram-se, surgiu nova bandeira, novo hino, nova moeda. Apostou-se muito na instrução de rapazes e raparigas. Por todo o lado apareceram jornais de fervor republicano. O clero sofreu algumas humilhações, perdeu património e importância social. O País viu mexidas as suas estruturas mais profundas.

Contudo, nem tudo foram “rosas”! Manteve-se sempre uma persistente oposição monárquica, houve divisão entre os republicanos e, pior que isso, surgiu a 1.ª Guerra Mundial em que Portugal participou, em África (para defender as suas colónias) e na Europa (Frente Ocidental, ao lado da nossa velha aliada, Inglaterra).

Esta participação foi verdadeiramente dramática para Portugal pelas suas consequências. Desequilíbrio financeiro, inflação galopante, desvalorização do escudo, caos social e uma insustentável instabilidade política decretariam o fim mais que certo da Primeira República, com a implantação da Ditadura Militar (1926) que, pouco depois, evoluiria para o longo “Estado Novo” (1933-1974).

Permita-me o leitor que recorde alguns nomes de heróis republicanos que não chegaram a festejar a implantação do regime por que lutaram.

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 Elias Garcia (1830 - 1891)

Elias Garcia (Almada, 1830 – Lisboa, 1891). Militar (Coronel de Engenharia) foi Maçon (tendo sido Grão-Mestre em 1888 e considerado um dos responsáveis pela grande expansão maçónica entre nós), Professor da Escola do Exército (onde lecionou a disciplina de Mecânica Aplicada), Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fundador do Partido Republicano (tendo presidido ao seu Diretório, entre 1883 e 1891) e seu Deputado, repetidamente eleito por Lisboa (1881, 1884, 1887 e 1890).

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 Rodrigues de Freitas (1840 - 1896)

 

Rodrigues de Freitas (Porto, 24-1-1840 – Porto, 28-7-1896). Professor catedrático (de Engenharia) seria o primeiro deputado republicano eleito nessa condição para o Parlamento Português, mostrando-se muito preocupado «com a transparência da Administração, a descentralização, a lisura dos procedimentos eleitorais e políticos, as grandes questões nacionais (como a educação, liberdades de culto, opinião, de associação e de imprensa, as colónias e o deficit orçamental». Aquando da Revolta Republicana do Porto (31 de Janeiro de 1891) ele foi o 1.º nome anunciado para fazer parte do Governo Provisório Republicano. Quando faleceu, várias famílias pobres do Porto ficaram sem a pensão de 5$000 réis mensais (uma quantia apreciável para aquele tempo) que ele regularmente lhes pagava do seu bolso, bem como muitos mendigos nunca mais receberam as suas generosas esmolas.

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 Miguel Bombarda (1851 - 1910)

 

Miguel Bombarda (Rio de Janeiro, 1851 – Lisboa, 3 de outubro de 1910), médico psiquiatra e político republicano. Foi considerado o chefe civil do movimento revolucionário do 5 de Outubro, mas não chegou a testemunhar a vitória dos republicanos porque foi assassinado por um doente mental do Hospital onde trabalhava, poucas horas antes de ter começado a revolução.

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 Cândido dos Reis (1852 - 1910)

 

Cândido dos Reis (Lisboa, 1852 – Lisboa, 4 de outubro de 1910). Militar (Almirante), foi eleito deputado nas listas republicanas de 1910, como destacado membro da carbonária, assumindo a organização militar da revolução do 5 de Outubro. Tendo sabido que o governo monárquico já tinha conhecimento da Revolução, não quis adiá-la, mas, ao ver esmorecer o movimento, despediu-se dos oficiais da Marinha mais próximos e horas depois era encontrado morto. Suicidara-se por não querer conhecer mais um revés e também em resultado do seu temperamento hipocondríaco.

publicado por viajandonotempo às 10:05

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