VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Abril 30 2014

A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS OCORREU HÁ 40 ANOS

 

 

No último fim de semana, um pouco por todo o país, comemorou-se o triunfo do Movimento das Forças Armadas, ocorrido há 4 dezenas de anos, mais precisamente no dia 25 de Abril de 1974.

Por ser verdadeiramente inesperado, e quase incrível (tantas tinham sido as intentonas revolucionárias derrotadas, tantos os milhares de cidadãos presos, torturados, e alguns mortos), ainda se tornou mais apreciado este movimento revolucionário que trouxe liberdade ao povo português e, com ela, os meios indispensáveis à qualidade de vida, que, pese embora a situação vivida nos últimos anos, é incomparavelmente melhor há que existia até àquela data. Só quem não viveu naquele tempo é que não consegue sentir as grandes diferenças de um regime autoritário e cruel para uma política que respeita os direitos fundamentais dos cidadãos.

Na verdade, depois da agitação inicial do período revolucionário que se prolongou até pelo menos ao dia 25 de novembro de 1975, ganhou raízes, e ainda bem, a democracia política, a nível do poder central e do poder local, acabando de vez com todos os organismos da ditadura. A Constituição de 1976, ainda em vigor mas com grandes alterações, sobretudo no ano de 1982, foi a grande obra legislativa que marca o início de uma democracia consolidada, que alguns denominam de III República.

Acabou a Guerra, extinguiu-se a Pide, reconheceu-se o direito de opinião e de reunião, terminou a Legião e a Mocidade portuguesas, constituíram-se, livremente, partidos políticos e sindicatos, libertaram-se todos os presos políticos e prometeu-se tudo fazer para melhorar a vida do nosso povo, tão sofrido e vilipendiado.

Tudo mudou. Até a forma de ensinar História se alterou: deixou de ser tão positivista, baseada na memória de dinastias e reis, para ser mais muito mais explicativa e estruturalista, na linha, aliás, das novas orientações da epistemologia da História por esse mundo fora.

Há 40 anos estava em Coimbra, mas lembro-me muito bem da emoção coletiva que invadiu as ruas, nesse dia primaveril, em que, finalmente, se respirava um ar de liberdade que ninguém conhecia.

Esta revolução protagonizada por aqueles que mais diretamente sofriam os efeitos da guerra, desencadeou necessariamente outras mudanças precisamente nesses territórios que até então eram dirigidos por Lisboa. A Guiné-Bissau (10 de setembro de 1974), Moçambique (25 de junho de 1975), Cabo Verde (5 de julho de 1975), S. Tomé e Príncipe (12 de julho de 1975), Angola (11 de novembro de 1975) e Timor-Leste (1.º, em 28 de novembro de 1975, e, finalmente, em 20 de maio de 2002) puderam aspirar a um futuro de paz e a uma vida independente dos desígnios colonialistas do distante país europeu. Mais tarde, Macau, num contexto completamente diferentes, foi integrado na República Popular da China, embora viva numa situação de regime especial até ao fim de 2049. Até os Arquipélagos da Madeira e dos Açores, mantidos por razões óbvias no território português (é preciso lembrar, que os portugueses encontraram as ilhas desabitadas e foram os nossos antepassados os seus principais colonizadores) ganharam uma autonomia regional, que no tempo do “Estado Novo” seria impensável.

É claro que não correu tudo bem; as convulsões do PREC assustaram quem as viveu, fazendo prever o desencadear, a qualquer momento, de uma guerra civil o que felizmente não sucedeu. E para a evitar, entre os partidários de um regime muito próximo das típicas “democracias populares” da Europa de Leste e aqueles que defendiam o modelo democrático ocidental, O 25 de novembro de 1975, com a direta participação do General Ramalho Eanes, também ele um dos nomes ligados ao Movimento das Forças Armadas, foi determinante para construção de uma democracia pluralista à moda ocidental como hoje, efetivamente, temos.

Houve indiscutíveis ganhos na educação, na emancipação da mulher, na saúde, nas vias e meios de comunicação e na justiça. Virámo-nos definitivamente para a Europa (adesão à CEE, em 1986) e para o Mundo (acabou-se o isolamento internacional; Portugal chegou a presidir à Assembleia Geral e até ao seu poderosíssimo Conselho de Segurança) e criaram-se novas formas de solidariedade institucional com o mundo português, com a fundação dos PALOP e da CPLP.

Contudo, os últimos anos têm sido de grandes dificuldades para a generalidade dos portugueses, mormente para os que perderam o emprego e conhecem grandes dificuldades em sobreviver com dignidade. E enquanto isso acontecer, temos de nos insurgir contra quem nos governa e exigir que os ideais de Abril se cumpram em pleno, isto é, que todos os portugueses possam viver sem terem de recorrer à mendicidade.

publicado por viajandonotempo às 23:25

Abril 28 2013

O 39º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO


«Abril só se cumprirá quando todos os portugueses tiverem o mínimo para viver com dignidade, na sua terra, e sem terem de sobreviver com o credo na boca ou a mão estendida à caridade»

 

Celebrou-se, no passado dia 25 de abril, o 39.º aniversário da última revolução que ocorreu em Portugal. Militares, políticos da oposição, cantores de intervenção, jovens e a população em geral, vieram todos “gritar” para a rua, a plenos pulmões, que o povo era então “quem mais ordena”!

A liberdade, há tantos anos reprimida, voltava a ser palavra de “ordem”. De reivindicação perseguida e coarctada, em tantos casos com a morte, tornava-se então uma conquista plenamente concretizada.

É verdade que nem tudo correu como se desejava. O período do PREC trouxe, a quem o viveu, reais momentos de angústia. Mas, a democracia, conforme era entendida no bloco ocidental (não podemos esquecer que o mundo ainda vivia a guerra fria e Portugal até estava, e ainda está, ligado à Nato de que foi um dos países fundadores) acabou por ficar, consolidada no articulado da Constituição.

O povo português voltou a acreditar no direito à vida plena.

A liberdade permitiu retirar o véu cinzento com que a verdade nos era dissimulada; os soldados portugueses puderam regressar às suas casas e ao seio das suas famílias; os povos africanos puderam tornar-se independentes. E Portugal, virando-se, também, para a Europa pôde almejar integrar a CEE. Ao nível do poder local, as autarquias passaram a dispor de meios que nunca tinham tido.

E o resultado vê-se hoje de lés-a-lés de Portugal. O país está irreconhecível se comparado como o de há 40 anos atrás. As terras e as pessoas têm uma vida mais digna.

Mas, infelizmente, os últimos anos puseram a descoberto uma crise de que não se conhecem bem os contornos, nem o princípio, nem o fim.

Parece ter sido financeira, mas é sobretudo económica, política e social! As pessoas têm sofrido, com números nunca vistos, o problema do desemprego. Os jovens concluem os cursos, que ajudamos a pagar com os nossos impostos e vão ficar ao serviço de outros povos que assim beneficiam diretamente de uma mais-valia cujos custos fomos nós que suportámos! E se Portugal está mal, com esta debandada, da gente jovem, culta e dinâmica, ainda fica pior.

As pessoas que fazem sacrifícios continuam a ver que outros concidadãos seus não sofrem qualquer espécie de “corte” nos seus largos rendimentos, e alguns até com culpas no cartório, pelo estado de coisas a que chegámos! E isso alimenta uma revolta que começa a deixar de ser “surda e muda”.

No dia 25 de abril muita gente saiu à rua – mas esperava-se até que fosse em maior número – para reivindicar “igualdade”, “justiça”, “trabalho” e “pão”. No fundo, para pedir aquilo que a Lei fundamental, escrita depois de abril, consubstancia.

E os políticos não podem afastar-se do querer do povo, deviam ser, aliás, os primeiros executores da sua vontade, pois é por vontade do povo que eles chegam ao exercício do seu cargo.

Não podem enveredar por uma política neoliberal que esquece os grupos sociais mais fragilizados; nem por uma política de proteção do grande capital sacrificando o presente e adiando o futuro do país e das novas gerações.

Consenso, justiça, igualdade, humanismo e solidariedade têm de ser preocupações constantes de quem nos governa e não apenas promessas vãs e conjunturais de momentos de campanha.

Abril só se cumprirá quando todos os portugueses tiverem o mínimo para viver com dignidade, na sua terra, e sem terem de sobreviver com o credo na boca ou a mão estendida à caridade.


publicado por viajandonotempo às 09:42

Abril 25 2009

“REVOLUÇÃO DOS CRAVOS” FAZ HOJE 35 ANOS

 

Nunca será de mais lembrar que Portugal vive em democracia há precisamente 35 anos. Antes, o regime que mais se aproximara desta prática política (que apesar das suas limitações é, ainda assim, o menos mau dos regimes políticos até hoje conhecidos e implementados) foi a efémera Primeira República, que vigorou em Portugal, entre 1910 e 1926.

Portugal vivia em ditadura desde o dia 28 de Maio de 1926, ou seja há quase meio século. Primeiro foi a “Ditadura Militar”, depois foi o “Estado Novo”. Quantos heróis da liberdade, foram presos ou perderam a vida na luta pelos ideais democráticos, que as polícias ao serviço de um Estado autoritário perseguiam, prendiam, torturavam e matavam!?
O mal-estar político, social e económico; a guerra colonial, o atraso estrutural do país foram razões fortes para que os militares portugueses de há 35 anos atrás protagonizassem a última grande revolução da história portuguesa contemporânea.
É verdade que nem todos os ideais de “Abril” se cumpriram! É verdade que persistem injustiças! É verdade que continuam a haver ricos e pobres! É verdade que nem todos são iguais no acesso a cargos políticos! É verdade que muito há ainda para fazer a favor de Portugal e de todos os portugueses. Mas, genericamente, a qualidade de vida do povo português é incomparavelmente melhor do que era até há 35 anos atrás.
Há eleições livres para todos os órgãos de poder, há liberdade de reunião e de expressão. As pessoas podem criticar o poder e as suas decisões quando não concordam com elas. Não há polícia política nem presos políticos. Portugal integra a União Europeia e é respeitado pela comunidade internacional. Tudo isto é fruto da Revolução do 25 de Abril de 1974.
Porque é que o 25 de Abril é chamada a Revolução dos Cravos?
Há mais do que uma versão para a justificação do nome. Numa das versões diz-se que uma senhora que ia trabalhar, chegou à empresa e como era dia de aniversário o patrão tinha comprado cravos para oferecer, nesse dia festivo, às senhoras que trabalhavam na casa. Só que a notícia da Revolução levou o patrão a dispensar as pessoas nesse dia. Esta Senhora pegou nos cravos e distribuiu-os pelas armas dos soldados que faziam a revolução nas ruas de Lisboa, colocando um cravo em cada cano de espingarda.
Outra versão afirma que foi uma florista lisboeta que, tão contente com a Revolução, resolveu distribuir todos os cravos que tinha para venda pelas espingardas dos militares revolucionários.
Duma forma ou de outra, o cravo tornou-se o símbolo de Abril, porque nesse dia as metralhadoras não dispararam balas, no lugar delas foram os cravos que simbolizaram paz, esperança, liberdade, democracia, desenvolvimento, vida melhor para todos os portugueses!
 
  25 DE ABRIL    
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
 Sophia de Mello Breyner Andresen
Clique no link abaixo, para recordar algumas canções de intervenção:
http://marius708.com.sapo.pt/Cantores%20de%20Intervencao.html

E neste link, fica com alguns testemunhos sobre o "25 de Abril" na 1.ª pessoa:

http://mediaserver.rr.pt/RR/Flashs/25abril_final/cunha/index.html

 

Outros dados sobre o 25 de Abril no seguinte endereço:

http://sites.google.com/site/maugustodias/home

 

CRONOLOGIA DA REVOLUÇÃO DO “25 DE ABRIL” DE 1974
23 de Abril
Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as acções a desencadear na noite de 24 para 25 e um exemplar do jornal a Época, como identificação, destinada às unidades participantes.
24 de Abril
O jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa Limite dessa noite, na Rádio Renascença .
24 de Abril - 22:00 horas
Otelo Saraiva de Carvalho e outros cinco oficiais ligados ao
MFA já estão no Regimento de Engenharia 1 na Pontinha onde, desde a véspera, fora clandestinamente preparado o Posto de Comando do Movimento. Será ele a comandar as operações militares contra o regime. 
24 de Abril - 22:55 horas
A transmissão da canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime.
25 de Abril - 00:20 horas
A transmissão da canção
"Grândola Vila Morena" de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.
25 de Abril - Das 00:30 às 16:00 horas
Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais (
RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi).
Primeiro Comunicado do MFA difundido pelo Rádio Clube Português
Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço.
As forças paramilitares leais ao regime começam a render-se: a Legião Portuguesa é a primeira.
Desde a primeira hora o povo vem para a rua para expressar a sua alegria.
Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Dentro do Quartel estão refugiados Marcelo Caetano e mais dois ministros do seu Gabinete.
25 de Abril - 16:30 horas
Expirado o prazo inicial para a rendição anunciado por megafone pelo
Capitão Salgueiro Maia, e após algumas diligências feitas por mediadores civis, Marcelo Caetano faz saber que está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a coronel.
25 de Abril - 17:45 horas
Spínola, mandatado pelo MFA entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo.
O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca.
25 de Abril - 19:30 horas
Rendição de
Marcelo Caetano. A chaimite BULA entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros que o acompanhavam, levando-os, à guarda do MFA para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha.
25 de Abril - 20:00 horas
Disparos de elementos da
PIDE/DGS sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia na Rua António Maria Cardoso, fazem quatro mortos e 45 feridos.
26 de Abril
A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais director daquela corporação.
Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP.
Por ordem do MFA, Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira.
O General Spínola é designado Presidente da República.
Libertação dos presos políticos de Caxias e Peniche.
27 de Abril
Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas.
publicado por viajandonotempo às 15:43

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