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Julho 31 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA (1910/2010)


Em 1910 - há precisamente cem anos atrás - a realidade económica, política e social do nosso país era profundamente diferente da actual. A Monarquia portuguesa era constitucional, mas estava profundamente desacreditada. Longe do povo, incapaz de resolver os principais problemas do País e do Império, as esperanças voltavam-se todas para a instauração da República.

Os republicanos prometiam um "mundo novo", queriam instruir o povo e trazê-lo à participação política, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e fazer um Portugal mais próspero.

O 5 de Outubro de 1910 foi um dia de renovada esperança para Portugal. O povo aplaudiu a Carbonária republicana. O novo regime ia sendo proclamado por todo o País. As elites urbanas e rurais aderiram efusivamente ao novo regime e quiseram republicanizar o povo. Numas localidades foi mais fácil, noutras a resistência monárquica manteve-se activa.

Regra geral, o povo aceitou o regime republicano como sinal de mudança e de muita esperança. As contas públicas equilibraram-se, surgiu nova bandeira, novo hino, nova moeda. Apostou-se muito na instrução de rapazes e raparigas. Por todo o lado apareceram jornais de fervor republicano. O clero sofreu algumas humilhações e perdeu património e importância social. O País mexeu nas suas estruturas mais profundas.

Contudo, nem tudo foram "rosas"! Manteve-se sempre uma persistente oposição monárquica, houve divisão entre os republicanos e, pior que isso, surgiu a 1.ª Guerra Mundial em que Portugal participou, em África (para defender as suas colónias) e na Europa (Frente Ocidental, ao lado da nossa velha aliada, Inglaterra).
Esta participação foi verdadeiramente dramática para Portugal pelas suas consequências. Desequilíbrio financeiro, inflação galopante, desvalorização do escudo, caos social e uma  insustentável instabilidade política decretariam o fim mais que certo da Primeira República, com a implantação da Ditadura Militar (1926) que, pouco depois, evoluiria para o "Estado Novo" (1933-1974).

Recordando a proclamação da República num concelho rural do centro do país - Ansião

Apenas dois dias após a proclamação da República na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, foi o gesto repetido na varanda do antigo edifício da Câmara Municipal de Ansião. Esta vila já com tradições na militância republicana antecipou-se na adesão ao novo regime, a muitas outras cidades e vilas do país. Nos dias seguintes verificaram-se importantes adesões ao Partido Republicano

Em Ansião, a República foi proclamada no dia 7 de Outubro de 1910, pelo Presidente da Comissão Municipal Republicana do Concelho, Adolfo Leopoldo de Figueiredo, na sala de sessões da Câmara, perante a presença do povo, e após ter sido içada a bandeira Republicana na fachada dos Paços Municipais.

 


"A Capital" divulga o nome dos membros do Governo Provisório no dia em que foi proclamada a República em Lisboa - dia 5 de Outubro de 1910


Três dias depois, a 10 de Outubro de 1910, tomava posse da Câmara uma Comissão Administrativa constituída pelos membros da Comissão Municipal Republicana.

A Acta de instalação da Comissão Municipal Republicana de Ansião é do seguinte teor:

«Aos dez dias do mez de outubro de mil nove centos e dez n'esta villa d'Ancião e sala destinada á administração municipal d'este concelho onde se achavam presentes, cidadãos Adolpho Leopoldo Figueiredo, Manuel da Silva Junior, José Augusto Medeiros, João Gaspar, membros effectivos da Commissão Municipal Republicana deste concelho, e, justificando a sua falta por motivo de doença o vogal effectivo, o cidadão Antonio Fernandes de Souza Ribeiro, e por esse se dá como presente; o cidadão Manuel Rodrigues, afim de assumirem digo, Manuel Rodrigues, vogal substituto; Fazem parte alem dos vogaes effectivos, como membros substi[tu]tos da referida Commissão Municipal, o cidadão já referido Manuel Rodrigues, Francisco Cordeiro, Luiz Rodrigues, Joaquim Simões Diniz e João Marques André.

Pelo Presidente convidou os vogaes effectivos a assumirem os seus logares, da gerencia da administração municipal d'este concelho em vista de ter sido proclamada a Republica Portuguesa em cinco do corrente, e n'esta mesma sala, o cidadão Adolpho Leopoldo de Figueiredo, na qualidade de Presidente da já referida Commição Municipal d'este concelho, em sete tambem do corrente a proclamou na presença do Povo do Municipio aqui representado, depois de ter sido içada a ba[n]deira da Republica, nos edificios dos Paços do Concelho. Em seguida o mesmo presidente convidou os vogaes d'esta commissão administrativa, por estarem em harmonia com a lei organica do partido Republicano Portugues, votada no congresso de Setubal e ordem telegraphica do Ministro do Interior, de oito do corrente; Juramento que todos prestaram na seguinte forma: Declaramos pela nossa honra cumprir fielmente os deveres dos nossos cargos - Pelo Presidente, foi proposto um voto de congratulação pelo restabelecimento da Republica Portugueza a cinco do corrente, saudar a Marinha, o exercito, e Povo Portuguezes pelo seu valoroso iroismo no lance, o que foi approvado, em meio de veemente aclamação - Pede a palavra o cidadão Manuel da Silva Junior que propõe se saude o cidadão José Cordeiro Junior, residente em Lisboa e natural do Alvorge, freguesia d'este concelho, cidadão a quem a Republica deve assinalados serviços.

Pelo Presidente foi proposto que se faça publico por editaes com os nomes dos cidadãos que compõem actualmente a Commissão Administrativa d'este concelho e Pelo Presidente foi proposto que se faça um inventario, em duplicado, de todos os bens moveis e immoveis pertencentes a este munnicipio.

Pelo presidente proposto que pelo Thesoureiro seja fornecido a esta Commissão uma nota fiel de todos os valores em dinheiro e papeis de credito, e pelo secretario seja passada uma nota de todo o passivo até esta data. Nota dos contractos em conclusão e nome dos contratantes - Nota de todos os empregados remonerados pelo Municipio, e datas das suas nomeações - Pelo Presidente foi proposto que as sessões desta Commissão Administrativa sejam ás dez horas da manhã, as quintas feiras de cada semana - Pelo presidente foi proposto lançar na acta um voto pelas melhoras do cidadão Antonio Fernandes de Souza Ribeiro, o que foi approvado e manifestar-lhe a sympatia e consideração que esta Commissão lhe dedica. Mais resolveu esta Commissão que se passe editaes a marcar o dia e hora das sessões.

Tendo o cidadão Doutor Domingos Botelho de Queiróz pedido a palavra e concedida disse, que saudava o partido Republicano Portuguez pelo brilho com que tornou verdadeiramente livre a nossa Patria fazendo votos por que todos agora cooperem para seu progresso, como elle fará com as poucas forças de que dispõe. Pelo Presidente foi dito que agradecia em seu nome e dos Collegas a valiosa adesão agora recebida - Pelo cidadão Alvaro Godinho dos Reis Cardoso foi pedida a palavra para saudar a Commissão Municipal Republicana deste Concelho, o que teve a acclamação geral de todo o Povo aqui representado. Agradecendo essa manifestação de sympathia o presidente em seu nome e dos seus Collegas.

O cidadão presente Abilio da Costa Duarte que aderiu ao partido Republicano, n'este acto, pede para ficar exarado na acta um voto e sentimento pelos Martyres da implantação da Republica, outro sim o vogal José Augusto de Medeiros, tráz a adhesão do cidadão Doutor Alberto Simões da Costa Rego, ao regimen democrata que agora vigora - Pelo Presidente foi proposto que se convidassem todos os empregados municipaes e que queiram adherir ao Governo da Republica Portuguesa, a virem a esta sala, na proxima quinta feira, ás dez horas da manhã, ou enviarem por escripto a esta Commissão a sua adhesão declarando na mesma que juram pela sua honra manter-se fiel á Republica e cumprir os deveres dos seus cargos. Lida e approvada esta acta, foi levantado um viva a Republica e em seguida foi assignada - E eu Pedro Augusto de Figueiredo e Veiga secretario a escrevi e assigno»

[seguem-se as assinaturas de:]

Adolpho Leopoldo Figueiredo

Manuel da Silva Junior

José Augusto de Medeiros

João Gaspar

Manuel Rodrigues

Pedro Augusto e Figueiredo e Veiga.

 

De realçar nesta acta a forma pacífica e até efusiva como decorreu a mudança do regime monárquico para o regime republicano [o Jornal O Figueiroense, que ao tempo da Revolução Republicana era um dos poucos que se publicava no Norte do distrito de Leiria (mais concretamente em Figueiró dos Vinhos, entre 1897 e 1921, saía aos sábados; o último número que consultámos foi o 1239, de 24.12.1921), tinha como Director António de Vasconcelos e dizia-se "Semanario Imparcial, politico, noticioso, literario e recreativo". A um mês da Revolução, em Setembro de 1910, começam a ser notórias mudanças políticas, apoiando claramente o Partido Republicano e criticando os partidos monárquicos que, entretanto, se vão desmembrando. Porém, ocorrida a Revolução, nota-se-lhe alguma prudência acerca das afirmações que produz relativamente ao novo regime implantado, se bem que na sua edição n.º 682, de 22.10.1910, na página 1, sob o título A TRANSIÇÃO mostre surpresa pela forma como se fez a transição de um regime para o outro: «Tem-se operado a transição do regimen monarchico para o regimen republicano de um modo realmente imprevisto. Esperavam-se reluctancias, resistencias, conflictos, luctas mesmo, e por fim uma verdadeira paz octaviana reina de um a outro extremo do paiz, transmittindo-se os poderes sem attrictos e até com enthusiasmo incontestaveis». A partir do n.º 686, de 12 de Novembro de 1910, o Figueiroense intitula-se o órgão do Partido Republicano do Concelho e Figueiró dos Vinhos, propriedade do Centro Republicano Cinco de Outubro.], e as três novas adesões ao Partido Republicano, de Abílio da Costa Duarte, e dos médicos Domingos Botelho de Queirós e Alberto Simões da Costa Rego.

Ansião, mesmo antes da implantação da República, era, no Norte do Distrito de Leiria, um dos concelhos com mais tradições republicanas.

Aliás, ainda não existia qualquer organização republicana local, e já o concelho de Ansião tinha uma votação significativa no Partido Republicano.

Assim, nas penúltimas eleições legislativas da Monarquia, realizadas no dia 5 de Abril de 1908, o concelho de Ansião foi o 5.º, a nível do distrito, com maior número de votos nos candidatos republicanos, e o 1.º do Norte do Distrito.

Na primeira década deste século, que foi a última do regime monárquico, ocorreram nada mais nada menos do que oito eleições legislativas (18.2.1900, 25.6.1900, 25.11.1900, 6.10.1901, 25.6.1904, 19.8.1906, 5.4.1908 e 28.8.1910), o que, só por si, é claro indício dos tempos difíceis que se viviam e de que grandes transformações políticas seriam inevitáveis. Relativamente às últimas eleições da Monarquia, em 28.8.1910, não temos dados concretos, uma vez que a única fonte que encontrámos a falar dessas eleições em Ansião, foi o jornal conservador Echos do Liz / Semanario Illustrado, de Leiria, que se publicou entre 1907 e 1910, terminando a sua publicação em 9.10.1910, com o triunfo do Republicanismo - o que é sintomático do seu carácter reaccionário. Mesmo assim, na sua edição de 11.9.1910, página 8, refere que em Ansião ganharam os partidários do Governo, com 900 votos a favor, mas denuncia ilegalidades nas três Assembleias Eleitorais do Concelho: «(...) No concelho de Ancião não faltaram violencias e illegalidades. Na assembleia de Chão de Couce houve simulacro de eleição, chegando o presidente a não acceitar listas de coligação! Compareceu alli o candidato henriquista, sr. Conselheiro José Maria de Oliveira Simões, que protestou contra as illegalidaes comettidas. A meza da assembleia de Alvorge foi constituida antes da hora legal. Em Ancião (villa) a meza negou-se a passar certidões requeridas. Consta que a chapelada governamental em Chão de Couce attingiu 700 votos! Mais consta que as actas da eleição d'este concelho foram feitas tres ou quatro dias depois, no edificio do governo civil de Leiria!!!».

 

Mas voltando às eleições legislativas de 5 de Abril de 1908, em Ansião os republicanos conseguiram 176 votos [a Assembleia eleitoral do concelho onde se registou a maior votação no Partido Republicano foi a de Chão de Couce, com 76 votos (a 10.ª, a nível distrital, com mais votação no PRP, nessas eleições) - cf. Leiria Ilustrada, n.º 167, de 9.4.1908, página 1], ao passo que nos outros concelhos do Norte do Distrito se ficaram pelos resultados seguintes: Pombal, 62; Alvaiázere, 8; Figueiró dos Vinhos, 1; e em Pedrógão Grande não houve eleição.

Ansião, ao contrário do que sucedeu em todo o Norte do Distrito que se manteve mais ou menos inerte em termos políticos, foi o primeiro concelho da região a ter uma organização local do Partido Republicano. A Comissão Municipal Republicana de Ansião constituiu-se no dia 4 de Setembro de 1909 e, para ela, foram eleitos os seguintes cidadãos efectivos: Presidente, Adolfo Leopoldo de Figueiredo (negociante); Tesoureiro, Alberto Lopes Ferreira (proprietário); Secretário, José Augusto de Medeiros (farmacêutico); e os suplentes: João Gaspar (negociante); Joaquim Simões Diniz (proprietário); e Luís Rodrigues (negociante).

Na implantação da República na capital, gostaríamos de destacar o nome de dois ansianenses que, de alguma forma, contribuíram para o bom êxito da Revolução que depôs a Monarquia: José Cordeiro Junior e Vitorino Henriques Godinho. Se do primeiro pouco se conhece, para além das referências que lhe são feitas nas actas da Câmara (na da tomada de posse, e atrás transcrita, propõe o cidadão Manuel da Silva Junior uma saudação a José Cordeiro Junior, residente em Lisboa e natural do Alvorge, com a justificação de que a Republica lhe "deve assinalados serviços", mas não precisa quais; admitindo-se, porém, que ele tivesse tido algum papel de relevo na Revolução e que as suas relações com o Governo Provisório sejam fáceis, uma vez que na sessão da Comissão Administrativa de Ansião de 20 de Outubro de 1910, se deliberou encarregar o mesmo José Cordeiro Junior de «apresentar os seus cumprimentos ao Governo Provisorio da Republica Portugueza, na impossibilidade e o fazer pessoalmente na presente occasião») já relativamente ao segundo, existem dados que o revelam como um dos mais ilustres ansianenses do século actual.

Vitorino Henriques Godinho nasceu em Ansião no dia 19 de Julho de 1878, e veio a falecer em Lisboa, com quase 84 anos de idade, no dia 5 de Fevereiro de 1962. Republicano convicto teve sempre, a nível nacional, e até internacional, um papel importante na defesa do novo regime português. Foi deputado durante toda a Primeira República, Ministro por duas vezes, Combatente na Primeira Guerra Mundial, Adido Militar em Paris e, entre outros cargos importantes, foi também o Director Geral de Estatística e membro do Conselho de Administração da CP.

Além destes ilustres cidadãos outros houve que, naturais de Ansião, ou não (alguns vieram residir, temporária ou definitivamente, para o concelho, em virtude do exercício da sua profissão), se destacaram na primeira década deste século, na vida económica, social, religiosa e política, na área do Município, envolvendo-se empenhadamente com o regime republicano. Ficam para já alguns dos seus nomes: Dr. Francisco Fernandes Rosa Falcão, Adolfo Leopoldo de Figueiredo, José Augusto de Medeiros, Dr. José Pereira Barata, Paulo Brás de Medeiros, António Fernandes de Sousa Ribeiro e, entre outros, o Dr. Gualberto de Melo.

publicado por viajandonotempo às 09:44

Janeiro 06 2010

 

Dia de Reis, Monarquia e República!
 
 
Hoje comemora-se em todos os países maioritariamente cristãos, como é o caso de Portugal, o Dia de Reis. Segundo a tradição dos cristãos o dia 6 de Janeiro seria aquele em que o Menino Jesus, nascido há poucos dias, tivera a visita dos famosos três Reis Magos (Belchior, Baltazar e Gaspar) que, assim, se submetiam à autoridade divina. Este dia marca, oficialmente, o fim das tradicionais festividades natalícias, com a "demolição" dos presépios e/ou das Árvores de Natal e a retirada das iluminações das casas e das ruas. Nalguns aglomerados urbanos e rurais portugueses é costume cantar-se os reis, porta a porta, noutros (sobretudo no Norte), havia teatralizações populares, denominadas as "reisadas".
Em alguns países, como na vizinha Espanha,  o Dia de Reis é uma festa particularmente festejada pelo povo. É costume as crianças, antes de se deitarem, deixarem os seus sapatinhos à janela com erva para alimentar os camelos que transportam os Reis Magos na sua passagem por ali; em troca os Reis Magos agraciam as crianças com doçuras que colocam nos seus sapatinhos. Outra tradição, esta gastronómica, do Dia de Reis é comer Bolo-Rei nesse dia. É claro que esta tradição de Dia de Reis acaba por ter outro sentido, nos países que mantêm a Monarquia como regime político vigente, como é o caso de Espanha, entre outros.
 
 
E falando em Monarquia, é preciso lembrar que Portugal teve este regime quase durante oito séculos, mais concretamente entre 5 de Outubro de 1143 (Tratado de Zamora) e 5 de Outubro de 1910 (Revolução Republicana).
 Todos sabemos que hoje em dia, Monarquia e República não diferem assim tanto na prática política, uma vez que a Democracia é o regime que, em qualquer dos casos, se pratica, quer o país seja uma República ou continue a ter uma Monarquia. Na verdade, a maior diferença está no facto de o Chefe de Estado ser eleito na República e vitalício e hereditário na Monarquia.
Mas em 1910 - há precisamente cem anos atrás - a realidade não era essa. A Monarquia portuguesa era constitucional, mas estava profundamente desacreditada. Longe do povo, incapaz de resolver os principais problemas do País e do Império, as esperanças voltavam-se todas para a instauração da República.
 
 
 Os republicanos prometiam um "mundo novo", queriam instruir o povo e trazê-lo à participação política, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e fazer um Portugal mais próspero.
O 5 de Outubro de 1910 foi um dia de renovada esperança para Portugal.
O povo aplaudiu a carbonária republicana. O novo regime ia sendo proclamado por todo o País. As elites urbanas e rurais aderiram efusivamente ao novo regime e quiseram republicanizar o povo. Numas localidades foi mais fácil, noutras a resistência monárquica manteve-se activa.
Regra geral, o povo aceitou o regime republicano como sinal de mudança e de muita esperança. As contas públicas equilibraram-se, surgiu nova bandeira, novo hino, nova moeda. Apostou-se muito na instrução de rapazes e raparigas. Por todo o lado apareceram jornais de fervor republicano. O clero sofreu algumas humilhações evitáveis e perdeu património e importância social. O País mexeu nas suas estruturas mais profundas.
Contudo, nem tudo foram "rosas"! Manteve-se sempre uma persistente oposição monárquica, houve divisão entre os republicanos e, pior que isso, surgiu a 1.ª Guerra Mundial em que Portugal participou, em África (para defender as suas colónias) e na Europa (Frente Ocidental, ao lado da nossa velha aliada, Inglaterra).
Esta participação foi verdadeiramente dramática para Portugal pelas suas consequências. Desequilíbrio financeiro, inflação galopante, desvalorização do escudo, caos social e uma  insustentável instabilidade política decretariam o fim mais que certo da Primeira República, com a implantação da Ditadura Militar (1926) que, pouco depois, evoluiria para o famoso "Estado Novo" (1933-1974).
De tudo isto se falará muito neste novo ano de 2010, em que a implantação da República Portuguesa comemora o seu 1.º Centenário.
publicado por viajandonotempo às 11:01

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