VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Julho 15 2009

 

A história do “molete”
 
 

 

 

As invasões francesas a Portugal, de que este ano se recordou o segundo centenário da 2.ª, especialmente dirigida à cidade do Porto (Março de 1809), para além da enorme mortalidade e destruição que causaram, também tiveram as suas curiosidades, e deixaram as suas marcas, até na nossa língua.
É o caso do “molete”, pão pequeno que temos agora o hábito de consumir ao pequeno-almoço, ao lanche, ou a acompanhar as principais refeições.
Só tive conhecimento da existência de tal designação no final da década de 1970, quando comecei a viajar com mais regularidade para o Norte.
Na minha região (centro do país) sempre utilizávamos a denominação de papo-seco!
Ora, cá pelo grande Porto a designação usual é molete!
Tenho duas versões, para explicar tal nome.
A primeira foi-me contada um dia, num almoço com um antigo Presidente da Câmara de Valongo, que também era licenciado em História, que disse que o nome “molete” vinha directamente da aportuguesação do nome do general francês Moulet, que durante a 2.ª invasão francesa teria estacionado as tropas sob o seu comando, precisamente na região de Valongo.
Os seus serviçais, quando lhe iam comprar o pão, por imposição do General exigiam pães muito mais pequenos do que as padarias daqui tinham (pelos vistos naquele tempo só se fazia e comercializava pão grande). Já que os padeiros eram obrigados a confeccionar pães pequeninos para o general, sempre faziam alguns a mais que também colocavam para venda. As pessoas viam e começaram a questionar que pão era aquele? O vendedor dizia a verdade: é o pão do general Moulet!
Alguns fregueses ao verem, repetidamente, aqueles pães pequeninos, provaram e também se foram habituando a consumi-lo. Gostaram e foram pedindo pão do Moulet, com a repetição, ficou, simplesmente, molete!
A 2.ª versão, encontrei-a em qualquer sítio da web, achei também interessante e verosímil, porque aponta para a redução do peso, por razões de ordem logísitica, em tempo de “vacas magras”. Aí fica tal qual a vi:
«Apresentado por inteiro ou aos “nacos”, todos nós o comemos e faz parte dos nossos hábitos alimentares diários, com mais ou menos sal, é o pão.
 Há uma variedade imensa de tipos, uma das quais é o “papo-seco”, o qual cá por terras do Porto, é mais conhecido como “molete”.
Quem já não disse e ouviu dizer:
– “Ó Mãiee, dá-m’um molete” Tou co’fome!” – e como resposta – “Ó rapaz, bai à padaria e pede pra t’abiarem meia dúzia de moletes!”
Apesar de ser um vulgar tipo de pão, o molete pode orgulhar-se de ser o mais conhecido, embora a maior parte das pessoas que o comem, não saiba a sua história e o porquê de assim se chamar.
Como é do conhecimento geral, o Concelho de Valongo, no Porto, foi e é uma zona muito importante de panificação e moagem, como são exemplo disso os moinhos de água do Rio Ferreira, ainda existentes, e alguns recuperados. Para além disso, temos o “Pão de Valongo”, vulgarmente conhecido como Regueifa.
 Aquando das Invasões Francesas, em 1809, as tropas invasoras estiveram estacionadas em Valongo, tendo nessa altura havido falta de cereais, pelo que houve necessidade de se fazer racionamento do pão.
A forma adoptada foi a de diminuir ao peso, reduzindo o tamanho do pão para metade.
Essa medida foi tomada pelo General francês que comandava as tropas invasoras, que dava pelo nome de Moulet.
Daí o povo ter baptizado aquele pão com o nome de “molete”, aproveitando o nome do General que “decretou” a diminuição ao peso e ao tamanho do pão, para dessa forma poder alimentar os seus soldados.
E é esta a história dum tipo de pão que é conhecido por papo-seco, mas que cá pelo Porto, embora já a cair em desuso, lhe chamam “molete”.»

 

publicado por viajandonotempo às 09:22

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