VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Maio 20 2017

Tendo como principal objetivo ajudar a preparação, em particular, dos meus alunos, mas que partilho com todos os outros que este ano (2017) se têm de submeter a exame de História A, aí ficam resumos dos conteúdos programáticos, que o programa define como conteúdos de aprofundamento. Dada a sua dimensão tem de ser publicado módulo a módulo, começando pelo módulo 1.

Estudo.png

 

Quadro 1 ‒ Distribuição da cotação

Conteúdos

Cotação
(em pontos)

Módulo 1 ‒Raízes mediterrânicas da civilização europeia ‒ cidade, cidadania e império na Antiguidade Clássica

 

 

 

50 a 70

Módulo 4 ‒A Europa nos séculos XVII e XVIII ‒ sociedade, poder e dinâmicas coloniais

Módulo 6 ‒A civilização industrial ‒ economia e sociedade; nacionalismos e choques imperialistas

Módulo 7 ‒Crises, embates ideológicos e mutações culturais na primeira metade do século XX

 

 

130 a 150

Módulo 8 ‒Portugal e o mundo, da Segunda Guerra Mundial ao início da década de 80 ‒ opções internas e contexto internacional

Módulo 9 ‒Alterações geoestratégicas, tensões políticas e transformações socioculturais no mundo atual

 

Módulo 1

 

Conteúdos

Conceitos/

Noções

2. O modelo romano

2.1. Roma, cidade ordenadora de um império urbano

- A unidade do mundo imperial: o culto a Roma e ao imperador, a codificação do direito, a progressiva extensão da cidadania.

2.2. A afirmação imperial de uma cultura urbana pragmática

- A padronização do urbanismo e a fixação de modelos arquitetónicos e escultóricos.

- A apologia do Império na épica e na historiografia; a formação de uma rede escolar urbana uniformizada.

2.3. A romanização da Península Ibérica, um exemplo de integração de uma região periférica no universo imperial.

-Urbe*

-Império*

-Forum

-Direito*

-Magistratura

-Urbanismo*

-Pragmatismo

-Romanização*

-Município

-Aculturação

 

Roma cidade ordenadora de um império / Um mundo de cidades

A cidade de Roma terá surgido em meados do séc. VII a.C. (segundo a lenda, em 753 a.C.), resultando da fusão dos povos da região, com principal destaque para os Etruscos que dominaram o regime monárquico inicial (até 509 a.C.). A partir do séc. V a.C. e depois de conseguida a paz social entre patrícios e plebeus, iniciou-se a Expansão de Roma. 1º a Península Itálica e, depois (entre os sécs. III a.C. e II d.C.) toda a bacia mediterrânica. Os fatores que favoreceram o expansionismo romano foram: as qualidades do seu exército (disciplinado e bem armado), a boa gestão dos recursos económicos (de todas as partes do Império, unidas por uma eficaz rede terrestre e marítima) e a excelente organização política e administrativa de Roma. O Império romano era um mundo de cidades. A cidade era entendida como um grande aglomerado urbano, dotado de uma relativa autonomia administrativa com espaço habitacional, comercial e político. Na Grécia os romanos mantiveram as cidades com pequenas alterações, na Gália e na Península Ibérica, fundaram-nas. Com o tempo, todas elas se assemelharam, em termos organizativos a Roma.

 

Da Monarquia à República / Os órgãos do poder em Roma

Roma começou por ter um regime monárquico (até 509 a.C.), passando depois a uma República (até 27 a.C.). Seguir-se-ia o Império. Em Roma, os Órgãos do Poder eram os seguintes: Senado, Comícios e Magistraturas. O Senado era composto pelos representantes das famílias mais importantes e pelos altos magistrados; tinha competências legislativas, consultivas e executivas. Administrava a Capital, a Itália e as províncias senatoriais. Os Comícios representavam a população que vivia em Roma e no resto da Itália, elegiam os magistrados pelo período de um ano (exceção para os censores, cujo mandato durava um ano e meio). As Magistraturas eram controladas pelo Senado e pelo Imperador (no tempo do Império). Os magistrados eram: os Cônsules (com poder executivo, político e militar); os Procônsules, no tempo do Império (governantes das províncias); os Pretores (com jurisdição civil, eram os juízes); os Censores (organizavam o censo, fixavam impostos, fiscalizavam os costumes e recrutavam soldados); os Edis (eram os vereadores municipais, estavam encarregados da inspeção e manutenção dos mercados, ruas e edifícios públicos); os Questores (eram os magistrados responsáveis pela gestão das finanças); e os Tribunos da Plebe (representavam os plebeus).

Para os momentos de maior dificuldade no governo de Roma, no período da República, os Cônsules podiam nomear um Ditador, pelo período máximo de 6 meses, com o objetivo de que a ordem e estabilidade fossem restabelecidas (nesse período as decisões do Ditador sobrepunham-se às de todos os outros magistrados).

 

O poder imperial romano

No período do Império mantêm-se as mesmas instituições, mas com menos competências. Agora o Imperador concentra em si diversos poderes: o “imperium proconsulare” – que lhe permitia recrutar e comandar o exército, julgar, convocar os Comícios e o Senado, publicar éditos; tem ainda o poder de “tribuno, cônsul e princeps senatus” – que o tornava o 1º Senador, sobrepondo o seu poder ao poder legislativo e detendo o poder executivo, ou seja, o de fazer cumprir as leis; o título de “Augustus” e de “Pontifex Maximus” – que o torna um ser sagrado, com poder sacerdotal e religioso que lhe permitia dirigir e fiscalizar o culto dos deuses. Otávio César Augusto fez parte do 2.º triunvirato com Marco António e Lépido, que afastaria do poder. A partir de 27 a.C. é o 1.º Imperador Romano, depois de ter exercido os cargos de cônsul, censor, pretor e tribuno. Toda a administração do Império Romano passa por si: nomeia o Conselho Imperial (grupo de conselheiros privados), os Altos Funcionários, os Governadores das Províncias Imperiais, os Generais do Exército Romano e a Guarda Pretoriana.

 

A codificação do direito

Um dos principais instrumentos de coesão, dentro do Império, foi a Lei Romana (conjunto de normas escritas aplicáveis igualmente em todo o Império Romano). A lei romana inspirava-se na racionalidade e no pragmatismo do quotidiano e procurava solucionar toda a diversidade de situações. O direito romano tem sido considerado como um dos principais legados dos romanos à civilização ocidental. A Lei das XII Tábuas foi considerada a fonte de todo o direito público e privado durante 1000 anos (do séc. V a.C. ao séc. V d.C.). Trata-se da principal fonte do Direito público e privado. No tempo de Cícero (séc. I a.C.), as crianças romanas aprendiam-na na escola, tendo de decorá-la (tal como as crianças gregas tinham de decorar os poemas homéricos), porque se considerava que a Lei das XII Tábuas concentrava em si toda a sabedoria e estava cheia de exemplos a seguir. Mais tarde, esta Lei já se mostrava insuficiente, e novas Leis tiveram de ser promulgadas pelos Magistrados, pelo Senado e pelos Imperadores. Já no séc. VI d.C., o Imperador Justiniano (do Império Romano do Oriente) promoveu a mais completa compilação jurídica da Antiguidade, conhecida por Código de Justiniano, que ainda serve de base ao Direito ocidental.

 

A progressiva extensão da cidadania romana

O direito de “cidade”, ou de cidadania romana (civitas), no princípio, era apenas um direito exclusivo dos homens livres de Roma que lhes conferia vários direitos: o de se casar, possuir terras e vendê-las, votar e ser eleito para as magistraturas; e deveres: servir o exército e pagar impostos. Depois de submetida o resto da Península Itálica e quando estes homens ficaram romanizados, também passaram a usufruir do Direito Latino (semelhante à cidadania romana, com a exceção de não poderem ser eleitos para as mais altas magistraturas da República); contudo, a partir do ano 49 a.C., a cidadania romana estendeu-se a toda a Itália. A cidadania romana só seria alargada a todo o Império, no ano 212 d.C., através do Édito de Caracala, que muito contribuíria para a unidade do mundo romano, ao estabelecer a igualdade entre os povos conquistados e o povo conquistador.

Assim, Roma representava um mundo politicamente coeso, onde a vida urbana se mostrava o centro do poder local e difusor da cultura romana; a divinização do Imperador representava a autoridade do Estado, como garante da paz e da prosperidade; e a Lei, igual para todos, deixava a ideia geral em todo o povo romano, de equidade e justiça.

 

O desenvolvimento da vida urbana / a influência helénica

Os romanos tinham na cidade, o centro da sua vida política, social, cultural e religiosa. A Península Ibérica (à exceção da Bética) não tinha tradição urbana. Foram os romanos que fundaram a maior parte das suas cidades. A fundação das cidades implicava um cuidadoso planeamento, seguindo a prática dos acampamentos militares e os ensinamentos do arquiteto grego, Hipódamo, articulando-se a partir de duas ruas principais: uma no sentido norte-sul (cardo), outra no sentido este-oeste (decumano).

No espaço que hoje é Portugal, teriam sido cerca de 40 cidades. Em termos de poder central, a cidade de Roma e a Itália eram governadas pelo Senado; as províncias senatoriais por procônsules nomeados pelo Senado; e as províncias imperiais pelos legados do imperador. As cidades, em termos administrativos, podiam ser colónias, municípios ou estipendiárias. As colónias eram pequenas réplicas de Roma e os seus habitantes gozavam da cidadania plena; os municípios tinham autonomia administrativa mas apenas direito latino (os cidadãos livres não podiam ser eleitos para as mais altas magistraturas); as cidades estipendiárias (que estavam em maioria no espaço português) estavam obrigadas ao pagamento de um imposto pesado (stipendium). A partir do Édito de Caracala (212) a situação alterou-se e foi dada plena cidadania a todos os homens livres do Império.

 

Os espaços públicos em Roma

No alinhamento das principais ruas da cidade situava-se o centro cívico de Roma – o fórum. Aí se localizavam os principais templos e edifícios administrativos da cidade, nomeadamente a cúria e a basílica.

A cúria era onde reunia o Senado (grupo dos principais magistrados da cidade, com uma extraordinária importância política); a basílica servia como sala de reuniões para políticos e homens de negócios, e era também o tribunal público.

Os templos aos principais deuses também estavam no fórum ou nas suas proximidades, como acontecia, no caso de Roma, com os templos a Júpiter (deus do dia), a Juno (esposa de Júpiter e rainha dos deuses) e a Minerva (deusa das artes e da sabedoria).

Junto do fórum encontravam-se, igualmente, bibliotecas e mercados públicos. Do conjunto de edifícios destinados ao público, merecem destaque também as termas (banhos públicos, com tanques de água a diferentes temperaturas e ainda vestiário, salas de descanso, de massagens e de reuniões), os anfiteatros (como o Coliseu, onde havia lutas com animais selvagens e de gladiadores), o circo (com corridas de cavalos e de carros) e os teatros (com representação de farsas, tragédias e comédias).

 

Os modelos artísticos romanos: a arquitetura

A arte romana também recebeu fortes influências da arte grega, apesar de apresentar algumas inovações.

Na arquitetura, a maior diferença foi o recurso à abóbada e ao arco de volta perfeita (heranças etruscas) para a cobertura de grandes espaços fechados, o que conferiu grande monumentalidade e beleza aos edifícios romanos.

A cúpula, normalmente feita em “betão” (argamassa constituída por uma mistura de cal, areia, barro e pedaços de tijolo e pedra) com revestimento em pedra ou mármore, permitia a cobertura de grandes espaços, redondos ou quadrangulares, foi uma originalidade romana.

Entre as grandes obras edificadas pelos romanos, caracterizadas por uma grande solidez e durabilidade, destacamos as seguintes: os templos e os santuários, dedicados ao culto dos Deuses e do Imperador; as basílicas, junto ao fórum; os anfiteatros, como o Coliseu de Roma; os teatros e as termas e ainda colunas honoríficas e os arcos de triunfo.

Quanto às ordens arquitetónicas, os romanos utilizaram as gregas: dórica, jónica e coríntia, principalmente a última, e criaram a compósita (que é uma combinação da jónica com a coríntia).

 

Os modelos artísticos romanos: a escultura e a pintura

No que respeita à escultura, apesar da influência dos gregos (imitação do nu e do belo), os romanos conseguiram um maior espírito realista, esculpindo autênticos retratos dos seus heróis e imperadores (com grande rigor fisionómico e psicológico) ou retratando cenas do seu quotidiano. A produção escultórica romana preocupou-se com a memória (esculpindo retratos e outras esculturas para decorar casas e jardins), com máscaras funerárias e com um imenso consumo individual de arte. A estátua-retrato, a estátua-equestre e os relevos foram as maiores produções dos escultores romanos.

A pintura, sob a forma de murais e de mosaicos, teve um grande desenvolvimento entre os romanos. Os romanos foram influenciados, no que respeita à pintura, pelos etruscos, gregos e egípcios. Os temas mais pintados eram o triunfo dos seus generais e legionários, os seus deuses, paisagens, naturezas mortas e retratos.

 

A apologia do Império na poesia épica e na historiografia

A poesia épica e a historiografia romanas, tal como a arte, tiveram um importante papel didático e apologético do Império, sobretudo do séc. I d.C. Efetivamente, o principado de Augusto e os tempos que se lhe seguiram, corresponderam a uma época de grande brilho cultural.

Na poesia, as influências gregas são mais que evidentes. Os poetas mais ilustres foram Horácio, Ovídio e, sobretudo, Virgílio e a sua grande obra “Eneida”, que se tornou o poema nacional, por excelência, “cantando” a origem de Roma e a sua vocação conquistadora do mundo mediterrânico.

A historiografia revestiu-se de uma feição pragmática, servindo para justificar o domínio e superioridade de Roma, bem como a sua ação civilizadora sobre os povos dominados. Os nomes de maior vulto são Tito Lívio (que se dedicou a escrever a história de Roma, ao longo de 40 anos), Tácito, Políbio e Júlio César.

 

O ensino em Roma e no Império

Tal como nos outros aspetos, também a educação da juventude romana se revestiu de um carácter pragmático. A educação das crianças, de ambos os sexos, começava em casa, junto à mãe e, nas famílias mais ricas, havia escravos pedagogos, normalmente de origem grega. Aos 7 anos, os jovens de ambos os sexos, passavam a frequentar a escola (normalmente próxima do Fórum), passavam por 3 fases: 1ª, dos 7 aos 12 anos, eram ensinados pelo “literator” a ler,  escrever e contar; a 2ª, dos 13 aos 16 anos, recebiam lições do “gramático”, aprofundando o estudo da língua, literatura, história de Roma, cálculo e geometria; 3ª, depois dos 16 anos, quase só para rapazes, aprendiam com o “retórico”, que completava a formação intelectual, com “humanidades” oratória e retórica, com o objetivo de os tornar eloquentes e preparados para a vida pública. O ensino intelectual era acompanhado por exercícios físicos e desportivos. Depois deste percurso escolar, os mais dotados e com mais posses, aprendiam com os grandes filósofos e matemáticos da época, nas cidades de Pérgamo, Atenas e Alexandria. 

 

A romanização da Península Ibérica

A pouco e pouco, o poder do império Romano foi-se impondo a todas as regiões conquistadas. Os instrumentos da romanização foram a “Pax romana”, as leis e a língua (Latim); os agentes da romanização foram os legionários, os mercadores, os colonos vindos de Itália e de Roma. A Península Ibérica foi dividida em províncias e “conventus”. No espaço que hoje é Portugal existiam 3 conventus: Bracarum (com a capital em Bracara Augusta), Scallabitanus (com capital em Scallabis) e Pacensis (com capital em Pax Julia). Hoje existem no território português, inúmeros vestígios da presença romana, no urbanismo, estradas, pontes, aquedutos, muralhas, mosaicos, moedas, ânforas, etc. De facto, a romanização implicou uma profunda transformação dos modos de vida: a propriedade passou de comunitária a individual; introduziram-se as culturas da oliveira e da vinha; desenvolveu-se uma economia monetária e comercial, a exploração mineira, a pesca e a indústria conserveira. Introduziu-se nas gentes o estilo de vida dos romanos e a sua língua, que é um dos seus maiores legados civilizacionais.

 

Veículos da romanização (cidades e municípios)

Para a civilização romana, a cidade representava o centro da vida política, religiosa, económica e social, por isso, a cidade foi um dos mais eficazes veículos da romanização na Península Ibérica.

As cidades desempenhavam importantes funções administrativas e eram um pólo de atração para as populações locais, que aí afluíam, abandonando as antigas povoações rurais. As cidades tinham um estatuto diferenciado.

As chamadas “colónias” eram cidades novas fundadas por romanos vindos da Península Itálica, que tinham a plena cidadania romana e muito contribuíam para a romanização dos povos locais. Exemplos de “colónias” no território que hoje é Portugal são Pax Julia (Beja) e Scalabis (Santarém).

Havia também os “municípios”, cidades preexistentes, dotadas de autonomia administrativa, a cujos habitantes era reconhecido o Direito Latino e que tinham a Cúria (uma espécie de Senado) e um corpo de magistrados, sendo os mais importantes os duúnviros. Exemplos de municípios, no território português, são Ebora (Évora), Myrtilis (Mértola), Salacia (Alcácer do Sal) e Olisipo (Lisboa).

As cidades menos importantes eram as chamadas cidades estipendiárias; esta denominação derivava do facto de pagarem um pesado imposto – o “stipendium”. No decurso da 2.ª metade do século I, muitas destas cidades foram elevadas à categoria de municípios.

 

O exército e a imigração / Ação das autoridades provinciais

O exército foi também um importante veículo de romanização. Efetivamente os legionários, portadores da cultura romana, misturaram-se pelo casamento com as populações locais, fixando-se definitivamente neste território ibérico, que ajudaram a romanizar. O mesmo se diga dos hispânicos que se foram integrando, ao longo dos tempos, no exército romano. Durante a ocupação romana, numerosos imigrantes italianos vieram para a Península Ibérica, muitos deles da classe alta, fugidos às perseguições políticas que sofriam em Roma.

Foi durante o domínio romano que se criaram as estruturas administrativas que sobreviveram à própria queda do Império. As autoridades romanas, governadores de províncias ou magistrados, tiveram ação relevante na aculturação dos povos submetidos. De um modo geral, as autoridades romanas mostraram uma atitude de tolerância e respeito pelos nativos o que permitia consolidar um clima de paz e confiança mútuos. As autoridades provinciais ainda se empenharam na construção de obras públicas e na educação, à maneira romana, dos filhos dos chefes nativos, como forma de criarem elites locais capazes de acelerar o processo da romanização.

 

A língua, a religião e o direito / Desenvolvimento económico e rede viária

A língua (latim) foi a herança mais duradoura que os romanos nos legaram. 1º utilizava-se só nos documentos oficiais, mas com o tempo tornou-se a língua comum e forte instrumento de uniformização cultural. A religião divulgou o nome e o culto dos deuses a todo o Império. Quanto ao direito desempenhou papel importantíssimo nas relações entre os romanos e os povos dominados. O respeito pela lei era imposto a todos e todos o aceitavam. O desenvolvimento económico tornou-se uma realidade com a presença romana. Agricultura, pecuária, indústrias (conserveiras), extração mineira, forjas, olarias, tecelares são exemplos das atividades desenvolvidas. Feiras e mercados também se realizaram um pouco por todo o Império. Falta referir que para viabilizar todo este desenvolvimento económico, que pode considerar-se mesmo como o 1.º mercado comum europeu, os romanos contavam com uma excelente rede de estradas por todas as regiões do Império, construídas sobretudo com objetivos militares e administrativos mas que serviam bem os fins económicos.

 

O pensamento doutrinário do Cristianismo

O Cristianismo foi uma nova religião pregada por Jesus Cristo, na Judeia, ainda no tempo do Imperador Otávio César Augusto. Inicialmente, a nova religião era vista como uma seita ou heresia do Judaísmo, mas rapidamente, se impôs como religião, divulgando uma nova mensagem de fraternidade e solidariedade humanas, humildade e pacifismo, unicidade e salvação, prometendo aos crentes, a imortalidade, após a morte física. Rapidamente, a nova religião se espalhou entre os pobres e a todo o Império Romano. Nos primeiros tempos, foi perseguida pelo poder político, em virtude do seu sentido totalitário e universal, como doutrina; pelo seu carácter exclusivo e messiânico, pela sua tendência para o segregacionismo e secretismo das comunidades de fiéis e, sobretudo, pela sua recusa em prestar culto a outras divindades. Contudo, a partir do Constantino, terminaram as perseguições (o Édito de Milão, em 313, concede liberdade de culto) e com o Imperador Teodósio (o Édito de Tessalónica, em 380) torna-se a religião oficial do Império Romano.

 (continua)

 

publicado por viajandonotempo às 14:39

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