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Janeiro 27 2012

DURANTE 30 ANOS OS HOLANDESES APODERARAM-SE DA MELHOR PARTE DO BRASIL PORTUGUÊS

 

Fez, no passado dia 23 de janeiro, 375 anos, que chegava ao Recife, no então Brasil Holandês (ou Nova Holanda), o nobre alemão João Maurício de Nassau-Siegen. Estávamos já na parte final do período da União Ibérica; reinava em Portugal Filipe III (IV de Espanha).

 

O Conde João Maurício de Nassau-Siegen, governador do Brasil Holandês,

ao serviço da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais

 

 Dos 60 anos de domínio Filipino (iniciado com a decisão favorável das Cortes de Tomar de 1581 e terminado com o golpe militar da aristocracia portuguesa de 1 de dezembro de 1640), os 19 anos em que foi nosso rei Filipe III (IV de Espanha), foram os piores para os interesses portugueses, com o Império Português a ser conquistado e ocupado pelos inimigos comuns a Portugal e Espanha (unidos numa Monarquia dualista): Holandeses, Ingleses e Franceses.

Impedidos pela administração filipina de comercializarem com o Brasil, os holandeses haviam ocupado a parte mais rica na produção de açúcar do Nordeste Brasileiro: em 1624-1625, conquistaram S. Salvador, então capital do Brasil, na capitania da Baía, aprisionando o Governador Geral; meia dúzia de anos mais tarde, alargaram o seu domínio a Olinda e Recife, na capitania de Pernambuco (1630), onde se manteriam até janeiro de 1654.

Na fase da conquista os holandeses incendiaram alguns engenhos de açúcar, 

como se vê nesta imagem, na região da Baía

A resistência aos invasores holandeses far-se-ia sentir de forma mais intensa a partir de 1630. Foi nessa conjuntura que chegou ao Brasil holandês, mais concretamente ao Recife, no dia 23 de janeiro de 1637, João Maurício de Nassau-Siegen, também conhecido como Conde Maurício de Nassau. Nasceu e morreu em terra alemã, mas aos 10 anos estava em Basileia, onde estudou na universidade local, bastante influenciada pela reforma calvinista. Daí, por relações familiares que tinha com residentes nos Países Baixos, seguiu para a Holanda onde iniciou a sua carreira militar, na conjuntura da Guerra dos 30 anos, combatendo a Espanha. Evidenciando qualidades culturais e militares, seria convidado pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para ir administrar o Brasil Holandês, lutando contra o exército luso-espanhol que tentava evitar que a Holanda aumentasse o território que controlava naquela região do domínio português.

Quando Nassau aí chegou, no território sob o domínio da Holanda, haveria cerca de centena e meia de engenhos de açúcar, quase destruídos pela situação de guerra. O novo administrador tomou iniciativas que visaram o seu restauro e posterior utilização, defendendo assim os interesses da Companhia das Índias Ocidentais que servia e também os seus, já que para além do ordenado, considerado principesco, tinha ainda uma percentagem no lucro do comércio. O novo administrador mostrar-se-ia bastante eficiente e conciliatório.

Este estado de luta quase permanente durou cerca de 25 anos. Muitas batalhas se travaram em terra e no mar (entre a costa brasileira e a costa africana). Os negócios mais rentáveis eram o açúcar (com origem no Brasil) e o tráfego negreiro (com origem na costa africana) com destino às minas e fazendas quer da América Espanhola quer da América Portuguesa.

Foi nesse período que foi conquistada, por sua ordem, a Fortaleza de S. Jorge da Mina, no Golfo da Guiné, embora não se alcançasse o resultado esperado, por terem menos valor económico os escravos da Guiné do que os da costa angolana.

O Conde Maurício de Nassau seria surpreendido pelo Golpe de 1 de dezembro de 1640 que nessa data ocorrera em Lisboa e que representou a separação dos dois impérios ibéricos. A luta contra o domínio holandês intensificou-se e, por outro lado, as diligências diplomáticas também deram os seus frutos, já que a Holanda e Portugal se tornavam “aliados” contra a Espanha. Mesmo assim a contrapartida que Portugal teve que pagar à Holanda foi bastante ruinosa para os cofres portugueses.

 

Quadro de Frans Post (1637), pintor holandês que acompanhou João Nassau ao Brasil.

É considerado o 1.º quadro das Américas, feito por um pintor profissional

Nassau só seria derrotado da sua tentativa de conquistar a Baía. Afastado em 1644, a partir daí tudo se conjugou para que Portugal visse reconhecida a sua total soberania sobre o Nordeste do Brasil, o que viria acontecer pelo Tratado de Haia, assinado em 1661, entre Portugal e a Holanda.

 

 

 

 

 

publicado por viajandonotempo às 18:27

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