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Março 31 2014

A ILHA ONDE NAPOLEÃO VIVEU OS SEUS ÚLTIMOS DIAS

  

 

 

 

Há 513 anos, mais concretamente no dia 5 de Março de 1501, D. Manuel I enviava para a Índia a 3.ª esquadra portuguesa, no curto período de 5 anos. A primeira foi a da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia capitaneada por Vasco da Gama, a segunda foi a que teve ao comando Pedro Álvares Cabral, que faria a importante descoberta oficial do Brasil e a terceira, a que mais importa tratar agora, levava ao comando o fidalgo galego-português João da Nova, ao serviço de Portugal há vários anos, tendo chegado a exercer mesmo o cargo de Alcaide de Lisboa.

Esta terceira armada que D. Manuel enviava para a Índia era composta de três naus e de uma caravela. Era enviada em reforço da armada de Pedro Álvares Cabral, pois nessa data o rei português não tinha ainda qualquer informação do que havia sucedido no continente asiático aos seus barcos comandados por Pedro Álvares Cabral. Pedro Álvares Cabral que havia perdido várias embarcações ao largo do Cabo da Boa Esperança, nesta altura já iniciava a viagem de regresso a Portugal. Mas isso o Rei português não tinha maneira de saber. A única informação que tinha era da chegada ao Brasil, trazida por Gaspar de Lemos, cuja caravela chegara a Lisboa, em Junho de 1500 com a famosa carta de Pero Vaz de Caminha dirigida ao Rei D. Manuel, descrevendo o “Achamento da Terra de Vera Cruz”.

Nesta viagem para a Índia, João da Nova levava a recomendação real de parar na nova Terra de “Vera Cruz”, o que fez, navegando para Ocidente, como fizera Pedro Álvares Cabral um ano antes. Na sua navegação para a Índia, no Atlântico Sul, descobriu as actuais ilhas de Santa Helena e de Ascensão que hoje pertencem à coroa britânica.

Foi na ilha de Santa Helena, que os portugueses nunca colonizaram, que haveria de viver os seus últimos dias, Napoleão Bonaparte. Depois de definitivamente derrotado na Batalha de Waterloo, em Junho de 1815, foi exilado pelos britânicos na Ilha de Santa Helena, onde acabaria por falecer, seis anos depois, mais concretamente, no dia 5 de Maio de 1821.

Os portugueses nunca colonizaram esta ilha, mas paravam lá nas viagens entre Lisboa e Goa, e vice-versa, para se abastecerem, já que a ilha era bastante fértil e tinha água potável. Por isso, fizeram dela um “viveiro” de animais, como por exemplo de cabras que lá deixaram e depois se multiplicaram, contribuindo para o reforço alimentar dos barcos que aí se abasteciam.

Houve, no entanto, um português que, no século XVI, viveu isolado nesta ilha mais de 30 anos. Trata-se do militar português, nascido na baixa nobreza, Fernão Lopes que acompanhou Afonso de Albuquerque nas suas primeiras conquistas na Índia. Tendo ficado a comandar uma guarnição militar no Oriente, acabou por se deixar convencer pelo “inimigo”. Mais tarde, foi torturado pelos homens de Afonso de Albuquerque e tendo sofrido cortes de membros e tais deformações que lhe retiraram a coragem de regressar a Portugal, optando por viver isolado nesta ilha, pelo que foi o seu primeiro habitante humano. Apenas por um curto período veio a Portugal e Roma, querendo de novo voltar para a Ilha de Santa Helena, onde faleceu.

Mas, voltando à viagem de João da Nova, ele chegou, como previsto, à Índia, onde fundou a nova feitoria – Cananor, cujo primeiro Alcaide foi Lourenço de Brito e onde os portugueses construiriam a Fortaleza de Santo Ângelo de Cananor. A chegada da armada de João da Nova foi motivo de grande alegria para os portugueses que Álvares Cabral lá deixara na viagem anterior, porque nunca supunham que D. Manuel enviasse nova armada antes de chegar a Lisboa, Pedro Álvares Cabral.

João da Nova tentou entrar em Calecute, mas o Samorim barrou-lhe a entrada com uma frota muito mais numerosa. Pois, João da Nova brilhou com a nova táctica militar usada: pela primeira vez dispôs as suas quatro embarcações em coluna e delas disparou certeira e eficazmente sobre os barcos inimigos que foram derrotados, causando um misto de surpresa e de terror nos inimigos. Dizem as crónicas que a cada descarga da sua artilharia se afundavam um ou dois navios do Samorim. Esta nova táctica da guerra naval que permitiu a quatro navios vencer um adversário muito mais poderoso ficou na “berra” tendo sido utilizada nos confrontos belicistas no mar até à 2.ª Guerra Mundial.

Carregado de fama e de pimenta, e bem assim de outras especiarias orientais, João da Nova regressou a Portugal, donde empreendeu novas viagens à Índia. Em 1505, acompanhou o primeiro Vice-Rei da Índia, D. Francisco de Almeida; e em 1506 integrou a esquadra de Afonso de Albuquerque e de Tristão da Cunha, como capitão de uma nau. Envolvera-se em querelas com Afonso de Albuquerque que o prendeu, mas acabou por o perdoar, devido à sua valentia militar. Adoeceu gravemente, vindo a falecer em Cochim, no ano de 1509. 

publicado por viajandonotempo às 00:18

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