VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Maio 20 2017

Tendo como principal objetivo ajudar a preparação, em particular, dos meus alunos, mas que partilho com todos os outros que este ano (2017) se têm de submeter a exame de História A, aí ficam resumos dos conteúdos programáticos, que o programa define como conteúdos de aprofundamento. 

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Módulo 9

 

Conteúdos

Conceitos/

Noções

1.2. Os polos do desenvolvimento económico
- Hegemonia dos Estados Unidos: supremacia militar, prosperidade económica, dinamismo científico e tecnológico

- Consolidação da comunidade europeia; integração das novas democracias da Europa do Sul; a UE e as dificuldades na constituição de uma Europa política.
- Afirmação do espaço económico da Ásia-Pacífico; a questão de Timor.
- Modernização e abertura da China à economia de mercado; a integração de Hong Kong e de Macau.

 

2.1. Mutações sociopolíticas e novo modelo económico
- O debate do Estado-Nação; a explosão das realidades
étnicas; as questões transnacionais: migrações, segurança, ambiente.

- Afirmação do neoliberalismo e globalização da economia. Rarefação da classe operária; declínio da militância política e do sindicalismo.

 

3. Portugal no novo quadro internacional
- A integração europeia e as suas implicações. As
relações com os países lusófonos e com a área ibero-americana.

-Cidadania europeia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-Interculturalidade
-Ambientalismo
-Globalização
-Neoliberalismo

 

- PALOP

 

 

A hegemonia dos EUA / A supremacia militar americana

O desmoronamento do bloco comunista fez com que os EUA se tornassem aúnica superpotência. Assim, em matéria de política internacional, tem-se assistido a um certo unilateralismo americano que decide, a seu bel-prazer, que países e quando os deve combater (como aconteceu no Afeganistão em 2001 e no Iraque em 2003).

No campo económico, os EUA têm expandido o seu poderio a todo o globo, controlando os mercados do dólar e do petróleo. Uma das atuais “batalhas” é contra o terrorismo que em 11-09-2001 atacou Washington (“Torres Gémeas” e “Pentágono”). 

O fim da Guerra-fria não significou o fim das despesas militares para os americanos. Eles gozam de qualidade de supremacia militar bem patente no facto de no início do atual milénio terem tanto investimento militar como quase todos os outros países juntos. São donos de um incomparável arsenal e de elevada tecnologia militar. Tem a “bomba T” (que cria uma parede de fogo sobre o inimigo), a secreta “bomba E” (que derrete circuitos elétricos) e as bombas Daisy Cutter”. Tem também os mísseis “tomahawk” e aviões de grande capacidade e eficácia destrutiva.

 

Prosperidade económica / dinamismo científico e tecnológico

Os EUA, sobretudo, durante as administrações dos presidentes republicanos, adotaram o neoliberalismo, duplicando, em pouco tempo, o crescimento da produtividade industrial, baixando a inflação, diminuindo o desemprego e reduzindo os impostos, sobretudo para os mais ricos, como forma de incentivar os seus investimentos. Por um lado, diminuiu a cobertura social aos mais pobres, baixou o nível geral dos salários, tornou os empregos mais precários, permitiu a concentração da propriedade, aumentando assim a clivagem social. O fim do estado-providência fez aumentar a proliferação da criminalidade, violência racial, o consumo de álcool e da droga. As despesas do estado com o armamento não têm parado de aumentar. Em 2000, apesar de tudo, o PNB dos EUA representava 31% do produto mundial, enquanto a dívida pública se ficava pelos 22,6% do PIB.

Os EUA, tal como o Japão, têm apostado, nas últimas décadas, na alta tecnologia da informação (Internet, telemóveis e canais por cabo). A defesa e a exploração espacial também têm sido objeto de grandes investimentos públicos.

 

Consolidação da Comunidade Europeia / Integração das novas democracias da Europa do Sul

As instituições europeias, na sua constituição e funções, evoluíram no sentido de conferirem uma maior consolidação à construção europeia. Assim, desde 1979, oParlamento Europeu (com sede em Estrasburgo) passou a ser eleito, em todos os estados-membros, por sufrágio universal direto. Em 1985, os Acordos de Schengen iniciaram a livre circulação de pessoas entre os estados-membros signatários. No ano seguinte, o Ato Único Europeu (AUE) foi mais um passo efetivo na circulação de mercadorias, pessoas, capitais e serviços. O Tratado de Maastricht (em dezembro de 1992) criou a cidadania europeia e firmou uma cooperação mais estreita nos domínios da moeda, defesa, justiça, saúde, meio ambiente, proteção dos trabalhadores e cultura, e a CEE passou a designar-se UE. Em 2002, foi dado mais um passo importante na consolidação da UE, com aentrada em circulação do euro (exceto no Reino Unido, Dinamarca e Suécia) nos países-membros que se comprometeram a manter o défice público abaixo dos 3% do PIB e não deixar que a dívida pública ultrapassasse 59% do PIB.

Quando os países da Europa do sul, Grécia, Portugal e Espanha, já na década de 1970 se tornaram democráticos, puderam requerer a sua integração na CEE(a Grécia entrou em 1981; Portugal e Espanha, em 1986). Em 1995, passou a 15 membros; em 2004, a 25; em 2007, a 27; e em 2013, a 28.

 

As dificuldades na constituição de uma Europa política / A afirmação do espaço económico da Ásia – Pacífico

A Europa é constituída por diferentes povos com milénios de história, com tradições muito próprias, mas também há valores comuns e são estes que se reforçam na União Europeia que, no entanto, preserva também a diversidade de cada estado-membro, ao garantir a sua autonomia.

Em termos económicos, a UE é uma enorme potência mundial (senão mesmo a 1.ª), mas em termos políticos há ainda muito para fazer no sentido de concretizar o velho sonho da união política de toda a Europa. Tem-se notado, neste percurso comunitário, que as populações não querem perder a sua soberania. A “constituição europeia” pensada no Conselho Europeu de Lacken (Bélgica), em dez.º de 2001, poderia ter sido um importante passo na construção europeia; as expetativas renovaram-se também com o Tratado de Lisboa (dez.º de 2007).

No período da “Guerra-fria”, o Japão continuou a destacar-se entre os países industrializados. No final da década de 1980, no entanto, debateu-se com uma crise que pôs em causa o dirigismo estatal. Foi obrigado a valorizar o “iene” e a investir na região do Pacífico, contribuindo para levar um novo dinamismo económico à Ásia-Pacífico. Países como Singapura, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Tailândia, Indonésia, Filipinas e Malásia conheceram um grande desenvolvimento.

 

A questão de Timor

Timor-Leste, depois de 1974, conseguiu, em novembro de 1975, a Independência reivindicada pela FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste), mas a Indonésia, no mês seguinte, com o argumento da defesa do seu território, ante a ameaça comunista dos militantes da FRETILIN, invade e ocupa Timor-Leste, massacrando parte da sua população. Portugal intervém sucessivamente junto da ONU, sem nada valer, enquanto as FALINTIL (Forças Armadas de Libertação de Timor-Leste) resistem sozinhas nas montanhas. Valeu a transmissão televisiva ao mundo do Massacre de Santa Cruz, para haver uma sensibilização mundial para o sofrimento dos timorenses. Seguiu-se, o envolvimento da ONU, o Referendo favorável à independência (1999) que é total em 20 de maio de 2002.

 

Abertura da China à economia de mercado / A integração de Hong Kong e de Macau

O maior país do mundo, em termos populacionais, apesar de manter um regime político comunista, lidera atualmente o crescimento económico mundial. No último quarto de século, a China cresceu tanto economicamente, que o seu PIB se equipara ao do Japão.

As transformações económicas começaram com a chegada ao poder de Deng Xiaoping (sucessor de Mao Tsé Tung), em 1978, e caracterizaram-se pelamodernização da indústria do país, pela descoletivização rural, e pela liberalização da orla marítima urbana (onde foram instituídas “zonas económicas especiais”, como autênticos centros de experimentação para o desenvolvimento económico) onde se incluem Hong Kong e Macau, entretanto restituídos à China. É claro que a prática de “um país, dois sistemas” provocou enormes desigualdades sociais e regionais.

Hong Kong e Macau, na região do delta do Rio de Pérolas, foram integrados na República da China em 1997 e 1999, respetivamente, como zonas administrativas especiais, mantendo até 2047 e 2049 o mesmo sistema político, económico, social e cultural. Hong Kong, grande centro comercial, financeiro e de intenso tráfego aéreo, e Macau, com um grande crescimento económico resultante do jogo, turismo e exportações (têxteis e brinquedos) representaram uma importante mais-valia para a China, na sua política de abertura à economia de mercado e ao Ocidente.

 

 

 

Mudanças sociopolíticas / A questão do “Estado-Nação”

Quando a “Guerra-fria” terminou (1989-1991) chegou a pensar-se que o “estado de guerra” teria chegado definitivamente ao fim a que se iniciaria, então, umanova ordem mundial baseada nos valores universais da tolerância, da cooperação e da paz. Contudo, no nosso Planeta, em várias zonas, irrompemconflitos violentos: em algumas ex-repúblicas da URSS, nova crise nos Balcãs, a Questão da Palestina, os genocídios em África e outros.

Estado é uma sociedade politicamente organizada, enquanto Nação é formada por um conjunto de pessoas que vivem no mesmo território e têm costumes e traços étnicos comuns. A convicção de que só não haverá exploradores e explorados se houver soberania política é que tem estado na origem de muitos conflitos. No fundo, trata-se de implementar o princípio das nacionalidades lançado na Revolução Francesa.

O futuro do “Estado-Nação” continua a ser posto em causa por forças transnacionais e supranacionais como também pelas forças de fragmentação regionais. Continua a ser reclamado em vários pontos, quase sempre com recurso à violência.

 

A explosão das realidades étnicas / Os conflitos étnicos e tribais das regiões periféricas

O desmoronamento do “condomínio” Soviético permitiu o desencadear deconflitos étnicos e nacionalistas em várias partes do Planeta: Balcãs, Europa de Leste, África Central e Sueste Asiático. Após a “Guerra Fria” as antigas repúblicas da Jugoslávia reivindicaram e foram conseguindo, nos anos 90, reconhecimento da sua independência.

Na Europa do Leste o caso mais dramático tem sido o da Chechénia. A Rússia, em 1997, reconheceu-a como República, mas não aceitou a sua independência.

Na África, os maiores problemas têm surgido na África Central e Ocidental, países cujas fronteiras foram artificiais desde o tempo do colonialismo, e onde as tensões étnicas têm vindo ao de cima, levando a guerras violentas como aconteceu no Ruanda. Os governos destes países deixaram de contar com o apoio das superpotências, por já não haver necessidade de domínio geoestratégico (uma vez que a “Guerra-fria” terminou). Na Ásia, os principais problemas surgiram no subcontinente indiano (Sri Lanka, Caxemira, Índia e Paquistão) e no Afeganistão (entre comunistas e muçulmanos).

 

As questões transnacionais / O terrorismo internacional

Embora não seja novidade, as migrações internacionais intensificaram-se no séc. XX. E nos finais daquele séc., as três grandes regiões atrativas da população eram a Europa, os EUA e a Austrália. Várias razões explicam a mobilidade de milhões de pessoas: o fator económico (fuga à miséria que chega a pôr em causa a sobrevivência física); fator demográfico (crescimento da população em algumas regiões); fator político (guerras, perseguições por motivos raciais); fator cultural e religioso (intolerância de alguns fundamentalismos que chegam ao poder); fator de natureza pessoal e familiar(desagregação de núcleos familiares).

Após o fim da “Guerra-fria” o mundo conheceu novas formas de insegurança. Agora há mais países com armamento nuclear e o fundamentalismo religioso-étnico gerou uma onda de terrorismo internacional sem regras, que pode atacar em qualquer momento e em qualquer lugar. Em parte, este fundamentalismo resulta da falta de valores humanos e da falta de respeito e de tolerância pelas minorias e pelas diferenças.

 

As preocupações com o ambiente

O desenvolvimento económico mundial tem pressionado a sobrexploração do solo, das águas, das florestas e doutros recursos naturais, o que tem provocado a continua degradação ambiental: diminuição da área florestal, escassez de água potável (1/5 da Humanidade não tem acesso a água em condições), poluição das linhas de água e do mar, destruição da camada do ozono, agravamento do efeito de estufa, desertificação do solo, fome e subnutrição, extinção de milhares de espécies vegetais e animais. Justifica-se pois, a consciência ecológica atual, bem patente nas organizações partidárias, organizações não governamentais e organizações supranacionais (como a ONU). Todas têm de conciliar a sua ação a nível global, no sentido de um desenvolvimento sustentável que garanta a sobrevivência da civilização humana.

 

Afirmação do neoliberalismo

A crise fiscal do Estado e a inflação nas décadas seguintes à 2.ª Guerra Mundial, bem como o crescimento do desemprego, levaram a que alguns governos abandonassem o “Estado- Providência” e aderissem ao “Neoliberalismo” que significa o regresso à doutrina do liberalismo económico da 2.ª metade do séc. XVIII e do séc. XIX, o Estado deixa de ser intervencionista na economia, privatiza o mais possivel e deixa funcionar livremente os mecanismos da economia de mercado. Foi esta a política adotada na década de 1980, nos EUA (Reagan) e Reino Unido (Thatcher). Com o fim da economia socialista, quase todos os países do mundo se renderam à economia capitalista, sendo o desenvolvimento económico o único critério de aferição da importância de um país. O Mundo tripolarizou-se em torno dos EUA, UE e Japão.

 

A globalização da economia

Os Estados têm recuado nas medidas protecionistas e enveredado por ummercado cada vez mais livre. Desde finais da década de 1980 que o comércio internacional acusa um crescimento excecional, mercê de progressos técnicos nos transportes e da criação de mercados comuns.

Às zonas da Europa Ocidental, da Ásia-Pacífico e da América do Norte, a chamada Tríade, cabe o papel de polos dinamizadores das trocas mundiais. Os movimentos de capitais aceleram-se desde os anos 80. As grandes bolsas de valores, como as de Nova Iorque, Tóquio, Londres e Singapura, mobilizam massas crescentes de ações, em virtude de um aligeiramento das regulamentações que pesavam sobre a circulação de capitais. Desde 1990, os investimentos externos ultrapassam, o montante de mil milhares de milhões de dólares. Acelera-se a tendência para a internacionalização.

Desde os anos 90, aumenta o número de empresas em que a conceção do produto ou do bem a oferecer, as respetivas fases de fabrico e o setor da comercialização se encontram dispersos à escala mundial. Eis-nos perante as firmas da era da globalização, as chamadas multinacionais ou transnacionais. É essa lógica de rentabilidade das condições locais que conduz, em momentos de crise ou de diminuição de lucros, as multinacionais a abandonarem certos países. Encerram aí as suas fábricas e/ou estabelecimentos comerciais, para os reabrirem noutros locais. A este fenómeno chama-se deslocalização, sendo-lhe atribuída a principal razão do desemprego crónico.

        

Rarefação da classe operária / Declínio da militância política e do sindicalismo

O Neoliberalismo influenciou vários setores do sistema capitalista. Um deles foi otrabalho. O objetivo principal, na perspetiva capitalista, é a produtividade. Para a aumentar, modernizou-se a economia, apostando cada vez mais na inovação tecnológica, em particular na automatização e no incremento da terciarização. As consequências mais importantes, nas economias capitalistas, foram uma maior secundarização do trabalho humano, a redução dos empregos, o crescimento do trabalho precário e o desemprego.

Os sindicatos foram importantíssimos para a melhoria da qualidade de vida do trabalho dos operários ao longo dos sécs. XIX e XX. Mas, nas últimas décadas do séc. XX, verificou-se um enfraquecimento na militância política e sindical. A diminuição do n.º de operários, o trabalho qualificado, a formação contínua no interior das empresas, a mobilidade das multinacionais, os fluxos migratórios, a competitividade, o individualismo e a política conservadora são algumas das razões que explicam esse enfraquecimento.

 

A opção europeia de Portugal

Desfeito definitivamente o Império, Portugal virou-se para a Europa (integrando a CEE em 01-01-1986, com o duplo objetivo de consolidar a democracia portuguesa e de evitar a falência do modelo económico do Estado Novo) e para o Atlântico (criando a comunidade lusófona). A Europa comunitária foi-se alargando sucessivamente até chegar a 28 Estados-membros (no ano 2017, o Reino Unido é o 1.º estado-membro a abandonar a União Europeia. Este alargamento obrigou a economia portuguesa a uma maior competitividade, sob pena de assistir àdeslocalização de mais empresas e ao aumento do desemprego.

 

A relação com os países lusófonos / Portugal e a área ibero-americana

Com o decorrer do tempo e das circunstâncias histórico-políticas (fim da Guerra-fria e aproximação da organização político-económica ocidental por parte dos novos países de expressão portuguesa) houve uma aproximação com os países lusófonos.

Afinal, a opção europeia não era incompatível com a atlântica, podiam ser complementares e até estimulantes para as economias europeia, africana e americana.

A lusofonia era uma nova identidade coletiva autónoma, em paridade e solidariedade com os novos países que falavam português (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e Príncipe). A 1.ª plataforma comum a institucionalizar esta nova realidade foi os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) a que se seguiu, a 17 de julho de 1996, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) que inclui aqueles países mais 4: Portugal, Brasil, Timor-Leste e Guiné Equatorial (entrou em 2014) e tem como órgãos: Conferência de Chefes de Estado, Comité de Concertação Permanente e Secretaria Executiva (sede em Lisboa). São seus objetivos a cooperação nos domínios linguísticos, político, económico, diplomático, educativo e saúde.

Portugal integra também o espaço Ibero-americano fazendo parte da CIA(Comunidade Ibero-Americana), que tem objetivos económicos e culturais, incentivando o comércio e investimentos entre a América Latina e a União Europeia.

publicado por viajandonotempo às 14:58
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