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Fevereiro 27 2009

Alguns dos monumentos e edifícios de maior destaque na vila

 

 

PELOURINHO

 

 

(no Fundo da Rua, frente ao edifício da Junta de Freguesia)

 

 

 

No século XVII, mais concretamente no ano de 1686, foi erguido, defronte à residência senhorial dos Condes da Ericeira (mais tarde, este edifício foi aproveitado para nele funcionar a Câmara Municipal), no centro da Vila, um gracioso pelourinho, de fuste oitavado, com as armas do Conde da Ericeira.
No Pelourinho está gravada a seguinte inscrição, também ela referente à mercê concedida, em virtude do mérito alcançado, tanto na guerra como na paz, a D. Luís de Meneses, Conde da Ericeira:

                                                          

MERCEDE   CO
PARATA  MERI
TIS OB   INCLI
TA BELLO ET PA
CE GEST AD
LVDVVICO    M
ENESIO COMI
TE ERICÆIRÆ
I686
 
Por cima desta inscrição existe uma coroa com um escudo esquartelado, tendo um mais pequeno ao centro. São as armas do Conde da Ericeira: no 1.º e 4.º quartéis estão as armas portuguesas; no 2.º e 3.º estão três flores de liz dispostas em triângulo.
Em princípios deste século, o Pelourinho foi reparado e mudado daquele local para o lugar onde hoje se encontra, próximo do Fundo da Rua. Na sessão de 18 de Setembro de 1902, ao chamado Largo do Padrão, a Câmara deliberou passar a denominar Largo de Almeida Garrett, e mudou para lá o Pelourinho. Hoje, chama-se Largo do Pelourinho, fica frente à sede da Junta de Freguesia, na confluência das Ruas Conselheiro António José da Silva, Combatentes da Grande Guerra e Dr. Adriano Rego. A sua base estaria assente sobre degraus de pedra, mas como estes estivessem deteriorados, assentaram-no sobre oito bolas de pedra (tantas quantas as freguesias que integram o concelho, desde 13 de Janeiro de 1898: Ansião, Alvorge, Avelar, Chão de Couce, Lagarteira, Pousaflores, Santiago da Guarda e Torre de Vale de Todos), que lhe dão enorme beleza, sendo considerado um dos mais belos pelourinhos da região.
 
 PADRÃO
 
 
 
(no Fundo da Rua, próximo do Pelourinho)
 
No mesmo ano de 1686, o Senado de Ansião, erigiu o Padrão, em homenagem a D. Luís de Meneses, que ainda se encontra na vila, e onde se pode ler a seguinte inscrição latina:
 
IN PERPETVAM REI MEMORIAM
D LUDOVICO MENESIO  COMITI  ERICEIRÆ  RE-
GIS  PETRI II A CONSILIO SATVS  ET  FISCO
PRÆPOSITO  IN TRASTAGANA PROVINCIA
MAXIMO TORMENTORVM  PRÆFECTO  IN
TRANSMONTANA  PRÆTORI PRO VICTO  CA-
NALENSI PRÆLIO IOANNE  AVSTRIACO  EBO
RAQ RECCVPERATA HOC ILLI OPPIDVM CVM IV-
RISDITIONE CONCESSV  AVCTVSQ FVIT ALIIS
PRÆMIJS ET HONORIBVS  QVOD XVIII  ANNOS
BELLO IMPENDIT  QVINQ PRÆLIJS ET PLVRI-
MIS VRBIVM OBSEDIONIBVS INTERFVIT  AD-
EPTVSQ EST GLORIAM MILITAREM  ET
POSTQVAM FVIT PACE MVTATVM MAXI
MA EJVS MVNIA CVM LAVDE EXERCVIT  
IDEO ANSIANENSIS SENATVS HOC ERI-
GI MVNVMENTVM CVRAVIT
ANNO DOMINI  MDCLXXXVI
Em português essa inscrição seria, mais ou menos, do seguinte teor:
 
Para Perpétua Memória
A D Luís de Meneses Conde da Ericeira d'El-
 Rei PedroII  Conselheiro de Estado e do Fisco
Intendente Na Província do Alentejo
Supremo General de Artilharia
Governador  da Província de Trás-os-Montes 
em vez de João de Áustria 
 vencido na batalha do Canal 
E após a recuperação da cidade de Évora 
esta  pela jurisdição
que lhe foi concedida  o cumulou de tais
prémios e honras  por durante 18 anos
se haver dedicado à guerra por ter travado 
cinco batalhas e ter participado em tantos
cercos à cidade  obtendo glória militar  e
alcançada a paz exerceu os maiores
cargos com louvor  Por isso o Senado
de Ansião tratou de lhe mandar erigir
este monumento
No ano do Senhor de 1686
 
 
PONTE DA CAL
 
 
      (Sobre o Rio Nabão, junto à Capela da Rainha Santa)
 
Sobre as águas calmas do rio Nabão, construiu-se ou reconstruiu-se, no século XVII, uma ponte que ligava o importante e antigo eixo viário oriundo de Coimbra que passava por Lagoas em direcção ao centro da vila de Ansião e daqui seguia para Sul, rumo a Lisboa.
Ponte lançada em dois arcos plenos, com tabuleiro em cavalete pouco pronunciado. Parapeitos intercalados por três bancos corridos na parte mais elevada da ponte, constituídos por lajes, sob o primeiro arco destaca-se um tanque reservatório.
 É crença popular que era neste tanque que se banhava a Rainha Santa Isabel, aquando da sua passagem por estas terras, tornando-as milagrosas: “banhos santos”. Junto à margem direita do rio erigiu-se uma pequena capela em homenagem à Rainha Santa Isabel, onde anualmente se pode assistir a um popular arraial, por altura do S. Pedro, que partilha a mesma capela.
A Ponte é um belo monumento de alvenaria, constituído por dois arcos de volta perfeita, em cantaria siglada. Um estreito passeio, do lado Norte, delimita dois interessantes tanques de banhos, destinados, respectivamente, às mulheres e aos homens.
O primeiro tanque é constituído por uma pia mais funda onde, segundo a lenda, a Rainha Santa se refrescava quando, vinda da cidade de Coimbra, atravessava a longa zona agreste sob o sol tórrido de Verão. A fadiga apoderava-se também de toda a comitiva real que se tranquilizava com o avistamento do arvoredo refrescante que emerge das margens do rio onde a ponte se ergueu.
A Rainha Santa ter-se-á apeado e terá descido à margem para molhar os pés. Recomposta toda a comitiva prosseguiram a viagem e eis que encontrando um velho pedinte na beira do caminho a Rainha mandou parar a comitiva para lhe dar esmola. Teria sido este velho, ou ancião, que segundo a tradição determinou o nome da povoação e é o motivo principal deste painel de azulejos.
As águas que correm sob a Ponte santificaram-se e práticas milagrosas ocorreram desde então. Neste local ainda se praticou o "banho santo" até há poucos anos atrás, geralmente dos dias 29 de Junho - dia de S. Pedro - ao dia 4 de Julho - dia da Rainha Santa Isabel.
 
CÂMARA MUNICIPAL
 
 
A imprensa de âmbito nacional, do dia 6 de Novembro de 1937, trazia uma notícia trágica relativa a Ansião: “Arderam os Paços do Concelho”. De facto, na madrugada do dia 5 de Novembro de 1937, ardeu uma grande parte do antigo edifício da Câmara, que fora residência oficial dos Senhores da Vila, os Condes de Ericeira. Aí estavam instalados, para além dos serviços municipais, o Tribunal e a Delegação de Saúde. O fogo foi atribuído, nos primeiros dias, a qualquer ponta de cigarro, que por descuido tenha caído sobre os papéis e desencadeado, horas mais tarde, o pavoroso incêndio.
Numa conjuntura particularmente difícil, como foi a da segunda Guerra Mundial, a Comissão Administrativa pôs mãos à obra de reconstrução e ampliação dos Paços do Concelho. Uma obra que exigiu um enorme esforço financeiro, com a aquisição de casas e terrenos particulares que se encontravam junto ao antigo edifício dos Paços do Concelho e com os empreiteiros. A autoria do Projecto de Ampliação dos Paços do Concelho de Ansião, foi da firma “Engenheiros Reunidos, L.da, do Porto” e custou, em 1938, dez mil novecentos e sessenta e sete escudos e vinte e oito centavos.
O empreiteiro da obra de Ampliação dos Paços do Concelho foi o ansianense António Rodrigues Valente.

Todo este gigantesco esforço valeu a pena. A vila ganhou beleza e a Praça do Município, alguma monumentalidade com a imponência do novo edifício dos Paços do Concelho, onde se albergaram, em excelentes condições, todos os serviços públicos da sede do concelho, o que significou um melhor serviço para todos os munícipes e para os funcionários públicos em exercício na vila de Ansião.

 
QUARTEL DOS BOMBEIROS   
Fachada principal do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião
 
 
 
Bombeiros da Academia dos BVA no dia do 50.º aniversário
 
No dia 20 de Dezembro de 1957, nascia a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ansião.
Na vida da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Ansião, a década de 60 foi fundamental. Foi, nesse período, que o seu equipamento foi crescendo, que foi adquirido o terreno para o quartel e que a construção deste se iniciou.
Para que tudo isto fosse possível, foi necessário o empenho e dedicação de todos os seus dirigentes, mas também o apoio de todos os munícipes que sempre souberam corresponder aos pedidos que lhes eram formulados, pois bem sabiam, que os “soldados da paz” existiam a pensar em garantir a melhor segurança aos bens e às pessoas residentes no concelho.
Não admira pois a forte adesão popular às Festas dos Bombeiros. Também não surpreende a ajuda proveniente dos ansianenses emigrados e bem sucedidos lá fora. Em causa estava a construção do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião.
O terreno onde viria a ser construído o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião recebeu parecer favorável da Câmara na sua sessão de 22 de Janeiro de 1964.
A 1.ª Pedra do Quartel dos Bombeiros Voluntários do Concelho de Ansião foi lançada no dia 7 de Agosto de 1965, no meio de grande festa, a que assistiu muito povo.
Depois de vários adiamentos, anunciados a partir do ano 1966, altura em que se encontrava praticamente concluído o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião, cujo custo terá ultrapassado os mil contos, foi inaugurado oficialmente no dia 9 de Agosto de 1970, por ocasião das já tradicionais Festas da Vila.
A embelezar a fachada do Quartel dos Bombeiros de Ansião existe uma Fénix esculpida em pedra pelo artista Joaquim José Inácio. Trata-se de uma bela obra escultórica, com a fantástica ave de asas estendidas e cabeça de perfil, como mandam as regras da heráldica, e no centro da composição o brasão da vila sobre dois machados cruzados, tendo por baixo um listel com os dizeres “B. V. DE ANSIÃO”. Este artístico símbolo dos Bombeiros de Ansião, ficou concluído em Julho de 1967 e levou ao artista cerca de 700 horas de trabalho. Joaquim Inácio foi Chefe do Gabinete de Desenho da CUF de Ansião, e sempre se interessou pela vila onde, por razões de ordem profissional, passou a viver.
Devidamente instalados e razoavelmente equipados, os Bombeiros Voluntários de Ansião foram sempre motivo de orgulho da nossa terra, eficientes e prontos a socorrer quem deles precisa, granjearam um enorme e bem justificado prestígio no Concelho e em toda a região.
 
 
 
publicado por viajandonotempo às 17:42

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