VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Novembro 30 2019

Ansião depois de Abril

Ansião depois de Abril_2019.png

No dia 18 de novembro de 1974, há 45 anos, o Governador Civil de Leiria, Joaquim da Rocha Silva, conferiu posse, no Salão Nobre do Governo Civil, à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ansião, em conjunto com as novas Comissões Administrativas das Câmaras da Batalha, Caldas da Rainha, Nazaré, Peniche e Porto de Mós. Estas comissões administrativas foram nomeadas por portarias de 11 e 13 de novembro do Ministério da Administração Interna.

No caso de Ansião a mesma Comissão Administrativa, que era presidida por um dos fundadores do Partido Socialista na Alemanha, o advogado José Emídio de Figueiredo Medeiros, reunia pela primeira vez, três dias depois, a 21 de novembro de 1974, no gabinete do Presidente da Câmara.

Esta data em que se completam os 45 anos de gestão democrática, importante para o novo e efetivo poder autárquico, foi escolhida por mim e pela autarquia ansianense para lançar a minha última publicação intitulada “Ansião depois de Abril”. Foi no sábado passado, dia 23 de novembro de 2019, no Centro Cultural de Ansião, a partir das 15 horas.

Esta obra, encomendada pela autarquia ansianense há já alguns anos, vem na sequência dos estudos anteriores “O Município de Ansião na Primeira República” (1998), “Ansião e o Estado Novo” (2000) e pretende fazer a história do município de Ansião desde a Revolução do “25 de Abril de 1974”. Tem 436 páginas, 180 imagens, 26 quadros e revela várias centenas de nomes de homens e de mulheres que ao longo destes 45 anos exerceram cargos políticos na Câmara, Assembleia Municipal, Executivos das Juntas de Freguesia e Assembleias de Freguesia. O prefácio é da autoria de Fernando Ribeiro Marques que foi o autarca que mais tempo presidiu à Câmara Municipal (cerca de 20 anos) e que também foi Presidente da Assembleia Municipal durante dois mandatos (oito anos). Ao todo 28 anos ligados à autarquia.

A obra desenvolve-se por 5 capítulos principais: 1 - A Questão Política (onde para além de se falar no impacto do “25 de Abril” no concelho se trata da gestão autárquica, referindo todos os nomes dos autarcas, a nível de município e de todas as freguesias, destacando naturalmente os nomes daqueles que exerceram os cargos de Presidente de Câmara e de Presidente da Assembleia Municipal) 2 - Vias de Comunicação, Abastecimento de Água, Urbanismo e Empreendedorismo (trata-se de toda esta temática, colocando-se o grande destaque nas vias de comunicação, no abastecimento de água a todo o município e no esforço de industrialização que tem sido feito nas últimas décadas); 3 - Ensino, Cultura e Lazer (para além do ensino público dá-se conta da criação do ensino profissional, dos espaços culturais, do Complexo Monumental dos Condes de Castelo Melhor, que junta os mosaicos romanos a uma residência acastelada dos finais da Idade Média e dos 3 jornais e uma rádio que existem no concelho); 4 - Saúde e Segurança (referem-se os Centros de Saúde, Hospital, Bombeiros, Misericórdias e Instituições Assistenciais); e 5 - Associativismo (são referenciadas as largas dezenas de associações existentes, mas fala-se, também, daquelas que tendo origem noutros tempos continuam a existir e a ser acarinhadas pelos ansianenses, como é o caso, entre outras, das suas filarmónicas). Há ainda uma cronologia de 92 páginas que faz menção a muito do que se fez e não coube no corpo da obra.

Espero que noutros municípios, deste distrito e do país, se elaborem obras semelhantes para memória futura do que foram os primeiros anos da democracia autárquica.

publicado por viajandonotempo às 16:58

Outubro 30 2019

As greves do pós-Guerra em Portugal

Greve ferroviária.png

Bombas, incêndios e descarrilamentos faziam parte da agitação grevista que atormentou o Portugal de 1919 e 1920

Os anos que se seguiram ao final da Primeira Guerra Mundial ficaram marcados por uma onda de enorme agitação social que teve repercussões políticas provocando, em Portugal, uma grande instabilidade governativa. Em 1919 contabilizaram-se 362 greves, o que dá, praticamente, uma média de uma greve por dia.

A título de exemplo, recordamos a Greve Geral do operariado que teve lugar entre 16 e 18 de junho de 1919. As discórdias laborais tiveram início nas fábricas da Companhia União Fabril (CUF), onde os trabalhadores entraram em conflito com o patrão, Alfredo da Silva, e geraram um movimento de solidariedade operária, muito frequente à época. O Governo para tentar acabar com estas greves decidiu encerrar as instalações da União Operária Nacional e o jornal diário “A Batalha”.

No dia 2 do mês seguinte (julho) foi a vez de se iniciar a greve dos ferroviários que se prolongou por dois meses, com ocorrências de grande violência. Explodiram bombas na estação do Rossio, houve tiros no Entroncamento e descarrilamentos de comboios. Houve tumultos, em Lisboa. Para evitar outros atos de sabotagem, tais como descarrilamentos, o governo obrigou os grevistas a viajarem num vagão aberto à frente da locomotiva, que ficou conhecido como “vagão fantasma”.

Estas greves gerais, estes atentados contra a segurança das pessoas, sobretudo nos meios urbanos onde o número de operários era maior e também a sua organização sindical, são o reflexo crescente da real deterioração das condições sociais, que ocorreram depois da Guerra e se manifestaram em elevadas taxas de inflação, desvalorização da moeda e grande quebra no poder de compra, tudo condições favoráveis à eclosão revolucionária. Aliás, esta radicalização dos movimentos sociais é também explicada pelo impacto do Socialismo Revolucionário na sociedade europeia.

Efetivamente, a Revolução Bolchevique assustou as classes dirigentes dos países ocidentais que temiam a perda dos seus privilégios e dos seus bens. A Revolução Russa, que triunfou em Petrogrado em outubro de 1917, impulsionou por toda a Europa um fervor revolucionário que afetou, sobretudo, os operários, soldados, camponeses e alguns intelectuais. A III Internacional, com a sua propaganda, muito contribuiu para o aparecimento de partidos comunistas e de movimentos de esquerda revolucionários, na Europa e no Mundo. Mas, na verdade, nesta conjuntura do pós-Guerra, apenas saiu vitoriosa a Revolução Russa.

Na maior parte dos países europeus, mesmo naqueles de recente formação (após o desmembramento dos impérios no pós-Guerra), assistiu-se a uma radicalização dos movimentos político-sociais que levou à instauração de regimes ditatoriais na maior parte dos países europeus. Foi o caso da Itália, Espanha, Turquia, Bulgária, Grécia, Polónia, Lituânia, Jugoslávia e também Portugal, onde a Primeira República chegaria ao fim, no dia 28 de Maio de 1926, com o Golpe Militar comandado pelo General Gomes da Costa, iniciando-se a Ditadura Militar que seria continuada com a ditadura do Estado Novo.

As greves do pós-Guerra em Portugal evidenciam uma relação entre o movimento operário e as dificuldades reais que se viviam, mas há também notórios objetivos de ordem política que, em última instância, levaram ao “28 de Maio de 1926”.

publicado por viajandonotempo às 20:28

Setembro 01 2019

A 2.ª Guerra Mundial começou há 80 anos

tirada da Ilustração N.º 330.png

Mal Hitler chegou ao poder, começou a preparar tudo para uma guerra de retaliação contra os Aliados que haviam vencido os alemães há escassos vinte anos. Na sua política militarista e expansionista, rearmou o exército alemão, em 1935 (pondo em causa as decisões do Tratado de Versalhes), ocupou a região da Renânia (1936), anexou a Áustria (março de 1938), reivindicou a anexação da região dos Sudetas (na Checoslováquia, ainda em 1938), celebrou o “Pacto de Aço”, em maio de 1939, com o amigo Mussolini e em agosto de 1939, firmou com Estaline o “Pacto Germano-Soviético”. Mas foi a sua invasão da Polónia, forçando a conquista de território que reivindicava, que provocou o início da 2.ª Guerra Mundial.

O “Diário de Lisboa” na sua edição de 1 de setembro de 1939, logo na sua primeira página dava conta do que se passava na Europa nesse 1.º dia de Guerra. O embaixador inglês tinha ordens para deixar Berlim, a França e a Inglaterra decretavam a mobilização geral. Relativamente a Paris, refere-se, concretamente, que no dia 1, «Convocado urgentemente pelo chefe do governo, o Conselho de ministros reuniu-se ás 10 e 45 no palácio do Eliseu sob a presidencia de Lebrun, a fim de apreciar a situação. / O Conselho aprovou por unanimidade um decreto estabelecendo a mobilização geral das forças francesas de terra, mar e ar no territorio da França, incluindo a Argelia e as Colonias e em todas as regiões sob domínio francês».

O primeiro-ministro britânico, Chamberlain, apesar de afirmar que nada tem contra o povo alemão, mas apenas contra o seu dirigente nazi, Hitler, e de reconhecer que a situação militar inglesa é mais tranquilizadora do que era em 1914, propõe na Câmara dos Comuns, no dia 1 de setembro de 1939, um projeto de lei «estabelecendo o serviço militar obrigatorio para todos os homens validos, dos 18 aos 41 anos». Ao mesmo tempo decorria já a evacuação de Londres: «Logo de madrugada começou a evacuação da população civil desta capital. Comboios e autocarros transportaram para as regiões do oeste e do norte centenas de milhares de crianças e de enfermos. Calcula-se que a evacuação total da população civil de Londres leve três dias. / Nas outras grandes cidades também começou a evacuação».

O mundo estava em Guerra. A 2.ª Mundial. A maior de sempre, que provocaria muitos milhões de mortos, militares e civis.

Durante a 2.ª Guerra Mundial, Timor-Leste foi a única parte do território português invadida por forças de países em confronto naquela região do mundo, a pretexto da ocupação, em dezembro de 1941, de forças holandesas e australianas. A invasão da ilha portuguesa pelas forças nipónicas aconteceu na manhã de 19 de fevereiro de 1942 e os japoneses só deixariam Timor no fim da Guerra ficando para trás cerca de 40 mil timorenses e portugueses mortos.

Quase todo o mundo se viraria contra a Alemanha de Hitler e os seus princiapis aliados (os países do Eixo: Itália e Japão) e, por isso, era inevitável a sua derrota, que ocorreu em maio de 1945, na Europa, e em agosto do mesmo ano no Extremo Oriente.

publicado por viajandonotempo às 11:57

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