VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Abril 30 2021

HOMENAGEM AOS SOLDADOS DESCONHECIDOS

Terminada a Primeira Guerra Mundial, para a qual todo o país havia contribuído com o envio de expedicionários, quer para a África Portuguesa (Angola e Moçambique) atacada pelos alemães, sem qualquer pré-aviso ou Declaração de Guerra logo no verão de 1914, quer para a Flandres, depois da Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal de 9 de março de 1916, e assinado o Tratado de Versalhes em junho de 1919, os governantes portugueses deliberaram evocar, de forma mais solene e perene, aqueles portugueses que em nome da Pátria, da República e da Liberdade, tombaram neste primeiro conflito mundial e cujos restos mortais ficaram para sempre nas terras onde morreram. Assim, em abril de 1921, há cem anos, foram trasladados para a Sala do Capítulo os dois túmulos dos Soldados Desconhecidos, que ali permanecem com guarda de honra militar.

Imgem 1_aconteceu ha um sec.Mosteiro de Batalha_10

Entrada de 90 bandeiras no Mosteiro de Batalha em homenagem ao Soldado Desconhecido - 10 de abril de 1921 (in Il. Portuguesa, n.º 791, de 16 de abril de 1921)

À semelhança do que aconteceu noutros países beligerantes, o governo português decidiu, no dia 18 de março de 1921, homenagear os seus mortos da Grande Guerra, com a vinda dos restos mortais de dois Soldados Desconhecidos, um proveniente da Flandres (França) e outro de Moçambique, para o simbólico Panteão do Mosteiro da Batalha. A data escolhida para uma cerimónia tão marcante era também muito significativa para os portugueses – o dia 9 de Abril de 1921, data do 3.º aniversário da Batalha de La Lys, a pior para as tropas portuguesas, de todo este conflito. O Governo declarou esse preciso dia, feriado nacional.

No dia 9 de abril de 1921, sábado e feriado, cumprindo-se a determinação do governo, as urnas com os restos mortais destes dois soldados seguiram de comboio de Lisboa para Leiria, acompanhados de jornalistas, estudantes universitários e, entre outros, também vários oficiais das forças armadas portuguesas. No dia seguinte, 10 de abril, seguiriam em cortejo automóvel para o Mosteiro da Batalha.

Neste mesmo mês de abril de 1921, precisamente num contexto de homenagem ao exército português, surgiu um novo periódico na capital, com o título “Diário de Lisboa”, curiosamente com frequentes “correspondências” de Ansião. Surgiu no dia 7 de abril de 1921 e a sua primeira manchete teve por título “Soldados de Portugal”. Na página dois, noticia circunstanciadamente a trasladação dos restos mortais dos soldados desconhecidos para o Congresso da República. As edições seguintes deram grande destaque às diversas homenagens que iam sendo feitas aos restos mortais dos dois soldados desconhecidos.

Mas aquela em que nos vamos deter mais é na edição de 11 de abril do Diário de Lisboa onde se dá notícia da cerimónia ocorrida na véspera (domingo), no Mosteiro da Batalha, que considera ter atingido a maior grandeza. Dá pormenores do cortejo que começou em Lisboa, envolvendo comboios e automóveis com destino à Batalha. A organização desta “romaria” é elogiada por este meio de comunicação que a considera “modelar, a que não estavamos habituados”, escreve. No 1.º comboio seguiam oficiais do exército e da guarda, estudantes universitários e jornalistas.

Eram cerca de 13 h, quando chegou à estação de Leiria o comboio presidencial, onde seguem também as urnas dos soldados desconhecidos, adornados com palmas, coroas e muitas flores. No largo da estação, está muito povo que faz as suas aclamações e uma banda de música interpreta a “Portuguesa”. Além de Afonso Costa, e do Presidente da República, António José de Almeida, estão presentes, também, o marechal Joffre, o general Diaz, representantes de Inglaterra, Brasil, Espanha e de todo o Corpo Diplomático. Forma-se, então um cortejo automóvel com destino à Batalha. Pelo caminho há milhares de pessoas com bandeiras e crianças das escolas.

O cortejo chega cerca das 17h frente ao Mosteiro da Batalha, onde se concentram milhares de pessoas, os governantes já acima identificados, militares, o Cardeal Patriarca de Lisboa e vários bispos que assistem à cerimónia. «As urnas vão entrando, conduzidas por oficiais generais, ouvem-se salvas de artilharia, que ressoam dentro da nave central do Mosteiro como uma nota funebre e gloriosa ao mesmo tempo. As bandas de musica tocam hinos e marchas guerreiras. É a hora solenissima da glorificação dos heróis».

A Sala do Capítulo encheu-se, falando em primeiro lugar, Abílio Marçal, Presidente da Câmara de Deputados, que elogiou as qualidades do povo português que se bateu na Guerra, na Europa e em África e, tendo presente os restos mortais dos soldados desconhecidos que representam todos aqueles portugueses que caíram nos campos de batalha, disse: «Está ali um pedaço da nossa alma, está ali um pedaço da nossa patria».

Usou da palavra a seguir, Afonso Costa, que chefiou a delegação portuguesa que havia de assinar o Tratado de Versalhes, para explicar as razões que nos levaram a intervir diretamente na guerra. Afirma também que «esses soldados representam mortos e vivos, mortos de ontem e de hoje (…). Os soldados desconhecidos, só por si, justificam a nossa participação no conflito». O ministro da guerra também interveio para enaltecer as “virtudes do exercito portugues”.

Perante os milhares de pessoas que enchiam a nave do Mosteiro da Batalha, falou o Bispo de Leiria (o primeiro da diocese recentemente restaurada), José Alves Correia da Silva, que, depois de se dirigir ao Presidente da República, ao Cardeal Patriarca de Lisboa, aos ministros, deputados e delegados das nações estrangeiras, afirmou. «Têm passado sob estas abobadas muitos hinos e Te-deum de vitoria, mas talvez nenhum tão grandioso como o de hoje. Os soldados da nossa terra deixaram mães, pais, esposas e foram para onde os mandava o dever. Morreram e sobre a sua campa a morte tripudiava. Tinham vencido mais uma vez. Portugal inteiro trouxe-os para este monumento das nossas glorias. Aqueles soldados pregaram a lei do sacrifício, tão necessario da hora presente. A romaria ao templo da Batalha não deve terminar hoje, deve começar hoje. Precisamos aproveitar as lições daquelas mortes. Levai vossos filhos á Sala do Capitulo e dizei-lhes os seus feitos».

publicado por viajandonotempo às 07:46

Março 31 2021

O único partido português que sobreviveu da Primeira à Terceira República

Na sequência do triunfo da Revolução Bolchevique, na Rússia, em outubro de 1917, que, assim, se retirava da Primeira Grande Guerra e implementava pela primeira vez na História da Humanidade, um regime político que apostava na igualdade de todos os homens com a coletivização de toda a propriedade, seguindo aquilo que Marx e Engels apregoavam, constituir-se-iam vários partidos comunistas na Europa, na Ásia e na África, com o objetivo de concretizar o que havia sido determinado pelo 2.º Congresso do “Komintern”, em Moscovo (julho de 1920): os partidos socialistas e sociais-democratas deveriam abandonar o reformismo para aderirem ao princípio revolucionário que procurava levar, o mais rápido possível, o comunismo a todos os países do Mundo. A 6 de março de 1921, há um século, seria fundado no nosso país o Partido Comunista Português.

A partir de finais de 1920, promoveram-se várias reuniões nos meios sindicais, onde facilmente se adivinhava existir a base social de apoio de um eventual partido comunista. Entretanto, na Europa e no Mundo, iam surgindo vários partidos comunistas encorajados com o triunfo soviético. Na Alemanha, em 1919; na França, na Espanha, na Grã-Bretanha e no Uruguai, em 1920. Em dezembro desse ano, constituiu-se a Comissão Organizadora que havia de preparar o nascimento do Partido Comunista Português (PCP), começando a elaborar, no início de 1921, as suas bases orgânicas que estavam prontas no mês de fevereiro.

A 6 de março 1921, um conjunto de sindicalistas revolucionários e anarcossindicalistas, muito ativos nesse período da Primeira República, funda o PCP, de que se tornaria primeiro Secretário-Geral, José Carlos Rates, um homem com largas tradições no sindicalismo, mas que em termos políticos se mostrou um pouco incoerente e instável, tendo sido, por exemplo, sidonista e comunista. É por isso facilmente percetível que, poucos anos depois (1925), tenha sido afastado do PCP, que conheceu, então, um período mais conturbado.

A primeira sede do PCP foi na capital, em Santa Maria Maior, mas ainda nesse ano, surgiriam Centros Comunistas no Porto, em Évora e em Beja. O número de filiados foi aumentando rapidamente.

Nos finais de 1921, o Partido virou-se também para a Juventude, e promoveu a edição dos primeiros artigos de inspiração comunista no nosso país, tendo iniciado, ainda nesse ano, a publicação de “O Comunista”, como órgão de comunicação do Partido, e de “O Jovem Comunista”, como órgão da Juventude. Só em fevereiro de 1931 é que surgiria o “Avante!”.

Mas uma das maiores adversidades do PCP nos seus anos iniciais foi, sem dúvida, a denominada “Revolução Nacional”, no dia 28 de Maio de 1926, que pôs fim à Primeira República e começou a Ditadura Militar, que haveria de se prolongar, anos depois, no “Estado Novo”. Esse golpe militar comandado por Gomes da Costa, contribuiria para a interrupção dos trabalhos do II Congresso do PCP.

Os governos da Ditadura encerraram a Confederação Geral dos Trabalho (CGT) e o PCP teve de passar à clandestinidade. Seria o início de um percurso longo, com muitos obstáculos e solavancos até chegar ao “25 de Abril de 1974”. O novo Secretário-Geral foi José de Sousa.

Os anos seguintes foram muito conturbados para o PCP. Entretanto (1928), um novo político se afirmava no governo da Ditadura Militar, António de Oliveira Salazar, como Ministro das Finanças, a convite do Presidente da República, general Óscar Carmona. Os comunistas portugueses fazem-se representar em Moscovo, no IV Congresso da Internacional Sindical Vermelha (ISV). O novo Secretário-Geral do PCP é Augusto Machado.

No ano do crash da Bolsa em Wall Street (1929), Bento Gonçalves torna-se o Secretário-Geral do PCP. É nesse tempo que, por influência comunista, são criados diversos grupos contra a Ditadura, nomeadamente, a Organização Revolucionária da Armada (ORA), o Socorro Vermelho (SV), a Liga dos Amigos da URSS, a Liga Contra a Guerra e o Fascismo e se publica “O Proletário”, um quinzenário clandestino. No ano seguinte, Bento Gonçalves é deportado para os Açores, e, anos depois, enviado para o campo de concentração “O Tarrafal”, em Cabo Verde, onde viria a morrer no dia 11 de setembro de 1942. Ainda no ano de 1930, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Álvaro Cunhal, que no ano seguinte entraria no partido através da Federação das Juventudes Comunistas (FJC). Viria a ser, como se sabe, entre 1961 e 1992, o carismático Secretário-Geral do PCP. Também no ano de 1931, surge a Organização Revolucionária do Exército (ORE), registam-se várias greves operárias e, em Espanha, funda-se a II República, o que representou uma importante ajuda para o reviralho português.

Ficha de recluso de Álvaro Cunhal_Peniche_in Vis

Ficha de Álvaro Cunhal como recluso de Peniche (in “Visão História”, n.º 63, fevereiro 2021, p. 25)

Em 1932, Álvaro Cunhal é dirigente da Associação Académica de Lisboa, ao mesmo tempo que Salazar se torna presidente do Conselho de Ministros, cargo que ocupará quase até à morte. Já em pleno “Estado Novo” (1935), Cunhal é eleito para o Secretariado da FJC. Em 1936, à semelhança do que aconteceu em Espanha e em França, o PCP lançou a “Frente Popular Portuguesa” de cujo Comité Central, Cunhal fez parte. Neste mesmo ano, Cunhal participa no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista, em Moscovo, quando começa a Guerra Civil Espanhola. Em solidariedade com o Governo da Frente Popular Espanhola, a ORA desencadeou a Revolta dos Marinheiros dos navios “Dão”, “Bartolomeu Dias” e “Afonso de Albuquerque”, que supostamente se deviam juntar às forças republicanas espanholas. Não conseguiram deixar o Tejo, os revoltados foram presos e enviados para o Tarrafal, em cabo Verde, outros (uma dezena) foram mortos durante os confrontos.

No dia 4 de julho de 1937, os anarcossindicalistas perpetraram, sem sucesso, um atentado à bomba contra Salazar, nas Avenidas Novas (Lisboa), mas a polícia política na tentativa de deslindar o caso, acusou injustamente os comunistas, prendendo e torturando alguns. Cunhal esteve preso no Aljube e foi torturado. São dele estas palavras (transcritas por José Pacheco Pereira, no vol. 3, de “Álvaro Cunhal / Uma biografia política”, páginas 28 e 29): «meteram-me no meio de uma roda de agentes espancaram-me a murro, pontapé, cavalo-marinho, (…) descalçaram-me os sapatos e meias e deram-me pancadas nas plantas dos pés».

As décadas seguintes (1940-1950) são vividas na mais completa clandestinidade, com os comunistas mais destacados a usarem identidades falsas para escaparem à vigilância da PIDE, mas sempre fazendo os seus Congressos, em locais e casas diferentes, e editando e distribuindo, mão a mão, o seu “Avante”. Ainda assim, muitos acabavam presos até à morte como aconteceu com o Secretário-Geral Bento Gonçalves. No dia 25 de março de 1949, Álvaro Cunhal volta a ser preso, desta vez juntamente com Militão Ribeiro (este haveria de morrer no Estabelecimento Prisional de Lisboa) e Sofia Ferreira. Cunhal ficaria preso em Lisboa, tendo sido transferido depois para Peniche, donde conseguiu evadir-se no dia 3 de janeiro de 1960. No ano seguinte é eleito Secretário-Geral do PCP, tornando-se o homem que mais tempo desempenhou o cargo até hoje (31 anos). Até ao “25 de Abril” viveu no exílio. Depois, foi uma destacada figura política do Portugal pós-Revolução dos Cravos, tendo feito parte integrante dos primeiros IV governos provisórios (1974 e 1975), como Ministro Sem Pasta, e sido eleito deputado à Assembleia da República, de 1975 a 1992.

Ficou bem conhecido dos portugueses, nos comícios, nas entrevistas e nos debates televisivos, pelo seu estilo direto e coerente com as convicções políticas de que não se desviava nunca. Depois dele, serviram o PCP como seus Secretários-Gerais, Carlos Carvalhas (de 1992 a 2004) e Jerónimo de Sousa (desde 2004).

publicado por viajandonotempo às 07:42

Fevereiro 27 2021

ENVOLVIMENTO POLÍTICO DA G.N.R.

O envolvimento político da Guarda Nacional Republicana é por demais evidente durante praticamente toda a Primeira República. Sete dias depois do triunfo da Revolução Republicana em Lisboa, logo foi decretada, pelo Governo Provisório, a criação temporária da Guarda Republicana de Lisboa e do Porto, para substituir a monárquica Guarda Municipal, que tinha sido a principal responsável pela derrota, no Porto e em Lisboa, das tentativas revolucionárias republicanas de 31 de janeiro de 1891 e 28 de janeiro de 1908, respetivamente. A 3 de maio de 1911 seria formalmente criada a Guarda Nacional Republicana, autêntica “guarda pretoriana” do regime que cresceu em importância política até 1921. Em fevereiro desse ano, há um século, o Presidente do Conselho de Ministros era também Chefe de Estado-Maior da GNR e acumulava outros ministérios.

1 Liberato Pinto_Chefe de Estado Maior GNR.png

A Guarda Nacional Republicana (GNR) esteve para a República como a Guarda Municipal esteve para a Monarquia (período final), isto é, para além das funções de vigilância pela segurança pública, guardando povoações, meios de comunicação e tudo aquilo que pudesse dalgum modo pôr em causa a segurança dos cidadãos e dos seus bens, estas forças policiais tiveram também funções de segurança política, como autênticas guardiãs do regime político vigente.

Não é de estranhar, por isso, que as tentativas revolucionárias republicanas, primeiro no Porto (31 de janeiro de 1891), 17 anos depois em Lisboa (28 de janeiro de 1908), fossem debeladas pela resistência determinada da Guarda Municipal do Porto e de Lisboa, respetivamente. Participou neste último golpe falhado, em Lisboa, o general Encarnação Ribeiro, que viria a ser o 1.º comandante nacional da GNR logo que ela foi criada. Curiosamente, os quartéis maiores de Lisboa e do Porto da Guarda Municipal estavam instalados nos Conventos do Carmo de ambas as cidades, depois de terem sido nacionalizados por força da legislação de 1834, de Joaquim António de Aguiar que extinguiu as Ordens Religiosas. Também aí seria instalada, depois, a GNR que ainda hoje têm aí os seus principais quartéis. Outra curiosidade é que os heróis das duas grandes revoluções portuguesas do século XX, a Republicana (5-10-1910) e a Democrática do 25 de Abril (25-4-1974) conseguiram, justamente no Quartel do Carmo de Lisboa, o triunfo desses movimentos revolucionários. Efetivamente, durante a Revolução Republicana, a última resistência monárquica refugiou-se no Quartel do Carmo, e foi aí que o Comissário Naval que já havia brilhado na Rotunda, Machado Santos, conseguiu a rendição monárquica, que se manifestou no triunfante hastear da bandeira republicana na varanda do quartel. Quase 64 anos mais tarde, outro herói revolucionário, Salgueiro Maia, conseguiu também aí, frente ao Quartel do Carmo, depor o último Governo do Estado Novo, presidido por Marcelo Caetano.

Criada então a GNR, ela tornar-se-ia na primeira força de segurança verdadeiramente nacional, ocupando todo o país, do litoral ao interior e de norte a sul. Até 1921 desempenhou, em termos políticos, um papel particularmente relevante chegando o Quartel do Carmo de Lisboa a servir, várias vezes, de “porto de abrigo” a alguns Presidentes da República, Chefes e Membros de Governo republicanos.

Durante o período da Primeira República houve inúmeros episódios que puseram em causa a Ordem Pública, como foi o caso das incursões monárquicas de 1911 e de 1912 comandadas por Paiva Couceira, ou o episódio do derrube de Pimenta de Castro, em 14 de maio de 1915 e ainda o assassinato de Sidónio Pais por José Júlio da Costa, em 14 de dezembro de 1918.

No período sidonista, a GNR perdeu alguma importância política. Mas no ano de 1919, aquando da Monarquia do Norte, no Porto, entre 19 de janeiro e 13 de fevereiro de 1919, a GNR voltou a ter destaque no combate pela República, como o fez, também, com os mesmos objetivos políticos nos combates de Monsanto, a 24 de janeiro do mesmo ano.

Isto fez com que a GNR ganhasse ainda mais prestígio e confiança junto dos republicanos, o que levou os seus governantes a aumentarem as atribuições desta força de segurança, a partir de 1919. A GNR estava assim em progressiva ascensão até que em 30 de novembro de 1920, o seu Chefe de Estado-Maior, Liberato Pinto, se torna também Presidente do Conselho de Ministros. É o Chefe do 24.º governo republicano (10.º governo pós-sidonista).

Foi o Presidente da República, António José de Almeida, quem aconselhou Liberato Pinto a formar um governo de concentração republicana. A verdade é que este Governo teria a participação de políticos de vários quadrantes ideológicos, até católicos. Tomou posse a 30 de novembro de 1920 e esteve em exercício até 2 de março de 1921, embora tenha pedido a demissão a 11 de fevereiro de 1921.

Liberato Damião Ribeiro Pinto, que era do Partido Democrático de Afonso Costa (em que se filiou em 1915), esteve 92 dias no poder (pouco mais de 3 meses), como Chefe de Governo, que acumulou com a pasta do Ministério do Interior, e, a partir de 4 de fevereiro de 1921, foi também Ministro Interino da Marinha e, depois de 22 de fevereiro, acumulou, também interinamente, o Ministério das Finanças.

O seu governo teve de continuar a enfrentar uma situação de grande conflitualidade político-sindical, bem típica desta fase da Primeira República. Ficou famosa, entre outras, a greve dos ferroviários. Era então comandante do Quartel dos Sapadores dos Caminhos de Ferro, o General Raul Augusto Esteves que se destacou no combate a alguns movimentos revolucionários, tendo sofrido vários atentados, um dos quais no dia 5 de janeiro de 1921, quando foi alvejado com tiros de pistola.

Neste contexto de agitação e violência não surpreende que se sentisse a necessidade de autoridade e ordem, o mesmo é dizer, de regime autoritário que não demoraria muito a instalar-se em Portugal.

O governo chefiado por Liberato Pinto pede a sua demissão no dia 11 de fevereiro de 1921, seguindo-se uma crise ministerial que só termina em 2 de março, com a constituição e posse de um novo governo. O governo de Liberato Pinto evidenciou um aumento da militarização, para combater os problemas sociais com que se deparou, lembrando métodos ditatoriais. Afastado do poder, houve descontentamento na GNR que se envolveu em várias intentonas, uma das quais a famosa “Noite Sangrenta”, que aterrorizou Lisboa, no dia 19 de outubro de 1921, com o assassinato de vários políticos entre os quais o Chefe do Governo, António Granjo e o Herói da República, Machado Santos. Todos estes factos levaram a que tenha caído em descrédito e sido afastado também da chefia do Estado-Maior da GNR vindo mesmo a ser condenado a um ano de detenção, acusado de desvios de fundos da sua Corporação.

Com a Ditadura Militar, Liberato Pinto afastar-se-ia da vida política e seria impedido de exercer a atividade docente em escolas oficiais, onde tinha sido docente, como por exemplo, nos “Pupilos do Exército”.

publicado por viajandonotempo às 13:20
Tags:

Abril 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29


ÍNDICE DESTE BLOG:
arquivos

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Tags

todas as tags

pesquisar
 
mais sobre mim
contador
subscrever feeds
blogs SAPO