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Julho 30 2019

A Festa da Paz

Desfile do 14 de julho de 1918 das tropas portugue

Assinado o Tratado de Versalhes no fim de Junho de 1919, a vitória dos Aliados, ou a “Festa da Paz” (como lhe chamaram os republicanos portugueses) foi celebrada, quinze dias depois, já no mês de Julho de 1919, há cem anos, de forma bastante entusiástica um pouco por todo o mundo, mas sobretudo por parte dos países vencedores, como foi o caso de Portugal.

O Corpo Expedicionário Português, que combateu em França, entre Fevereiro de 1917 e Novembro de 1918, revelou uma inovadora preocupação de documentar, para memória futura a sua participação ao lado dos Aliados Ocidentais, Inglaterra e França. Por isso, seguiram para a Flandres, integrados no Corpo Expedicionário Português (CEP) um pintor, o nosso conhecido Adriano Sousa Lopes (natural de Leiria e de quem já falámos aqui), e um fotógrafo – Arnaldo Garcês, que fizeram bem o seu trabalho.

O dia 14 de Julho de 1919 foi particularmente importante, porque foi nesse dia que se fez o “Desfile da Vitória”, em Paris e a “Festa da Paz” em Lisboa.

Como se sabe, o dia 14 de Julho assume para os franceses um carácter particularmente simbólico, é o seu Feriado Nacional mais importante, evocando-se, em cada ano a Tomada da Bastilha, no dia 14 de Julho de 1789, como o “sim” do povo francês aos acontecimentos revolucionários que então estavam a acontecer em Versalhes. Nesse “Desfile da Vitória”, em Paris, no dia 14 de Julho de 1919, junto ao Arco do Triunfo, desfilaram 400 combatentes portugueses, do Corpo Expedicionário Português, integrado nas forças aliadas do marechal Foch, sob o comando do Major de Infantaria Ribeiro de Carvalho, tendo como Porta-bandeira o Tenente de Infantaria Perestrello D’Alarcão e Silva, do Regimento de Infantaria n.º 22.

Também Lisboa, no mesmo dia 14 de Julho de 1919, que os governantes republicanos transformaram propositadamente em feriado nacional, para celebrar a Assinatura da Paz, organizou uma pomposa Parada Militar em que participaram soldados portugueses e americanos. Da “Ilustração Portuguesa” de 21 de Julho de 1919, transcrevemos o apontamento de reportagem que se segue.

«Tambem em Lisboa se comemorou festivamente o dia 14 de Julho, a gloriosa data da França republicana, que fica d’ora em deante perpetuando a celebração da mais imponente cerimonia de toda a historia contemporanea – a assinatura do tratado de paz entre os paizes aliados e associados e a Alemanha.

Todavia, aqui, as festas da Paz, que foram levadas a efeito com a maxima solenidade e entusiasmo, tiveram um outro assinalado motivo, que constituiu ainda uma larga manifestação de merecido orgulho nacional.

Prestou-se homenagem aos nossos heroes da grande guerra, outros lidimos precursores da libertação do jugo teutonico, que ameaçava estender-se a todo o órbe.

D’entre as diversões comemorativas, a que revestiu maior brilhantismo, foi a parada militar, que o sr. presidente da Republica passou em revista, e em que, além dos contingentes das guardas republicana e fiscal, da armada e dos outros corpos da guarnição de Lisboa, tomaram parte deputações das unidades do C. E. P. e alguns mutilados. A uns e outros, foram particularmente dispensadas entusiasticas ovações, de que participaram os marinheiros americanos que, incorporados no cortejo militar, prestaram o seu concurso á consagração do ultimo feito das nossas armas.»

A Festa da Paz e da Liberdade no Porto

Com fim da 1.ª Guerra Mundial, após a assinatura do Tratado de Versalhes no fim de Junho de 1919, entre os Aliados e a Alemanha, a Paz foi vibrantemente festejada um pouco por toda a Europa e também em Portugal inteiro, que fez um grande esforço humano e financeiro com a entrada neste conflito, combatendo em África e na Europa. No último artigo recordei aqui a Festa da Paz em Lisboa, no dia 14 de Julho, hoje lembro a Festa da Paz e da Liberdade, na cidade do Porto, no mesmo dia, que o Governo tornou, propositadamente, Feriado Nacional.

Transcrevo da “Ilustração Portuguesa”, de 4 de Agosto de 1919, a reportagem que aí se faz sob o título “As festas da Paz e da liberdade no Porto”. Dá para perceber que o principais espaços cívicos da cidade eram, então, o Palácio de Cristal e o Jardim da Cordoaria, frente ao Hospital de Santo António, pois ainda não havia a Avenida dos Aliados.

«Decorreram brilhantes e tiveram um cunho acentuadamente popular as festas que no Porto se realisaram no dia 14 de Julho, em comemoração da assinatura da paz. Festas da Paz e da Liberdade se denominaram elas e foram promovidas e organisadas pela junta Patriotica do Norte, a benemerita instituição que, depois da entrada de Portugal na guerra tão relevantes serviços prestou ao paiz, fazendo primeiro uma persistente campanha a favor da nossa intervenção, organisando depois o socorro ás famílias dos militares que partiram, proporcionando a estes toda a especie de comodidades e facilitando-lhes o envio de encomendas e de correspondencia, e estabelecendo, por fim, essa util e patriotica instituição que é a Casa do Soldado. Era justo, pois, que a Junta, que conta admiraveis colaboradores, e a que preside um professor distinto, o sr. dr. Alberto d' Aguiar, fosse encarregada de organisar a festa da paz. E a verdade é que se desempenhou d'essa missão com acerto e inteligencia. N'esta glacial frieza dos tempos correntes, ela conseguiu, com a elaboração d'um programa sobremaneira interessante, incutir um pouco de entusiasmo na alma popular, e todos os numeros d'esse programa tiveram, por isso, uma realisação brilhante.

O exercício na Casa-Escola dos Bombeiros Municipaes, á rua Gonçalo Cristovão, foi magnifico e agradou extraordinariamente.

O cortejo da Paz e da Liberdade teve um exito inesrerado, e reuniu milhares de pessoas, que no final assistiram, no Palacio de Cristal, á saudação á Paz e aos expedicionarios, onde discursou, o sr. ministro do trabalho que veiu tomar parte nas festas, como representante do governo. A festa infantil, realisada tambem no Palacio, foi um numero encantador, reunindo cerca de 4.000 creanças das nossas escolas primarias. A conferencia patriotica do ilustre poeta-soldado, sr. Augusto Casimiro, no Teatro Gil Vicente, foi brilhantíssima e teve uma assistencia distinta e numerosa. Por fim, a festa noturna no Jardim da Cordoaria, com iluminação eletrica e á moda do Minho e descantes populares, fez lembrar as mais ruidosas noites de S. João, nos tempos em que os bons tripeiros sabiam gosar e divertir-se. A Junta Patriotica do Norte merece os maiores elogios pela sua admiravel iniciativa, que nos faz entrever, pe1o menos, a possibi1idade de haver um dia Paz e Liberdade na terra portugueza».

A mesma edição da “Ilustração Portuguesa” dá notícia de outras Festas da Paz, nomeadamente da que ocorreu no Peso da Régua e que há-de ter sido semelhante, no formato e programa, a outras do mesmo género que se repetiram noutros concelhos e que consistiu num jantar de homenagem, preparado pelas senhoras da vila, aos nossos soldados, seguido de discursos inflamados de patriotismo dos republicanos locais.

A celebração da Paz em Bruxelas, Londres e Évora

Em 1919, em finais de Julho, um mês após a assinatura do Tratado de Versalhes, ainda se continuava a celebrar a Paz, com a representação dos militares portugueses, para que ninguém esquecesse que também se bateram nesta guerra. Assim aconteceu em Bruxelas e em Londres.

Em Bruxelas, foi no dia 22 de Julho de 1919, que, no Cortejo das Forças Aliadas desfilou também um contingente do Corpo Expedicionário Português, sob o comando do Major de Infantaria André Brun, tendo como Porta-bandeira o Tenente de Infantaria Perestrello D’Alarcão e Silva. A este evento histórico de particular relevância, assistiram na Tribuna de Honra, entre outras entidades, o Rei Alberto da Bélgica e o Rei D. Manuel II (que estava no exílio em Inglaterra, desde que em Portugal se proclamara a República).

Em Londres, capital do império britânico, velho aliado de Portugal, organizou-se, no dia 29 de Julho de 1919, uma imponente “Parada da Vitória” onde viu desfilar os seus militares, bem como outros representando as nações aliadas, como era o caso de Portugal. Os soldados que representavam o Corpo Expedicionário Português passaram frente à Tribuna de Honra, onde se encontrava o rei inglês, Jorge V, e também D. Manuel II (que, apesar de estar exilado, durante a Guerra, desempenhou relevante papel no auxílio aos soldados portugueses) tal como sua mãe, a Rainha D. Amélia.

Por cá, recordemos a celebração da Paz, no dia 14 de Julho, na cidade de Évora, transcrevendo alguns excertos da reportagem que foi publicada no “Leiria Ilustrada” de 11 de Agosto de 1919.

«Dia de sol ardente e luminoso, como se uma enorme fogueira lançasse do alto, sobre a Terra, chamas devoradoras, ele foi iniciado por alvorada e uma salva de morteiros, seguindo-se-lhe, pouco depois, a distribuição d'um bodo a 800 pobres, na sua mór parte pessoas de família dos que lá fora, nos campos da Flandres afirmaram a heroicidade da raça no tragico combate de 9 de abril.

Às 14 horas, no teatro Garcia de Rezende (…) uma sessão solene se efetuou, glorificando os humildes e ignorados herois da Grande Guerra que tão alto levantaram o nome de Portugal.

Discursaram, além do presidente, sr. dr. Domingos Rosado, os srs.: dr. José Nunes do Nascimento, senador; dr. João Camarate de Campos, deputado; Santos Marcel, quintanista de direito; Alberto Jordão, deputado; drs. Jorge Capinha e Felicio Caeiro, medicos que tomaram parte na campanha d'Africa, e o coronel Anibal Sanches de Miranda, comandante do regimento de artilharia 1 e representante do comandante da Divisão.

Houve em seguida a plantação da oliveira da Paz no Passeio Publico, com a assistencia de todo o elemento oficial, civil e militar e, á tarde, no Rocio de S. Braz, uma parada em que tomaram parte contingentes de artilharia 1, infantaria 11 e cavalaria 5. Á noite, concerto na Praça do Geraldo pela banda do 20, seguindo-se-lhe fogo de artificio e arraial no Rocio, abrilhantados pela filarmonica dos Amadores. A tudo isto se associou comovidamente toda a população da cidade e dos arredores, juntando-se milhares de pessoas em todas as manifestações realisadas, nas quais se afirmaram, calorosamente, os sentimentos de afectividade e patriotismo do povo alemtejano».

publicado por viajandonotempo às 21:35

Junho 28 2019

FOI ASSINADA HÁ UM SÉCULO A PAZ QUE PÔS FIM À 1.ª GRANDE GUERRA

Em 1919, Portugal, na qualidade de um dos países intervenientes na Grande Guerra (1914 a 1918), quer em território africano, quer em território europeu, esteve presente nas várias sessões onde se negociou a paz com a Alemanha. A primeira delegação portuguesa nas Conferências para a Paz foi chefiada pelo Prof. Egas Moniz, sendo substituído, algum tempo depois, pelo Dr. Afonso Costa, que foi quem assinou o texto final, no dia 28 de junho de 1919, há precisamente cem anos, em nome do governo português.foto_Assintura T Versalhes_Il. PT. 7-7-1919.png

Assinatura do Tratado de Versalhes (28-6-1919), vendo-se do lado direito da foto, assinalado com o n.º 1, Afonso Costa (in Ilustração portuguesa, de 7-7-1919)

 Pode considerar-se que só a assinatura do Tratado de Versalhes, há cem anos (no dia 28 de junho de 1919) pelas potências europeias (Alemanha e Aliados) é que levou, efetivamente, ao fim da primeira Guerra Mundial, que se iniciara 5 anos antes.

Além das principais potências Aliadas, França, o Império Britânico, os Estados Unidos, o Japão, a Itália e Portugal, assinaram também este Tratado os seguintes países associados: Bélgica, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Equador, Grécia, Guatemala, Haiti, Hedjaz (hoje na Arábia Saudita), Honduras, Libéria, Nicarágua, Panamá, Perú, Polónia, Roménia, o estado Servo-croata-slovénio, Sião, o estado Tcheco-slovaco e Urugay, por um lado, e a Alemanha por outro.

Os nomes mais importantes dos que representaram Portugal nesta Conferência de Paz, foram os seguintes: Egas Moniz, que presidiu à primeira delegação portuguesa, mais tarde substituído por Afonso Costa; Freire de Andrade, Santos Viegas, Batalha Reis e Botelho de Sousa, passaram da primeira para a segunda delegação, trabalhando também com Afonso Costa, Augusto Soares, Norton de Matos, João Chagas e Teixeira Gomes.

Este Tratado é constituído por quatrocentos e quarenta artigos pelo que se revela bastante complexo e configura ser, até àquele momento, um dos maiores Tratados da História.

Os dez pontos mais importantes deste Tratado, são os seguintes: Estabelecimento de uma nova ordem internacional, assente na importância atribuída ao Estado-nação, que decorre do desmembramento dos grande impérios com território na Europa (Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Turco-Otomano), onde passam a triunfar repúblicas democráticas e fundação da Sociedade das Nações que procura assegurar a Paz entre as Nações; Atribuição da responsabilidade desta Guerra à Alemanha, forçando-a a assumir os custos de compensação pela destruição de vidas e bens que ocorreram por causa deste conflito; Criação da Polónia, como Estado independente, muito à custa de territórios da Prússia Oriental e com fronteiras defensáveis e acesso ao mar; Devolução à França, de imediato, do território ganho pela Alemanha, na guerra Franco-Prussiana de 1870-1871; Transferência para a França das minas de carvão do Sarre, território que passaria a ser tutelado pela Sociedade das Nações (SDN) durante os quinze anos seguintes, findos os quais o seu futuro seria decidido por um plebiscito (sabe-se hoje que o povo determinaria a sua reintegração na Alemanha); Exigência de restrições rigorosas às forças armadas da Alemanha, com o intuito de evitar nova guerra; Perda de todas as colónias alemãs que passaram a ser tuteladas por várias nações aliadas (Reino Unido, França, Bélgica e Japão) que ficaram responsáveis perante a Sociedade das Nações; Responsabilização das entidades militares alemãs por todas as atrocidades cometidas em 1914 na Bélgica e em França; Fundação de mecanismos legais para a resolução de conflitos provocados pela transferência forçada, durante a guerra, de bens móveis e imóveis; Finalmente, foram impostas restrições aduaneiras à Alemanha, com o objetivo de financiar o pagamento das indemnizações devidas aos Aliados.

A apresentação do Tratado de Versalhes ao Parlamento Português

Este Tratado de Paz chegou ao Parlamento Português, no dia 30 de janeiro de 1920, pelas mãos de João Carlos de Melo Barreto, Ministro dos Negócios Estrangeiros do 24.º Governo da República, que era presidido por Domingos Leite Pereira.

O ministro, para facilitar o trabalho dos deputados portugueses, apresentou uma síntese dos pontos que diretamente interessavam ao nosso país e de que aqui reproduzimos alguns excertos:

«Pelo artigo 1.º do tratado, Portugal é considerado como Membro originário da Sociedade das Nações, criada, segundo o pensamento de Wilson, para proporcionar a todos os Estados, grandes e pequenos, igualmente, garantias mútuas de independência política e de integridade territorial e, pelo artigo 3.º, tem o direito de nomear três representantes para a Assembleia, tendo, como as outras nações, apenas direito a um voto.

A acção da Sociedade das Nações exerce-se por intermédio duma Assembleia e dum Conselho, assistidos de um Secretariado permanente. Pelo artigo 4.º, até nova decisão dessa Assembleia, só fazem parte do Conselho da Sociedade, além das principais potências aliadas e associadas, a Bélgica, o Brasil, a Espanha e a Grécia. – e contra esta constituição formulou a Delegação Portuguesa as devidas reservas, de natureza puramente jurídica, Mas, sempre que no Conselho se tratar de qualquer questão que interesse Portugal, temos o direito de nos fazer representar. (…).

Um dos artigos fundamentais do Tratado, o artigo 231.º, firma o princípio das reparações, que, essencialmente nos interessa. A Alemanha e os seus aliados reconhecem-se responsáveis por todas as perdas e prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus nacionais, em consequência da guerra que a esses governos foi imposta. Afirmado e reconhecido este direito estrito das nações da Entende, logo estas quiseram limitar as reparações tornando-as proporcionais aos presumidos recursos financeiros do inimigo. (…). Examinando este texto, vemos que as reparações a efectivar por parte da Alemanha, em benefício de Portugal, podem ser divididas em duas categorias principais: as que interessam directamente o Estado e vão representar um alívio nos seus orçamentos, ou compensação de prejuízos sofridos, e constam dos n.ºs 4.º, 5.º, 6.º e 7.º (assuntos a atender pelo ministério da Guerra) e o 9.º e 10.º (assuntos que correm por outros ministérios); as que interessam os particulares e constam dos n.ºs 1.º, 2.º, 3.º e 8.º.

As disposições da primeira categoria dizem respeito – a pensões ou compensações da mesma natureza às vítimas militares da guerra, mutilados, feridos, doentes ou inválidos e, em caso de morte, às pessoas de quem estas vítimas eram o amparo; as subvenções fornecidas aos prisioneiros de guerra e suas famílias; as subvenções concedidas às famílias e outras pessoas a cargo dos mobilizados ou pessoas que serviram no exército.

Os preceitos da segunda categoria referem-se: a reparações a conceder aos civis em caso de morte, aos sobreviventes, em consequência de prejuízos por actos de guerra incluindo bombardeamentos, ou outros ataques levados a efeito em terra, no mar ou nos ares ou por quaisquer operações de guerra dos dois grupos de beligerantes, seja onde for – actos de crueldade, violência ou maus tratos; actos prejudiciais à saúde, capacidade de trabalho ou honra; e por obrigação de trabalhar sem justa remuneração. As reparações por danos e prejuízos nas propriedades, exceptuando as obras militares ou navais, atingem o Estado e os particulares. Para fornecer ao representante de Portugal junto da comissão de reparações (…)».

Portugal teve direito a indemnizações de Guerra pagas pela Alemanha, mas pouco dinheiro entrou nos cofres do Estado, e esse pouco nem chegou para pagar as dívidas de guerra contraídas por Portugal junto da nossa Aliada Inglaterra. Manteve, contudo, o seu território colonial em África. Em março de 1926 Afonso Costa tornar-se-ia presidente da sessão extraordinária da SDN, o que mostra o seu enorme prestígio internacional, mas seria demitido, pouco depois, na sequência do triunfo do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926.

publicado por viajandonotempo às 19:43

Abril 30 2019

A Revolução dos Cravos fez 45 anos

25 de abril.png

Na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, há 45 anos, pelas 22h 55m, era dado o sinal para ultimar a saída dos quartéis, através dos estúdios da Rádio Renascença que colocou “no ar” a conhecida canção de Paulo de Carvalho, “E Depois do Adeus”.

A Guerra Colonial que lavrava em algumas das possessões portuguesas em África terá sido a razão mais forte para o desencadear da Revolução. Mas outras houve que também tiveram a sua quota-parte de influência, nomeadamente o facto de Portugal ter a mais velha ditadura da Europa com os seus organismos repressivos e a circunstância do choque do preço do petróleo do ano anterior ter trazido dificuldades acrescidas ao tecido empresarial português. O agravamento da situação militar, o livro de António Spínola (“Portugal e o Futuro”) e as vozes da oposição foram contribuindo, também, para o aumento da contestação da sociedade civil e, sobretudo, dos militares.

A saída das Forças Armadas dos quartéis na madrugada de 25 de Abril de 1974, mais bem sucedida que a intentona das Caldas da Rainha, no mês anterior, concretizou, de facto, a ação revolucionária que pôs fim ao regime de ditadura que vigorava desde 1926.

A ação militar, foi coordenada pelo major Otelo Saraiva de Carvalho, e teve início, como acima se viu, cerca das 23 horas do dia 24 com a transmissão, da canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho. Era a primeira indicação aos envolvidos no processo de que as operações estavam a decorrer com normalidade.

Às 00h 20m já do dia 25 de Abril, era transmitida a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso. Estava dado o sinal de que as unidades militares podiam avançar para a ocupação dos pontos considerados estratégicos para o sucesso do ato revolucionário, como as estações de rádio e da RTP, os aeroportos civis e militares, as principais instituições de direção político-militar, entre outros.

Com o fim da resistência do Regimento de Cavalaria 7, a única força que saiu em defesa do regime em confronto com o destacamento da Escola Prática de Cavalaria de Santarém comandado pelo capitão Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço, e com a rendição pacífica de Marcello Caetano, que dignamente entregou o poder ao general António Spínola, terminava, ao fim da tarde desse mesmo dia, o cerco ao quartel da GNR, no Carmo, e concluía-se, com êxito, a operação “Fim do Regime”.

Entretanto, já o Movimento Militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e da ditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social que se estendeu espontaneamente a todo o país, assumindo, assim, as características de uma autêntica revolução nacional que, pela sua índole pacífica, ficaria conhecida como a “Revolução dos Cravos”.

O 25 de Abril de 1974 instaurou o atual regime democrático. O país passou a ser governado por uma Junta de Salvação Nacional que tomou as medidas que haveriam de extinguir, de imediato, o Estado Novo: foram destituídos os órgãos de poder (Governo, Presidente da República, Assembleia Nacional e Conselho de Estado), destruídas as estruturas repressivas (PIDE/DGS); extinta a Censura, a Legião e Mocidade portuguesas, libertados os presos políticos e assumiu-se o compromisso de criar condições para realizar eleições livres e democráticas, no prazo máximo de um ano. A Guerra Colonial chegou ao fim e criaram-se as condições necessárias e possíveis, naquela conjuntura bastante complexa, para negociar a independência das várias colónias portuguesas

publicado por viajandonotempo às 20:15

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