VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Fevereiro 27 2021

ENVOLVIMENTO POLÍTICO DA G.N.R.

O envolvimento político da Guarda Nacional Republicana é por demais evidente durante praticamente toda a Primeira República. Sete dias depois do triunfo da Revolução Republicana em Lisboa, logo foi decretada, pelo Governo Provisório, a criação temporária da Guarda Republicana de Lisboa e do Porto, para substituir a monárquica Guarda Municipal, que tinha sido a principal responsável pela derrota, no Porto e em Lisboa, das tentativas revolucionárias republicanas de 31 de janeiro de 1891 e 28 de janeiro de 1908, respetivamente. A 3 de maio de 1911 seria formalmente criada a Guarda Nacional Republicana, autêntica “guarda pretoriana” do regime que cresceu em importância política até 1921. Em fevereiro desse ano, há um século, o Presidente do Conselho de Ministros era também Chefe de Estado-Maior da GNR e acumulava outros ministérios.

1 Liberato Pinto_Chefe de Estado Maior GNR.png

A Guarda Nacional Republicana (GNR) esteve para a República como a Guarda Municipal esteve para a Monarquia (período final), isto é, para além das funções de vigilância pela segurança pública, guardando povoações, meios de comunicação e tudo aquilo que pudesse dalgum modo pôr em causa a segurança dos cidadãos e dos seus bens, estas forças policiais tiveram também funções de segurança política, como autênticas guardiãs do regime político vigente.

Não é de estranhar, por isso, que as tentativas revolucionárias republicanas, primeiro no Porto (31 de janeiro de 1891), 17 anos depois em Lisboa (28 de janeiro de 1908), fossem debeladas pela resistência determinada da Guarda Municipal do Porto e de Lisboa, respetivamente. Participou neste último golpe falhado, em Lisboa, o general Encarnação Ribeiro, que viria a ser o 1.º comandante nacional da GNR logo que ela foi criada. Curiosamente, os quartéis maiores de Lisboa e do Porto da Guarda Municipal estavam instalados nos Conventos do Carmo de ambas as cidades, depois de terem sido nacionalizados por força da legislação de 1834, de Joaquim António de Aguiar que extinguiu as Ordens Religiosas. Também aí seria instalada, depois, a GNR que ainda hoje têm aí os seus principais quartéis. Outra curiosidade é que os heróis das duas grandes revoluções portuguesas do século XX, a Republicana (5-10-1910) e a Democrática do 25 de Abril (25-4-1974) conseguiram, justamente no Quartel do Carmo de Lisboa, o triunfo desses movimentos revolucionários. Efetivamente, durante a Revolução Republicana, a última resistência monárquica refugiou-se no Quartel do Carmo, e foi aí que o Comissário Naval que já havia brilhado na Rotunda, Machado Santos, conseguiu a rendição monárquica, que se manifestou no triunfante hastear da bandeira republicana na varanda do quartel. Quase 64 anos mais tarde, outro herói revolucionário, Salgueiro Maia, conseguiu também aí, frente ao Quartel do Carmo, depor o último Governo do Estado Novo, presidido por Marcelo Caetano.

Criada então a GNR, ela tornar-se-ia na primeira força de segurança verdadeiramente nacional, ocupando todo o país, do litoral ao interior e de norte a sul. Até 1921 desempenhou, em termos políticos, um papel particularmente relevante chegando o Quartel do Carmo de Lisboa a servir, várias vezes, de “porto de abrigo” a alguns Presidentes da República, Chefes e Membros de Governo republicanos.

Durante o período da Primeira República houve inúmeros episódios que puseram em causa a Ordem Pública, como foi o caso das incursões monárquicas de 1911 e de 1912 comandadas por Paiva Couceira, ou o episódio do derrube de Pimenta de Castro, em 14 de maio de 1915 e ainda o assassinato de Sidónio Pais por José Júlio da Costa, em 14 de dezembro de 1918.

No período sidonista, a GNR perdeu alguma importância política. Mas no ano de 1919, aquando da Monarquia do Norte, no Porto, entre 19 de janeiro e 13 de fevereiro de 1919, a GNR voltou a ter destaque no combate pela República, como o fez, também, com os mesmos objetivos políticos nos combates de Monsanto, a 24 de janeiro do mesmo ano.

Isto fez com que a GNR ganhasse ainda mais prestígio e confiança junto dos republicanos, o que levou os seus governantes a aumentarem as atribuições desta força de segurança, a partir de 1919. A GNR estava assim em progressiva ascensão até que em 30 de novembro de 1920, o seu Chefe de Estado-Maior, Liberato Pinto, se torna também Presidente do Conselho de Ministros. É o Chefe do 24.º governo republicano (10.º governo pós-sidonista).

Foi o Presidente da República, António José de Almeida, quem aconselhou Liberato Pinto a formar um governo de concentração republicana. A verdade é que este Governo teria a participação de políticos de vários quadrantes ideológicos, até católicos. Tomou posse a 30 de novembro de 1920 e esteve em exercício até 2 de março de 1921, embora tenha pedido a demissão a 11 de fevereiro de 1921.

Liberato Damião Ribeiro Pinto, que era do Partido Democrático de Afonso Costa (em que se filiou em 1915), esteve 92 dias no poder (pouco mais de 3 meses), como Chefe de Governo, que acumulou com a pasta do Ministério do Interior, e, a partir de 4 de fevereiro de 1921, foi também Ministro Interino da Marinha e, depois de 22 de fevereiro, acumulou, também interinamente, o Ministério das Finanças.

O seu governo teve de continuar a enfrentar uma situação de grande conflitualidade político-sindical, bem típica desta fase da Primeira República. Ficou famosa, entre outras, a greve dos ferroviários. Era então comandante do Quartel dos Sapadores dos Caminhos de Ferro, o General Raul Augusto Esteves que se destacou no combate a alguns movimentos revolucionários, tendo sofrido vários atentados, um dos quais no dia 5 de janeiro de 1921, quando foi alvejado com tiros de pistola.

Neste contexto de agitação e violência não surpreende que se sentisse a necessidade de autoridade e ordem, o mesmo é dizer, de regime autoritário que não demoraria muito a instalar-se em Portugal.

O governo chefiado por Liberato Pinto pede a sua demissão no dia 11 de fevereiro de 1921, seguindo-se uma crise ministerial que só termina em 2 de março, com a constituição e posse de um novo governo. O governo de Liberato Pinto evidenciou um aumento da militarização, para combater os problemas sociais com que se deparou, lembrando métodos ditatoriais. Afastado do poder, houve descontentamento na GNR que se envolveu em várias intentonas, uma das quais a famosa “Noite Sangrenta”, que aterrorizou Lisboa, no dia 19 de outubro de 1921, com o assassinato de vários políticos entre os quais o Chefe do Governo, António Granjo e o Herói da República, Machado Santos. Todos estes factos levaram a que tenha caído em descrédito e sido afastado também da chefia do Estado-Maior da GNR vindo mesmo a ser condenado a um ano de detenção, acusado de desvios de fundos da sua Corporação.

Com a Ditadura Militar, Liberato Pinto afastar-se-ia da vida política e seria impedido de exercer a atividade docente em escolas oficiais, onde tinha sido docente, como por exemplo, nos “Pupilos do Exército”.

publicado por viajandonotempo às 13:20
Tags:

Janeiro 30 2021

António Guterres é Secretário Geral da ONU desde 1 de janeiro de 2017

ONU pede unidade e solidariedade para 2021

Eleito por unanimidade para Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres é o 9.º homem a exercer o cargo e o 1.º português a desempenhar um cargo tão importante como aquele a nível internacional. Prestou o seu juramento perante a Assembleia Geral da ONU em 12 de dezembro de 2016 e iniciou funções no 1.º dia do ano 2017.

Recorde-se que a ONU foi fundada no final da 2.ª Guerra Mundial. Esgotada, pela ocorrência desta Guerra, a SDN, a ideia de uma nova ordem internacional capaz de garantir a paz começou a ser pensada em 1941, pelos EUA e Grã-Bretanha com a subscrição da Carta do Atlântico; no ano seguinte, por um maior número de países, era assinada a “Declaração das Nações Unidas” e a 26 de junho de 1945, 51 estados assinaram a Carta das Nações Unidas que instituiu a ONU (Organização das Nações Unidas) cujos principais objetivos foram e continuam a ser a manutenção da paz, a defesa dos direitos do Homem, a igualdade de direitos de todos os povos e o aumento do nível de vida em todo o mundo.

Portugal, que viu rejeitada inicialmente a sua adesão às Nações Unidas, tornou-se seu membro apenas no dia 14 de dezembro de 1955. Durante a Guerra Colonial, Portugal teve várias reprimendas do Conselho de Segurança, mas 61 anos depois de ter entrado na ONU, e 42 após o “25 de Abril”, um português assume o seu cargo mais importante, o de Secretário Geral.

Nestas seis décadas em que Portugal integrou a ONU, já foi eleito por 3 vezes como membro não permanente do Conselho de Segurança (para os biénios de 1979-80, de 1997-98 e de 2011-12). Portugal já assumiu, também por eleição, a presidência da Assembleia Geral da ONU entre setembro de 1995 e setembro de 1996, na pessoa de Diogo Freitas do Amaral, que presidiu ao órgão mais democrático da ONU, no período que coincidiu com as comemorações do 50.º aniversário do início de funcionamento das Nações Unidas.

E por falarmos em órgãos da ONU, há um cujo funcionamento é pouco democrático, o do Conselho de Segurança. E é pouco democrático porque cinco dos seus membros são permanentes, não carecendo de eleição, e têm o direito de bloquear qualquer decisão do órgão se não concordarem com ela, é o denominado direito de veto. Têm-no e vêm-no usando, desde sempre, a China, os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido e a França. A Rússia já o usou quase tantas vezes, como os outros países todos juntos. Até ao momento já foi usado 256 vezes, o que dá uma média de 4 vezes ao ano.

O novo Secretário Geral da ONU que exerceu, de 15 de junho de 2005 a 31 de dezembro de 2015, com a maior competência e dedicação o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, irá certamente marcar pela positiva o exercício das novas funções recentemente iniciadas.

O antigo Primeiro Ministro português, António Guterres, com raízes na Cova da Beira (Fundão), representa agora, como Secretário Geral, todas as esperanças do mundo nos ideais das Nações Unidas sendo o porta-voz dos interesses de todos os seres humanos, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis, na paz e bem-estar universais. Quem sabe se não consegue democratizar mais o funcionamento dos seus órgãos e contribuir para que o português seja a 7.ª língua oficial da ONU, tendo em consideração que é a 5.ª mais falada do mundo.

publicado por viajandonotempo às 21:20

Dezembro 29 2020

Recordando o Grande Homem das Letras Portuguesas

vitorino-nemesio.jpg

Fez no passado dia 19 de dezembro 119 anos que nasceu o grande poeta açoriano, que o continente também conheceu muito bem, que dava pelo nome de Vitorino Nemésio. Além de poeta foi escritor, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e apresentador do programa, da RTP, “Se bem me lembro”, no “ar” entre 1969 e 1975.

Nasceu na Praia da Vitória (Ilha Terceira, nos Açores), no dia 19 de Dezembro de 1901, vindo a falecer em Lisboa, com 76 anos, no dia 20 de Fevereiro de 1978.

Foi, sem dúvida, uma das figuras de maior relevo da Cultura Portuguesa, do século XX. Foi, igualmente, um grande comunicador da língua portuguesa, quer com recurso à palavra escrita, quer recorrendo à palavra falada!

Como Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ensinou Literaturas Portuguesa e Brasileira e História da Cultura Portuguesa.

Naturalmente, os seus estudos começaram na Ilha onde nasceu, fazendo na Praia da Vitória (na ilha Terceira) a instrução primária e o curso liceal em Angra do Heroísmo e na Horta, onde esteve pelo menos um ano, dizem até que foi enquanto aluno na capital do Faial, que Vitorino Nemésio se inspirou nas paisagens daquela ilha, para cenário do seu romance “Mau Tempo no Canal” (1944). Concluído o Liceu, para poder progredir os estudos, teve de vir para o continente, estudando nas Universidades de Coimbra (Direito) e na de Lisboa.

Na capital portuguesa também se dedicou ao jornalismo. Foi ainda um excelente professor, tendo exercido a docência algum tempo no estrangeiro, em Bruxelas, Montpellier e Baía.

Como homem sensível que era, os grandes acontecimentos que ocorreram no seu tempo acabaram por espelhar-se na sua obra. Incontornáveis foram as duas guerras mundiais, que testemunhou à distância e a sua ilha de nascimento, acabou por ser afetada durante a 2.ª Guerra Mundial, com a cedência da Base das Lajes aos americanos. A sua obra “Corsário das Ilhas” demonstra algum revivalismo destes sentimentos que ficaram em Vitorino Nemésio.

Os primeiros anos da sua vida foram vividos na pacatez de uma linda vila piscatória, marcados pela vida na natureza, onde não faltavam as belas paisagens rurais, salpicadas de vacas, que interrompem com manchas brancas de malhas negras o contínuo verde da paisagem terceirense.

A ida para a capital da ilha onde nasceu, em plena Primeira República, deu-lhe mais liberdade e abriu-lhe outros horizontes, em termos ideológicos e não só, que transparecem no seu romance “Varanda de Pilatos”.

Aos 15 anos (1916) publica o seu 1.º livro de poemas “Canto Matinal”, é o início de uma vida dedicada às letras, que começa como poeta. Em 1922, para honrar a corajosa travessia atlântica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, publica na cidade do Mondego, “Nave Etérea”. E, dois anos depois, surge o primeiro livro com referências explícitas às ilhas açorianas e às gentes das ilhas – “Paço do Milhafre”.

E ainda em poesia, mas utilizando a língua francesa, que dominava muito bem, escreveu, em 1935, “La Voyelle Promise”. Muito importante, em termos literários e ideológicos, foi também o seu envolvimento no Movimento da “Presença”, que surge a partir de 1927 e tem grande impacto junto da intelectualidade portuguesa.

Da sua vastíssima obra literária há ainda que destacar: em 1937, a fundação da “Revista de Portugal” (1937) e as novelas “A Casa Fechada”; em 1938, “O Bicho Harmonioso”; 1940, “Eu, comovido a Oeste”; em 1950, “Festa Redonda, Décimas e Cantigas de Terreiro oferecidas ao Povo da Ilha Terceira” (esta é a sua obra que melhor lembra, em poesia, a linguagem, cultos, usos e tradições do povo da Terceira). Ele mesmo confessa ser «o [seu] livro mais fundamente autobiográfico. Lá met[eu] infância e adolescência e é para [ele] como ouvir o mar num búzio»; em 1953, “Nem Toda a Noite a Vida”; em 1959, “O Verbo e a Morte”; em 1972, “Limite de Idade”; em 1976, “Era do Átomo. Crise do Homem”; em 2003, já muito depois de ter falecido, surge “Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga”, um estudo de Luís Fagundes Duarte, publicado pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda.

O impacto da sua obra literária e da sua personalidade multifacetada evidencia Vitorino Nemésio como um dos mais insignes escritores da língua portuguesa do século XX, por isso muito estudado por académicos, quer em Portugal quer no estrangeiro.

publicado por viajandonotempo às 15:22

Fevereiro 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26

28


ÍNDICE DESTE BLOG:
arquivos

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Tags

todas as tags

pesquisar
 
mais sobre mim
contador
subscrever feeds
blogs SAPO