VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Agosto 30 2020

O PORTO FOI O BERÇO DO LIBERALISMO PORTUGUÊS

Militares Porto 24-8-1820.png

Há 200 anos a cidade do Porto foi palco da Revolução Liberal que, com o tempo, acabaria com o "Antigo Regime" em Portugal. Mas para que isso acontecesse, em definitivo, houve muitas convulsões políticas, sociais e militares. Recordamos os antecedentes, o eclodir da Revolução e uma das suas principais consequências: a Constituição de 1822.

Antecedentes da Revolução Liberal Portuguesa (As invasões francesas)

Desde o início do séc. XIX que Portugal, duma forma mais intensiva, era afetado pelos ideais de liberdade que aqui chegavam através dos estrangeirados (vindos da Inglaterra e da França), dos exilados franceses (fugidos para Portugal, aquando do terror da “Convenção”) dos exilados portugueses regressados do estrangeiro (fugidos às perseguições policiais) e da maçonaria (associação secreta presente nas principais cidades, desde finais do séc. XVIII). Entre 1807 e 1811, Portugal foi vítima de 3 invasões francesas, com o objetivo de obrigar o nosso país a cumprir o “Bloqueio Continental” à Inglaterra. A 1.ª (1807) dirigiu-se a Lisboa, comandada por Junot que governou o país vários meses; a 2.ª (1809) dirigiu-se ao Porto; e a 3.ª (1810-1811) novamente a Lisboa, mas sem êxito. A vinda dos franceses provocou a vinda dos ingleses para ajudarem a defesa portuguesa, mas estes tornaram-se os dominadores de Portugal e dos seus interesses, o que provocou um ódio popular contra o domínio inglês, que está na origem da Revolução Liberal de 1820.

O agravamento da situação económica e a Revolução Liberal de 1820

No período das Invasões Francesas, e no período subsequente, a situação económica portuguesa agravou-se (as despesas excediam em muito as receitas), devido à situação de guerra em que se vivia e pelo facto dos portos brasileiros terem sido abertos ao tráfego internacional (dominado claramente pela Inglaterra) e os ingleses concorrerem abertamente no mercado interno português. Tudo isto provocou um mal-estar na Nação, sendo a burguesia o grupo social mais descontente e prejudicado com o domínio inglês. Não admira, por isso, que tenham sido burgueses (comerciantes, profissionais liberais, oficiais do exército, advogados, industriais e médicos) os fundadores e frequentadores do “Sinédrio”.

Em 24 de agosto de 1820, aproveitando a Revolução espanhola e, sobretudo, a ausência de Beresford no Brasil, dá-se no Porto a Revolução Liberal Portuguesa, que obriga a Corte a regressar do Brasil e cria condições para acabar com o absolutismo, fazendo-se eleições e elaborando-se uma Constituição Liberal.

A Constituição de 1822

A 1.ª Constituição Portuguesa foi a de 1822, terminada em setembro foi jurada e promulgada por D. João VI no dia 1 de outubro de 1822. Nas Cortes Constituintes, registaram-se posições diferenciadas: a dos moderados (que queriam um texto constitucional mais conservador); a dos radicais (que seguiam o modelo francês da “Convenção”) e a dos gradualistas (que defendiam um diálogo entre as outras duas posições). Inspirada nos textos constitucionais franceses e na Constituição de 1812 espanhola, a Constituição de 1822 declarava o direito à liberdade, à segurança e à prosperidade, estabelecia a igualdade perante a lei e a liberdade de pensamento. Proclamava a monarquia constitucional hereditária, com a separação tripartida do poder político (poder executivo para o Rei; legislativo para as Cortes; e judicial para os Tribunais). O direito de voto (sufrágio direto) é reconhecido aos homens, com mais de 25 anos, que soubessem ler e escrever.

publicado por viajandonotempo às 10:07

Julho 29 2020

AMÁLIA NASCEU EM JULHO DE 1920

Amália 1.png

Amália Rodrigues, uma das fadistas mais importantes de todos os tempos, nasceu há cem anos. Decorrem desde o início deste mês as comemorações do primeiro centenário do seu nascimento, que vão prolongar-se até ao final do verão do próximo ano. A sua incomparável voz, e a língua portuguesa em que ela cantava e comunicava, fizeram dela uma embaixadora da cultura portuguesa, um pouco por todo o mundo, desde os Estados Unidos ao Japão, passando pela Inglaterra, França, Itália, Rússia e, entre outros, a China. Menos de dois anos após a sua morte, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional. Seria a primeira mulher, e primeira artista da canção, a ter a honra de ser sepultada na Igreja de Santa Engrácia.

Ainda em vida, os que mais de perto privaram com ela ter-lhe-ão ouvido várias vezes dizer “não chego ao ano 2000” e acertou em cheio, morreu quase 3 meses antes de começar o ano 2000, ou seja no dia 6 de outubro de 1999!

O corpo deixou de viver, mas o seu nome e a sua voz tornaram-se eternos. Amália teve honras de “Panteão Nacional” e o seu nome e a memória bem viva da sua existência estão por todo o lado, agora que se completam cem anos sobre o nascimento da “Rainha do Fado”.

Televisão, Jornais, Exposições e até uma Rádio, nascida poucos anos após a sua morte, têm servido para evocar essa Mulher Portuguesa que tão longe levou a canção tradicional portuguesa que já é Património Imaterial da Humanidade. Um pouco por todo o país está presente o nome de Amália Rodrigues. No Grande Porto, o seu nome foi atribuído, ainda em vida dela, a uma Rua e, mais tarde, ao Centro Cultural de Rio Tinto.

Na capital, a sua residência foi a casa amarela do n.º 193 na Rua de São Bento. Foi aí que Amália Rodrigues viveu mais de meio século. As memórias que guarda ajudam a recordá-la de forma mais intensa. Os grandes ramos de flores que ofereciam à grande Amália continuaram a chegar mesmo depois de ter partido. E, apesar das remodelações entretanto feitas pela Fundação Amália Rodrigues, conserva o aspeto que Amália lhe deu.

Amália Rodrigues nasceu em Lisboa, no Bairro de Alcântara, no dia 1 de julho (data em que fazia questão de festejar o seu aniversário natalício, apesar do registo de nascimento consta o dia 23 de julho de 1920). Tempos muito difíceis vivia então Portugal acabado de sair da Primeira Guerra Mundial que muitas complicações trouxe à vida política, económica e social portuguesa. Nove anos mais tarde, inicia a frequência da Escola Primária da Tapada da Ajuda, onde fez a sua instrução primária. Aos 14 anos, trabalhava como bordadeira, engomadeira e tarefeira.

Um ano depois, isto é, com quinze anos, desfilou na Marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez, acompanhada à guitarra, numa festa de beneficência. Aos 18 anos, representando o Bairro de Alcântara participou no Concurso da Primavera. No ano seguinte, início da Segunda Guerra Mundial, estreou-se como fadista no “Retiro da Severa”. No período final da Guerra, teve a sua 1.ª saída para o estrangeiro. O destino foi o Brasil. Previa-se que estivesse lá seis semanas, mas acabou por estar três meses, tendo atuado no Casino de Copacabana (Rio de Janeiro). No Brasil gravaria, em 1945, os primeiros dos 170 discos da sua longa e prestigiadíssima carreira.

O fado tornar-se-ia património da Humanidade e o nome da sua “Rainha” foi dado a muitas ruas, avenidas e praças de Portugal, de norte a sul. Ermesinde também lembrou Amália. Foi o ano passado, em 29 de junho, no Fórum Cultural, por intermédio do grupo “Voz Ligeira” da Associação Académica e Cultural de Ermesinde que promoveu um espetáculo intitulado “ Tributo a Amália”.

Desde o início deste mês decorre a comemoração do 1.º centenário do seu nascimento, a cargo de organismos sob tutela do Ministério da Cultura e da Câmara Municipal de Lisboa, com diversos eventos, que incluem música, exposições, cinema, teatro, dança, património, conferências, colóquios, programas educativos, edições e reedições, investigação, tudo momentos em que vamos lembrar a grande Amália Rodrigues. São parceiros das comemorações do Centenário de Amália, a Fundação Centro Cultural de Belém, a Fundação Amália Rodrigues, o Museu Nacional do Teatro e da Dança, o Museu Nacional do Traje, o Panteão Nacional, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e o Arquivo Nacional da Imagem em Movimento

Várias condecorações nacionais, antes e depois do “25 de Abril”, e estrangeiras, sobretudo em França e Itália confirmam que Amália Rodrigues foi, de facto, uma das mais importantes personalidades da música portuguesa do século XX, cujo legado, intemporal, permanece bem vivo entre os portugueses, onde quer que vivam.

publicado por viajandonotempo às 16:16

Junho 29 2020

Olivença uma terra portuguesa

 

Olivença.png

Olivença é uma das 10 localidades que estão geminadas com a cidade de Leiria e esta foi a 1.ª geminação de Olivença com cidades portuguesas. Para esta geminação, ocorrida em 21 de julho de 1984, contribuíram as históricas ligações daquele município a Portugal. Feita a proposta de geminação à Câmara de Leiria, em 1982, seria concretizada dois anos mais tarde, registando-se nos últimos anos a presença de Olivença em eventos organizados pela edilidade do Liz. Ainda há poucos anos, Olivença aqui expôs os seus produtos característicos e ofereceu um concerto pela sua Banda Filarmónica Juvenil. Olivença tem quase 12 mil habitantes e o seu município uma área de 430 km quadrados.

Fez no passado dia 9 de junho precisamente 205 anos que em Viena, capital do então Império Austro-Húngaro, foi assinado o documento final do Congresso de Viena que se prolongou durante cerca de nove meses, tantos foram os debates entre os embaixadores das grandes potências europeias (Portugal era representado pelo Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein) que procurava reorganizar o continente europeu após a passagem do longo e terrível “furacão” napoleónico.

Do longo documento assinado precisamente a 9 de junho de 1815, interessa-nos hoje particularmente o que respeita a Olivença (antigo município português da zona fronteiriça a Sul de Elvas e a Leste de Vila Viçosa sob administração espanhola desde 1801) onde, no artigo 105.º, se lê o seguinte:

«As Potências, reconhecendo a justiça da reclamações formuladas por Sua Alteza, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das medidas adequadas a assegurar entre os dois Reinos da Península aquela boa harmonia, completa e estável, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, formalmente se obrigam a empregar por meios conciliatórios os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectua a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal. E as Potências reconhecem, tanto quanto depende de cada uma delas, que este ajuste deve ter lugar o mais brevemente possível».

O representante espanhol em Viena, D. Pedro Gómez Labrador, não assinou este Documento, protestando contra várias decisões do Congresso, entre as quais precisamente a devolução de Olivença. A Espanha só viria a assinar o Tratado de Viena em 10 de junho de 1817 mas, ainda assim, foi adiando sucessivamente o cumprimento do estabelecido.

A passagem de Olivença para a soberania espanhola ocorreu na sequência da chamada “Guerra das Laranjas”, quando Godoy (antigo primeiro ministro espanhol) invadiu Portugal ocupando vários territórios portugueses, como Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Olivença e Campo Maior. Todos seriam devolvidos a Portugal, menos Olivença, desrespeitando assim o Congresso de Viena.

Nestes 205 anos de domínio espanhol, poucos serão os habitantes de Olivença que ainda se sintam portugueses. No entanto, as suas igrejas, castelo, monumentos e ruas testemunham a sua portugalidade que continua a ser defendida por muitos portugueses e até por associações como é o caso do “Grupo dos Amigos de Olivença - Sociedade Patriótica” que se define como «uma organização nacional, apartidária, de fins patrióticos, culturais, históricos e beneficentes, sem interesses lucrativos», sedeada em Lisboa desde 1997 (mas procedente da “Sociedade Pró-Olivença”, fundada em Lisboa em 1938) e que não desiste da restauração da soberania portuguesa sobre o território oliventino; e do “Comité Olivença Portuguesa” que é uma associação cívica, fundada em 1988, sem fins lucrativos, defensora também dos direitos portugueses sobre o território de Olivença.

Ainda em 1988, dentro da Comissão Internacional de Limites, o embaixador português Carlos Empis Wemans, afirmava ao “Diário de Lisboa” a propósito da questão de Olivença o seguinte: «Portugal nunca reconheceu oficialmente a situação. Olivença, do ponto de vista legal, continua a ser nossa. Daí que correspondendo a contactos pontuais da Espanha sobre problemas da região respondemos sempre que de jure é portuguesa».

Atualmente, vigorando o regime democrático nos dois países ibéricos e integrando-se ambos na União Europeia, a realidade da cooperação é diferente. Olivença além da geminação com Leiria assinou-a, repetidamente, com Portalegre (1989), Elvas (1990), Cadaval e Vila Viçosa (2007) e nos últimos anos tem vindo a restaurar todo o legado patrimonial português, constituiu o Arquivo Histórico com apoio do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa e são ministrados cursos de português na Universidade Popular. Portugal ainda mora em Olivença.

publicado por viajandonotempo às 22:25
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