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Novembro 28 2020

A PORTUGUESA TORNOU-SE HINO NACIONAL

Hino Nacional.png

No passado dia 17 de novembro fez 110 anos que o Governo Provisório da República, passados apenas um mês e 7 dias sobre o “5 de Outubro” determinou que “A Portuguesa”, composta há alguns anos por Alfredo Keil, passasse a ser o Hino Nacional.

Alfredo Keil (1850-1907) foi um artista multifacetado que se dedicou à arte pictórica, ao desenho e à literatura mas também foi compositor e, nessa qualidade, compôs a música do atual Hino Nacional português. Já a sua letra é da autoria do dramaturgo e oficial da armada, Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931).

É preciso não esquecer que “A Portuguesa” foi escrita e composta num momento particularmente conturbado da História de Portugal, quando a nossa velha aliada Inglaterra nos fez um Ultimato, por causa dos seus interesses em África colidirem com os nossos no mesmo continente.

A “Questão do Ultimato Inglês” resulta diretamente do “Mapa Cor-de-Rosa” português, proposto pela Sociedade de Geografia de Lisboa (1881) que pressupunha a ocupação dos territórios entre Angola e Moçambique. A Inglaterra, interessada também naquela área, dirigiu o tal Ultimato a Portugal advertindo que, no caso do não cumprimento das exigências inglesas, ela as imporia pelo uso da força. O governo português, como é evidente, não tinha outra alternativa que não fosse ceder, o que contribuiu, de facto, para uma quebra no orgulho nacional e os republicanos aproveitaram esse desaire monárquico para propagandear na opinião pública portuguesa a ideia de que a Monarquia não conseguia defender os interesses nacionais, reivindicando, por isso, a urgência da mudança de regime.

Nesse tempo, Portugal vivia momentos particularmente difíceis. Uma grave crise financeira assolava o país desde 1880, a que se juntava uma crise económica aguda por causa da dependência portuguesa no que respeita a matérias-primas, a capitais privados estrangeiros e evidenciava-se um completo descontrolo da dívida externa que quase provocou a bancarrota.

Neste mundo de dificuldades por que passava o Portugal Monárquico, intensificava-se a difusão da ideologia republicana, que prometia ter solução para todos os males de que Portugal padecia, e isso levou à adesão das classes médias.

O dia 10 de Junho, por exemplo, com a comemoração da morte de Camões passou a ser aproveitado pelos Republicanos para manifestarem a sua desconfiança face à possível desagregação da Nação e da Independência. E para mostrar o descontentamento face ao regime decrépito da Monarquia, dá-se, no Porto, a 1.ª tentativa revolucionária republicana no 31 de Janeiro de 1891, tornando-se “A Portuguesa” a marcha dos revoltosos desse dia, que acabaria por ser proibida pelo regime monárquico.

Já no século XX, a Ditadura de João Franco (1907), e o Regicídio (1-2-1908) contribuíram bastante para o desgaste monárquico.

Só com a implantação da República em Lisboa, na sequência da Revolução de 5 de Outubro de 1910, “A Portuguesa” voltou a ser cantada e escutada. No dia 17 de novembro de 1910, o Ministério da Guerra decidiu torná-la no Hino Nacional, e determinou que sempre que fosse executada, todos os militares presentes, quando fardados, deviam fazer continência e, se estivessem vestidos à civil, deveriam tirar o chapéu ou boné, e nos dois casos conservar-se de pé até ao fim da sua execução. A aprovação da versão oficial só se viria a dar, no entanto, em 1957, através da resolução do Conselho de Ministros publicada no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 199, de 4 de setembro de 1957.

publicado por viajandonotempo às 17:03

Setembro 29 2020

A Batalha do Buçaco foi há 210 anos

Buçaco.jpg

No dia 27 de setembro de 1810, fez anteontem 210 anos deu-se a Batalha do Buçaco entre o exército aliado, formado por contingentes britânicos e portugueses, com a ajuda de milícias portuguesas, comandado por Wellington, e o exército francês comandado pelo marechal do Império Napoleónico, Massena.

A batalha que se deu na Serra do Buçaco foi a primeira derrota francesa durante a 3.ª invasão. Apesar das baixas, o marechal Massena continuou o seu caminho de morte e destruição no sentido de Lisboa, mas não passará das Linhas de Torres Vedras.

Cerca de 120 mil homens ficaram frente a frente, a 27 de setembro de 1810, na batalha do Buçaco.

No início do século XIX, a serra do Buçaco, ao contrário do que acontece hoje, era um lugar desolado e pedregoso. Devido aos seus pontos altos, a cerca de 500 metros de altitude, foi ali que se travou a mais importante batalha da 3.ª invasão francesa. Wellington comandava cerca de 32 000 portugueses e pouco mais de 20 000 britânicos.

Massena dispunha de 65 000 homens. Os aliados reforçaram-se e ocuparam posições numa linha elevada, ao passo que os franceses se espalharam pelo sopé dessa linha. Essa foi a vantagem tática do exército luso-britânico que pôde colocar a sua artilharia em posições mais elevadas à posição do inimigo. O início dos confrontos ocorreu por volta das 6 horas da manhã. No fim da batalha, quase 6 mil mortos (3/4 deles eram soldados napoleónicos).

O marechal Massena não conseguiu evitar a derrota, mas dado o número de militares que comandava, resolveu prosseguir por várias estradas na direção da capital portuguesa.

Por outro lado, a vitória de Wellington dá-lhe algum tempo para recuar para as Linhas de Torres, onde irá impedir o avanço do exército francês. Mas este, na sua deslocação para Sul, cometeu as maiores atrocidades sobre a população portuguesa.

As fontes não são muitas, mas são as suficientes para se poder concluir da tragédia que foram estas invasões. Em toda a história de Portugal, nunca o nosso povo e o território estiveram sujeitos a tal destruição e massacres.

Dos inúmeros exemplos e testemunhos de morte, provocada direta e indiretamente pelos invasores napoleónicos, evocamos os seguintes: há uma Inscrição, num Cruzeiro, junto à então Vila da Figueira da Foz, no preciso sítio onde teriam sido sepultados, em vala comum, 5 000 portugueses que «em três mezes morrerão á força da fome, e do contágio»; na diocese de Coimbra, a tragédia do contacto com os franceses foi divulgada num opúsculo de 14 páginas, “Breve memoria dos estragos causados no Bispado de Coimbra pelo exercito Francez, comandado pelo General Massena”, elaborado a partir das informações que deram os respetivos párocos, e, sem contar com elementos relativos a 27 freguesias, de um total de cerca de 300 (portanto só não há dados de cerca de 1/3) os franceses provocaram 2969 mortes, incendiaram 20 aldeias e queimaram 1144 casas; logo após o combate do Buçaco, na cidade de Coimbra, a 1 de outubro de 1810, os franceses deixaram as ruas «pejadas com objectos e géneros destruídos vandàlicamente» e praticaram nos arredores incríveis atrocidades, queimando casas e aldeias, assassinando centenas de pessoas, entre as quais idosos, mulheres e crianças; já em Santiago da Guarda, concelho de Ansião, para fugir ao horror do flagelo imposto pelos invasores, entre outubro de 1810 e abril de 1811, o respetivo pároco e muito povo fugiram para a parte Norte do rio Mondego, registando aquele, num apontamento provisório, a lista dos que por lá morreram ou que os franceses mataram.

publicado por viajandonotempo às 22:27

Agosto 30 2020

O PORTO FOI O BERÇO DO LIBERALISMO PORTUGUÊS

Militares Porto 24-8-1820.png

Há 200 anos a cidade do Porto foi palco da Revolução Liberal que, com o tempo, acabaria com o "Antigo Regime" em Portugal. Mas para que isso acontecesse, em definitivo, houve muitas convulsões políticas, sociais e militares. Recordamos os antecedentes, o eclodir da Revolução e uma das suas principais consequências: a Constituição de 1822.

Antecedentes da Revolução Liberal Portuguesa (As invasões francesas)

Desde o início do séc. XIX que Portugal, duma forma mais intensiva, era afetado pelos ideais de liberdade que aqui chegavam através dos estrangeirados (vindos da Inglaterra e da França), dos exilados franceses (fugidos para Portugal, aquando do terror da “Convenção”) dos exilados portugueses regressados do estrangeiro (fugidos às perseguições policiais) e da maçonaria (associação secreta presente nas principais cidades, desde finais do séc. XVIII). Entre 1807 e 1811, Portugal foi vítima de 3 invasões francesas, com o objetivo de obrigar o nosso país a cumprir o “Bloqueio Continental” à Inglaterra. A 1.ª (1807) dirigiu-se a Lisboa, comandada por Junot que governou o país vários meses; a 2.ª (1809) dirigiu-se ao Porto; e a 3.ª (1810-1811) novamente a Lisboa, mas sem êxito. A vinda dos franceses provocou a vinda dos ingleses para ajudarem a defesa portuguesa, mas estes tornaram-se os dominadores de Portugal e dos seus interesses, o que provocou um ódio popular contra o domínio inglês, que está na origem da Revolução Liberal de 1820.

O agravamento da situação económica e a Revolução Liberal de 1820

No período das Invasões Francesas, e no período subsequente, a situação económica portuguesa agravou-se (as despesas excediam em muito as receitas), devido à situação de guerra em que se vivia e pelo facto dos portos brasileiros terem sido abertos ao tráfego internacional (dominado claramente pela Inglaterra) e os ingleses concorrerem abertamente no mercado interno português. Tudo isto provocou um mal-estar na Nação, sendo a burguesia o grupo social mais descontente e prejudicado com o domínio inglês. Não admira, por isso, que tenham sido burgueses (comerciantes, profissionais liberais, oficiais do exército, advogados, industriais e médicos) os fundadores e frequentadores do “Sinédrio”.

Em 24 de agosto de 1820, aproveitando a Revolução espanhola e, sobretudo, a ausência de Beresford no Brasil, dá-se no Porto a Revolução Liberal Portuguesa, que obriga a Corte a regressar do Brasil e cria condições para acabar com o absolutismo, fazendo-se eleições e elaborando-se uma Constituição Liberal.

A Constituição de 1822

A 1.ª Constituição Portuguesa foi a de 1822, terminada em setembro foi jurada e promulgada por D. João VI no dia 1 de outubro de 1822. Nas Cortes Constituintes, registaram-se posições diferenciadas: a dos moderados (que queriam um texto constitucional mais conservador); a dos radicais (que seguiam o modelo francês da “Convenção”) e a dos gradualistas (que defendiam um diálogo entre as outras duas posições). Inspirada nos textos constitucionais franceses e na Constituição de 1812 espanhola, a Constituição de 1822 declarava o direito à liberdade, à segurança e à prosperidade, estabelecia a igualdade perante a lei e a liberdade de pensamento. Proclamava a monarquia constitucional hereditária, com a separação tripartida do poder político (poder executivo para o Rei; legislativo para as Cortes; e judicial para os Tribunais). O direito de voto (sufrágio direto) é reconhecido aos homens, com mais de 25 anos, que soubessem ler e escrever.

publicado por viajandonotempo às 10:07

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