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Agosto 20 2009

 

Freguesia do ALVORGE (1)
 
 
A sede da freguesia
 
 
 
Brasão: escudo de ouro, torre quadrada de azul, aberta, iluminada e lavrada de prata; em chefe, cruz latina de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «ALVORGE».
 
Apontamento Histórico
 
            O Alvorge é uma freguesia do concelho de Ansião. O povo ainda hoje lhe atribui o título de Vila. Ao longo da sua história pertenceu a vários concelhos, entre os quais o do Rabaçal, antes de vir a integrar o de Ansião. Esta Paróquia pertenceu, durante vários séculos, à Universidade de Coimbra.
            A região e a freguesia foram habitadas desde tempos imemoriais, como se comprova pela existência de muitos vestígios arqueológicos. Existe, por exemplo, um castro romanizado, em Trás de Figueiró.
            No período da Reconquista Cristã, integrava a zona fronteiriça da Ladeia com a sua torre de defesa avançada da capital coimbrã (que também tinha o objectivo de proteger uma farta fonte de água, já que a região é pobre em nascentes), de que ainda restam alguns vestígios.   
            Uma das primeiras referências a Alvorge surge em 1141 (ainda antes da independência do Reino de Portugal) num documento, em que D. Afonso Henriques doa a herdade de Alvorge e a sua torre, em testamento, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
            O topónimo Alvorge, de origem árabe, significa pequeno forte ou torrinha. O povoamento cristão das terras da Ladeia teve início com o primeiro rei português que tinha a intenção de alargar, o mais possível, a sua fronteira Sul. Com esse propósito mandou construir, em 1142, o Castelo do Germanelo, cuja carta de foral determinava que os seus povoadores, além de serem livres de impostos, ficavam perdoados e isentos de justiça pelos crimes de homicídio e de furto, sob a condição de não poderem abandonar as terras do Germanelo, que teriam de cultivar e defender.
            Ligada ao Castelo do Germanelo, existe uma lenda ainda hoje muito conhecida e divulgada, segundo a qual havia dois gigantes que eram irmãos (“germanelos”, que significa irmãozinhos), vivendo cada um em seu monte, um no Gerumelo, mais a Sul, e o outro, no Melo, a Norte. Como só tinham um martelo, partilhavam-no entre si. Um dia, o Gerumelo porque estava mal-humorado atirou o martelo com tanta força, que este perdeu o cabo no ar. A maça de ferro caiu no sopé do monte Melo, onde apareceu uma fonte de água férrea; o cabo, que era de zambujo, caiu mais longe e deu origem a um Zambujal.
Freguesia de invocação de Nossa Senhora da Conceição. Foi vigararia da apresentação da Universidade de Coimbra. Em termos administrativos, pertenceu ao concelho do Rabaçal, extinto pelo Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1853, data a partir da qual passou a fazer parte do concelho de Soure. Finalmente, pelo Decreto-Lei de 24 de Outubro de 1855 foi anexado no de Ansião, onde ainda se mantém.
            Faz parte da freguesia do Alvorge, a antiga Paróquia da Ateanha, que também constitui uma aldeia muito interessante e digna de visita. Trata-se de um exemplar de povoamento rural agrupado, no cimo do Monte, onde a antiga Matriz, continua a ser uma preciosidade artística, com o santo padroeiro (S. Martinho) materializado numa estátua em pedra, de finais da Idade Média.
 

Cruzeiro na praça central do Alvorge

 
            Merece igualmente ser visitado o centro urbano do Alvorge, onde se inclui a Capela da Misericórdia. É um edifício barroco, anexo ao antigo Hospital da Misericórdia. No seu interior vale a pena admirar o Altar-Mor, em talha dourada, do séc. XVIII.
            Na mesma Rua há outros edifícios com séculos de existência, destacando-se a Casa Alpendrada que foi doada à Santa Casa da Misericórdia local.       
            Também a Igreja Matriz, de finais do século XVII, dedicada a N.ª Sr.ª da Conceição, deve ser apreciada. Tem um Altar em talha seiscentista com colunas salomónicas e arco recamado de figuras de anjos, parras e cachos de uvas, bem como várias imagens de Santos que vale a pena observar.
            Anualmente, o Centro Social, Cultural e Recreativo de Alvorge organiza as Festas (de que faz parte um Festival de Folclore) que no primeiro fim de semana de Julho trazem grande animação à sede da freguesia.
 
Igreja Matriz do Alvorge
 
            A Igreja actual não terá sido a primeira a ser construída nesta localidade. Há notícias de que já em 1229, havia sido edificada a Igreja de Santa Maria do Alvorge. A actual Matriz terá sido construída ao longo dos séculos XVI- XVII-XVIII.. O seu orago inicial era N.ª Sr.ª da Assunção, mas, após o século XVII, começou a chamar-se da Conceição (sobre Nossa Senhora da Conceição, veja-se o que se escreveu no ponto 2.1.4.1). Esta Igreja é mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758.
            De planta longitudinal, esta Igreja apresenta nave única, capela-mor e torre sineira. A fachada principal orientada em três panos, é aberta no plano central por portal de verga curva encimado por janelão do mesmo tipo, remata em empena angular sobrepujada por cruz. A fachada Sul é constituída pelo corpo do coro aberta por uma porta em arco quebrado, pela torre sineira de quatro registos delimitados por frisos, aberta no superior por quatro sineiras e cobertura em coruchéu com base em mansarda flanqueado por quatro pináculos e sobrepujado por cruz latina. A fachada Este é de plano único em empena angular e a fachada norte é composta por três corpos de estatura crescente abertos intercaladamente por janelão, janelas geminadas, porta, janelão e porta. O seu interior tem coro alto contracurvado e resguardado por balaustrada, assente em seis colunas avançadas e um corta-vento. Apresenta lápide setecentista, com a seguinte inscrição: “ESTA IGREJA HE QVOTID/ANA.TEM HUM DIA VAGO”.
            A nave única é revestida por silhar de azulejos, possui pavimento em mosaicos e cobertura em tecto de madeira pintado a cor, disposto em três planos. O baptistério com pia de cálice simples, semi-esférico de base bojuda, tem duas imagens, uma de S. José e outra da Virgem Maria, encomendadas às oficinas da casa Fânzeres, em Braga. A igreja possui dois altares colaterais em talha oitocentista, dispostos na diagonal, que flanqueiam o arco triunfal abatido que acede à capela-mor, de tecto em três planos, com retábulo-mor seiscentista, de talha dourada com parras, florões e figuras incarnadas de anjos músicos. O altar da igreja, datado de 1553, foi decorado por Belchior da Fonseca, pintor de Cernache, mas no século seguinte, foi revestido a talha dourada.
            Nas obras que se fizeram no século XVIII foram removidos os azulejos hispano-árabes que revestiam este templo. Já no século XX realizaram-se novas obras de melhoramento que alteraram o seu aspecto interior e também o adro da igreja.
 
       Altar-Mor da Igreja Matriz do Alvorge
 
            No Adro da Igreja Matriz do Alvorge, objecto de importante arranjo urbanístico há relativamente pouco tempo (bem como toda a sua área envolvente), encontra-se uma estátua representando Nossa Senhora de Fátima e os três pastorinhos ajoelhados e, noutro local, uma Cruz de grandes proporções, com uma estrutura de miradouro à volta, a que se acede por uma escadaria com mais de uma dezena de degraus.
 

Capela da Misericórdia do Alvorge

 
            A Capela da Misericórdia do Alvorge, também mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, insere-se no mesmo conjunto arquitectónico do antigo Hospital da Misericórdia e, vista do exterior, quase não se distingue.
            É dos séculos XVII-XVIII, com adro delimitado por um muro com gradeamento (de 1908), aberto por duas portas que acedem ao templo e ao antigo hospital. De planta rectangular, de massa simples está disposta na horizontalidade. Cobertura diferenciada em telhados de duas águas disposto transversalmente, que em continuidade com os outros telhados dá um aspecto ondulado a todo o conjunto.
            A fachada principal, correspondente ao corpo da capela, é delimitada por pilastras, ladeada por pináculos e rematada por cruz de trevo assente em pequeno plinto. Aberta por portão em arco pleno com bandeira de vidraça colorida e com data de 1764/ 1904, sobre a verga da porta. O corpo do hospital é encimado por um arco sineiro e aberto por três janelas com bandeira, com duas portas rectas. No tímpano, assente em cornija, destaca-se o escudo real, datado de 1696 (possivelmente do reinado de D. Pedro II) e com a seguinte inscrição: “VIVA A FÉ/ DE CHRISTO”.
            O interior da capela apresenta nave única, arco triunfal lavrado com as armas reais no fecho. Abre para a capela-mor com abóbada de berço em caixotões. Altar-mor em talha dourada policromada. A igreja liga ao interior do hospital, por uma porta da capela-mor.
 
 
Pormenor das armas reais na Misericórdia do Alvorge
 
publicado por viajandonotempo às 10:22
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