VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Junho 10 2010

Um pouco da sua história...


No dia de Portugal é bom lembrar aqui o papel heróico e histórico dos nacionalistas timorenses que lutaram com todas as forças para serem livres e independentes. Nesse espaço tão longínquo há um povo que merece toda a nossa consideração e respeito.



 

Mapa de Timor-Leste

 

Timor-Leste celebrou o 8.º ano da sua independência no passado dia 20 de Maio. Depois de um enorme sofrimento de um quarto de século, que foi quanto durou a humilhante e violenta ocupação da Indonésia, a antiga colónia portuguesa conseguiu a desejada independência no dia 20 de Maio de 2002.

Timor é ainda hoje uma referência de luta, de querer colectivo que durante o seu atribulado processo de independência deu “lições” ao mundo.

António de Abreu (oficial da marinha portuguesa nascido na Madeira) foi o primeiro europeu que às ordens do valoroso Vice-Rei da Índia, Afonso de Albuquerque, chegou a Timor no longínquo ano de 1512.

O interesse português por aquela região tão distante era meramente comercial. O primeiro governador português, chegou à ilha em 1702, iniciando a organização colonial do território. Nascia, assim, o Timor Português. Com a secular presença portuguesa foi-se impondo a nossa cultura e religião, que ainda hoje são marcas vem vivas no povo timorense.

Em meados do século XVIII, na sequência de alguma conflitualidade bélica com a Holanda, a ilha de Timor foi dividida entre Portugal e aquele país europeu, cabendo a parte Leste a Portugal, com o pequeno enclave de Oecussi, na zona Oeste. Mas só em 1914 seria assinado um acordo definitivo entre Portugal e a Holanda, acabando de vez com os conflitos entre os dois países, e fixando as fronteiras actuais entre Timor-Leste e o resto da ilha hoje pertencente à Indonésia.

No dia 19 de Fevereiro de 1942, em plena 2.ª Guerra Mundial, Timor-Leste foi invadido por tropas nipónicas, sucedendo-se uma onda de violência responsável por mais de 50 mil mortes no território, sem que as autoridades portuguesas tivessem capacidade para garantir a ordem e a segurança, ou para resistir às sucessivas invasões de Timor, primeiro por forças australianas e holandesas (1941), depois pelos japoneses. Foi nesse contexto que se deu a acção heróica do Tenente Pires (Manuel de Jesus Pires, de seu nome completo que nasceu no Porto, a 6 de Março de 1895 e foi um dos combatentes da 1.ª guerra mundial) que proporcionou a fuga de dezenas de portugueses para a Austrália e morreu depois, aos 48 anos de idade, às mãos dos japoneses.

 


Refugiados timorenses

 

Em 1945, com o fim da 2.ª guerra mundial (o Japão foi derrotado, sem apelo nem agravo, com o trágico lançamento da duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki), a administração portuguesa voltou a governar Timor. Seguiu-se um longo período de grande tranquilidade e paz social, de quase trinta anos sem que se manifestassem quaisquer movimentos independentistas.

A guerra colonial africana não teve repercussões na colónia de Timor. Talvez pelo facto de aqui a presença portuguesa ter sido bastante pacífica, sem o carácter de exploração económica que teve noutros territórios ultramarinos, já que a precária economia da ilha estava nas mãos de uma pequena burguesia de origem chinesa, fixada no território há muito tempo.

 

A reviravolta depois do “25 de Abril”


Com o triunfo da Revolução Portuguesa, todos os territórios coloniais viram concretizada a promessa de independência. Timor não foi diferente.

No dia 28 de Novembro de 1975, depois de alguns conflitos que configuravam o início de uma guerra civil, foi proclamada a República Democrática de Timor-Leste. Contudo, a vizinha Indonésia, com um regime anti-democrático de direita, argumentando não aceitar, por questões de segurança de estado, um país fronteiriço onde imperava o comunismo, decidiu invadir, apenas alguns dias depois da independência, mais concretamente a 7 de Dezembro de 1975, a nova nação, declarando-a a sua 27.ª província.

 

Os heróis da independência:


Xanana Gusmão

 

 

Ramos Horta


 


 

D. Ximenes Belo

 

No período posterior à invasão indonésia, seguiu-se uma das maiores tragédias para o povo maubere. A Indonésia utilizou todas as formas de violência para neutralizar as manifestações de resistência. Estima-se que terão sido mortas duzentas mil pessoas, na sequência de lutas, massacres e chacinas. Outros tantos timorenses conseguiram fugir para a Austrália e para a Europa (muitos para Portugal). A tortura, as proibições e toda a espécie de violências, tornaram-se regra. O português foi proibido e procedeu-se à esterilização forçada de mulheres timorenses. Em simultâneo com esta profunda descaracterização que pretendia tornar irreversível a anexação, a Indonésia e a Austrália decidiram entender-se para, em conjunto, levarem a cabo a exploração das riquezas naturais de Timor, nomeadamente explorando o petróleo detectado no Mar de Timor.

Enquanto isso, Portugal contestava junto da Organização das Nações Unidas e no Tribunal Internacional de Justiça. Era-lhe dada razão, mas tudo continuava na mesma.

No interior montanhoso de Timor, a guerrilha do povo maubere nunca se rendeu, lutou sempre, apesar de todas as dificuldades logísticas e dos pesados desaires, pelo direito à independência. Xanana Gusmão é umas das personalidades mais destacadas dessa luta interna (como líder líder das Falintil - Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste), Ramos-Horta era a face mais visível no exterior (lutando pela via diplomática) e D. Ximenes Belo, bispo de Díli, a voz nunca resignada da Igreja Católica.

 

O rumo definitivo da independência


Podemos afirmar que o facto que marca a viragem do rumo da história timorense é o massacre no Cemitério de Santa Cruz, em Díli, no dia 12 de Novembro de 1991 que mata mais de duas centenas de pessoas. As imagens gravadas por jornalistas holandeses escaparam milagrosamente às autoridades militares indonésias e correram o mundo, num ápice. As pessoas puderam ver, sentir e manifestar de diversos modos a sua revolta. As autoridades mundiais não puderam esconder mais tempo aquela vergonhosa realidade. A partir daí nascia e crescia cada vez mais o desejo de independência.

Em 30 de Agosto de 1999, sob os auspícios da ONU, os timorenses votaram por esmagadora maioria (quase 80%) pela independência, pondo fim a tantos anos de ocupação indonésia.

No dia 20 de Maio de 2002, a independência de Timor-Leste foi definitivamente assumida e as Nações Unidas entregaram o poder ao primeiro Governo Constitucional de Timor-Leste. Já lá vão oito anos!

Timor, actualmente com cerca de um milhão e cem mil habitantes, é um dos mais novos países do Planeta, admitido como estado-membro da ONU, no dia 27 de Setembro de 2002 que tem o português e o tétum como línguas oficiais (neste aspecto é caso único naquela região do mundo, todos os outros países colonizados por países europeus rejeitaram as suas línguas) e a sua padroeira é a mesma de Portugal, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, evocada festivamente no dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e em Timor.

Este povo merece de todos nós um profundo sentimento de respeito, orgulho e apoio na construção de uma nação com futuro.

publicado por viajandonotempo às 21:34

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