VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Maio 16 2009

 

ERMESINDE – evolução histórica
 
 
A Conferência que proferi na Biblioteca  Municipal de Valongo, no dia 24 de Abril de 2009, teve por base estas notas da história de Ermesinde, que aqui deixo em duas partes.
 
Localização
Ermesinde, promovida a vila há mais de 70 anos, elevada a cidade há mais de 20 anos é uma Terra em constante progresso e crescimento, feita de gente laboriosa, que ao longo dos últimos séculos ali se fixou dada a proximidade da cidade do Porto, onde trabalham muitos deles.
Ermesinde é, das cinco freguesias que constituem o concelho de Valongo, a mais pequena em área – cerca de 7 km2 – e, simultaneamente, a mais urbana e populosa – cerca de 60 mil habitantes.
 
Os limites da freguesia
A freguesia de Ermesinde ocupa o Noroeste do Concelho de Valongo, faz fronteira com S. Pedro Fins e Águas Santas (do concelho da Maia), com a freguesia de Baguim do Monte (do concelho de Gondomar), e com as freguesias de Valongo e Alfena.
 
Origem de S. Lourenço de Asmes e Ermesinde
Dotada de terra praticamente plana – com pequenas elevações aqui ou ali – numa grande extensão, demarcada a Nascente pelas serranias de Valongo e da Agrela, é irrigada abundantemente pelo Leça e por outros pequenos ribeiros (Asmes, Tinto, Agras e Balsinha), o que, associado ao clima ameno, lhe deu sempre enorme fertilidade. Tais características foram aproveitadas pelo homem, que por aqui se fixou muito antes da nacionalidade.
No contexto do secular fenómeno da Reconquista Cristã, ter-se-ia repovoado e colonizado esta zona, rica pela fertilidade do seu terreno, e próxima da cidade do Porto, onde, rapida­mente, poderiam ser colocados os seus excedentes agrícolas.
Segundo alguns autores, estas terras teriam sido pertença dos Mosteiros de Águas Santas e de Santo Tirso, e de D. Ermezenda (donde derivaria o nome de Ermesinde que, até ao sé­culo XX, foi apenas um dos lugares da freguesia) – Abadessa do Mosteiro de Rio Tinto. Há, no entanto, quem afiance que a D. Ermezenda que dá nome a Ermesinde seja a D. Erme­zenda Guterres, de finais do século IX, princípios do século X, que casou com o Conde Hermenegildo Guterres, a quem D. Afonso III (o Magno), Rei de Leão, incumbiu de gover­nar as terras de Tuy, Porto e Coimbra.
À seme­lhança do que sucedia com outras terras da Região e do Reino, as terras férteis de S. Lou­renço de Asmes repartiam-se entre o Rei e os Mosteiros da Região.
 
 
Antigos documentos referentes a S. Lourenço de Asmes e a Ermesinde
As Inquirições de 1258, referentes a Ermesinde e a S. Lourenço de Asmes comprovam a propriedade das terras, tanto como a existência da Paróquia de Ermesinde já nessa data, quando muitos jul­gavam que a mesma só teria surgido no século XVII.
A origem de S. Lourenço de Asmes parece ter sido junto ao Ribeiro de Asmes (também conhecido por Ribeiro de Sonhos), afluente da margem direita do Rio Leça, cujos campos eram bastante férteis.
A região de Ermesinde só ficou completamente livre dos conflitos inerentes à Reconquista Cristã, no século XI, e, portanto, só a partir daí é que de novo a aldeia foi renascendo, feita de gente que veio trabalhar os campos de Asmes, para entregar a maior parte da produção – sob a forma de rendas e de dízimas – ao Rei e aos Mosteiros que, nesta Região, compartilhavam as terras e a gente rural. Estes Mosteiros foram, como demonstram as Inquirições, os de Águas Santas e o de Santo Tirso.
 
            Durante a Idade Média, a aldeia de Asmes foi-se tornando maior, as casas agrícolas multiplicavam-se, tanto aqui como nos restantes núcleos agrícolas em redor das margens do Leça e dos seus afluentes.
            No princípio da Idade Moderna, as características de povoação rural mantiveram-se. Conforme se poder ver pelos foros que pagavam os residentes, a maior parte das terras pertencia então ao Mosteiro de Santo Tirso.
            Pela nova Carta de Foral dada por D. Manuel à Maia (a que pertencia a paróquia de S. Lourenço de Asmes), em 1519, conhecem-se os foros e tributos pagos pelos casais aqui residentes.
De ano para ano, surgiam outras casas, outros lavradores que tiravam da planície do Leça o seu sustento, contribuindo, ainda, com os seus parcos excedentes para alimentar a cidade do Porto que crescia cada vez mais, com o desenvolvimento do comércio português e com o êxodo rural que, então, se encaminhava para as cidades do Litoral, onde se adivinhava uma vida menos dura e de maiores rendimentos.
           
Paróquia de S. Lourenço de Asmes / Ermesinde
            Segundo o Padre Domingos A. Moreira, a Paróquia de S. Lourenço de Asmes já existia no século em que Portugal se individualizou como Reino, ou seja no século XII, inserida no Arcediago da Maia. Nas “Terras” e “Comarcas Eclesiásticas” da Maia se manteve até 1916, data em que se integrou na Vigararia de Valongo.
            O edifício da Igreja Matriz, tendo como orago o mártir S. Lourenço, terá, provavelmente, acompanhado a evolução urbana da própria paróquia. É possível que o primeiro templo dedicado a S. Lourenço tenha existido nas proximidades dos Campos de Asmes, e que, mais tarde, tenha passado pela Ermida, actualmente de invocação de S. Silvestre, e que, finalmente, no século XVIII, tenha sido erigida a Igreja Matriz de S. Lourenço de Asmes no local onde hoje se encontra um novo templo, edificado já na segunda metade do século XX.
            A Paróquia de S. Lourenço de Asmes, para além da aldeia que lhe dá o nome, integrava, com certeza, as aldeias e núcleos agrícolas vizinhos, como Vilar, S. Paio, Ermesinde, Costa, Arregadas, Alto de Sonhos, Sá, Palmilheira e Travagem.
 
Freguesia de S. Lourenço de Asmes / Ermesinde
Quando o regime liberal ficou circunscrito a uma das ilhas dos Açores (Ilha Terceira), a Regência sedeada na cidade de Angra do Heroísmo, através do Decreto n.º 25, de 26 de Novembro de 1830, criou pela primeira vez as Juntas de Paróquia, entendidas como corpos administrativos, nomeadas pelos moradores na Paróquia e com o objectivo de promover e administrar os “negócios que forem de interesse puramente local”.
Após o triunfo do Setembrismo surgiu, sob o Decreto de 31 de Dezembro de 1836, o primeiro Código Administrativo Português, que retomou a ideia da criação das Paróquias Civis (já tentada pela Regência Liberal da Ilha Terceira, e devidamente legislada pela Reforma de Rodrigo da Fonseca em 1835, com a Lei de 25 de Abril), tomando assim em consideração a existência dos mais pequenos núcleos de população que se haviam formado em torno das respectivas igrejas paroquiais. Foi também uma forma de diminuir as despesas públicas ao reduzir significativamente o número de concelhos.
 
Paróquia Civil de Ermesinde e Alfena
No dia 24 de Julho de 1867, a Junta da Paróquia de S. Lourenço de Asmes, realizou uma sessão com o propósito de dar solução a este problema, e fê-lo propondo a união das paróquias de S. Lourenço de Asmes e de S. Vicente de Alfena, cabendo a sede da nova Paróquia Civil à primeira.
A Paróquia Civil de Ermesinde e Alfena acabou por não se constituir, já que a “Janeirinha” inviabilizou a concretização daquela legislação.
As Paróquias como núcleos de base da organização civil do território, só existiram efectivamente após 1878, com a entrada em vigor da reforma de António Rodrigues Sampaio, que previa que o Presidente e Vice-Presidente fossem civis, escolhidos entre os vogais eleitos.
 
As vicissitudes do século XIX
            Se durante o século XVIII, a vida decorreu sem mais contratempos do que aqueles que ocorreram a nível nacional e que aqui tiveram naturalmente as suas repercussões, havendo a registar até uma melhoria significativa na alimentação com o consequente aumento da esperança de vida, graças à expansão do cultivo do milho, transformado em farinha nos moinhos do Leça, e feito pão com a ajuda da magnífica água que aqui brotava e com que era amassado, pior sorte haveria de caber às gerações posteriores, mormente àquelas que aqui viveram na primeira metade do século XIX.
Logo no princípio do século foram as Invasões Francesas, e, sobretudo de má memória para a gente que aqui vivia, há-de ter sido a segunda, quando o General Soult, obedecendo ao seu Imperador Napoleão Bonaparte, aqui chegou à frente de 80 mil soldados, e no Porto se deu o trágico desastre da Ponte das Barcas cujo bicentenário se evocou há menos de um mês.
 
AsAs As invasões francesas e o Convento da Mão Poderosa
            Na conjuntura das invasões francesas, o Secretário de Estado do Reino enviou directrizes aos superiores das Congregações Religiosas em Portugal, para que tomassem providências com os objectos em ouro e prata, guardando-os em lugares seguros.
            O Prior do Convento da Mão Poderosa, Fr. João de Santa Cecília, foi notificado da ordem em Outubro de 1807. Embora não se tenham certezas é provável que as alfaias religiosas em ouro e prata do Convento da Formiga tenham sido recolhidas no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (era um dos três locais aconselhados pelo Governo português para se esconderem esses “tesouros”, os outros eram Tomar e Palmela, que ficavam muito mais distantes), donde, estamos convictos, nunca mais regressaram.
Na altura da extinção das Ordens Religiosas (1834), os objectos em ouro e prata que constavam da Relação dos Bens entregues pelo Convento da Mão Poderosa, valiam duzentos e noventa e nove mil, duzentos e oitenta e quatro réis.
            Em meados de 1808, surgem várias insurreições populares contra a ocupação francesa na sequência da primeira invasão. O Porto dá o exemplo, ao substituir a bandeira do invasor pela portuguesa. O espírito de revolta alastra ao país inteiro.
            A população de Ermesinde, mobilizada pelo toque dos sinos da Igreja de Santa Rita, comparece, segundo Serralves (Ermesinde / Ontem e Hoje, p. 5), em grande número no largo fronteiro à Igreja e «dá largas ao seu entusiasmo contra a vil canalha». Mais adiante, o mesmo autor acrescenta: «nas refregas das tropas regulares nas escaramuças ocasionais, quase anárquicas dos camponeses que se batem, Palmilheira e Baguim aparecem como centros principais de ataque e resistência aos franceses e afrancesados».
            Ainda ocorreriam mais duas invasões (1809 e 1810/1811), mas o exército português, com auxílio dos ingleses, acabaria por afastar definitivamente os franceses do nosso território. Ficaram os ingleses a dominar-nos, mas o Porto, mais uma vez, resolveu o problema, ao preparar e executar a Revolução de 24 de Agosto de 1820.
 
Ermesinde e as Lutas Liberais
            Em 1828, com D. Miguel, regressou o Absolutismo a Portugal. Mais uma vez o Porto teve um papel primordial, no combate pela Liberdade.
De 1832 a 1834 travou-se a Guerra Civil, entre Liberais e Absolutistas. Toda a região envolvente do Porto foi nestes anos molestada pelas guerras dos Liberais que corajosamente se defendiam do Cerco que os Absolutistas lhe preparavam. Estas Terras serviram pois de palco às batalhas e aos movimentos militares que se desenrolaram entre os dois irmãos desavindos: D. Pedro, pelo lado dos Liberais, D. Miguel, pela parte dos Absolutistas.
Na Formiga, precisamente, nas proximidades do Convento da Mão Poderosa de Ermesinde, deu-se uma das batalhas que provocou mais baixas entre liberais e absolutistas
Ainda hoje existe, no lado direito da escadaria que leva à Igreja de Santa Rita, uma lápide que assinala o sarcófago onde repousam os restos mortais desses soldados que tiveram a desdita de cair na luta fratricida que cobriu de luto muitas famílias portuguesas.

AQUI REPOUZAM os restos mortais de humildes e desconhecidos soldados que, sacrificados   nas   lutas liberaes entre d. pedro e d. miguel pela ocasião do cêrco do porto (1832-1834) foram sepultadosem vala comum no adrod’esta egreja. / R.I.P.

O actual Colégio de Ermesinde, ao tempo Convento dos Religiosos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, serviu de Hospital das forças de D. Miguel, que aqui terá estado mais de uma vez Uma delas ocorreu no dia 20 de Dezembro de 1832
 
A integração de S. Lourenço de Asmes no novo Concelho de Valongo
As guerras civis terminaram com o triunfo de D. Pedro e dos Liberais. Em 1836, pouco tempo após a derrota de D. Miguel e dos Absolutistas, foi criado o Concelho de Valongo, como justa homenagem e gratidão ao povo valonguense que terá ajudado os liberais nesta contenda fratricida, como manifesta a própria Rainha D. Maria II que, ao promover Valongo a concelho, refere expressamente que esta terra lhe merece gloriosa recordação por ter sido daí que D. Pedro IV, seu pai, dirigiu a vitoriosa Batalha da Ponte Ferreira. Com a criação do Concelho de Valongo, a freguesia de S. Lourenço de Asmes foi desanexada do Concelho da Maia para integrar este novo Concelho.
 
Almoço da Rainha D. Maria II, na Travagem
Reconhecida, a Câmara de Valongo ofereceu à Rainha D. Maria II e ao seu séquito real, um almoço na Travagem no dia 18 de Maio de 1852. A Comitiva Real era constituída pela própria Rainha D. Maria II, por seu marido com o título de Rei, D. Fernando II, e pelos príncipes, que, mais tarde, viriam a ser reis de Portugal, D. Pedro e D. Luís.
publicado por viajandonotempo às 09:31

Maio 13 2009

 

AFONSO DE ALBUQUERQUE

 

Afonso de Albuquerque nasceu em Alhandra por volta de 1462, numa família aristocrática (filho segundo de Gonçalo de Albuquerque, Senhor de Vila Verde de Francos), sendo educado na corte de D. Afonso V. Foi um dos mais valorosos portugueses dos séculos XV e XVI, tendo-se destacado como grande estratega militar, como navegador e sobretudo como administrador português no Oriente.
Em 1476 acompanhou o ainda príncipe D. João II nas guerras com Castela, tendo estado, em Arzila e Larache em 1489, e em 1490 fez mesmo parte da guarda de D. João II, tendo voltado novamente a Arzila em 1495.
Em 1503 é enviado à Índia, no comando de três naus, tendo participado em várias batalhas, erguido a fortaleza de Cochim e estabelecido relações comerciais com várias cidades e reinos vizinhos, entre os quais o de Coulão.
Regressou a Portugal em 1504, onde expôs a D. Manuel o seu ponto de vista acerca do futuro português na Índia. A criação de um verdadeiro império no Oriente, passava, segundo Afonso de Albuquerque, pela conquista de posições estratégicas nos mares do Índico.
Aceite o seu plano pelo monarca português, seguiu para a Índia, em 1506, como capitão-mor do mar da Arábia. Apesar das forças diminutas de que dispunha, conquistou Omã e submeteu Ormuz (em 1507).
Em 1508, terminou o triénio de D. Francisco de Almeida como Vice-rei, devendo suceder-lhe D. Afonso de Albuquerque. O certo é que a relação entre ambos se complicou, valendo a chegada ao Oriente do marechal D. Fernando Coutinho, em Outubro de 1509, que colocou D. Afonso de Albuquerque no poder, de acordo com a vontade real.
Já como vice-rei da Índia, em substituição de D. Francisco de Almeida, conquistou Goa (em 1510) e entrou no Mar Vermelho em 1513. Com a conclusão da construção da fortaleza de Ormuz em 1515 concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controle marítimo e o monopólio comercial da Índia.
Do seu plano geo-estratégico fez igualmente parte a conquista da importante cidade de Malaca que controlava toda a navegação entre a Índia e o extremo Oriente. Em 1511, com apenas 800 portugueses e 200 malabares conseguiu conquistar aquela importante cidade, edificando de seguida uma fortaleza para protecção de Malaca e do seu estreito. Ao regressar a Goa, o seu barco naufraga, perdendo todos os tesouros apreendidos na cidade logo após a sua conquista. Entre eles consta que havia estátuas em ouro maciço, de tamanho natural.
Ao chegar a Goa encontra a cidade cercada, mas através de uma inteligente manobra militar consegue tomar ao inimigo o Forte de Benastarim, e salvar a sua cidade. Em 1913, faz algumas digressões pelo Mar Vermelho.
Para além de conquistar todas as cidades que considerasse com valor estratégico para o domínio português, Afonso de Albuquerque seguiu, ao mesmo tempo, uma política de miscigenação, estimulando o casamento das indianas com os seus soldados e marinheiros, que depois ficavam a servir na administração do território. Assim, formaria uma nova geração luso-indiana que seria incapaz, no futuro, de expulsar do território a ascendência portuguesa.
Afonso de Albuquerque foi um grande marinheiro e estratega militar, além de ter uma grande capacidade como diplomata e estadista. Foi ele que criou as bases do importante e rico Império Português do Oriente.
Mas estes grandes homens, são, com frequência vítimas de intrigas palacianas que sempre fazem as suas vítimas. Foi o que aconteceu com D. Afonso de Albuquerque. Em deambulações pelo Oceano Índico, ao serviço de Portugal, e quando pensava ser ainda o Vice-rei da Índia foi informado por uma embarcação indígena de que havia sido substituído. Terá proferido, então, a famosa frase: «Mal com el-rei por amor dos homens, e mal com os homens por amor de el-rei!».
Em 16 de Dezembro de 1515, expirou na barra de Goa, à vista da cidade que conquistou, cujo povo nutria por ele a mais profunda admiração, uma vez que sempre os governou, com respeito e justiça.

 

publicado por viajandonotempo às 15:32

Maio 10 2009

A Confraria do Queijo Rabaçal realizou o seu VIII Capítulo, em Ansião

ontem (9 de Maio)

 

A Confraria do Queijo Rabaçal, que tem como objectivo a promoção e divulgação desse excelente produto gastronómico,levou a efeito o seu VIII Capítulo, desta vez na vila de Ansião, dando sequência à rotatividade concelhia que, desde início, se tornou a regra para este grupo, que é constituído por membros oriundos dos 6 concelhos que produzem o delicioso queijo Rabaçal (Ansião, Penela, Soure, Pombal, Alvaiázere e Condeixa).

O programa deste Capítulo cumpriu-se a partir das 10 horas com a recepção, nos Paços do Concelho, por parte do actual Grão-Mestre e Chanceler, Dr. Fernando Antunes, doseu 1.º Grão-Mestre Chancelerque foi o Eng.º Fernando Pimenta e do Presidente da Câmara, também Confrade, Dr. Fernando Marques.
A sessão de Boas Vindas decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, usando da palavra o Presidente da Câmara que se congratulou com a realização do evento na nossa terra, deu as Boas Vindas a muitas da Confrarias que estavam representadas e referiu os vários pontos do Programa. Também o Chanceler se fez ouvir, para reforçar as palavras do Presidente da edilidade e agradecer a simpática hospitalidade que Ansião e os ansianenses revelam na arte de saber receber quem nos visita.
Seguiu-se um “porto de honra” no espaço anexo ao Bar. Cerca das 11 horas, o Pároco de Ega (uma das freguesias do concelho de Condeixa), também Confrade da Confraria Anfitriã, celebrou Missa na Igreja Matriz de Ansião, que se encheu de colorido dos trajes dos confrades que quiseram participar na celebração que lembrou os confrades já desaparecidos do nosso convívio.
Era meio-dia, quando as ruas do centro histórico da vila se encheram de cor e movimento pouco habitual nestes sítios. Muitos dos circunstantes e peregrinos a caminho de Fátima, que nesse momento por ali passavam, pasmaram-se por não saberem do que se tratava: era o tradicional Desfile de todos os Confrades presentes, exibindo os trajes característicos, aberto pela Confraria do Queijo Rabaçal, a que se seguiam todas as outras Confrarias convidadas, com as respectivas bandeiras. É sempre um interessante espectáculo para a vista.
Aconteceu, depois, no Centro de Interpretação Ambiental do Nabão a sessão solene deste VIII Capítulo, onde pontificou a entronização de novos confrades. O Mestre-de-cerimónias foi o 1.º Grão-Mestre Chanceler da CQR, Eng.º Fernando Pimenta, que daria a palavra ao Prof. Manuel Augusto Dias para fazer uma pequena palestra sobre o Queijo Rabaçal. Conhecedor da história local e apreciador do seu queijo, fez uma abordagem histórica do queijo como alimento, caracterizou a região produtora do queijo Rabaçal, referiu a quantidade de cabeças de gado que existia no concelho há 157 anos atrás e divulgou os preços do queijo Rabaçal no mercado de Ansião no 1.º quartel do século XX. Terminou a sua intervenção com a divulgação de alguns provérbios referentes a tudo o que tem a ver com a produção do nosso queijo.
Falou também o actual Grão-Mestre e Chanceler, Dr. Fernando Antunes, recordando a razão de ser desta e das outras Confrarias gastronómicas, da importância das associações intermunicipais, pois sem essa união somos cada vez mais pequenos e do papel de relevo que desempenham na promoção dos produtos genuinamente portugueses. Usou também da palavra o Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, José Espírito Santo para relevar a importância destes encontros.
Procedeu-se, então, à entronização de dois Confrades de Honra da Confraria do Queijo Rabaçal: o Eng.º Luís António Damásio Capoulas e o Dr. Manuel Augusto Dias, o 1.º por ter sido ele o Secretário de Estado que na altura sancionou a Denominação de Origem Protegida para o queijo Rabaçal, o 2.º pela sua dedicação à história e defesa da terra onde nasceu, conforme consta do Diploma que foi lido e entregue a cada um, depois do cerimonial de entronização presidido pelo respectivo Grão-mestre e Chanceler da Confraria.
Foram ainda entronizados seis novos Confrades, entre os quais a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Ansião, Dr.ª Célia e o amigo Rui Simões.
Concluiu-se o VIII Capítulo da Confraria do Queijo Rabaçal com a prova de queijo Rabaçal e um almoço-convívio servido no antigo lagar do Centro de Interpretação Ambiental do Nabão, onde não faltou a sopa à lavrador, o cabrito, arroz de miúdos, grelos, pão e broa da região, vinhos das Terras de Sicó e, à sobremesa, requeijão com mel, tudo ao som de música ao vivo. A oportunidade foi aproveitada para troca de “prendas” entre as muitas Confrarias presentes. Lembramo-nos de terem sido nomeadas as seguintes:a Real Confraria do Maranho da Pampilhosa da Serra, a Confraria do Bodo de Pombal, a Confraria da Chanfana de Vila Nova de Poiares, a Real Confraria da Cabra Velha de Miranda do Corvo, a Confraria Gastronómica do Cabrito da Serra do Caramulo; a Confraria do Vinho de Lamas - Miranda do Corvo, a Confraria da Broa de Avintes, a Confraria Madeirense de Carnes, a Confraria Gastronómica da Panela ao Lume, de Guimarães, a Confraria da Gastronomia do Ribatejo, a Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, a Confraria Nabos e Companhia, de Carapelhos (Mira), a Confraria da Lampreia de Penacova, a Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa, de Arouca, a Confraria Gastronómica de Almeirim e a Confraria do Pinhal D’El Rei, de Leiria.
 

Veja toda a notícia em:   http://www.ansiaonews.web.pt/2009/news/Mai/09Mai10ansiaonews01.html

publicado por viajandonotempo às 23:42

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