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Maio 08 2009

Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina (Ansião) 1996

 

 

A Confraria de N.ª Senhora da Paz da Constantina foi o título do meu 1.º livro, publicado há quase 13 anos. O prefácio é subscrito pelo ilustre ansianense, entretanto falecido, Dr. Vítor Faveiro.

Trata, obviamente, dessa Irmandade que ainda hoje sobrevive, graças ao esforço abnegado de cerca de 40 confrades, que assim continuam a dar vida a uma das mais antigas instituições do concelho de Ansião (no distrito de Leiria – Portugal).
É uma confraria secular ou laica, porquanto os oficiais da mesma tinham que, por força dos Estatutos, sujeitar todas as contas à aprovação do Provedor da Comarca.
Instituída no dia 17 de Outubro de 1623, a Confraria de N.ª Senhora da Paz assumiu características muito especiais, que fizeram dela uma das mais conhecidas e com maior número de confrades da região centro do País. Isto, porque se tratou de uma confraria que nasceu da necessidade de organizar o culto a N.ª Senhora da Paz e de arrecadar, convenientemente, as avultadas esmolas, que eram oferecidas por grande número de peregrinos que acorriam à Constantina, durante todo o ano, a cumprir suas promessas, devidas por milagres obtidos pela intercessão daquela Senhora.
De facto, estamos perante uma associação de culto que tinha a seu cargo um pequeno santuário mariano, constituído por uma linda capela seiscentista, com um rossio espaçoso para o lado Norte do templo, onde todos os anos, a 24 de Janeiro e a 2 de Julho, tinham lugar feiras francas.
A Confraria encarregava-se, para além do que é costume em todas as instituições congéneres (e que tem a ver com as obrigações que decorrem do Compromisso, designadamente deveres de ordem religiosa, como sejam a celebração de missas por ocasião do óbito dos seus irmãos, ou a organização do culto à padroeira ou padroeiro, ou de ordem administrativa, como seja velar pelo património da confraria), da manutenção da Capela, da organização das feiras, e da contratação ou eleição de um capelão que celebrasse as missas das festividades, as missas dos domingos e dias santos e dos doze apóstolos.
A Irmandade de N.ª Senhora da Paz foi erigida numa conjuntura particularmente difícil, como foi a do século XVII (tempo de guerras, fomes e pestes), e é, quase sempre, em momentos de grande sofrimento que a religião, a fé e os milagres assumem particular relevância na mentalidade e comportamento populares.
Aliás, a religiosidade popular da época, conhecia um florescimento do culto mariano, não só em Portugal, como em Espanha e na França. Um pouco por todo o País, o culto a Nossa Senhora ia-se generalizando em torno de pequeninos templos que veneravam N.ª Senhora, sob diversas invocações. O nome de Maria, que chegou a ser evitado no baptismo por escrúpulo, começou a ser adoptado como homenagem à Mãe de Deus, por especial devoção das pessoas mais dedicadas ao seu culto.
Em 1623, precisamente na data em que se erigiu a Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina, o Papa Urbano VIII, confirmou a Instituição da Ordem Militar da Conceição da Virgem Imaculada que, 17 anos mais tarde, a 8 de Dezembro de 1640, D. João IV coroaria Rainha de Portugal e se tornou, também, a padroeira da paróquia de Ansião.
Assim se compreende melhor, a expansão que esta Confraria conheceu no século XVII, tendo como confrades inscritos, pessoas de toda a região centro, mormente da área demarcada pelo rio Mondego ao Norte, e pelo rio Tejo ao Sul, se bem que haja também pessoas, embora em muito menor número, de terras do Alentejo, e de localidades a Norte de Coimbra. Em torno da devoção a N.ª Senhora da Paz, milhares de pessoas foram em peregrinação à Constantina, ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Nos finais do século XIX, com a retirada das feiras pela Câmara de Ansião, que as transferiu para a vila (sede do concelho); e, na segunda década do século XX, com o fenómeno de Fátima - a escassos 40 Km de Ansião - o santuário mariano da Constantina entrou em decadência acelerada, perdendo quase toda a resplandecência de outrora.
Hoje, a capela mantém a imponência dos tempos idos, mas a Confraria é pobre, sobrevivendo da cotização dos seus membros; dos superavits que resultam das festas que os mesários da Confraria continuam a organizar, anualmente, à Senhora da Paz e a Santo António; do dinheiro que cobra pelo acompanhamento dos funerais daqueles que não são seus confrades ou das respectivas famílias; e de uma ou outra iniciativa, de entretenimento ou afim, levada a cabo exactamente com o objectivo de angariar alguns fundos.

 

publicado por viajandonotempo às 10:40

Maio 06 2009

 

 

O Padre Américo é considerado, ainda hoje, um modelo como “educador social” dono de uma grande capacidade intuitiva, que desenvolveu uma filosofia de acção muito própria, repleta de princípios, valores religiosos e morais, que depois foi canalizando para a prática quotidiana.

O Padre Américo (o seu nome completo é Américo Monteiro de Aguiar) nasceu no dia 23 de Outubro de 1887, em Galegos (concelho de Penafiel). Foi o oitavo filho duma família cristã. Depois de ter frequentado o ensino primário, começou por trabalhar na actividade comercial no Porto e, em 1906, foi para Moçambique, regressando a Portugal em 1923, com 36 anos de idade, altura em decide tornar-se religioso, como franciscano, ingressado no Convento Franciscano de Vilariño de Ramallosa, Espanha, onde tomou o hábito no dia 14 de Agosto de 1924. Contudo, após dois anos de vida conventual, abandona a opção do franciscanismo, mas não a de sacerdote. Com o objectivo de se ordenar, tentou entrar no Seminário do Porto, como a sua admissão foi recusada, entrou no Seminário de Coimbra em 1925, aos 38 anos.
No dia 29 de Julho de 1929 (comemora-se este ano o 80.º aniversário da sua ordenação), com 42 anos, seria ordenado padre, passando a dedicar-se, de forma mais intensa e determinada, a auxiliar os mais pobres da cidade do Mondego: pessoas sem abrigo, famílias sem rendimentos, doentes e presos.
No âmbito dessa acção ao serviço dos mais desfavorecidos, tomou conta da “Sopa dos Pobres” de Coimbra e promoveu “Colónias de Férias” para as crianças da rua. Terás sido no desenvolvimento dessa actividade que lhe surgiu a inspiração da criação da “Casa do Gaiato”.
A 1.ª seria criada em Miranda do Corvo (distrito e diocese de Coimbra), a 7 de Janeiro de 1940, com o objectivo de apoiar os rapazes abandonados, vítimas da miséria social então instalada no país, na difícil conjuntura da 2.ª Guerra Mundial. Três anos mais tarde (1943), o “Pai Américo” começou a construir a “Aldeia dos rapazes em Paço de Sousa (concelho de Penafiel). Em 1944, surgiria o primeiro número do jornalinho “O Gaiato” (um periódico escrito, feito e, em parte, distribuído pelos rapazes da obra).
Centenas de “gaiatos” errantes, transformaram-se em homens honestos, bons chefes de família, pais exemplares, cidadãos úteis à sociedade.
Em 1945, abriu um Lar para Estudantes no Porto; em 1951 fundou o Património dos Pobres, dedicado às famílias sem casa; em 1952 as “Conferências Vicentinas dos Gaiatos” tinham já construído 26 casas, “Património dos Pobres”, nos distritos de Lisboa, Coimbra Aveiro e Porto, alargando-se até aos Açores.
Em menos de vinte anos, o Padre Américo ergueu uma obra grandiosa à qual nenhum coração humano pôde ficar insensível.
Em 16 de Julho de 1956, a aventura de “Pai Américo” parou repentinamente num acidente de viação, em S. Martinho de Campo (concelho de Valongo), quando regressava de uma viagem ao Sul do País, contava então 68 anos de idade. Conduzido ainda ao Hospital Geral de Santo António, do Porto, acabaria por falecer.
Foi exumado a 15 de Julho de 1961, no cemitério paroquial de Paço de Sousa, e trasladado no dia 17de Julho de 1961 para a Capela da Casa do Gaiato de Paço de Sousa, onde jaz em campa rasa, como fora seu desejo. Durante as cerimónias fúnebres, usou da palavra o deputado Dr. Urgel Horta, tendo afirmado, a certa altura, o seguinte: «(...) Saibamos nós compreender a grande lição da sua vida, tudo fazendo para que a sua obra de tanta magnitude e projecção e tanta grandeza se transforme em fundação, que a alargue e continue, e da mais fraterna solidariedade humana contida no Evangelho».
Por ocasião da comemoração do 50.º aniversário da sua morte, o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) publicou uma Nota Pastoral em que defende o «modelo inédito de educação da juventude» do Padre Américo, fundador da “Obra da Rua” (Casas do Gaiato).
publicado por viajandonotempo às 23:20

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