VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Agosto 23 2009
Avelar
 

Brasão da vila de Avelar

 

Brasão: escudo de azul, aveleira de ouro e frutada de vermelho, entre duas rocas de fiar de prata, postas em pala; em chefe, pomba do Espírito Santo de prata, nimbada de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «AVELAR - ANSIÃO».

 

Bandeira da vila de Avelar

 

 Apontamento histórico

            Foi vila e sede de concelho entre 1514 e 1836. Era constituído apenas pela freguesia da sede e tinha, em 1801, 478 habitantes. Embora seja uma das mais pequenas freguesias, em área geográfica, a sua sede - a vila do Avelar - é um dos grandes aglomerados urbanos do concelho, com grandes tradições no que respeita à industrialização têxtil.
            Situada em suave declive ligeiramente inclinado para Oeste, e numa campina fértil, Avelar fez parte, até ao século XVII, da paróquia de Aguda. Contudo, devido à distância a que ficava a sede da paróquia, reivindicou-se perante Roma a autonomia que seria conseguida por despacho favorável de Inocêncio XI ao autorizar a paróquia separada, em 1680, com o orago do Espírito Santo.
            O Pelourinho de Avelar e a Capela de Nossa Senhora da Guia são dois bons exemplos do património arquitectónico local. A Igreja, que esteve na base de uma das romarias mais concorridas da região centro do país, chegando a juntar cerca de 40 mil visitantes, sofreu obras de melhoramento há poucos anos.
            Por decreto régio de 31 de Dezembro de 1836, o Avelar perdeu o estatuto de vila e cabeça de concelho, para ser incorporada no concelho de Chão de Couce; em 24 de Outubro de 1855 este seria extinto, passando o Avelar para o concelho de Figueiró dos Vinhos; finalmente, em 1895, viria a ser desanexada deste, para passar a integrar o concelho de Ansião.
            Graças às muitas esmolas oferecidos à milagrosa imagem de Nossa Senhora da Guia, foi fundado nos finais do século XIX, o Hospital de Nossa Senhora da Guia, que ainda hoje está em plena actividade, sendo um dos mais conceituados estabelecimentos de saúde do Interior Norte do Distrito de Leiria. É gerido por uma Fundação com esse nome.
            Uma das mais-valias do progresso do Avelar, foi a indústria têxtil. Tudo começou na povoação de Lomba da Casa, do concelho de Figueiró dos Vinhos, donde era natural a família Moreira, cujos descendentes, fixaram residência em Avelar, por casamento e aqui foram fundando sucessivas empresas industriais. Aqui se fabricou estamenha (paninho), xailes, cobertores, mantas e meias.
            Na década de 1960 as empresas modernizam-se, chamando técnicos especializados, da Covilhã, que com as respectivas famílias aqui se foram fixando. Para aqui vieram algumas pessoas das vizinhanças à procura de trabalho.
            A indústria têxtil e o comércio foram as actividades que permitiram grande desenvolvimento, levando a que a freguesia fosse reelevada à categoria de vila.

 

Pelourinho de Avelar

Constituído por um soco quadrangular de três degraus sobre o qual assenta coluna de base quadrada, fuste cilíndrico com parte terminal canelada, sobrepujado por pinha estriada. 

 

Igreja da Nossa Senhora da Guia (Avelar)
 
        A paróquia de Avelar, como já se disse, só foi criada em 1680. A actual matriz era apenas a capela de Nossa Senhora da Guia, já mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758. Mas por ser o principal ponto de convergência de muitos peregrinos, acabou por tornar-se também a Igreja paroquial. A antiga Igreja matriz situava-se mais para Oeste e dela quase já não existem vestígios.
            Devido ao grande rendimento de esmolas à milagrosa Nossa Senhora da Guia, em 1757, inicia-se a construção de uma nova Capela (por provisão do Infante Dom Pedro, datada de Lisboa, a 9 de Julho de 1757, enviada ao ouvidor da comarca das Cinco Vilas de Chão de Couce). A sua construção prosseguiu, com o produto das esmolas do povo, concluindo-se já na década seguinte.
            Trata-se de um edifício simples de silhueta renascentista, dedicado à Nossa Senhora da Guia. Composta por uma só nave.
            A empena é decorada por um brasão real. Uma volumosa torre eleva-se do lado esquerdo, formada por três corpos distintos, de secção quadrangular; um inferior e outro mediano, com sinos; o conjunto é encimado por um corpo octogonal rematado em coruchéu piramidal cintado por dois cordões de cantaria, acantonados por urnas, sem fogaréu, como os que ladeiam a cruz da empena, com volutas.
            No interior, apresenta uma nave única, com tecto abaulado, de madeira pintada. As esculturas que contém são populares, de pedra, representando o Espírito Santo - seu orago -, um S. Sebastião e uma Virgem do Rosário, e o lado Sul.

 

 

Forno de Nossa Senhora da Guia
    
No largo da Igreja, ao cimo de um enorme espaço aberto, que foi o antigo terreiro, pode admirar-se o grande Forno, construído no topo de uma imponente escadaria que terá origem medieval. Este Forno, esteve, desde sempre, ligado às Festas de Nossa Senhora da Guia. Nos dias de romaria (1.º de Setembro de cada ano) era aceso, havendo uma pessoa, que para cumprir a sua promessa, entrava no Forno bem quente, levando nas mãos a farinha para cozer e fazer um enorme bolo, e na boca, para sua protecção, um cravo. Diz a lenda que, graças à protecção divina, saía ileso. O bolo era, depois de cozido, tirado e dividido em pequenos pedaços que os devotos levavam e que, por vezes, colocavam nas arcas de roupa, contra a traça.
            O Forno é uma construção hexagonal, com uma cruz de trevo no topo da cúpula e dois pináculos piramidais ao lado da cruz.
 
Hospital de Nossa Senhora da Guia
hospitalnsrdaguia.png

O Hospital de Nossa Senhora da Guia do Avelar foi uma das obras mais relevantes que se fez no Avelar, no fim do século XIX, tendo sido considerada mesmo a melhor do Distrito, na época. Como já se referiu, a sua edificação ficou a dever-se, sobretudo, ao Dr. Costa Simões e Alfredo Manso que, assim, deram o melhor destino às fartas esmolas que os fiéis davam, anualmente, à milagrosa imagem de Nossa Senhora da Guia do Avelar. A sua inauguração teve lugar no dia 31 de Agosto de 1894, data em que se iniciava mais uma grande romaria à Senhora da Guia.
O Hospital do Avelar passou, algumas vezes, por situações bastante difíceis, nos aspectos administrativo e financeiro, como aconteceu, por exemplo, no início da década de 30, a que não foram estranhas lutas de ordem político-religiosa, em torno do seu financiamento e gestão. Mas, a verdade, é que o tradicional querer do povo do Avelar e a sua união nos momentos difíceis, acabaram por triunfar e o Hospital do Avelar ainda hoje é um bom estabelecimento hospitalar, sem dúvida, um dos melhores do Norte Interior do Distrito de Leiria.
Algumas vezes o reforço financeiro para a sua sobrevivência foi conseguido através de cortejos de oferendas, a que não raro se associava todo o concelho. Um desses Cortejos teve lugar no dia 4 de Dezembro de 1960, e foi presenciado pelas autoridades do Distrito, do Concelho e pelas individualidades de maior destaque do Concelho. Em 1965, pensou-se na remodelação do Hospital do Avelar. O Fundo do Desemprego contribuiu com um subsídio de 500 contos, que correspondeu a metade do valor orçamentado, 1000 contos. O restante foi conseguido com o apoio dos Ministérios das Obras Públicas e da Saúde e Assistência, da Direcção Geral dos Hospitais e graças aos donativos da população avelarense que organizou outro cortejo de ofertas, no dia 28 de Janeiro de 1967, que rendeu 250 contos.
Foi precisamente no dia 28 de Janeiro de 1967, com pompa e circunstância, que se inaugurou o edifício, completamente remodelado, do Hospital do Avelar. A Direcção Administrativa da Fundação de Nossa Senhora da Guia, constituída por Alfredo Dias Coelho, José Godinho Mendes Lopes e Isabel Teixeira Baptista, tinha razões de sobra para se sentir feliz, com a concretização do seu projecto. Ao acto inaugurativo, para além de muito povo, compareceram o Ministro das Obras Públicas, Eng.º Arantes e Oliveira, o Ministro da Saúde e Assistência, Dr. Neto de Carvalho, o representante da Câmara de Ansião (por motivo de doença do Presidente), Vereador Manuel Ferreira, os Deputados pelo Círculo de Leiria, Dr. Furtado dos Santos e Dr. Ernesto Lacerda; Director-Geral dos Hospitais, Dr. Coriolano Ferreira, o Governador Civil de Leiria, Olímpio Duarte Alves, o Juiz Corregedor do Círculo de Leiria, Dr. Rocha e Cunha, o Juiz da Comarca de Ansião, Dr. Ferreira da Cunha, o Sub-Delegado de Saúde do Concelho, Dr. António Amado Freitas, e ainda o Comandante de Companhia e Secção da GNR, o Provedor da Misericórdia de Ansião, os Presidentes das Câmaras de Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos e Penela, o Comandante do Corpo Activo dos Bombeiros Voluntários de Ansião e muitas outras individualidades do Concelho.
O Hospital do Avelar foi, ao longo de todo século XX, a melhor sala de visitas da mais industrial vila do concelho. Comícios, Conferências, Festas e Discursos na Primeira República; Festas, Discursos e Grandes Recepções no período do Estado Novo. Vimos acima que ali foram recebidos dois Ministros em simultâneo; no dia 4 de Março 1972, esteve lá o Ministro da Saúde e Corporações, Dr. Baltazar Rebelo de Sousa; mas uma das recepções mais imponentes foi, sem dúvida, a que o Povo do Avelar fez ao primeiro Prémio Nobel Português, Doutor Egas Moniz, que teve lugar no dia 29 de Julho de 1950.

 

Sobre o Avelar, não deixe de consultar o seguinte blog:http://avelar.blogs.sapo.pt/

 

 

 

publicado por viajandonotempo às 13:16
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Agosto 21 2009
Freguesia do ALVORGE (2)
 

 

Outros monumentos da freguesia
 
 
Quinta da Ladeia (Capela da Nossa Senhora do Pilar)
 
 
            Um dos monumentos mais antigos, da freguesia do Alvorge, está em ruínas – é a Torre de defesa da Fonte do Alvorge. Para além de proteger a fonte, era também um importante equipamento militar de defesa da Ladeia, particularmente relevante no contexto da Reconquista Cristã, quando estava em causa a defesa da importantíssima cidade de Coimbra.
Muito próximo do Alvorge e da estrada coimbrã, na antiga Torre da Ladeia, com duplos objectivos defensivos (militares e de protecção da fonte que ali nasce), ao que se supõe sobre construções romanas, existia uma capela que referem ter sido edificada em 1693, hoje totalmente em ruína, dedicada a Nossa Senhora do Pilar e mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758.
            É bem visível ainda uma ampla escadaria de dois lanços opostos que convergia para um patamar de acesso à capela, que se fazia por uma larga porta rectangular. O frontispício é encimado pelo brasão dos Carneiros Figueiredos, sobrepujado por óculo redondo. A zona do Altar é coberta por uma cúpula.
            A capela evidencia uma planta rectangular virada a Oeste já difícil de perceber em toda a sua extensão, devido ao estado avançado de ruína. É perceptível, no entanto, a interligação do corpo da capela com alguns espaços reservados à habitação.
            Dada a importância histórica do templo, e do edifício em que se integra, várias pessoas da região defendem o seu restauro que se afigura cada vez menos provável, mas não impossível.
 
Pormenor do Brasão na fachada da Capela
 
Capela de S. Martinho (Ateanha)
 
            A típica aldeia da Ateanha encontra-se alcantilada no cimo dum monte, onde no tempo das lutas entre mouros e cristãos houve uma importante torre defensiva. Fica a cerca de 6 quilómetros a Leste da actual sede da paróquia.
            A antiga igreja matriz da Paróquia de S. Martinho da Ateanha, apresenta planta longitudinal, simples, com a volumetria disposta na horizontalidade, coberta por um telhado diferenciado de duas e três águas. É alpendrada com quatro colunas que repousam em parapeito corrido aberto por vão ao centro. A frontaria, virada a Sul, é de empena angular, aberta por porta recta sobrepujada por sineira e no topo a cruz latina.
            O interior do templo apresenta nave única de pavimento em mosaico e cobertura em tecto de madeira disposto em três planos. Os altares laterais são em talha, sendo o do lado do Evangelho (lado esquerdo) constituído por três nichos abertos entre quatro pilastras estriadas que repousam numa predela decorada por três querubins relevados, motivo que se repete no entablamento, o frontão de lanços com denticulado no topo é decorado no tímpano com o relevo representando Deus.
            O altar do lado da Epístola (lado direito) é aberto por nicho que guarda a imagem da Santíssima Trindade e é constituído por mísulas que suportam frontão curvo de lanços com friso ornado por querubins e enrolamentos vegetalistas, sendo o rebordo superior decorado por enrolamentos e cartelas com a Pomba do Espírito Santo relevada no tímpano. Contém várias imagens, entre as quais uma estátua em pedra calcárea do padroeiro S. Martinho de Tours, que data de finais da Idade Média e conserva restos de policromia primitiva.
            Junto à porta, situa-se a pia baptismal, semi-esférica e o púlpito com balaustrada em cantaria, com escada de acesso. Um arco triunfal abatido abre para a capela-mor, que tem pavimento lajeado e cobertura em tecto de madeira.
O Altar-mor da Capela da Ateanha
 
            O Altar-mor tem, no lado direito, S. José, ao centro, o Menino Jesus e, no lado esquerdo, S. Martinho. É composto por arquivoltas revestidas a ornatos vegetalistas que enquadram um sacrário de estrutura arquitectónica, decorado por colunas fuseladas e motivos vegetalistas.
publicado por viajandonotempo às 10:16

Agosto 20 2009

 

Freguesia do ALVORGE (1)
 
 
A sede da freguesia
 
 
 
Brasão: escudo de ouro, torre quadrada de azul, aberta, iluminada e lavrada de prata; em chefe, cruz latina de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «ALVORGE».
 
Apontamento Histórico
 
            O Alvorge é uma freguesia do concelho de Ansião. O povo ainda hoje lhe atribui o título de Vila. Ao longo da sua história pertenceu a vários concelhos, entre os quais o do Rabaçal, antes de vir a integrar o de Ansião. Esta Paróquia pertenceu, durante vários séculos, à Universidade de Coimbra.
            A região e a freguesia foram habitadas desde tempos imemoriais, como se comprova pela existência de muitos vestígios arqueológicos. Existe, por exemplo, um castro romanizado, em Trás de Figueiró.
            No período da Reconquista Cristã, integrava a zona fronteiriça da Ladeia com a sua torre de defesa avançada da capital coimbrã (que também tinha o objectivo de proteger uma farta fonte de água, já que a região é pobre em nascentes), de que ainda restam alguns vestígios.   
            Uma das primeiras referências a Alvorge surge em 1141 (ainda antes da independência do Reino de Portugal) num documento, em que D. Afonso Henriques doa a herdade de Alvorge e a sua torre, em testamento, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
            O topónimo Alvorge, de origem árabe, significa pequeno forte ou torrinha. O povoamento cristão das terras da Ladeia teve início com o primeiro rei português que tinha a intenção de alargar, o mais possível, a sua fronteira Sul. Com esse propósito mandou construir, em 1142, o Castelo do Germanelo, cuja carta de foral determinava que os seus povoadores, além de serem livres de impostos, ficavam perdoados e isentos de justiça pelos crimes de homicídio e de furto, sob a condição de não poderem abandonar as terras do Germanelo, que teriam de cultivar e defender.
            Ligada ao Castelo do Germanelo, existe uma lenda ainda hoje muito conhecida e divulgada, segundo a qual havia dois gigantes que eram irmãos (“germanelos”, que significa irmãozinhos), vivendo cada um em seu monte, um no Gerumelo, mais a Sul, e o outro, no Melo, a Norte. Como só tinham um martelo, partilhavam-no entre si. Um dia, o Gerumelo porque estava mal-humorado atirou o martelo com tanta força, que este perdeu o cabo no ar. A maça de ferro caiu no sopé do monte Melo, onde apareceu uma fonte de água férrea; o cabo, que era de zambujo, caiu mais longe e deu origem a um Zambujal.
Freguesia de invocação de Nossa Senhora da Conceição. Foi vigararia da apresentação da Universidade de Coimbra. Em termos administrativos, pertenceu ao concelho do Rabaçal, extinto pelo Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1853, data a partir da qual passou a fazer parte do concelho de Soure. Finalmente, pelo Decreto-Lei de 24 de Outubro de 1855 foi anexado no de Ansião, onde ainda se mantém.
            Faz parte da freguesia do Alvorge, a antiga Paróquia da Ateanha, que também constitui uma aldeia muito interessante e digna de visita. Trata-se de um exemplar de povoamento rural agrupado, no cimo do Monte, onde a antiga Matriz, continua a ser uma preciosidade artística, com o santo padroeiro (S. Martinho) materializado numa estátua em pedra, de finais da Idade Média.
 

Cruzeiro na praça central do Alvorge

 
            Merece igualmente ser visitado o centro urbano do Alvorge, onde se inclui a Capela da Misericórdia. É um edifício barroco, anexo ao antigo Hospital da Misericórdia. No seu interior vale a pena admirar o Altar-Mor, em talha dourada, do séc. XVIII.
            Na mesma Rua há outros edifícios com séculos de existência, destacando-se a Casa Alpendrada que foi doada à Santa Casa da Misericórdia local.       
            Também a Igreja Matriz, de finais do século XVII, dedicada a N.ª Sr.ª da Conceição, deve ser apreciada. Tem um Altar em talha seiscentista com colunas salomónicas e arco recamado de figuras de anjos, parras e cachos de uvas, bem como várias imagens de Santos que vale a pena observar.
            Anualmente, o Centro Social, Cultural e Recreativo de Alvorge organiza as Festas (de que faz parte um Festival de Folclore) que no primeiro fim de semana de Julho trazem grande animação à sede da freguesia.
 
Igreja Matriz do Alvorge
 
            A Igreja actual não terá sido a primeira a ser construída nesta localidade. Há notícias de que já em 1229, havia sido edificada a Igreja de Santa Maria do Alvorge. A actual Matriz terá sido construída ao longo dos séculos XVI- XVII-XVIII.. O seu orago inicial era N.ª Sr.ª da Assunção, mas, após o século XVII, começou a chamar-se da Conceição (sobre Nossa Senhora da Conceição, veja-se o que se escreveu no ponto 2.1.4.1). Esta Igreja é mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758.
            De planta longitudinal, esta Igreja apresenta nave única, capela-mor e torre sineira. A fachada principal orientada em três panos, é aberta no plano central por portal de verga curva encimado por janelão do mesmo tipo, remata em empena angular sobrepujada por cruz. A fachada Sul é constituída pelo corpo do coro aberta por uma porta em arco quebrado, pela torre sineira de quatro registos delimitados por frisos, aberta no superior por quatro sineiras e cobertura em coruchéu com base em mansarda flanqueado por quatro pináculos e sobrepujado por cruz latina. A fachada Este é de plano único em empena angular e a fachada norte é composta por três corpos de estatura crescente abertos intercaladamente por janelão, janelas geminadas, porta, janelão e porta. O seu interior tem coro alto contracurvado e resguardado por balaustrada, assente em seis colunas avançadas e um corta-vento. Apresenta lápide setecentista, com a seguinte inscrição: “ESTA IGREJA HE QVOTID/ANA.TEM HUM DIA VAGO”.
            A nave única é revestida por silhar de azulejos, possui pavimento em mosaicos e cobertura em tecto de madeira pintado a cor, disposto em três planos. O baptistério com pia de cálice simples, semi-esférico de base bojuda, tem duas imagens, uma de S. José e outra da Virgem Maria, encomendadas às oficinas da casa Fânzeres, em Braga. A igreja possui dois altares colaterais em talha oitocentista, dispostos na diagonal, que flanqueiam o arco triunfal abatido que acede à capela-mor, de tecto em três planos, com retábulo-mor seiscentista, de talha dourada com parras, florões e figuras incarnadas de anjos músicos. O altar da igreja, datado de 1553, foi decorado por Belchior da Fonseca, pintor de Cernache, mas no século seguinte, foi revestido a talha dourada.
            Nas obras que se fizeram no século XVIII foram removidos os azulejos hispano-árabes que revestiam este templo. Já no século XX realizaram-se novas obras de melhoramento que alteraram o seu aspecto interior e também o adro da igreja.
 
       Altar-Mor da Igreja Matriz do Alvorge
 
            No Adro da Igreja Matriz do Alvorge, objecto de importante arranjo urbanístico há relativamente pouco tempo (bem como toda a sua área envolvente), encontra-se uma estátua representando Nossa Senhora de Fátima e os três pastorinhos ajoelhados e, noutro local, uma Cruz de grandes proporções, com uma estrutura de miradouro à volta, a que se acede por uma escadaria com mais de uma dezena de degraus.
 

Capela da Misericórdia do Alvorge

 
            A Capela da Misericórdia do Alvorge, também mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, insere-se no mesmo conjunto arquitectónico do antigo Hospital da Misericórdia e, vista do exterior, quase não se distingue.
            É dos séculos XVII-XVIII, com adro delimitado por um muro com gradeamento (de 1908), aberto por duas portas que acedem ao templo e ao antigo hospital. De planta rectangular, de massa simples está disposta na horizontalidade. Cobertura diferenciada em telhados de duas águas disposto transversalmente, que em continuidade com os outros telhados dá um aspecto ondulado a todo o conjunto.
            A fachada principal, correspondente ao corpo da capela, é delimitada por pilastras, ladeada por pináculos e rematada por cruz de trevo assente em pequeno plinto. Aberta por portão em arco pleno com bandeira de vidraça colorida e com data de 1764/ 1904, sobre a verga da porta. O corpo do hospital é encimado por um arco sineiro e aberto por três janelas com bandeira, com duas portas rectas. No tímpano, assente em cornija, destaca-se o escudo real, datado de 1696 (possivelmente do reinado de D. Pedro II) e com a seguinte inscrição: “VIVA A FÉ/ DE CHRISTO”.
            O interior da capela apresenta nave única, arco triunfal lavrado com as armas reais no fecho. Abre para a capela-mor com abóbada de berço em caixotões. Altar-mor em talha dourada policromada. A igreja liga ao interior do hospital, por uma porta da capela-mor.
 
 
Pormenor das armas reais na Misericórdia do Alvorge
 
publicado por viajandonotempo às 10:22
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