VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Setembro 08 2009

SANTIAGO DA GUARDA

(2.ª parte)

 

  

Capela da N.ª Sr.ª da Orada (Cabeça – Santiago da Guarda)
  
            A povoação de Cabeça fica a cerca de um quilómetro e meio, a Nordeste de Santiago da Guarda. Segundo reza a tradição, foi aí que se localizou a primitiva igreja matriz, cuja padroeira era Nossa Senhora da Orada. Este templo aparece mencionado nas Memórias Paroquiais de 1758.
         A Capela da Nossa Senhora da Orada apresenta uma planta longitudinal composta por nave, capela-mor e sacristia. Massas dispostas na horizontalidade com cobertura homogénea em telhado de duas águas, prolongando-se em aba corrida sobre a sacristia. É constituída por nave única de pavimento em grandes lajes com sepulturas numeradas e cobertura em traves de madeira entrecruzadas, dispostas em três planos; do lado do Evangelho, há um púlpito de base quadrangular elevado sobre coluna ornamentado com motivos geométricos pintados em duas faces do balcão, tendo a face lateral, junto à escada que lhe dá acesso a seguinte legenda: “P.E CVRA / M.EL MENDES. M / ANDOV. FAZER. / ESTE PULPITO. / A SVA CVSTA. NO / ANNO. DE. 1702”.
         Junto ao púlpito, abre-se uma capela lateral, interiormente decorada na face, intradorso e pé-direito do arco com motivos vegetalistas, águias coroadas, brasões (a ocres, verdes e preto) e legendas: “HOIE MEV / AMENHA TEV”, representando o painel setecentista de madeira São Miguel e as Almas do Purgatório, num registo inferior, tendo o segundo registo a representação da Santíssima Trindade. A ladear o arco pleno, que acede à Capela-mor, os dois altares com os respectivos antipêndios revestidos a azulejos de aresta do início do século XVI, formando nós de Salomão e esquemas geométricos radiais de estilo mudéjar. A Capela-mor tem abóbada ogival, integra altar com duas colunas estriadas entre pilastras que se prolongam em arco dobrado contendo imagem da Virgem com o Menino. À esquerda, junto à porta que acede à sacristia, a pia de água benta tem a data 1729. A iluminação do interior do templo é feita através de pequeno óculo no frontispício, de frestas da nave e na Capela-mor.
         Na fachada que é rematada pela cruz latina e apresenta o arco sineiro no lado direito, há uma placa em mármore que contém a seguinte inscrição:
«23 – 8 – 66
DATA DA INAUGURAÇÃO DAS
OBRAS DE RESTAURAÇÃO
REALIZADAS NESTA IGREJA»
 
  
 
Capela da Residência e Paço dos Jesuítas (Várzea)

 

         A Várzea fica muito próximo de Santiago da Guarda. Aí existiu, junto à antiga estrada coimbrã, próximo da igreja da Senhora da Orada, uma residência dos Jesuítas.
         Embora esteja em adiantado estado de ruína, ainda é bem visível um edifício de planta rectangular, de dois pisos. Na fachada principal, consegue notar-se uma escadaria de lanço único com patamar de acesso à capela de pórtico de verga recta onde se encontra a seguinte inscrição: “IGNCIO DE LOYOLA (_) DA COMP.A DE IHS ROGAI POR (NOS)”, sob os símbolos do martírio de Cristo. As fachadas são abertas por múltiplas portas e janelas rectas e de avental. No interior inúmeras divisões ligadas por corredores desenvolvem-se em ambos os pisos de pavimento já inexistente. Nas traseiras do edifício principal, encontra-se um pombal coevo, cilíndrico de alvenaria. Em outras construções de apoio à casa surgem inscrições nas padieiras tais como as siglas da Companhia de Jesus “IHS” ou datas “1693”.  
 
 
 
 Esta região é muito rica em fósseis. O anterior Pároco da Freguesia, Armando Olívio Duarte, com uma grande sensibilidade para a natureza e seu património fez uma recolha exaustiva de fósseis que estão na origem da “Casa Museu de Fósseis da Sicó”, inaugurada em 2007, no local da Granja. Do jornal diocesano “Correio de Coimbra” transcrevo a notícia da sua inauguração, com foto onde aparece da direita para a esquerda, o Presidente da Câmara de Ansião, Dr. Fernando Ribeiro Marques, o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto e o Pároco de Santiago da Guarda, Padre Armando Duarte.
 
               «5 de Junho de 2007   
Foi inaugurada Casa Museu de fósseis de Sicó

  A população da Granja, em Santiago da Guarda e várias individualidades, nomeadamente o Bispo de Coimbra, o Vigário Episcopal da Região Pastoral Sul e os autarcas da região, presenciaram a um importante momento, tratou-se da inauguração da Casa-Museu de Fósseis de Sicó.

O espaço propriedade da Igreja Paroquial de São Tiago da Guarda, e que teve como principal dinamizador o pároco, P. Armando Duarte, com o apoio do Centro de Juventude de Santiago da Guarda, exibe um vasto conjunto de vestígios paleontológicos da região com cerca de 150 milhões de anos.
Na cerimónia de inauguração, o P.e Armando Duarte considerou que os fósseis "são um convite a descobrir não apenas a beleza da criação, mas, ao mesmo tempo, também, a grande dignidade da natureza humana", realçando que a recuperação e valorização destes vestígios conduzem à descoberta de "um sentido mais belo para a nossa existência".
O principal dinamizador desta iniciativa referiu ainda que esta obra, a Casa-Museu de Fósseis de Sicó, "se insere no plano da nossa diocese", nomeadamente no capítulo do "diálogo da fé com a cultura", que segundo o documento tinha como objectivo: "estimular os cristãos a assumirem, de acordo com as capacidades e talentos, as suas responsabilidades nos meios da cultura, da informação e da acção social como contributo importante para a construção do reino de Deus".
Já D. Albino Cleto, afirmou-se alegre com a inauguração desta obra "porque sendo uma actividade cultural, mostra que a Igreja está atenta, não apenas esteve, mas continua a estar a tudo aquilo que é valor humano".

De referir que no futuro se espera que esta Casa/ Museu de Fósseis proporcione a oportunidade de estudos científicos para melhor identificação e catalogação dos fósseis expostos.»

publicado por viajandonotempo às 11:36

Setembro 06 2009

SANTIAGO DA GUARDA

(1.ª parte)

 

 

Brasão: escudo de púrpura, torre quadrangular de prata, lavrada de negro, aberta e iluminada de verde, entre duas espigas de milho de ouro, realçadas de negro; em chefe, vieira de ouro, realçada de negro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "SANTIAGO da GUARDA".

 
Bandeira – fundo branco com o brasão no centro. Cordões e borlas de prata e púrpura. Lança dourada

 

Apontamento Histórico
Santiago da Guarda tem sido povoada desde os primórdios da humanidade, o que é testemunhado por diversos vestígios arqueológicos encontrados, designadamente, machados e artefactos neolíticos, no Monte Alvão, lugares de Guarda e Moita Santa, e também muita cerâmica, pedaços de vasilhas, restos de tegulae e imbrices, na zona do Poço do Carvalhal (Várzea), mosaicos e construções romanas sob o Paço dos Condes de Castelo Melhor e um troço bem conservado de estrada romana, próximo do Vale de Boi.
Troço de uma estrada romana
Durante o 1.º reinado português, na carta de doação do Alvorge ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1141) é mencionada a povoação “Façalamim”, que se localiza a Sul do Alvorge. D. Sancho I, em Abril de 1191, deu o dízimo, que uma herdade local pagava à Coroa, ao Mosteiro de São Jorge de Coimbra.
Pero de Sousa Ribeiro, filho de João Rodrigues de Vasconcelos e de D. Branca da Silva, em 8 de Dezembro de 1476, recebeu carta de privilégio de couto e honra para a Quinta que possuía na Freguesia e para a feira da Moita Santa. No final do século seguinte (1597), Luís de Sousa e Vasconcelos, 4.º Alcaide-mor de Pombal, recebeu aquela Comenda. Seguiram-se ainda outras honras e títulos. Em 1758, ainda era Donatário da região, o Conde de Castelo Melhor.
Nesse tempo, Santiago da Guarda possuía vários templos religiosos dignos de destaque (alguns ainda existem): Igreja Matriz, dedicada a S. Tiago (já demolida e substituída por uma nova na década de 1970), as Ermidas da Senhora da Piedade, no Vale do Boi; de Santa Ana, no lugar do Pinheiro; de São Pedro, no Casal dos Nogueiros; de Santo António, nas Louriceiras; de Santa Bárbara, no lugar da Melriça; de São Vicente, no lugar da Moita Negra; e da Senhora da Moita Santa, no lugar do mesmo nome.
Santiago da Guarda integrou o concelho de Rabaçal, na primeira metade do século XIX, e, mais tarde, integrou o concelho de Ansião. A devoção ao apóstolo S. Tiago, nascida no contexto da Reconquista Cristã, subsistiu ao longo dos tempos. Aliás, por aqui passava um dos “caminhos de peregrinação a Santiago”, por isso, as populações desta região se apegaram tanto a esse culto, que acabou por ficar no nome da Freguesia.
Entre o actual património da freguesia, o edifício que mais dá nas vistas é, sem dúvida, aquele a que o povo chama “Castelo” e não é mais que o Solar dos Condes de Castelo Melhor. Trata-se do único Monumento Nacional classificado (desde 1978), em toda a área do Concelho, sendo o único exemplar da arquitectura manuelina na região. É constituído por Torre, Paço e Capela. Muito vandalizado, durante o século XX, algumas portas e janelas manuelinas ilustram o estilo em que foi construído, na 2.ª metade do século XV, acreditando-se que a Torre, em cantaria, será anterior.
um dos mosaicos romanos da "villa" da Guarda em Santiago
  É propriedade do Município, que superintendeu e custeou parte da intervenção a que recentemente foi sujeito, tendo-se encontrado, no subsolo, mosaicos romanos de grande valor, parte deles conservados para serem observados pelos visitantes. Ainda na área da freguesia, próximo à povoação de Vale de Boi, existe um pequeno troço de “calçada romana”, certamente um pedaço de uma via romana secundária, por onde terão passado muitos peregrinos de S. Tiago, que poderão ter tido alguma ligação ao actual nome desta freguesia.
Pela sua importância patrimonial, merecem ser vistos os Moinhos de Vento da Melriça e do Outeiro – únicos no mundo em termos de funcionamento. Este é, de facto, bastante original: toda a estrutura roda à procura do vento que faça girar as velas (em lona), para que estas, por sua vez, façam girar as mós que hão-de moer o grão.
O Artesanato é uma actividade importante na área desta freguesia, que todos os anos, no mês de Julho, organiza uma Feira de Artesanato. A tecelagem e a cestaria são os sectores mais representativos.
O Queijo do Rabaçal tem aqui o maior centro de produção – a Coprorabaçal – que tem como objectivo produzir o delicioso queijo, em quantidade e qualidade. Aqui tem sede, também, a respectiva Confraria do Queijo Rabaçal.
 
Capela da residência dos Condes de Castelo Melhor (Santiago da Guarda)

 

            A capelinha do Solar dos Condes de Castelo Melhor de que restam apenas as paredes e abóbada (agora reconstruídas) apresenta características claras do estilo manuelino. Pessoas antigas com quem conversámos recordam-se, quando o estado de ruína não era ainda tão grande (nas primeiras décadas do século XX) como depois foi, dos bonitos frescos que existiam nesta capela.
Abóbada da Capela Privada do Paço dos Condes de Castelo Melhor
 
Igreja Matriz (São Tiago)

 

A actual Igreja Matriz de Santiago da Guarda é a mais recente de toda a área concelhia, tendo sido construída na década de setenta, do século passado.
Igreja de arquitectura moderna, bastante mais espaçosa do que a anterior, e edificada exactamente no mesmo sítio que aquela ocupava, o seu interesse histórico-patrimonial acaba por ser diminuto.
Uma referência apenas para as importantes esculturas de pedra quinhentista que guarda, designadamente a de Nossa Senhora da Graça e a de São Tiago. Algumas imagens vieram da antiga Igreja Paroquial da Orada (não muito longe da sede desta freguesia), e outras da antiga Igreja de Santiago. Merecem ainda destaque as Imagens de Santo António de Lisboa e de Santa Luzia.          
publicado por viajandonotempo às 09:22

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