VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Maio 30 2015

PEDRO HISPANO MORREU HÁ 738 ANOS

João XXI.png

 Fez no passado dia 20 de maio 738 anos que morreu o único Papa Português, João XXI (há quem considere São Dâmaso o 1.º Papa Português, mas apesar de ter nascido no espaço que hoje é Portugal, naquele tempo era território do Império Romano). Pedro Hispano ou Pedro Julião nasceu em Lisboa em data que até hoje ainda não conseguiu averiguar-se com precisão. Efetivamente, na Idade Média, ainda não havia o rigor que se exigiu nos registos paroquiais após o Concílio de Trento, no contexto da Contrarreforma. Por isso, há muitas dúvidas acerca da data exata do seu nascimento como de muitas outras personalidades nascidas naquele período histórico, tanto no nosso país como noutros reinos europeus.

Pensa-se que seria filho de Julião Rebelo, membro nobre de uma família portuguesa. Segundo os mesmos biógrafos exercia a medicina, tal como viria a acontecer com seu filho.

Terá iniciado os seus estudos na escola episcopal que funcionava junto da Catedral de Lisboa, tendo mais tarde frequentado a Universidade de Paris (alguns investigadores afirmam que aí teve como professor S. Alberto Magno e, como condiscípulos, os ilustres cristãos S. Tomás de Aquino e S. Boaventura) onde estudou Teologia e Medicina. Interessou-se, particularmente, pela dialética, pela lógica e pela física e metafísica aristotélicas. Viria, ainda, a desempenhar a função docente na Faculdade de Medicina da prestigiada Universidade de Siena.

Pedro Hispano foi um sábio. Excelente em Filosofia, nas Letras (dominava bem as línguas grega e árabe) e nas Ciências Matemáticas, autor de obras da maior erudição, entre as quais é muito especial o tratado médico Thesaurus pauperum (Tesouro dos Pobres), muitas vezes reeditado e que terá sido traduzido em várias línguas, bem como o Tratado Summulæ Logicales de que se terão feito mais de 250 edições e traduzido para diversas línguas, nomeadamente para o grego e o hebraico.

Pouco depois de meados do século XIII, foi acumulando importantes cargos eclesiásticos, como é o caso de ter sido eleito decano da Sé de Lisboa, Prior da Igreja de Santo André de Mafra por vontade do Rei D. Afonso III, Cónego da Sé de Lisboa, Tesoureiro-mor da Sé do Porto, Prior da Colegiada Real de Santa Maria de Guimarães e Arcebispo de Braga.

Em 1274 participa no XIV Concílio Ecuménico de Leão, altura em que o Papa Gregório X o promove a Cardeal-bispo o que faz com que passe a residir na Santa Sé, tornando-se o médico particular do Papa.

A sua eleição como Papa decorreria no conclave que se realizou na cidade italiana de Viterbo, após a morte do Papa Adriano V, no dia 18 de agosto de1276, um período bastante perturbado por diversas tensões políticas e religiosas. Seria eleito Papa no dia 13 de setembro e iniciado o seu pontificado a 20 de setembro de 1276, com o nome de João XXI.

Apesar de ter sido Papa por um curto período de oito meses certos (até 20 de maio de 1277) há quem o tenha considerado um bom Papa, até porque se mostrou um incansável defensor da paz entre Reinos e Povos, tornando-se um autêntico precursor do ecumenismo, chegando a receber uma embaixada dos Reis Tártaros, com quem consolidou as relações de amizade, que já vinham desde Gregório X.

Na mesma cidade onde tinha sido eleito Papa há escassos oito meses, aí haveria de morrer também. Há alguns historiadores que envolvem a sua morte em sérias suspeitas, mas a verdade oficial é que morreu na sequência de um acidente, quando visitava, em Viterbo, o quarto do Palácio, que mandara construir e porque tinha sido concluído há pouco, resolveu visitá-lo. Em má hora o fez, porque o edifício desabou em cima dele, ferindo-o gravemente, pois viria a falecer apenas seis dias depois. Seria sepultado na igreja catedral de S. Lourenço, em Viterbo. No século XVI o seu corpo seria trasladado para outro túmulo, mas em 20 de março de 2000, por influência da Câmara Municipal da sua terra natal, o seu mausoléu teria maior dignidade ao ser colocado ao lado do Evangelho da Catedral de Viterbo.

Português de grande destaque (médico, filósofo, professor, teólogo e matemático), o seu nome ainda hoje é badalado de Norte a Sul como importante nome dado a Hospitais (designadamente o Pedro Hispano, em Matosinhos), Institutos (Instituto Pedro Hispano, em Granja do Ulmeiro, Soure) ou topónimo urbano (como a Avenida João XXI, em Lisboa).

publicado por viajandonotempo às 22:09

Maio 08 2015

manifestação vitória dos Aliados no Porto.png

 

  Uma multidão encheu a Avenida dos Aliados (o nome deve-se precisamente à vitória dos Aliados), no Porto, a festejar efusivamente o fim do nazismo na Europa (in Jornal de Notícias, 8 de maio de 1945)

 

A história humana do nosso Planeta está profundamente marcada pelo fenómeno da guerra. Desde a invenção da escrita, há cerca de 6 mil anos, se adicionarmos apenas os anos em que houve paz, não ultrapassaremos seguramente os 3 séculos; ou seja 57 séculos de guerra para apenas 3 de paz!

Este número deve fazer-nos pensar nos motivos que os homens arranjam para estarem, quase permanentemente, a cogitar na eliminação dos seus semelhantes.

Dadas determinadas características especiais (que têm a ver sobretudo com o número de países envolvidos e com as consequências em termos de mortalidade), convencionou-se designar apenas por Guerras Mundiais os conflitos bélicos de 1914-1918 e 1939-1945.

Este último terminou na Europa, faz precisamente hoje 70 anos, mas o seu fim definitivo e total só ocorreria em setembro de 1945 com a incondicional rendição do Japão, assinada a bordo do encouraçado “USS Missouri”, na Baía de Tóquio, após o lançamento das duas bombas atómicas, sobre Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respetivamente.

Estes bombardeamentos atómicos, desencadeados pela Força Aérea dos Estados Unidos da América, foram uma das páginas mais negras e vergonhosas da nossa história coletiva.

As estimativas para o total de vítimas desta guerra não são unânimes, mas a maioria sugere que cerca de 72 milhões de pessoas morreram durante a guerra, isto é, cerca de 26 milhões de soldados e 46 milhões de civis (nestes se incluem, evidentemente, as vítimas do terrível holocausto).

A bomba atómica, lançada pela 1.ª vez e, até agora, única vez, em contexto real de guerra, tinha o objetivo prioritário de apressar o fim da guerra, já que, por um lado, os americanos eram os únicos a possuir este tipo de armamento e, por outro, teriam muitas dificuldades em levar de vencida, pelos métodos clássicos, esse poderosíssimo inimigo que era o Japão.

Nem os americanos nem ninguém conhecia bem os efeitos catastróficos e irreversíveis de tal arma, quer naqueles que foram as suas vítimas diretas, quer naqueles que nasceram depois e continuaram a morrer por causa do lançamento destas bombas.

Assim se compreende que a comunidade internacional tudo tenha feito, e continue a fazer, no sentido de inviabilizar o lançamento deste tipo de armamento e de impedir que apareçam novas potências nucleares. É, sem dúvida, um esforço que se elogia.

O Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares, também conhecido pela sigla CTBT (Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty), proíbe quaisquer explosões nucleares, quer para fins militares quer para fins civis. Este Tratado foi assinado em Nova Iorque, no dia 24 de setembro de 1996, por 71 países, entre os quais se incluem 5 dos 8 estados que possuíam armas nucleares. Felizmente, hoje, o CTBT já foi subscrito pela maioria dos países do mundo.

A opinião pública, em geral, sabe que o início da 2.ª Guerra Mundial se deve ao fracasso negocial da Sociedade das Nações, que não foi capaz de evitar a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) nem a ascensão expansionista de Hitler.

Por isso, no fim da Guerra, teve de pensar-se na fundação de uma nova instituição internacional com os mesmos propósitos da SDN, mas com uma maior eficácia. Assim, surgiu a Organização das Nações Unidas, em junho de 1945, declarando como principais objetivos assegurar a paz e a cooperação a nível internacional.

Fazendo um rápido balanço da ação da ONU, ao longo destas quase 7 décadas de existência, pode considerar-se bem sucedida na medida em que não houve mais nenhuma guerra mundial, mas, infelizmente, houve muitas em vários pontos do Planeta que continuam a matar, a destruir, a mostrar um homem como um ser muito pouco racional.

A terminar, deixo uma crítica que me parece pertinente, ao funcionamento muito pouco democrático do Conselho de Segurança que continua a privilegiar 5 países em relação aos demais, garantindo-lhe a permanência ad eternum naquele órgão e o direito de veto, em exclusividade.

publicado por viajandonotempo às 19:03

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