VIAJANDO NO TEMPO...e no espaço!

Dezembro 21 2018

ASSASSINADO EM 14 DE DEZEMBRO, FOI A ENTERRAR DIA 21 DE DEZEMBRO

Funeral de Sidónio Pais.png

Hoje, dia 21 de dezembro, completam-se cem anos sobre um dos mais concorridos funerais que Lisboa presenciou, o do único presidente da República assassinado durante o exercício do cargo, Sidónio Pais. O Panteão Nacional, onde ele se encontra sepultado, desde a abertura do monumento, em 1966, inaugurou, no mês passado, uma exposição que inclui objetos pessoais que, pela primeira vez, foram expostos ao grande público. Sidónio Pais foi o primeiro Presidente da República que se preocupou com a sua imagem, tendo especiais cuidados na forma como era fotografado e como aparecia em público. Também a ele se deve a fundação do Serviço de Audiovisuais na Grande Guerra, que criou filmes da participação portuguesa na Guerra e de algumas viagens presidenciais no país. Uma curiosidade é que o seu túmulo é o único no Panteão que, desde 1966, tem sempre flores frescas.

Da reportagem sobre o seu funeral, que saiu na “Ilustração Portuguesa” de 30 de dezembro, extraímos alguns excertos, que são bem ilustrativos do que se passou nesse dia: «Aos vivos crêmos que em nenhum ha memoria de se terem derramado tantas lagrimas, de se haver manifestado uma dôr tão intensa e conunicativa na passagem de um morto querido a caminho do eterno repouso. (…) Só quem percorreu lentamente, parando dezenas de vezes pelo caminho, a distancia de 8 quilometros que vae da Praça do Comercio ao templo dos Jeronimos, dando a volta pelo Rocio, por entre alas compactas de gente de todas as categorias; só quem relanceou os olhos por todas essas portas, janelas, telhados, muros, encostas, arvores, por todas as elevações emfim, d'onde se podia abranger o cortejo, é que não achará exagerado quanto se diga, quanto se imagine dos muitos milhares de pessoas que acudiram, de todos os pontos da cidade e do paiz, levadas da mais viva angustia e veneração, a dizer o ultimo e saudosissimo adeus aos tristes despojos d'aquele homem extraordinario, que tanto soubera fazer e amar e resumia, n'este momento supremo da vida nacional, as nossas melhores esperanças. Pelas ruas e praças havia o recolhimento religioso de um templo, onde o que é terreno emudece ante a sublimidade dos misterios a que o espírito se libra. Os mesmos soluços reprimiam-se, como se todos, n'um supremo esforço, se impuzessem a suspensão da vida. (…) O sangrento motim da Rua Augusta, originado certamente n'um estado de tensão morbida dos espiritos, que não precisava mais para explodir do que a pequena faulha necessaria á polvora, marcou, sem duvida, uma perturbação gravissima no cortejo, não tardando este muito a reatar-se e a retomar a sua marcha imponente. (…) E não se faz idéa do que tinha de empolgante esse extraordinario conjunto de todas as hierarquias sociaes, nobres e plebeus, ricos e pobres, homens de ciencia e de trabalho humilde, corporações oficiaes e particulares de toda a especie representando, sem faltar uma só, as forças vivas do paiz, dirigentes e dirigidas, todas as patentes do exercito e da armada, soldados e marinheiros, altos vultos politicos e funcionarios publicos, representantes dos governos aliados e não aliados, forças da marinha ingleza, franceza e hespanhola, colonias estrangeiras, uma infinidade indestrinçavel de entidades, tudo n'um preslito verdadeiramente colossal, entrecortado de bandeiras, de estandartes, de inumeras corõas, levadas á mão ou em carro e matisado de uma profusão inaudita de flores!. (…) A' passagem do seu cadaver, cujo rosto se via atravez da cupula de vidro da urna, meio coberta pela bandeira portugueza, ninguem poude conter a dôr. Sobre ele choviam flôres e bençãos; chorava-se alto e resava-se de joelhos.»

 

publicado por viajandonotempo às 14:09

Dezembro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
15

16
17
18
19
20
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


ÍNDICE DESTE BLOG:
arquivos

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Tags

todas as tags

pesquisar
 
mais sobre mim
contador
subscrever feeds
blogs SAPO