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Novembro 12 2018

O fim da 1.ª Guerra Mundial fez ontem cem anos

Ilustração Portuguesa, 18-11-1918.png

Há cem anos (12 de novembro de 1918), uma multidão na Praça do Comércio (em Lisboa), à espera que se organizasse o cortejo que foi saudar o chefe do Estado e as legações aliadas pela derrota do inimigo, in Ilustração Portuguesa, 18-11-1918

O cessar-fogo ou o Armistício com que terminaria a Primeira Grande Guerra, de tão má memória para Portugal, entrou em vigor às 11 horas do dia 11 do mês 11 (novembro) de 1918.

O dia 11 de novembro de 1918 encheu de contentamento muitos milhões de pessoas que se viram finalmente livres da Guerra, com a definitiva rendição da Alemanha. 
O local da reunião, que durou três dias, foi mantido em segredo: só algumas fotografias e desenhos testemunham a existência do encontro. Com a assinatura do Armistício entre as delegações dos principais países beligerantes, chegariam ao fim as hostilidades que duraram 4 anos e três meses.

Nesta reunião em que se deliberou o fim da Guerra participaram, do lado dos Aliados, o General Weygand, o Marechal Foch, os Almirantes Britânicos Rosslyn Wemyss e G. Hope; e, do lado alemão, o Ministro de Estado Matthias Erzberger, o General Detlof von Winterfeldt do Exército Imperial, o Conde Alfred von Oberndorff dos Negócios Estrangeiros e o comandante Ernst Vanselow da Marinha Imperial.

Foi dentro de um vagão de comboio, na floresta de Compiègne, que foi assinado o Armistício de Compiègne, entre os Aliados e a Alemanha, que poria fim às hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial, em que Portugal também participou com milhares de homens, quer na defesa das nossas colónias em África, quer no teatro de guerra, na Europa Ocidental.

Terminada a Guerra impôs-se reorganização do mapa político da Europa e o estabelecimento de uma nova ordem internacional. Os tratados de paz, assinados em 1919 e 1920, alteraram profundamente o mapa político europeu, ao confirmarem a desintegração dos impérios Alemão, Austro-húngaro, Russo e Otomano que deram origem a novos países independentes, sobretudo no leste Europeu. Deste modo, a realidade política e étnica foi substancialmente modificada, criando novos problemas no relacionamento entre as nações.

Na sequência da “Conferência de Paris” (1919) foi fundada a SDN (Sociedade das Nações) com o objetivo prioritário de estabelecer uma nova ordem internacional, em que as relações entre estados seriam reguladas pelo direito internacional, acreditando-se, assim, que, de futuro, seria evitado o recurso à guerra para a resolução dos conflitos. A sede da SDN foi em Genebra (Suíça) e Afonso Costa (grande estadista português da Primeira República) chegou a ser eleito (em março de 1926) para presidir à sua sessão extraordinária. O facto dos EUA não a integrarem e de ser obrigatória a unanimidade de decisões limitou, como se sabe, a sua eficácia que foi posta definitivamente em causa com o eclodir da 2.ª Guerra (1939).

Mas, deste 1.º conflito mundial, houve consequências que não podemos ignorar: a Europa habituada a dominar o mundo (nos aspetos económico, financeiro, político, militar e cultural) vê-se, subitamente, debilitada em resultado da Guerra que matou milhões de pessoas, feriu e mutilou ainda mais, inutilizou terras e fábricas, criou enormes défices orçamentais, aumentou desmesuradamente a dívida pública e provocou extraordinários surtos inflacionistas. Este cenário verdadeiramente devastador esteve na origem de grande agitação social e política que provocou a implementação dos regimes ditatoriais, como foi o caso da Rússia (com o triunfo da Revolução Bolchevique), da Itália (com a ascensão política de Mussolini) e de Portugal, que viu definhar a sua 1.ª experiência democrática da 1.ª República, substituída, a 28 de maio de 1926, por uma ditadura militar que evoluiria, já na década de 1930, para o “Estado Novo” salazarista.

De facto Portugal, tendo participado na Guerra, contabilizou, à sua escala, também muitas vítimas, entre mortos e feridos. Terão sido, no total, à volta de 8 000 mortos (quase 5 000 em Moçambique, pouco mais de 2 000 em França – os últimos estudos apontam exatamente para 2 086: 2 012 praças e sargentos e 74 oficiais – e pouco mais de 800 em Angola), quase o mesmo número de feridos (a grande maioria em França) e praticamente o mesmo número de prisioneiros (a grande maioria na Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918).

Relativamente aos motivos por que morreram os 2 086 combatentes portugueses na Flandres, são apresentados os seguintes: em combate morreram 1 310, 70 em resultado dos gases, 121 por desastre, 529 por doença e 56 foram vítima da pneumónica.

No dia em que foi assinado o Armistício – 11 de novembro de 1918 – havia na força expedicionária portuguesa 21 267 baixas, entre as quais, 5 224 feridos, 6 678 prisioneiros e 7 279 incapazes para o serviço (muitos deles sofriam de tuberculose pulmonar).

A Europa, como continente, conheceria, paulatinamente, a perda da sua hegemonia internacional para os EUA (Estados Unidos da América), que conseguiram um enorme desenvolvimento económico à custa da Europa que não conseguia produzir para si nem para os seus mercados internacionais.

Assinada a paz, a economia americana conhece uma depressão, mas consegue a reconversão rápida e a década de 1920-1929 foi de uma grande prosperidade económica, à custa do crescimento do mercado interno, do desenvolvimento comercial, industrial e da especulação bolsista. O progresso técnico e o “fordismo” são também fatores importantes dessa prosperidade. No início dessa década, os EUA tinha cerca de metade do “stock” de ouro mundial.

Já no pós-2.ª guerra mundial, a Europa iniciou uma nova aposta: a sua união, como forma de recuperar o tempo perdido. É aí que, atualmente, nos situamos à espera de melhores dias, no contexto da política internacional.

publicado por viajandonotempo às 23:26

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