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Dezembro 14 2018

Estava na Estação do Rossio pronto para seguir para o Porto

Retrato_oficial_do_Presidente_Sidónio_Pais_(1937)

Oito dias depois da primeira tentativa falhada para assassinar Sidónio Pais, o Presidente da República seria mesmo morto a tiro na Estação do Rossio, em Lisboa, faz hoje (6.ª feira) cem anos.

Foi no dia 14 de 4ezembro de 1918, cerca das 23h 45m, que José Júlio Costa, um republicano das esquerdas e antigo militar, do concelho de Ourique, envolvido em lutas laborais mal resolvidas, assumidamente só, conseguiu furar os cordões policiais de segurança e aproximar-se o suficiente para disparar mortalmente sobre o Presidente da República, no primeiro piso da Estação Ferroviária do Rossio (em Lisboa) onde Sidónio Pais se encontrava, juntamente com o filho, para viajar durante a noite para o Porto. O presidente acabaria por morrer cerca da meia-noite já no Hospital de S. José. Durante o tiroteio morreriam 4 pessoas, mas o assassino seria preso e sobreviveria à vítima quase 30 anos, na situação de prisioneiro.

Foram feitas dezenas de prisões em Lisboa e nos arredores. Houve pessoas que se atreveram a falar em público contra o Presidente e foram vítimas de maus-tratos e algumas mesmo mortas, fazendo fé naquilo que se escreveu nas páginas do jornal “A Capital”, no dia seguinte ao assassinato (domingo, dia 15 de dezembro). A título ilustrativo transcrevemos, em português atual (para melhorar a compreensão), dessa edição de “A Capital” dois casos. O 1.º refere: «Pelas 8 horas da manhã, um indivíduo que estava à esquina das ruas das Amoreiras fazendo comentários sobre o atentado e comentando os atos do governo foi preso por dois soldados de artilharia e vários populares, os quais lhe deram tal sova que teve de ir para o hospital de S. José, em estado grave»; o 2.º relata o seguinte: «Esta manhã deu-se na rua da Boavista uma tragédia, consequência da morte do sr. Sidónio Pais. Um indivíduo que ali se encontrava, estava a falar sobre o caso, fez apreciações pouco favoráveis ao sr. Presidente da República. Vários populares caíram sobre ele e de tal modo o maltrataram que o deixaram morto».

Vários periódicos foram “assaltados” e estiveram fechados algum tempo. Foi o que aconteceu precisamente com o jornal “A Capital” que deixou de se publicar entre os dias 15 e 30 de dezembro de 1918.

O momento político e social que então se viveu foi de enorme consternação, porque Sidónio tinha granjeado grande popularidade e a fama de “salvador da pátria”, antecipando, em uma década, uma situação muito semelhante que haveria de reaparecer com Oliveira Salazar, a partir de 1928, dessa vez, porém, para ficar muitos anos.

A “Ilustração Portuguesa”, de 23 de dezembro de 1918, mostra bem este estado de espírito coletivo que se viveu no país: «Por toda a parte se derramaram copiosas lágrimas; soluçaram-se lástimas sentidas e tocantes sobre a destruição brutal de uma existência tão preciosa; mas não foram menos as maldições que se dardejaram estigmatizantes como ferros em brasa, contra esses ódios de morte, que se têm vindo semeando e fomentando entre nós, contra este fervedouro de paixões, que há muito não nos deixa um momento de tranquilidade, contra este processo degradante dos homens e das fações quererem decidir das suas rivalidades e dos seus conflitos, aniquilando-se como verdadeiras bestas-feras».

publicado por viajandonotempo às 15:24

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